Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Aumento do parto domiciliar na região

Mulheres de classe média optam pelo parto domiciliar


No ano passado, região registrou 44 partos em casa, sendo 13 deles em Ribeirão Preto; médicos não apoiam a medida.
Psicóloga precisou buscar ajuda em São Carlos; esse tipo de parto demanda persistência e muito planejamento do casal.



A arquiteta Carolina Maistro como filho de três meses Ivan, no apartamento dos avós do garoto


LIGIA SOTRATTI
DA FOLHA RIBEIRÃO

Se dar à luz em casa foi, no passado, a única alternativa para a maioria das mulheres, hoje, a decisão de ser mãe no conforto do lar é uma opção para um grupo seleto de mães de classe média. Com pouco apoio da classe médica, a decisão requer persistência, planejamento de todas as etapas -inclusive um plano "B"- e investimento de cerca de R$ 3.000.
De acordo com levantamento divulgado na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na região foram realizados 44 partos domiciliares em 2008. Em Ribeirão Preto, 13 bebês nasceram em casa.
Antônio faz parte dessa estatística. Em março de 2008, ele nasceu em casa graças à insistência de sua mãe, a psicóloga e artista plástica Isabela Mosca Pereira. "O parto normal sempre foi uma vontade. Quando resolvi ter meu filho em casa, eu e meu marido começamos uma maratona para achar alguém que aceitasse fazer."
Sem opções na cidade, a ajuda veio da enfermeira obstetra Jamile Claro de Castro Bussadori, 34, de São Carlos.
"Para ter um parto domiciliar, é preciso uma gravidez de baixo risco, ou seja, uma gestação sem problemas, e que mãe e bebê estejam bem. Depois da questão de saúde, é preciso trabalhar o lado emocional. É essencial que a mulher conheça o seu corpo para estar tranquila na hora do parto", disse Jamile.
Jamile carrega os instrumentos necessários ao parto e a banheira em que a parturiente vai dar à luz e diz sempre ter um plano "B" traçado. "Discutimos tudo antes, o hospital que a mãe será encaminhada, caso haja alguma alteração, e até o trajeto do deslocamento."
Mesmo com os cuidados, o coordenador de obstetrícia do HC (Hospital das Clínicas), Geraldo Duarte, não recomenda o parto em casa. "Se no momento mudarem as condições, para onde vai essa gestante? Vai ter vaga no hospital? Vai ter um obstetra à disposição? Para qualquer complicação de obstetrícia é preciso um hospital e um médico", afirmou.
Outra opinião tem a médica ginecologista Betina Bittar. Desde 1997, ela trabalha em São Paulo fazendo partos domiciliares. Ela admite que a opção é mais difícil, mas é viável.
"Levo todo equipamento, oxigênio, soro, alguns remédios, material de entubação. A gente sabe que pode terminar no hospital. Mas, segundo a minha experiência, isso é raro."
Isabela diz que as aulas de ioga e a intimidade com o próprio corpo contribuíram para um parto tranquilo "Fiquei 25 horas em trabalho de parto e não foi cansativo. Foi bonito e especial. Se puder, quero ter o próximo da mesma maneira."
A arquiteta Carolina Maistro, 30, que teve o bebê em casa em agosto, também quer repetir a experiência.


OMS recomenda só 15% de cesáreas; aqui chega a 88%
Profissionais dizem que exagero se deve à conveniência dos médicos e pacientes.
"Desinformação é o que leva a maioria das mulheres a não considerar o parto natural como a primeira opção", diz enfermeira
.

O número de crianças que nascem de modo natural tem caído ano a ano no país. Profissionais da área da saúde e mães apontam que a principal causa do aumento das cesáreas é a conveniência -para médicos e pacientes- e o medo da mulher de sentir dor.
De acordo com o Ministério da Saúde, 40% dos partos cesarianos no país são desnecessários. O índice recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de 15%. Na maternidade Sinhá Junqueira de Ribeirão Preto, esse índice chega a 88%. Neste ano, em média, o hospital realizou 300 partos -somente 12% deles foram normais.
Para o coordenador de obstetrícia do HC (Hospital das Clínicas), Geraldo Duarte, o alto índice de cesáreas é pura comodidade. "É culpa do médico e da população. É mais tranquilo para o médico em termos de tempo e para a mulher, que não vai ter que fazer tanto esforço. A cesárea é feita com hora marcada e termina em até uma hora. O parto natural leva, em média, de oito a nove horas de trabalho intenso", afirmou.
Para a enfermeira obstetra Jamile Claro de Castro Bussadori, que faz parto normal em domicílio e em hospital, a desinformação é o que leva a maior parte das mulheres a não considerar o modo natural como a primeira opção.
"As mulheres têm medo, principalmente devido àquele estigma de que o parto é um sofrimento e aos relatos de avós e mães que tiveram muitas dores para dar a luz", disse.
Para a ginecologista Betina Bittar, que realiza partos domiciliares e hospitalares, há várias explicações para o elevado número de cesáreas.
"Mulheres foram muito maltratadas e desassistidas e passaram a outras gerações essa experiência ruim. Somado a isso temos uma classe médica mal remunerada que não incentiva esse tipo de parto porque absorve mais tempo e disponibilidade do profissional. Em vez de fazer vários procedimentos, o médico pode passar um dia todo com a parturiente. Tem também a questão da mulher não se sentir capaz. É um conjunto", afirmou.
Ricardo Carvalho, ginecologista da HC e docente da USP (Universidade de São Paulo), afirma que é preciso um equilíbrio. "Até que se prove o contrário, a indicação deveria ser normal. A cesárea deveria ter uma justificativa médica, como o feto estar em sofrimento ou sentado, entre outros problemas", afirmou.
No entanto, a escolha pelo parto normal tem entraves. "Uma questão cultural que dificulta é que a mãe quer que o médico que fez o pré-natal realize o parto. Como no modo natural não tem horário e nem dia para nascer, pode ser outro profissional de plantão. Muitas vezes, isso leva a mãe a agendar a cesárea para ter o mesmo médico", disse.
Entre as vantagens do parto normal apontadas pelos médicos ouvidos pela reportagem está a recuperação mais rápida da mãe e a menor incidência de problemas como depressão pós-parto e desmame precoce.


Arquiteta de Florianópolis tem o filho na casa da sogra

A arquiteta Carolina Maistro, 30, desde que descobriu a gravidez, estava determinada a ter seu bebê em casa, em Florianópolis. Aos sete meses, resolveu visitar a família em Ribeirão, sua terra natal. Foi, então, que o bebê resolveu nascer.
"Quis passar por todo o processo, mas não esperava que fosse na casa da minha sogra. Não vou dizer que não senti dor, dói e muito. Mas eu estava calma e saber o que está acontecendo com meu corpo amenizou. Foi como eu imaginava."
Ao oito meses de gestação, a professora de educação física Tatiana Bierrenbach Carreiro, 29, já se decidiu. "Aguento bem a dor e não gosto da ideia de hospital, de não ficar com meu filho nos primeiros momentos. Meu marido é médico e, desde o começo, foi a nossa opção ter o bebê em casa", conta.
Com parto previsto para o fim de dezembro ou começo de janeiro, a futura mãe se diz preparada. "Fiz oficina para gestantes e vi que trocar histórias, medos e expectativas com outras mulheres é muito importante. Estou bem segura da minha decisão", afirmou.
Para não preocupar a família, ela adiou a comunicação de seus planos. "Não quero que o pessoal fique preocupado e ansioso. Depois eu te conto."


Parteira que se aposentou apoia o procedimento

Longe de mulheres grávidas há 17 anos, a parteira aposentada Thereza Garófalo, 72, é favorável ao parto normal e lembra com carinho da época em que ajudava bebês a nascer.
"Passei a minha vida toda em hospital e foi lá, fazendo cursos, que eu comecei. Quem abraça a profissão na área de obstetrícia e tem amor a isso, vive muita emoção. É um momento muito bonito", afirmou.
Entre as crianças que trouxe ao mundo está o neto, hoje com 35 anos. Ela diz não se lembrar do total de partos que já fez.
"Foi muita gente, a maioria parto normal. Acho uma pena isso ter mudado, a cesariana é uma boa alternativa quando as mães não têm condições para o modo natural, quando há dificuldade. Mas hoje ninguém nem mais tenta parto normal e já agenda a cirurgia", disse.
Thereza lamenta o desaparecimento do seu ofício. "Hoje ninguém valoriza mais. Na minha época, eu trabalhava em parceria com o médico. Acompanhava a parturiente, relatava a situação para o médico. Era um trabalho de orientação e apoio à gestante", disse.


*Fonte: FOLHA RIBEIRÃO

domingo, 8 de novembro de 2009

Sling feito com faixa de pano.

Vídeo que ensina a fazer um sling simples, com uma faixa de pano, e um tipo de nó que permite ajustar a altura.

Muito bom!

http://www.youtube.com/watch?v=YAWAk4svsl8

Aproveitem!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oficina de Preparação para o Parto

Programação:

Público Alvo: Gestantes com 14 semanas ou mais de gestação e acompanhantes.
Carga horária: 2 horas.
Horário: 9 às 11 horas.
Datas: 28/11/2009 e 19/12/2009

Investimento: R$50,00 (acompanhante não paga).
Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para michele@psico.net, por telefone 3307 6953 ou pessoalmente no IPC

Dúvidas sobre a oficina: entrar em contato com Emanuelle, pelo e-mail ecp@psico.net

Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Conteúdo Programático:
1. Como contar as contrações.
2. Como saber a hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Massagens que o(a) acompanhante pode fazer.

Facilitadoras:

Vânia C. R. Bezerra (CRP 06/51759). Formada pela Universidade Federal de Uberlândia em 1996, com Aprimoramento Profissional em Psicologia Clínica Hospitalar pela PUC Campinas em 1998. Educadora Perinatal (cursos para gestantes) formada pela Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004. Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP em 2006. Oferece cursos para gestantes, acompanhando partos como doula desde 2004.

Ana Frederica C. Locilento (CRP 06/87138). Formada pela UNESP Assis em 2005, com Formação de doula pela Associação Nacional de Doulas, e Aprimoramento em Psicologia da Gestante pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2009.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

GRUPO DE APOIO AO PARTO NATURAL

Objetivo: trocar experiências e tirar dúvidas sobre
a melhor forma de trazer um filho para o lado de cá da barriga!
GRATUITO
Moderadoras: Ana Frederica e Vânia (doulas),
Carla Polido (obstetra) e Jamile Bussadori (Enfermeira Parteira)

Reuniões Quinzenais às terças-feiras, 19h30 no

CEO - Rua 9 de julho, 1615 - Centro São Carlos/SP
Próximas datas: 10/11 - 24/11 e 08/12/2009.
Informações: (16) 3372-0254
"Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer". (Odent, 2002)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luciana, Mauro e Matheus - 25/01/2009


Luciana me ligou às duas da manhã dizendo que as contrações já estavam ficando fortes, embora ainda com um intervalo grande (de 10 a 15 minutos). Conversamos um pouco sobre pr´s e contras de irem me buscar. Sair de casa, andar de carro, voltar comigo prá casa poderia fazer as contrações darem uma parada. Mas se o desconforto já era significativo eu poderia ajudar. Depois de uns quinze minutos ela ligou novamente. Tinha decidido que queria companhia e ajuda. Estavam vindo me buscar.


Tomei um banho rápido, tomei café, arrumei meus apetrechos, liguei a televisão, fiquei vendo filminhos da madrugada. (Em tempo: eu estava sem carro, e eles moram em um bairro afastado do centro, assim como eu. Do meu bairro para o deles só tem ônibus de duas em duas horas, começando correr às sete da manhã. Se eu pegar um que vá para o centro e outro que vá para o bairro, demora duas horas prá chegar, então não vale a pena...).


Chegaram às 5 da manhã. Mas o dia ainda estava longe de clarear por ser horário de verão. Sentei-me no banco de trás, atrás da Luciana, e fiz massagens nos ombros algumas vezes durante o percurso de volta prá casa deles. Paramos três vezes para esperar a contração passar.


Chegamos à casa. Eles tem dois cachorros: um pit bull e um rotweiller velhinho, mas que poderia me estranhar... Tiveram que fazer um jogo de logística prá eu poder entrar, e por fim o pit bull ficou preso na sala e o rotweiller na garagem, depois de todo o jogo de "prende aqui enquanto ela passa por ali...". Rrsrsrs... eu heim... melhor doula inteira do que faltando pedaço...


Aí fomos para o quarto, eu e Luciana, enquanto Mauro foi prá sala, dormir junto com o pit bull. (Me dei bem! hehehe...)


Luciana quis tentar descansar um pouco, mas não se sentia bem deitada de lado. Preferiu ficar meio sentada na cama, apoiada em traveseiros, e nem chagava a se levantar quando vinham as contrações, de modo que fiquei ali respirando junto com ela, ajudando a relaxar os ombros, contando as contrações, cobrindo e descobrindo, colocando cobertores dobrados sob os pés prá ajudar a relaxar as pernas. Acho que ficamos assim até o meio da manhã, quando demos umas voltinhas pelo corredor. A vontade era de caminhar na rua, mas estava chovendo forte.


Luciana tomou um banho quente, enquanto fiz um chá. Procurei café prá fazer e descobri que eles não tem o hábito de tomar café em casa, e sim na clínica. Azar meu... rsrsrs.


Depois do banho, ficamos um pouco no quarto, o Mauro apareceu, deu uma olhadinha... eram mais ou menos onze da manhã. A Lu ficou um pouco sentada na bola, de costas prá mim. Fiz massagens e coloquei a bola de água quente. A chuva deu uma trégua, mas continuou bem nublado. Decidimos dar uma volta. Ela se agasalhou, eu também, pegamos sombrinha, e saímos a dar uma volta na chuva fina, que dava uns intervalos... Demos uma volta de 3 quarteirões, parando e nos abraçando durante as contrações. Essa posição de abraçar e massagear as costas quase sempre traz conforto, e Luciana se sentia bem assim.


Voltamos prá casa. O pai dela ligou. Desejou boa sorte. A mãe também.


Falei pro Mauro que estávamos com fome. Ele achou duas maçãs na geladeira, picou e levou prá ela. Ela comeu uma e eu comi a outra. (Uma e meia da tarde).


Aí ele lembrou que tinha que ir atender no consultório. Ficamos um tempo num impasse: vai com o carro, e volta, ou vamos todos... Luciana tinha hora marcada na obstetra às 16h00. Ligou prá ela, disse que as contrações ainda estavam de cinco em cinco minutos. Ela disse prá irmos pro consultório que ela seria atendida mais cedo. Assim, ficou decidido: vamos todos. Deixamos ele no consultório e fomos para a consulta da Luciana. Subimos escadas, e na sala de espera tinha um casal que fazia umas caras de curiosidade/susto quando vinhamas contrações. Quando passava a secretária falava: "a próxima é você viu Luciana?". Achei que era bom sinal, de secretária que não assusta com parturiente na sala de espera...


Entramos, a Lu foi eaminada, estava com 6cm de dilatação. Batimentos Cardíacos Fetais OK. A médica a parabenizou, dizendo que estava sendo forte e corajosa. Fez a carta de internação e recomendou que ela fosse para a maternidade.


Saímos de lá. Graças a Deus a Luciana é do tipo que contrata doula e confia nela. Seis cm, contrações de 5 em 5 minutos, é cedo prá internar. Vamos comer alguma coisa? Ela queria tomar suco de laranja. Fomos a uma lanchonete perto do Centro Médico, ela tomou seu suco. Mas não tinha nada gostoso prá comer... Fomos a outra lanchonete - Pão de Queijo Mineiro - na Praça da Quinze. Comi um pão de queijo e tomei um café, abençoado café, às quatro e meia da tarde. Quando estávamos voltando para o carro, antes de atravessar a rua, num lugar muito movimentado, Luciana teve uma contração e se apoiou naquele postinho que tem as plaquinhas com os nomes das ruas. Eu tive impressão que as pessoas diminuiam a velocidade dos carros pra ver o que estava acontecendo, e eu lá, fazendo minha cara profissional de paisagem...


Fomos buscar o Mauro. Ele estava fazendo um download de sei lá o que, e ficamos esperando terminar. Enquanto isso a Lu vomitou o suco. Normal. Tinha uma senhora lá contando que a avó dela foi parteira, e que quando ela foi ter neném sentiu que a avó a acompanhava. Eu achei lindo.


Depois de fechar a clínica, fomos prá maternidade. Chegamos 18h30. E para a minha completa surpresa... "A maternidade está lotada. Vamos ter que remanejar pacientes do SUS prá liberar um quarto prá senhora. Pode aguardar sentada ali". Fomos pro cantinho. Falei prá eles: "vcs não querem ir prá outra maternidade? Lá o horário de visitas é mais flexível pq o movimento é menor, e vcs vão ter um atendimento melhor".


O Mauro foi lá falar com a recepcionista.

- "O atendimento não fica prejudicado por que está lotado?"


Pensei que ela fosse responder que fica... rsrsrs... mas ela disse que, quando isso acontece, quem está de folga é chamado prá reforçar o atendimento".


- "Mas ela vai ser internada em quarto de SUS?"

- "A diferença é só o tamanho do banheiro, O atendimento vai ter a mesma qualidade".


A recepcionista pegou o telefone sem fio e foi ligar prá médica. Voltou e disse: - "A Dra falou que a dilatação dessa parturiente já deve estar completa, que é prá internar imediatamente. A Sra vai ficar na sala de pré-parto do SUS enquanto estamos liberando um quarto. Pode entrar por ali..."


Entrei com a Lu enquanto o Mauro ficou fazendo a internação. A médica chegou em seguida, e começou a operação PC. Sabe o que é PC? Pacote Completo.


Coloca um sorinho.

Dilatação completa mas o bebe está muito aaaaaaaalto.

Traz a pinça prá eu romper a bolsa.


Luciana ainda tentou argumentar:

- Não pode esperar romper sózinha?


E a resposta foi:

- "Faz uma forçona bem grande durante a contração".


Rompeu a bolsa. Líquido limpo.


Sugeriu que ela fosse um pouco prá baixo do chuveiro. Mas uma vez embaixo do chuveiro, era prá ficar de cócoras durante a contração e fazer bastante força prá ajudar a descer.


O Mauro, além de esposo e pai, é treinador da Luciana.

- "Luciana, tudo é uma questão de consciência corporal. Foca nos músculos abdominais".


-"Dra, a sala está liberada"

- "Então podemos ir".


Mauro decidiu que entraria prá acompanhar o nascimento. Como eu tinha me comprometido a ficar a primeira noite com a Lu, pedi o carro esprestado prá ir prá casa tomar um banho e jantar. Fiz isso, coloquei meu filho prá dormir, e voltei prá maternidade.


Quando cheguei, Luciana já estava de volta no quarto. Entrei, ela olhou prá mim e disse:

- "Eu não quero ver a cara dessa médica nunca mais".

E o Mauro:

- "Sabe a história do médico e o monstro? Ela se transformou lá dentro!"


O porteiro/segurança pediu licença e falou que agora só a acompanhante poderia permanecer no quarto. E o Mauro respondeu:


- " Eu não vou sair daqui antes de ver meu filho".


A mãe da Lu despediu-se e foi embora. O segurança veio e disse que ia demorar um pouquinho por causa da lotação, que estavam sobrecarregados, mas logo o bebê viria. O Mauro reafirmou que só sairia depois que ele estivesse no quarto. O segurança saiu.


Contara tudo o que aconteceu. Poso resumir a falta de compromisso com a humanização na seguitne frase da obstetra: - "Luciana, deixa de ser rebelde. Agora é entre eu e o feto, e você vai fazer o que eu mandar".


E prá completar o parto PC teve epsiotomia monstro e kristeler violento (empurrão na barriga).


Infelizmente, escutei uma frase esses dias que se encaixa: não dá prá ir a uma lanchonete fast food e querer comer comida francesa... (prefiro italiana, mas entendi o ditado).


O bebê veio pro quarto. Gelado, e com um pé prá fora da roupa, que tinha sido abotoada errado. O Mauro, depois de uns minutos, foi convidado pelo segurança a sair. Foi embora.


Passada mais ou menos uma hora, fui falar com a enfermagem.

- " O bebê está gelado, e as maõs estão roxas..."

- "Pois é, vocês não queriam que viesse logo pro quarto! Então! Se não melhorar ele vai ter que voltar pro berço aquecido no berçário".


Fiz sinal de positivo. Voltei pro quarto, tirei aquele macacão fininho da maternidade, coloquei luvas e meias, uma roupinha mais quente, o macacão pro cima de tudo, coloquei-o sobre o peito da Luciana e dois cobertores por cima de tudo. (Aguenta ai Lu que vai esquentar um pouco). Os dois estava sonolentos, não se incomodaram. E o Matheus foi ficando coradinho, as mãos perderam o arroxeado. Conseguimos!


Passei a noite lá, mas passei mal a madrugada toda. Eles não sabiam, mas a essa altura já era minha terceira noite sem dormir. Quando os ônibus começaram a correr, a Lu estava acordada e amamentando. Morrendo de vergonha eu me despedi e fui embora, torcendo pra mãe dela chegar logo, prá não ficarem sozinhos muito tempo. Mas se eu ficasse ia acabar dando mais trabalho do que ajudando.


Espero que o mundo reserve ao Matheus uma vida mais tranquila do que foi a sua cena de nascimento, e que sua força para superar esses traumas estabeleça um vontade insuperável de contribuir para um mundo melhor.


Ao casal, minha eterna amizade.


Vânia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Janayna, Gustavo e Rael

RELATO DE PARTO DA JANAYNA – NASCIMENTO DO GUSTAVO – 23/10/2008

Janayna estava muito ansiosa para entrar em trabalho de parto, manifestou algumas vezes que a espera estava sendo muito difícil. Jamile então sugeriu que ela fizesse algumas sessões de acupuntura, e começasse a tomar alguns preparados homeopáticos para induzir o início do TP.
Rael me ligou meia noite e vinte, contando que a bolsa de águas havia rompido, mas ainda não havia sinal de contrações. Respondi algumas perguntas, tudo parecia estar calmo, orientei que esperassem, não havia pressa. Voltei a dormir.
O dia amanheceu.
No meio da manhã liguei para saber notícias. Sempre fico com medo de ligar e acordar quem acabou de conseguir dormir... Estava tudo bem.
Um pouco mais tarde a Jamile ia até lá para verificar os batimentos cardíacos do bebê, a dinâmica uterina, deixar alguns apetrechos... fui junto e fiquei por lá, já que as contrações estavam começando ficar mais próximas, e Janayna já manifestava certo desconforto.
Na hora do almoço o Rael saiu para buscar marmitex no restaurante preferido do casal, com recomendação de trazer peixe – desejo manifestado pela Janayna (ou pelo Gustavo?), mas não tinha... A tarde foi passando... massagens, banhos, duas caminhadas em volta do quarteirão... eu, Jamile e Janayna. Rael trabalhava no seu computador.
Jantamos pizza.
As contrações vinham e iam, se aproximavam e afastavam... Por três vezes a Jamile colocou agulhas de acupuntura para regularizar as contrações, e Janayna suportava heróicamente a agulha perto do tornozelo, e outra no dedinho do pé... ficava ali sentadinha, esperando Gustavo... Homeopatias... As horas foram passando... e chegaram os 6cm de dilatação. Montamos a piscina, enchemos a piscina, mantivemos a temperatura da água quente... e quatro horas depois, no exame de toque, Jamile disse que a dilatação continuava a mesma.
Passava de duas da manhã, portanto já tínhamos mais de 24 horas de bolsa rota. Jamile disse que tínhamos chegado a um ponto em que ficar em casa poderia ser improdutivo. Parecia que o colo do útero tinha descido, sem aumentar a dilatação, o que poderia ser um sinal de desproporção. Estava tudo bem com a Janayna e com o Gustavo, mas estarem com mais de 24 horas de bolsa rota trazia um certo risco de infecção... então o casal decidiu ir para a maternidade.
Jamile ligou para a obstetra que estava de sobreaviso, fomos para a maternidade, e chegando lá Janayna foi encaminhada para a cesárea. A obstetra disse que poderiam tentar a indução, mas que indução mais anestesia raquidiana (a única disponível nesse caso), poderiam trazer alguns riscos, na opinião dela, maiores que os da cesárea. Então o casal aceitou a cesárea.
Enquanto isso, Rael teve que sair da maternidade e ir a outro endereço, onde pagaria pelo atendimento do plano de saúde que eles tinham adquirido quando ela já estava grávida, sob a promessa de que quando entrasse em trabalho de parto pagariam um tipo de multa/acerto por ainda não terem cumprido a carência. A surpresa foi que chegando lá o atendente disse que isso não era mais possível. Então o casal teve que pagar mais do que tinha sido planejado para ficar em um quarto de SUS, por que já tinham chamado a obstetra do plano, então tiveram que pagar por um parto particular.
Foi a primeira vez que vi um pai de família que está se formando, parado na porta do Centro Cirúrgico. É uma visão triste. Famílias, principalmente em formação, não deveriam ser separadas. (Palavra de Psicóloga Hospitalar, com formação voltada para a Psicologia da Gestação, Parto, Puerpério e Amamentação... mas pensem bem... precisa ter toda essa especialização para ter sensibilidade? O que pensar de quem tem formação mas acha que na maternidade está tudo certo e todos são muito bonzinhos?). Enfim...
Janayna chorou muito quando chegou ao quarto, porque achava que ficaria em um apartamento individual, onde o Rael poderia permanecer com ela, mas agora ia para um quarto coletivo, onde a acompanhante deve ser necessariamente do sexo feminino. Esse imprevisto trouxe ao casal muito mais sofrimento do que a frustração pelo parto ter se tornado cesárea. Porque foram separados mais uma vez!
Quando fui visitar o casal, já em casa, Janayna estava muito cansada, pela noite passada em trabalho de parto, pela noite anterior, em que, depois da bolsa romper ela já não tinha conseguido dormir bem... pelas duas noites na maternidade, com o entra e sai de enfermeiras que medem pressão, temperatura, trazem os remédios necessários, e os bebês que acordam cada um a seu tempo (graças a Deus essa maternidade não é do tipo que toca uma buzina para todos os bebês acordarem ao mesmo tempo). Ajudei-a a deitar-se de lado e amamentar o bebê na cama. Enquanto alguém fica olhando não tem problema. Janayna pode descansar um pouco.
Mas depois a família reclamou que eu tinha ficado com a mamãe e o bebê só prá mim... ficaram com ciúmes...

Voltei alguns dias depois e Janayna estava tendo um pouco de dificuldade com a amamentação. Gustavo era um carinha bem guloso e um tanto carente... não queria desgrudar da mãe. Todas as tentativas de colocá-lo no carrinho ou na cama resultavam em choro... Nessas horas o apoio à mãe é fundamental, até que o bebê comece a ter umas horinhas de sono e ela possa descansar. Foi o que tentei fazer.
Espero que a família esteja feliz, espero que o Gustavo (quarto escorpiniano que acompanhei na chegada a este lado), continue persistente nos seus objetivos e consiga tudo da vida, assim como nos primeiros dias conseguia sua mãe só para ele. Ao casal, agradeço a honra de ter sido chamada para o dia em que deixaram de ser um casal e tornaram-se uma família.
Abraços carinhosos,
Vânia C. R. Bezerra

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marcela, Marcelo e Sofia - 21/09/2008


Marcela me procurou quando estava mais ou menos com 6 meses de gestação. Disse que tinha conseguido meu nome com a Ana Cris, que já tinha lido alguma coisa sobre parto natural e queria o mínimo possível de intervenções.



Fui à casa dela e começamos nossos encontros: eu, ela e o marido - Marcelo, em busca do parto natural. Assistimos muitos filmes, trocamos informações, e o casal foi percebendo que o tipo de parto que queriam seria difícil de ter em um hospital. Começaram também os encontros com a enfermeira obstetra - que gosta de ser chamada de parteira, graças a Deus - e começaram a construir o caminho em direção ao parto domiciliar. Como o tempo aí já era curto, o processo foi um pouco sofrido, mais ou menos como acontece quando um parto é muito rápido, sabe? Para dilatar tudo em pouco tempo as contrações precisam ser bem mais fortes...



No final da gestação ainda fizeram uma tentativa de ter dentro do hospital um parto natural, com um tipo de obstetra de vidro por perto. (Obstetra de Vidro é o título de um livro do obstetra gaúcho Ricardo Jones, e o termo significa, simplificando, que ele fica invisível ou reflete a imagem de quem o olha, e só entra em cena, ou seja, só se torna visível se houver necessidade de intervenção). Infelizmente a tentativa de ter um obstetra de vidro por perto acabou em mais um episódio de stress e frustração, mas também teve seu lado bom, já que reforçou a opção do casal de parto domiciliar.

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Marcela estava tendo contrações desde quinta-feira - espaçadas, mas fortes o suficiente para promover o esvaecimento do colo do útero - sem dilatação. De qq forma a recomendação da Jamile foi para a Marcela ficar mais quietinha, não fazer caminhada nem ir nadar, já que o Marcelo estava viajando e seria melhor se desse tempo dele chegar.



Ok, ele chegou.



Sábado de manhã Marcela me ligou. Gostaria de poder explicar como é conversar com a Marcela por telefone. A voz dela é doce, é calma, é quase um mantra... Exprime com exatidão o modo como ela encara a vida. Então... ela disse que estava com contrações já com algum rítmo, e se aproximando. Eu disse que iria prá lá e ela respondeu: - "Não, não, ainda não... estou avisando só para você saber que será hoje, mas agora eu vou sair prá fazer umas comprinhas, ajeitar umas coisas... depois, quando for a hora eu te ligo... eu estou tão feliz que ela vai nascer num dia tão bonito, temperatura amena, ensolarado... "


Ai que delícia!

No meio da tarde o tempo começou a virar... liguei prá minha irmã, pedi prá deixar o carro comigo porque existi a possibilidade de ter que ir de madrugada, e chovendo... não dá prá ir de moto. Ela trouxe o carro, e ele passou a noite tranquilamente na garagem. Devolvi no domingo pela manhã.


No meio da manhã liguei prá Marcela, ela disse que a Jamile tinha ido lá no dia anterior verificar a dinâmica uterina e os batimentos cardíacos da Sofia, que estava tudo bem...

- "Vânia, esta bebezinha está brincando de deixar todo mundo esperando" rsrsrsr"


Liguei prá Jamile, pedi prá ir junto quando ela fosse novamente fazer os exames, e mais ou menos as 11h00 ela foi me buscar. Chegando lá, feitos os exames, tudo normal, pedi permissão prá ficar um pouquinho. Marcela concordou. Almoçamos uma sopa deliciosa, e já durante o almoço as contrações começaram a ficar mais fortes e próximas. Marcela tinha que se levantar da mesa e eu comecei a fazer as massagens nas costas. A contração passava e nos sentávamos e continuávamos a comer. Também teve chá de canela, eu e Marcelo acompanhando.


Marcela quis ir se deitar um pouco, mas já não achou posição para ficar deitada, tinha que se levantar durante as contrações. Começamos a preparar o cenário. Marcelo inflou a banheira de parto que a Jamile já tinha deixado lá, enquanro a Marcela se ajeitou sentada na bola e se reclinando sobre travesseiros colocados na beirada da cama. Eu levei a bolsa de água quente, e durante as contrações ela "descia" da bola e ficava de cócoras.


Jamile e Camila chegaram mais ou menos as três da tarde. A banheira já estava enchendo, eu fazendo as massagens, e tudo muito muito calmo. Exames tranquilizadores, sempre.


Quando a banheira ficou cheia Marcela foi prá água, e ligamos também um aquecedor no quarto. O dia todo ficou nublado e no final da tarde fazia um friozinho. Marcela pediu água muitas vezes, mas também tomou suco, e alguma coisa com açaí e mel, não me lembro mais... Marcelo trazia o que ela pedia, fazia carinho, incentivava, enfim... um casal lindo de ser ver.


No final da tarde o resultado do exame de toque foi um pouco frustante para a Marcela, que esperava que já estivesse mais diltado, em parte também porque eu cometi um pequeno erro de avaliação e falei demais... mas a Marcela, com sua força e sua doçura superou isso também. Jamile sugeriu que ela fosse um pouco para ao chuveiro, e quando ela saiu da banheira a Camila disse ter sentido cheiro de líquido amniótico. A bolsa tinha rompido.


Em baixo do chuveiro, sentada na banqueta de parto, Marcela teve uma ligeira queda de pressão, e se esforçou para se alimentar. Comeu um pouco do sanduíche azeitonado oferecido pelo marido, mas depois de algumas mordidas abriu o sanduíche o comeu só as azeitonas. Enquanto isso o aquecedor do quarto foi desligado porque o quarto muito quente favoreceria a queda de pressão, e logo ela quis voltar para a banheira.


Começou a se agitar um pouco durante as contrações. E chegou a dizer que não aguentaria se piorasse... Todo mundo em volta incentivando: agora falta pouco.

Eu, Camila, Jamile e Marcelo carregando água quente para manter a temperatura certa. Luz apagada, só a do corredor acesa, quarto na penumbra. Música tocando no laptop lá no outro quarto.

Uma ou duas vezes ela pediu: tira essa música que eu não gosto muito... põe aquela do homem de bem.

Um pouquinho mais agitada, Marcela se afastou na banheira, encostou lá na parede. Jamile colocou as luvas longas. Com uma lanterna eu e Camila nos revezávamos iluminando a cena. E eu filmando com a máquina deles. Marcela começou a chamar: "Vem bebezinha, vem!"

Veio a cabecinha. Todos em silêncio. O tempo certo para a rotação e a próxima contração. Dois pequenos gritos de guerreira. Pareciam gritos de suspresa. E Sofia foi recepcionada nos braços da Marcela, com exclamações de reconhecimento: - "oi bebê!".

Dessa vez eu chorei. Um chorinho gostoso. Inesquecível.

Marcela saiu da banheira com Sofia nos braços, amparada pelo Marcelo. Foram prá cama. No corredor, eu, Jamile e Camila nos abraçamos.

Os telefones começaram a tocar. Domingo a noit é dia de família ligar né? Mais ainda quando sentem que tem alguma coisa acontecendo! Rsrsrs

Jamile examinou e tinha uma pequena laceração. Decidiram não dar pontos. Colocaram gelo, e pouco tempo depois tiveram certeza de que tinha sido suficiente.

Sofia mamando, laceração cuidada, tudo em paz. Marcelo abriu um vinho, e erguemos um brinde à paz. Aos nascimentos em paz, felizes.

Marcelo serviu um lanche, Marcela tomou uma sopinha. E todo mundo ligando prá casa, comunicando o nascimento. Depois limpamos a casa. Quando a gente sai parece que nada demais aconteceu. Mas essa família acabava de entrar para o círculo dos nascidos em paz.

Marcela, guerreira da paz, parabéns pela força.
Marcelo, parabéns pela calma e pelo companheirismo.
Sofia, parabéns pela linda família da qual agora você faz parte.

Beijos a todos, e obrigada pela honra de fazer parte desta história.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Thaís, Daniel e Caio - 07/04/2008


Meu marido e filho viajaram sem mim. Uma semana antes da data da viagem comecei a pensar o que faria caso a Thaís entrasse em tabalho de parto (TP) de madrugada e eu estivesse a 200Km de distância... de tanto pensar e não conseguir decidir acabei com uma baita crise de alergia que me deixou de cama. Resolvi não ir.

Eles viajaram no sábado pela manhã. Dormi a tarde inteira. Passei o domingo planejando uma palestra que daria para gestantes dali a 10 dias, voltei para casa e dormi super cedo. 10 prá uma da manhã o telefone tocou. (Todas as doulagens começam com o telefone tocando:)

Falando bem baixinho:- "Vânia? Oi, é a Thaís. Minha bolsa acabou de romper, saiu muito líquido... na verdade eu tô ligando mais para te avisar e ver o que a gente faz... as contrações ainda estão bem leves, de 7 em 7 minutos mais ou menos. Não sei se já seria o caso de você vir prá cá..."
- Quanto duram as contrações?
-"Acho que uns 4 minutos..."
- Não pode ser.
- "Ãh?" (ops... contrações durando 4 minutos seria muito perigoso, mas neste caso ela não estaria tão tranqüila, estaria com muita dor, portanto me tranqüilizei também.)
- Estou indo. Daqui a pouquinho eu chego. É hora de trabalhar!

Tomei um banho rápido, peguei a bolsa de água quente, meus CDs, a bolinha de massagem... e fui de moto. Fazia mais de um ano que eu não pilotava uma moto, mas fui bem. Era madrugada, nem tinha movimento nas ruas. Acho que só cruzei com dois carros durante todo o trajeto. Quando cheguei fiquei atrapalhada e não conseguia travar a direção. Mas por fim consegui.

O Daniel veio me receber e encontrei a Thaís na cozinha. As contrações ainda estavam tranqüilas, saiu um pouco de líquido amniótico, bem límpido e com cheiro característico. Tudo tranqüilizador. Mas as contrações já duravam mais de 40 segundos e com intervalos de 2,5 a 3 minutos... 3 contrações em menos de 10 minutos. Sem dúvida é hora de chamar a Jamile.

- Você está sentindo ele mexer?- "Não muito... não me lembro..."
- Me avisa quando sentir ele mexer tá?

Em pouco tempo Thaís disse que sem dúvida tinha sentido o bebê se mexer e com força. E daí a pouco outra vez... indicando estar tudo bem.

Comecei a ligar para a Jamile e nada dela atender: nem o fixo, nem o celular... nem o fixo, nem o celular... as contrações ficando mais fortes e mais próximas.

Thaís aceitou um chá com bolachas oferecido pelo Daniel, que também já tinha participado da limpeza do líquido amniótico. Não dava tempo nem dela acabar de comer a bolacha e lá vinha outra contração. Thaís se sentia mais confortável abraçando alguém pelo pescoço e deixando a barriga ir para a frente, movimentando o quadril de um lado para o outro... eu e Daniel nos revezávamos nesta função, e eu comecei também a testar as possibilidades de massagem nas costas, e nos ombros (entre as contrações).

E continuava ligando para a Jamile: nem o fixo, nem o celular, nem o fixo, nem o celular...

Thaís: - "Eu tô achando que está acontecendo muito rápido"...

Nem o fixo nem o celular... preciso encontrá-la. Lista telefônica. Telefones das das maternidades. E a parte complicada: falar manso suficiente para transmitir segurança ao casal, e com urgência suficiente para que as telefonistas das maternidades aceitassem me ajudar:

- "Eu preciso de um favor... eu preciso falar com a Jamile e com o esposo dela, o Dr. José Augusto. Eu estou com uma mulher em trabalho de parto e combinamos com eles que ligaríamos antes de ir para a maternidade, mas eu não estou conseguindo falar na casa deles. O celular da Jamile também não está atendendo. Eu precisaria ligar no celular do Dr. José Augusto... eu vou falar os números da casa deles e do celular da Jamile prá vc ver que eu não estou mentindo... olha, os números são esses...".

Claro que nenhuma das duas me passou o número do celular do Dr. José Augusto, mas ambas anotaram o meu nome e o da Thaís e disseram que tentariam encontrá-los. Confiamos nisso e pouco tempo depois o telefone tocou. O Daniel até falou: -"Telefone tocando a esta hora, só pode ser ela..."

Fui atender e expliquei o intervalo e a duração das contrações, ela disse que já estava vindo.Voltei para junto da Thaís, continuamos testando as posições mais confortáveis: cócoras sustentada, sentada sobre os joelhos entre mim e o Daniel, mas a mais confortável continuava sendo pendurada no pescoço e recebendo massagem no quadril. Essa parte era muito tranqüila também, porque a Thaís sempre dizia o que queria e como se sentia melhor.

Ela voltou a afirmar que estava achando tudo muito rápido: - "Eu me preparei para um Trabalho de Parto mais longo, mas do jeito que está indo acho que antes do meio-dia já terá nascido! (Ela calculou 12 horas de TP, o que seria bastante razoável para o primeiro parto). O que você acha Vânia?"

- Eu acho que antes de amanhecer o dia já vai ter neném nesta casa.Os dois ficaram me olhando meio estáticos, com os olhos ligeiramente arregalados. Foram poucos segundos, mas longos o bastante pra quem está próximo de se tornar pai e mãe pela primeira vez. Foi muito lindo!

Logo veio mais uma contração, para nos trazer de volta ao trabalho, e depois outra... Thaís perguntou se podia ir para o chuveiro. Sim. Então nos mudamos para o banheiro: bola, aparelho de som portátil, o cd com músicas sobre o tema da água, que já estava tocando na sala e embalou quase todo o TP. Logo o Daniel entrou junto no box, Thaís continuava se apoiando nele durante as contrações, e nos intervalos tentava sentar-se um pouco na bola, mas também não se sentia confortável assim. Era uma tentativa de descansar os pés e as pernas, mas duravam poucos segundos.

Jamile chegou. Fui abrir a porta e ajudei a colocar as coisas para dentro. Enquanto fazíamos isso ela explicou que o telefone do quarto havia sido desligado acidentalmente. Provavelmente alguém tropeçou na tomada. Aí o outro telefone tocava lá na sala, e com a porta do corredor fechada o som ficou muito baixo, por isso demoraram a acordar. Quanto ao celular... estava desaparecido.

Fomos encontrar a Thaís. Todos os quatro no banheiro. Jamile auscutou os batimentos cardíacos do neném, e estava tudo bem. Thaís sentou-se na banqueta de parto trazida pela Jamile, mas sentiu um desconforto muito grande no exame de toque, de modo que a Jamile parou, mesmo sem ter chegado a uma conclusão. Ela disse que: ou a dilatação estava em 8 cm ou estava total com um rebordo (faltando apenas uma parte do círculo atingir a dilatação completa). Nos dois casos a conclusão seria próxima: faltava muito pouco. Então era preciso preparar a recepção do bebê.

Jamile trouxe uma mesinha para o banheiro, onde abriu o Kit de parto: luvas, gases, pinças, etc... Depois perguntou sobre a roupinha do bebê, e descobrimos que não tinha nenhuma troca de roupa seca. Enquanto eu fiquei no banheiro, fazendo massagem durante as contrações, agora com óleo de banho, incentivando e tirando dúvidas, Jamile pegou uma roupinha e foi secar com o ferro de passar roupas. Thaís queixou-se de fome, e nos intervalos das contrações comeu uma banana. Quando eu achei que o parto estava muito próximo, troquei de posto com a Jamile e fui terminar de secar a roupinha.

Poucos minutos se passaram e a Jamile me chamou, dizendo que o bebê já estava bem baixo. Fui para lá, e Thaís disse que estava com sede e sentindo um pouco de fraqueza. Antes disso eu já tinha levado um suco de uva, de caixinha que tinha na geladeira, mas desta vez peguei umas laranjas e fiz um suco com uma boa colheirada de açúcar. Enquanto eu estava na cozinha espremendo as laranjas, e esperando a água esquentar a bolsa térmica que ela tinha pedido, Thaís dava uns gritos longos durante as contrações, e os cachorros da vizinhança começaram a uivar em resposta! Eu achei o máximo... Entrei no banheiro com o suco e a bolsa térmica, e perguntei se tinham escutado os cachorros. Estavam todos rindo, imaginando se os vizinhos chamariam a polícia...

Thaís tomou o suco. E disse que era o melhor suco de laranja que já tinha tomado... Daniel colocava a bolsa de água quente durante as contrações e ela disse que melhorava um pouco. Logo aquela dor localizada diminuiu e a Jamile disse que era porque o bebê já estava bem mais baixo.

Mesmo sem termos combinado nada, peguei a máquina digital que estava por ali e com a qual já tínhamos tirado algumas fotos, e comecei a filmar. Então a cabecinha saiu, e com mais uma contração veio o corpinho. Com muita tranquilidade ele foi colocado nos braços da mãe. Jamile olhou a hora, ele já chorava forte e logo se acalmou. Ficamos um pouco por ali, mas a Thaís se queixou de desconforto por estar sentada no banquinho de parto, então resolvemos ir para o quarto. Embrulhada em toalhas, andando devagar e com seu filho nos braços, Thaís foi para o seu quarto e deitou-se na sua cama, que tinha sido forrada com um lençol absorvente trazido por Jamile. Neste momento, enquanto ajeitávamos as coisas no quarto, Thaís olhou para o bebê e disse:

-"Oi filho! Você acredita que você já nasceu?! Porque parece que a mamãe ainda não acredita!" (e o aconchegou mais em seus braços).

O cordão umbilical já tinha parado de pulsar e foi cortado pelo Daniel, que logo pegou o bebê no colo e ficou por perto enquanto aguardávamos a saída da placenta. Isso foi um pouco mais demorado do que costuma ser. Jamile colocou algumas agulhas de acupuntura, colocou o bebê para mamar, fazia massagem no útero, e enrolava o cordão que descia, pelo que se via que a placenta também estava descendo, apesar de lentamente. Thaís se queixou de não ter sido informada que a saída da placenta também causava dor, mas realmente não costuma ser mais que um desconforto. Finalmente ela saiu, foi examinada pela Jamile e descartada. Aí era hora dos pontos... um capítulo à parte. Como a placenta demorou a sair o períneo já estava um pouco inchado, o que dificultou um pouco as coisas. Mas essa parte também passou.

Jamile foi para a cozinha fazer uma sopa. Eu fui com ela, deixando o casal a sós com o bebê, que agora já tinha recebido um nome. O Daniel disse que conversou com ele, lá na sala, enquanto a Thaís estava recebendo os pontos, e os dois juntos decidiram que o nome seria Caio. Thaís aceitou-o, então:

SEJA BEM VINDO, CAIO!

O dia estava amanhecendo, e eu estava na cozinha vendo a Jamile preparar uma sopa. Pensei que nada poderia ser mais adeqüado do que ver uma parteira preparando uma sopa para uma mulher que acabou de ter o seu bebê.

Caio foi pesado, Thaís tomou a sopa, e a faxineira chegou e tomou um baita susto...
(- Como assim? Esse neném aí é o seu?!).

Daniel tirou muitas fotos, e em uma delas eu estou ao fundo observando a primeira mamada do Caio.
Todos tranqüilos e felizes, e assim os deixei. Fui embora, observando como os dias são mais bonitos quando bebês nascem em casa e famílias se formam assim: tranqüilamente!

Thaís e Daniel,

Parabéns pela união e pela força que demostraram ao trazer seu filho para esse mundo de uma forma tão bonita.

Caio,

Parabéns por fazer parte desta família. Que a sua vida seja como o seu nascimento: no tempo certo para você, e sem sofrimentos desnecessários. Com a força e a tranqüilidade que você merece.

Um grande abraço,

Vânia C. Rondon Bezerra.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Adriana e Emanuelle

São Carlos estava sem partos domiciliares havia 30 anos.
E...
Dia 13/06/2007 às 11h30 tive a honra e a felicidade de presenciar este número voltar ao zero!
YES!!!!
Adriana Abujanra teve o tão sonhado e muito batalhado parto domiciliar. Nasceu a Emanuele, linda, 3,860 de pura fofura.
O pai, presenciando tudo e auxiliando, cantou versos assim que viu a cabecinha da sua filha vindo ao mundo: "que neném lindo lindo lindo!"...
Adriana, durante o expulsivo, se limpando das lembranças do seu primeiro parto, quando foi separada da primeira filha: "a Sofia eles tiraram de mim"... e recebendo o apoio do marido: "aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".
Eu e Andréia (minha irmã, cuja presença foi fundamental) fazendo sinais e trocando olhares de cumplicidade.
E a frase do dia: "Está tudo bem!" Ana Cris e Márcia comemorando na estrada: UHUUUUUUUUUUUUUU!
Jamile contando para o maridão (médico) - "está tudo bem... já nasceu... é linda!"
E Adriana inteira. Não precisou de nem um pontinho. E não foi separada de sua filha nem por um segundo.
Todas renascemos por aqui! São Carlos está muito mais bonita hoje!
Beijos mil.
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Todas as doulagens começam com o telefone tocando. Então: eu estava em casa, e no meio da manhã o telefone tocou. Era Adriana, dizendo que não havia sinais que ela pudesse identificar como trabalho de parto, mas que ela estava se sentindo muito estranha, e toda hora tinha vontade de ir ao banheiro e não saía nada... tinha ido a uma consulta de pré-natal naquele mesmo dia mas o médico não tinha feito toque. Eu disse que poderia ser um início de trabalho de parto, que valeria a pena verificar, e recomendei que ela ligasse prá Jamile. Ela ligou e a Jamile estava em Ribeirão Preto, e recomendou que ela fosse até o Posto de Saúde. Lá disseram que se ela tinha dúvidas deveria ir prá maternidade... e lá foi ela.
Meu telefone tocou de novo. Era Adriana, se acabando de tanto chorar:
- "Ai Vâ... que M... eu estou na maternidade, estou com 6cm de dilatação e elas querem me internar. Eu expliquei que só precisava ter certeza que era trabalho de parto por que quero ter em casa e vou chamar uma parteira... aí disseram que isso é ilegal, que eu vou tr que assinar um boletim de ocorrência, que vão chamar a polícia... ai Vâ..."
- Dri, vc vai aproveitar que está chorando e vai dizer o seguinte: ...
Em seguida liguei prá Ana Cris, expliquei a situação e ela me tranquilizou. Não poderiam prendê-la na maternidade.
Mais alguns minutos e o telefone tocou de novo. Era a Ana Cris. Ela e a Márcia estavam saindo de São Paulo o mais rápido possível, mas eu deveria me preparar para a eventualidade de... e me passou várias recomendações. Liguei pra Andréia (minha irmã) e perguntei se ela aceitava ajudar.
-"SIIIIIIIIIIIIIM".
Lá fomos nós para a maternidade. Entrei na recepção, estava tudo muito calmo. Saí, liguei prá Adriana, e ela disse assim:
-"Vâ, já estou chegando em casa, a bolsa acabou de romper, e o Oscar tá super bravo comigo... vem prá cá".
Contei prá Andréia e saímos correndo. Ela chegou primeiro pq eu parei duas vezes no caminho prá atender telefone: uma vez era a Ana Cris, dizendo que já estavam na estrada, e pedindo mais informações, e a outra vez era a Márcia, dizendo que se eu precisasse ligar que ligasse para o número dela por que a Ana Cris estava dirigindo.
Cheguei na casa da Adriana. A Andréia estava saindo de lá correndo, dizendo que a Dri estava no chuveiro e que estava reclamando de fome e não tinha nada prá comer, então ela ia buscar. E saiu correndo pela rua, descalça. Passei também pela Dona Cristina (mãe da Dri), indo embora. Ela morava a um quarteirão de distância.
Entrei no banheiro. A Dri olhou prá mim e disse: - "Eu estou com vontade de fazer força".
Tchan! As primeiras frases da Dri sempre são bombásticas. Haaaaaaaaaaahahahah Disse tb que a Jamile estava vindo. A Andréia chegou com as guloseimas, a Dri comeu, e eu fiquei trocando o lençol da cama, ajeitando as coisas, e acalmando o Oscar, que dizia ahcar que era mentira que as parteiras estavam vindo, e perguntava se era assim mesmo, se estava tudo bem... sim estava tudo bem. Foi o dia do tudo bem nunca falei tantos "tudo bem" na vida! Eu e Andréia arrumando as coisas, Dri não queria massgens, falou de novo que queria fazer força... infelizmente tive que tirá-la do banheiro. Expliquei que não sou parteira, e diante da possibilidade da bebê nascer antes de alguém chegar... enfim... ela foi pro quarto e deitou-se de lado na cama.
Foi pra partolandia. Lamentei que não tivessemos nenhuma máquina fotográfica prá registrar aquele olhar lindissimo... e o Oscar começou a tirar fotos com o celular. Fiquei conversando com a Dri, em voz baixa, e ela começou a se limpar das dores do primeiro parto:
- "A Sofy nem me deixaram ver... tiraram ela de mim... só consegui encostar os dedos".
E o Oscar respondeu:
- "Aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".
E ela continuou: - "é tão bom estar em casa... aqui tem o meu cheiro... ela foi feita nessa cama... ai que delicia..."
Andréia fez sinal que o períneo estava abaulando. Falei prá Dri que ia trocar de lugar com a Andréia, que era hora de deixar nascer. Ela perguntou se precisava mudr de posição e eu disse que só se ela quisesse. Eu estava segurando uma perna no alto.
- "Não, está bom assim... posso fazer força?"
- Pode.
- "Eu já estava fazendo... rsrsrsr... diminuía a dor fazendo uma forcinha..."
Viram como mulher tem que ser? se você sabe o que fazer não precisa ficar pedindo permissão não, manda bala mulherada!
A cabecinha nasceu. Oscar dizia: - "que lindo, que lindo, que lindo..."
Andréia chorava.
Ficamos esperando, em silêncio, com o respeito que os nascimentos merecem. Ela rodou... e nasceu. Antes de ter saído toda já estava chorando forte. Dri, se ajeitou na cama e disse: "me dá ela." Entreguei embrulhadinha na toalha, tudo estava bem. Fui prá sala. Liguei prá Márcia:
- Oi. Já nasceu.
- "JÁ NASCEU!"
- Tá tudo bem, ela está chorando forte.
Fiquei ouvindo os gritos e comemorações dela e da Ana Cris. Mandaram muitos parabéns. E continuaram vindo.
Fui lá no quarto, dei uma ecadinha na Manú, limpei o narizinho. Voltei prá sala, liguei prá Jamile:
- Oi. Já nasceu.
- "Como assim?! Rsrsrs... Ela não me esperou?! Rsrsrsr Eu já to chegando."
Daí prá frente foi só alegria. A semente da humanização tinha vingado. E desde então cresceu forte, vigorosa, e tem dado mais frutos!
Parabéns Adriana (batalhadora), parabéns Oscar (corajoso), parabéns Sofya pela irmãzinha, e
PARABÉNS MANÚ, PELO LINDO NASCIMENTO E PELA LINDA MÃE QUE VC TEM.
Parabéns a todos os envolvidos.
Beijos,
Vânia.

sábado, 4 de julho de 2009

Relato de parto da Andréia


Relato de Parto

No domingo (23/10/2005) às 6h00 eu estava desconfortável na cama e resolvi tomar banho pois já estava amanhecendo. Quando tirei a calcinha vi que tinha uma água sanguinolenta. Abaixei para pegar e correu alguns fios dessa água pelas minhas pernas. Lágrimas de emoção brotaram, eu sabia que a Laura vinha vindo. Fiquei muito feliz e tranqüila. Fui votar no referendo “das armas”, liguei pra Vânia e mantive a programacão de ir pra um churrasco em família. Chegando lá liguei pra médica, que me disse que foi uma ruptura de membrana alta e isso era só o começo. Recomendou banheira, banho, relaxamento, e que eu ligasse conforme caminhasse. Só que tudo me irritava: o barulho, minha sobrinha, minha mãe, o resto da família que ainda ia chegar e era pra eu nem comentar nada porque são cesaristas. Desisti do churrasco! Voltei pra casa com a Ju (minha filha de 10 anos) e foi excelente. Fizemos almoço, ouvimos musica, tomei 2 litros de chá de canela e ela sempre renovava o incenso de canela conforme ia acabando e fomos "passear no quintal enquanto a Laura não vem”.
Durante todo o domingo perdi uma mucosa que parecia clara de ovo, por volta das 21h liguei pra médica e relatei isso. Ela me disse que esse nenê estava mais pra terça-feira “mas eu quero te ver amanhã à tarde (dia 24) no meu consultório”.
Fui para a consulta, ela fez toque e me disse que estava tudo bem, que eu tinha muito muco e que não estava com bolsa rota, e sem dilatação, mas que queria um ultra-som para verificar a quantidade de líquido.
O ultra-som deu quantidade normal pra IG, placenta grau II, ótima vitalidade fetal e aproximadamente 3,400 kg.

Chegando em casa liguei pra médica e informei tudo isso. Resposta: “Te vejo na sexta-feira ou a qualquer momento em edição extraordinária.” Ainda brinquei: “Hoje à noite muda a lua”, “Eu sei, estou com quatro prestes a parir”. Fiquei tranqüila e aliviada sabendo que normalmente outros médicos já teriam indicado cesárea.

Às 00h40 acordei com dor na barriga, respirei fundo, relaxei e vi a hora.
00h53, 01h01, 01h06, 01h11 elas se repetiram. Liguei pra Vânia e informei isso, ela disse que já vinha pra minha casa em seguida.

A Juliana acordou enquanto eu falava no telefone e veio radiante do quarto e ficou junto comigo até eu ter alta da maternidade.

Fui tomar banho, coloquei as malas num lugar fácil e fui andar pelo quintal.

As contrações estavam regulares a cada 3 minutos. Usei um pouco a bola suíça.

A Vânia chegou e conforme a noite foi passando as dores foram ficando mais intensas, a bolsa de água quente era de um alivio tremendo e as massagens no quadril ajudavam muito. Às vezes a Vânia me lembrava de respirar e ficava mais fácil.

Em dado momento, durante uma contração, a Vânia me abraçou por trás com um braço na minha barriga e a outra no meu quadril e cantou uma espécie de mantra: “Abre-te, abre-te abre-te Andréia”. Aquilo me emocionou muito e escorreu como um bálsamo pelo meu corpo.
Lá pelas 4h00 com as contrações ainda de 3 em 3 minutos mas bem mais fortes, pedi pra Vânia ligar pra Cynthia e fomos pra maternidade.

Chegamos lá junto com ela. Ao toque ela disse que já não sentia mais o colo do útero e eu tinha 3 dedos de dilatação, que levaria + ou – 4h00 para nascer, ia ser lá pelas 9h00. Perguntou se eu queria ir pra casa ou ficar lá. Resolvi ir pra casa e já deixamos as malas lá no meu quarto. Quando chegamos em casa eu tinha sono e me sentia cansada. Fui pra cama e a Ju fez capuccino pra mim. Nas contrações eu ficava de 4 na cama e deitava quando passava, mas elas estavam muito freqüentes e eu cada vez mais cansada. A Vânia colocou um CD relaxante e apagou quase todas as luzes. Eu sentei no sofá com a bolsa de água quente nas costas, o quadril bem na beirada do sofá e as pernas abertas. A Vânia sentou num banquinho no minha frente e quando vinham as contrações eu segurava nas mãos dela e a puxava. Eu tinha a impressão que tirava a pressão do quadril. Algumas eu agüentava bem, outras nem tanto... Cheguei a dormir entre uma contração e outra. A Vâ e a minha mãe se revazaram por quase 2 horas nesse banquinho!! Quando amanheceu as 6h eu voltei a “participar”. Fui andar no quintal e pela casa mas eu tinha pavor de ter uma contração sem a Vânia por perto.

Comecei a me sentir mais agitada, gritei com a Ju duas vezes, perguntei pra Vânia se ia piorar muito, se eu não podia tomar um tylenol (heheheh cada coisa né...). A Vâ respondeu: "é uma de cada vez Déia, não vai piorar. A dor é sua amiga, a opção é você estar cortada ao meio quando sua filha vier". Pensei nessa hora: agüento qualquer coisa pra não ser cortada de novo!

Eu já não achava mais posição pra ficar, tentei sentar de novo no sofá e na contração seguinte minha bolsa rompeu. Lavou sofá, tapete, vestido...A Vânia viu a hora (6h53) e disse que eu precisava me trocar. Eu disse que queria ir pra maternidade e ela começou a correr pela casa buscando toalha, vestido limpo, calcinha, meu chinelo e enquanto isso eu gritava que vinha vindo outra e queria ela comigo... fiquei com dó dela nessa hora.

Com o trânsito mais intenso demoramos um pouco mais pra chegar na maternidade, já lá perto a Ju ligou pra Dra. Cynthia e avisou que estávamos chegando.

A portaria estava completamente lotada com as consultas daquele dia, passamos as 3 feito um furacão e entramos no hospital. No final do corredor, com outra contração, parei pra me apoiar num banco, uma mulher chegou e disse que se eu estava com dor eu tinha que ir de cadeira e foi buscá-la. Nós fomos direto pro quarto, eu estava encharcada de suor, a Ju foi pedir uma camisola do hospital, fiquei lá de bunda de fora (e nem ligando pra isso!), as pernas afastadas, as mãos apoiadas na cama com a sensação que a Laura ia nascer a qualquer momento. A Vânia me tranqüilizou. Quando eu respirava (e soltava o ar fazendo “uuuuuhhhhhhh”) nas contrações eu ficava mais calma. Eu sabia disso, mas às vezes vinha mais forte e eu precisava gritar. Num momento que eu andei pelo quarto a Vânia me disse: “Ta tudo bem Déia.” Eu: “Não tá!! Tá doendo pra caramba”... “Mas vc esta indo super bem.”

A Jú entrava e saia do quarto conforme meus gritos ou não.

Nesse meio tempo uma senhora pegou meu nome numa papeleta e uma enfermeira veio me dizer que estava preparando uma cesárea e depois ligava pra médica. Me perguntou do pediatra e eu precisei de alguns segundos pra lembrar o nome. Fora isso elas nem entravam no quarto.
A médica chegou, me lembrou de respirar, mandou eu deitar para me examinar, perguntou pra Vâ se eu tinha tomado café da manhã: “dois pedaços de chocolate”, “chocolate??!!”. Quando passou a contração ela fez toque: “dilatação total”. Falei baixinho "Graças a Deus!" e pensei: não tem mais como ser cesárea!!!.

Ela pediu para eu sentar e cruzar os tornozelos na frente do corpo, que quando a dor viesse era pra eu deixar a dor vir pra Laura abaixar. Mas qdo veio eu me joguei pra trás. Doeu demais.
Ela levantou e disse que ia mandar preparar a sala que pelo jeito ia vir de uma vez.

A enfermeira voltou com uma maca e pediu para eu passar. Estava no meio de uma contração. Esperei passar e aí fui pra maca. Ela mandou eu colocar os braços pra baixo e “agora vc precisa se controlar”. Fui de olhos apertados e respirando fundo. Qdo abri os olhos, estava passando do lado de um bebe num berço, com 2 mulheres fuçando nele. Pensei: é o bebe da cesárea.

Na sala de parto passei pra mesa e perguntei pela Vânia. A médica me respondeu que ela estava se trocando e já vinha. Lembro que quando ela chegou agarrei ela pela cintura (com os braços erguidos acima da minha cabeça) e puxei pra conseguir fazer força. A Dra. arrumou meus pés no estribo (na verdade onde ficariam os joelhos) e me mostrou onde segurar mas eu não alcancei. Então agarrava na lateral da cama. Depois de 2 contrações a Cynthia começou a dizer que “onde está não pode ficar”, “força aqui embaixo”, “não desperdiça contração”. Eu sentia a Laura vindo, mas a contração passava e ela voltava. Percebi que não ia escapar da episio, mas isso eu já sabia. Mais 2 contrações, a Vânia enxugando meu suor, eu gritando “vem Laura, vem!!” e a Dra. me avisou que a enfermeira ia fazer força na minha barriga para nascer na próxima.

Acho que fiz mais força que nas outras vezes porque nem senti ela empurrando e percebi a médica tirando o corpo da Laura. Eram 8h02. Olhei pra baixo e vi ela limpando o rostinho, colocou um campo na minha barriga e me deu meu bebe. A Laura ficou quietinha, calma, respirando ali deitada. Dei boas vindas a ela e notei a médica falando e fazendo gestos com a mão:”espera, espera!”. Chamou a Vânia pra cortar o cordão e a berçarista parecia uma galinha choca em volta dos pintinhos!! Quando ela tirou a Laura de cima de mim que ela chorou. A Vânia foi atrás e dali a pouco elas voltaram com a bebe embrulhada e colocou pertinho do meu rosto. Aí foi a vez da Vânia ficar “calma, espera! Deixa ela ver a mãe!” e eu ali conversando com a minha filha. Tínhamos conseguido afinal!!!

Com a fala que o bebe ficaria com frio ela foi levada. A Vânia foi avisar a Ju que tinha nascido e eu fiquei sozinha com a Cynthia dando os pontos da episio. O pediatra colocou a cara na porta e pediu desculpas por não ter chegado a tempo mas estava num Posto de Saúde no outro lado da cidade, mas que ela tinha nascido super bem. Entrou também outro médico na sala, e num gesto de respeito comigo a Cynthia fez as apresentações:

- Andréia, esse é o Dr. "Fulano", o anestesista que você dispensou.
- Dr., essa é a Andréia.

Quando acabou os pontos a Cynthia pegou o cordão e ficou segurando ele dando leves puxões como se empinasse uma pipa. E avisou que eu ia sentir um pouco de cólica. Senti a placenta escorregando inteira.

Minhas pernas foram ficando roxas e eu comecei a tremer de frio. No quarto a enfermeira
Me avisou que dali a 4 horas ela me ajudaria a tomar banho e trariam o bebe.

4 horas?????

- É, seu útero precisa descansar!!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!

A Vânia saiu atrás do pediatra, mas ele já havia saído, em compensação a bolsa da médica estava ao lado da minha no quarto, então eu sabia que ela voltaria.

Conversamos e ela foi ao berçário avisar que assim que eu tomasse banho era pra me trazer a Laura.

A Vânia foi fazer minha internação e a Ju veio ficar comigo. Deitou na poltrona do meu lado e dormiu por 2 horas!!!

Minha pressão? 12x8. A berçarista veio: “você que quer o bebê logo?” Sim. “Posso pegar a roupa? Já dou banho nela”

Ás 11h tomei sopa, um bom banho e esperei a Laura. 12h ela veio sugando as mãos! Acordada, de olho aberto, esperta, mamando, buscando.

A D. Madalena (berçarista): “ Parto normal é outra coisa né? Os nenês ficam até mais inteligentes. Os médicos que falam! Você tem colostro?”

- Tenho
- Vamos por ela pra mamar.
E ela fez o serviço direitinho!! De cara, super bem, super forte.

Às 12h do dia seguinte eu estava indo embora pra casa com a minha Laura me sentindo vitoriosa. Eu tinha conseguido!! Tive um parto com tudo o que eu podia conseguir de concessão num hospital. Atingi, em diversos pontos, os limites deles.

Laura e Andréia - 25/10/2005

(e-mail que mandei para as listas gestarbeminterior-sp e partonosso).

Olás!

Então... foi tudo bem! Eu tinha ficado bastante apreensiva e cheguei a comentar com a Ana Cris. Andréia teve um rompimento alto de bolsa no domingo às 06 da manhã. Na consulta de segunda à tarde a médica pediu um ultrassom e se o líquido estivesse muito diminuído ela ia pedir um hemograma e ver se dava para esperar mais. Pensei que tudo tinha ido por água abaixo... mas o ultrassom deu que a ruptura era bem pequena e elas deram então 48 horas de prazo prá Andréia entrar em TP natural antes de indicar a indução. Nessa hora fiquei nervosa... fantasmas pessoais eu acho...

Aí na terça 01h30 da manhã Andréia me ligou dizendo que estava já com contrações de 5 em 5 minutos. Fui prá lá e foi tudo muito tranquilo. Até minha mãe ajudou, apesar de derramar umas lágrimas quando a Andréia dava uns gritos mais longos. Juliana (primeira filha da Andréia - 10 anos) também ajudou e também derramou umas lágrimas... mas ficou junto, procurava ajudar, levou xingos da Andréia na fase de transição... rs... e foi junto prá maternidade nas 2 vezes.

Fomos a primeira vez às 03h45 quando as contrações ficaram bem próximas - de 3 em 3 minutos. Aí a médica foi e disse que a dilatação ainda estava em 3cm e deixou que ela escolhesse ficar ou voltar prá casa. Ela quis ir prá casa. (Eu precisava desta segurança por causa da pressão arterial da Andréia, que estava sendo controlada com remédios - mas eu nunca digo que é cedo prá ir pra maternidade se a parturiente quer ir).

Aí as contrações foram apertando, e às 06h50 a bolsa rompeu e saiu bastante líquido. Aí voltamos prá maternidade, em plena hora de rush! Fui buzinando e de pisca alerta ligado. (depois a gente acha engraçado).

Aí a dilatação já estava completa e a médica foi super tranquila. Disse que a bebê ainda estava alta e que tinhamos que esperar um pouco. Andreia se sentia melhor deitada de barriga prá cima e ela não falou nada. Depois que fomos prá sala de parto a auxiliar falou prá Andreia não gritar prá não perder a força e a médica disse: "DEIXA GRITAR".

Ok. teve episio e teve uma leve kristeller que a Andreia autorizou na hora. Não dava prá ser perfeito né?

Mas depois a médica segurou a berçarista prá não levar a bebê embora, esperou um pouquinho prá cortar o cordão e me convidou prá cortar. Depois que já tinham levado a bebê a auxiliar me mandou ir fazer a internação, e a médica disse que "ISSO PODE ESPERAR MAIS UM POUCO". Fiquei lá até a Andreia ir para o quarto. Ah... saí de fininho e fui até o quarto contar prá Juliana que a Laura já tinha nascido, e a Ju saiu correndo pelo corredor e dando gritinhos de felicidade, foi até o berçário e colou a cara no vidro... que pena não ter uma foto daquele momento!

Laura ficou umas horas em observação (não sei quantas), mas não teve nitrato de prata nem injeção de vitamina K.

E EU ADOREI TUDO!

Na tarde seguinte elas já tiveram alta e já estão em casa.

Beijos e obrigada pela força. Sem essa irmandade virtual o que seria de mim?

O parto da Sol na novela "América"

21/10/2005

Ah foi muito engraçado! Eu via a cena e ficava imaginando o Brasil todo morrendo de dó da moça e eu morrendo de rir!

Depois do início do TP ela saiu de casa durante uma tempestade prá procurar ajuda pq o telefone não estava funcionando. Ela mora na cidade, mas sabe-se lá pq, na próxima cena ela estava andando sózinha no meio do pasto durante uma baita tempestade, com o TOURO fungando por perto, e ela gritava SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

As contrações foram sem intervalo desde o começo - e é bom que fique claro: isso é um baita problema, raro, mas que quando acontece é motivo prá correr prá maternidade.

Aí ela achou um paiol, e o bebê nasceu praticamente na mangedoura. Só mostrou ela se deitando e na próxima cena o bebê já havia nascido. Aí Tião chegou, fez respiração boca a boca no bebê até ele chorar, e depois o enrolou em panos e saiu pela tempestade pra levá-lo ao hospital, onde foi diagnosticado o grave problema cardíaco.

Foi assim!

Viu? Sou uma baita noveleira. Mas já era antes do Batatinha nascer e não vou botar a culpa nele! Rs...

E já quero deixar claro que na minha opinião novela é novela, não tem intuito informativo e não tem obrigação de ser cientificamente irrepreensível. Cinema é cinema, novela é novela e ciência é ciência. Cada macaco no seu galho. Eu deixo prá sentir raiva quando aparece um senhor no Fantástico, falando em nome da ciência e só sai abobrinha. Isso sim me dá raiva!

Beijoooooooooos noveleiros,

Vânia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tatiana Manuela e Lúcia

Tatiana me procurou mais ou menos no meio da segunda gestação. A primeira filha, Rita, nasceu de cesárea, que a Tatiana heróicamente conseguiu segurar por muito mais tmpo do que o médico que a acompanhava na época. Para a segunda gestação queria preparar-se melhor para o parto, e fizemos uma sessão de preparação, muita leitura indicada, muitos e-mails trocados. E finalmnte Tatiana decidiu ir para São Paulo e ter seu parto por lá, muito bem acompanhada pela Ana Cris, e frequentando os encontros do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa. ___________________________________________

Tatiana : "Olá! Obrigada por todas as mensagens. Estamos super bem! No fim a ansiedade atingiu meu médico e lá fomos nós para a indução -o que eu já achei um feito, pois ele sempre disse que indução ele não faria por causa da cicatriz, etc. No fim, o avanço das semanas, o tamanho da Lúcia, eu não ter tido sinal de TP começaram a deixá-lo preocupado; ele que sugeriu a indução....Daí correu tudo mais ou menos dentro do comum (soro, muuita contração, anestesia, loucura, episio....e infelizmente clavícula quebrada....mas não estou reclamando nem um pouco); Assim que eu me organizar, escrevo meu relato e mando para todos. Por enquanto estamos nos adaptando e bem -a Rita está louca de amores pela irmã!! Este e-mail está um pouco apressado, peço desculpas. Voltamos assim que o médico me der alta para viajar (em 15 dias mais ou menos). Beijos a todos, Tati e Lúcia (4 dias) PS: a Ana Cris é realmente fantástica! "

terça-feira, 23 de junho de 2009

Respostas ao relato da (desne)cesárea da Andréia

Resposta da Ana Cristina Duarte, de São Paulo:

"Caramba.. como é que um ato fisiológico é transformado numa barbárie dessas? Que horror...Quanto sofrimento...Essa semana está sendo difícil, recebi outro depoimento cavernoso desses. Não sei porque ainda não pegamos em armas. Beijos, Ana Cris, muuuuito revoltada"

Resposta da Taína, de Americana:

"Juro, mas eu juro....Em hospital eu não tenho mais filho."

Resposta da Eleonora, de Ribeirão Preto:

"Que absurdo o depoimento do seu parto. É revoltante ver historias como essa acontecendo a nossa volta. A desculpa de seu médico é a mais corriqueira que conheço (eu ganhei ela também, mas consegui dar tchau pro obstetra 3 dias antes da desne-cesárea), quase todas gestantes que acompanho ganham ela debrinde entre a 38ª e 39ª semana. Deve ser uma moda nos centros cirúrgicos por aí. Agora, ser tratada da forma como vcs foram.... só batendo de chicote na equipe hospitalar inteira! Tenho certeza que sua história e indignação contribuíram em muito para Vânia ter lutado por um parto mais digno. Tenho certeza que sua presença na lista irá contribuir com os futuros partos de muitas mulheres por aí. Parabéns pela revira-volta e indignação. Você já é uma “Vânia” por botar a boca no trombone. Bote mesmo!!!!!!

Sobre a depressão pós-parto da Andréia e de milhares de mulheres que passam por uma cesariana, tenho a dizer o seguinte: existem pesquisas, a primeira que conheço feita em 1956, fazendo correlações entre partos com pouca participação ativa da mulher e depressão pós-parto. Michel Odent também fala de todo o coquetel de hormônios que deixa de ser liberado numa cesariana de hora marcada (sem iniciar o trabalho de parto) e de suas conseqüências na mulher e na formação do vínculo. E é fácil entender que pular uma etapa de um processo psiquicamente tão intenso como é a transição da gravidez para o nascimento deixa mesmo um buraco mental tremendo. É bom entrar em depressão, ou melhor, fazer o luto do parto não vivido. Ajuda a elaborar e não transformar tudo em doença. Bjus!Eleonora"

E a resposta da Andréa a todos nós:


Meninas, sabe o que me consola? Que já faz 9 anos....as coisas hão de estar melhores....Estarmos nós aqui conversando e eu vendo os projetos caminhando que deixa muito feliz.... São valores profundamente enraízados mas vamos mudá-los... Vâ, eu dormi esse tempo na mesa cirurgica. . Logo depois de ter visto a Ju eles me deram uma injeção que eu apaguei. Acordei qdo estavam me levando pra maca, às 11h30 (perguntei pro maqueiro). Duvido que alguem tenha ficado ali comigo...O meu obstreta continua dando a mesma desculpa...o bebê não encaixou e ele ajusta pro plantão dele...tsc, tsc, tsc....Beijos a todos, Andréia Luiza.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Andréia e Juliana - (desne)cesárea por sofrimento obstétrico

Sofrimento obstétrico = sofrimento do obstetra (ou bostetra, como queiram...)

(Mensagem escrita em 28/11/2004, relatand o nascimento da minha sobrinh, Juliana, dia 25/05/1995).
______________________________________________
Bom dia a todos....

Sou de São Carlos, irmã da Vânia, tenho 32 anos e uma filha de 9 anos
lindíssima (parece com a mãe!!) que é a Juliana. Trabalho na parte
administrativa de uma escola particular daqui...

Minha experiência na maternidade foi psicológicamente terrível. Hj em dia
tenho dó das grávidas quando penso que elas vão ter que ir pra uma
maternidade....

Tive a Ju por cesárea com 41 semanas pela última menstruação e com 40
semanas pelo ultrassom. Com 39 semanas meu médico me disse que eu estava
caminhando pra cesárea por que o bebê não havia "encaixado", que meu colo
do útero ainda estava molinho...

A data prevista do parto era 18/05 e no dia 24/05 ele me pediu que fosse
no dia seguinte pra maternidade porque ele seria o ajudante do Dr. ... (que tem um nome sugestivo, do tipo que está se lixando para as parturientes).

Fui pra maternidade sem entrar em tp, sem romper bolsa, sem nada!!!
O tal do Dr. de nome sugestivo disse pro meu médico que ele só mandava presente de
Tróia. Tive que corrigir o burro, mesmo já estando anestesiada...

Passei a gravidez inteira pedindo pro meu médico não segurar a Ju pelo
calcanhar. O anestesista me disse: "Mãe, olha desse lado que ela vão te
mostrar o bebê". E.....lá estava a Ju pendurada de ponta cabeça
gritando....

Como eu pesava 133 quando engravidei e fui pra maternidade com 137kg sofri
muitas humilhações. Mais do que já se sofre...

Tinha uma enfermeira que me chamava de Fofão, tinha uma que vinha auscutar
o bebê e dizia (ela fez isso umas 3 vezes!!!!) - "Vamos ver se embaixo de
toda essa banha a gente ouve algum bebê"!

Ela nasceu as 9h...fui deixada na mesa até às 11h30 porque tinha que
juntar alguns enfermeiros pra me passar pra maca.

Às 22h a enfermeira entrou no quarto com a Ju nos braços olhou pra mim e
disse:
- "Ah... vc ainda tá com soro e sonda? Amanhã eu te trago ela então".

Ergui meus braços e gritei: - Nããããooooo, deixa eu ver ela!!!

Aquela imbecil foi embora com o meu bebê e só trouxe às 6h do dia
seguinte. Detalhe: eu continuava com o soro, com a sonda, e ainda tinha as
costas doendo por não poder (elas me falavam isso) mudar de posição, suja
e cansada de tanto chorar por não ter visto minha filha ainda.

A Ju já tinha uns 5 anos qdo parei de chorar ao lembrar dessa coisas...

Se eu tivesse a metade coragem que a Vânia tem seria muuuuitttooooo
diferente né?

Talvez SE eu quisesse outro filho peitaria muito médico por aí...Nas
enfermeiras eu daria uns tabefes mesmo....

Um abraço a todos,
Andréia Luiza.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Resposta do Ricardo Jones ao relato da Adriana

(21/09/2005)

PRESENTES E GRATIDÕES

Adriana: O filho de uma amiga minha era uma criança 'pobre', para os padrões da classe média. Não tinha o pai em casa, a sua mãe era uma professora de educação física da escola elementar. Eles viviam de forma muito "apertada", mas tinham a harmonia que era possível dentro de uma casa com dificuldades de toda ordem. Moravam com o menino na casa acanhada, além de sua mãe, a irmã mais velha. Era seu aniversário, e eu acompanhara de longe, como amigo da família, a dificuldade de oferecer ao menino uma lembrança de seus 9, talvez 10 anos de idade.No dia da festa eu estava na sala, entretido com um pedaço de torta, quando sua mãe lhe deu o presente. Esticou os braços com a confiança de ter oferecido ao seu filho o melhor que podia. Não pediu desculpas e nem pareceu culpada. Sorriu com um olhar cheio de alegria, e olhou-o como alguém que sabia ter feito o melhor que podia. Era uma bola colorida, que deveria custar uns 10 reais (na moeda de hoje). Eu o vi abrindo o presente óbvio (não dá pra se embrulhar uma bola e fazer parecer um jogo de louça 24 peças), e mentindo amorosamente à sua mãe de que estava diante de algo inusitado e inesperado. Abriu o pacote e, ato contínuo, abriu também enorme um sorriso em seu rosto.- Uma bola, mãe. A MINHA bola!! E saiu correndo jogando-a por todos os lados. Eu assisti a cena com lágrimas nos olhos, porque consegui ver o valor depositado nas pequenas coisas, nas minúsculas conquistas.

Muitos anos depois eu pude ver a mesma cena se repetindo na relação que temos com os presentes que a vida nos oferta. Para mim ficou a lição de que os partos, quaisquer que sejam, são os melhores possíveis diante do contexto em que se apresentam. O teu parto, Adriana, foi maravilhoso, porque foi o TEU parto, com o que podia ser feito naquele momento, naquele contexto, com aquelas pessoas envolvidas. Poderia ter sido um parto sem epísio, de cócoras, em casa, com menos frieza e mais consideração pelas tuas vontades, mas não havia como ser assim pela organização das pequenas peças que o destino dispõe na mesa de nossa vida.

Graças à sua conscientização e o auxílio luxuoso que Vânia te ofereceu, vc teve um parto maravilhoso, lindo, tão bonito quanto uma bola multicolorida no dia do seu aniversário. Ele foi grandioso e eloquente, porque foi o máximo que todos puderam apresentar. Seu médico, dentro de suas limitações tecnocráticas, deve ter se esforçado também para te oferecer algo que talvez estivesse muito além das suas capacidades. Acho que até ele, descontados seus desmandos, pode ser saudado como alguém que tentou produzir algo melhor.

Meu pequeno amiguinho, que ganhou sua bola colorida, teve esta sabedoria. Ele entendia as dificuldades de sua mãe e, por amor e consideração, não comparou seu presente com os video-games ou chuteiras novas que seus colegas mais abasta(r)dos recebiam rotineiramente. Preferiu oferecer de volta à quem tanto amava o reconhecimento de que aquele era o melhor brinquedo do mundo, porque era o SEU, cheio da sua história, seus sonhos e dentro das suas possibilidades.

O desejo de algo melhor na vida (um parto melhor, uma vida mais digna, um governo mais honesto) não pode nos fazer JAMAIS desacreditar na maravilha do que temos. Não se constrói um mundo melhor desmerecendo o que conquistamos. Seu parto, Adriana (mas falo por todas as outras que tiveram pequenas e grandes frustrações em suas planificações de parto) foi maravilhoso, apesar dos equívocos. Lutar para que estes equívocos não mais aconteçam, é a luta de muitos de nós aqui. Mas esta luta não pode fazer-nos crer que não vale a pena sonhar.

Parabéns pelo seu parto. Parabéns pela lucidez. Parabéns pela escolha de alguém para lhe acompanhar.E que as Deusas que controlam e zelam pela vida continuem a te inspirar na tua caminhada.

Um beijo

Ric

PS: no texto original eu não usei o duplo sentido da palavra "abasta(r)do",porque não desejava criar uma outra discussão. Usei-a aqui por se tratar de uma lista menor e para falar de que os presentes que as crianças recebem são muitas vezes uma "paternidade comprável". As "pobres crianças ricas" são frequentemente"bastardos" por terem pouco acesso aos pais de verdade, e acabam recebendo a paternidade em forma de presentes e substitutivos desta instância. Como me dizia o Max, emérito fazedor de frases: "Recebem presentes por não os tê-los presentes". Mas o título desta crônica não é "presentes e gratidões"? Não seria uma discussão sobre a gratidão pela presença? Não seria esse o maior presente, aquele de que tanto estamos carentes? Não seria (voando alto) a tecnologia aplicada ao nascimento um "presentinho" que a cultura oferece à "criança carente" que, em verdade, ansiava apenas pela presença amorosa dos seus, que foi como a nossa espécie sempre lidou com estas crises?

Impressões da Adriana sobre o Parto Hospitalar

(17/09/2005)

Olá a todos!

Esta difícil conseguir digitar meu relato de parto..... O tempo realmente é curtíssimo !!!

A Vânia estará postando um relato, e logo eu coloco o meu.....Mas preciso fazer algumas considerações :

-Se não fosse a Vânia ter ficado comigo o tempo todo , me apoiando, eu não teria
conseguido. Uma das frases que mais me ajudaram foi uma hora que quase comecei a
chorar pq o medico ia fazer a episio,, ai olhei pra ela e disse: Vânia, eledisse que não ia fazer,,, ela me olhou e disse: "Dri , muitos médicos dizem quenão vão fazer cesárea e fazem"...

-Brigar pelas nossas vontades cansa demais.... A todo momento lembrei de um e-mail que a Socorro me escreveu dizendo isso.... e eu achei que não era bem assim.... MAS É SIM! Teve uma hora que eu estava tããão cansada de brigar com aquele povo, vendo eles fazerem tudo ‘’errado’’ que pensei em desistir... Devo ter pedido cesárea umas 5 vezes....

-Se o médico não tem em mente a humanização do parto, não adianta muita coisa negociar com ele, o médico tem que concordar com as coisas ... Ser comprometido com a humanização! Falo isso por causa da episio... Meu médico disse que não faria...e fez.... Isso pq ele acha que a episio ajuda.... Ele aprendeu assim... Seria bem difícil eu conseguir provar o contrário pra ele...

-A dor do parto é maravilhosa... Isso até eu estar na minha casa... Na maternidade a dor tornou-se insuportável....

-Para o meu parto ser perfeito (mesmo sendo na maternidade) só faltou eu ficar de cócoras , pq deitar naquela mesa horrível foi uma das piores horas..... E a sala de parto parece uma sala de tortura...

-As enfermeiras ficaram todas espantadas... Sempre que trocava o plantão elas iam ver a mocinha que teve parto normal sem anestesia.... Chegavam no quarto e queriam entender pq cheguei tão em cima da hora... E perguntavam : MAS VC NÃO SENTIA DOR?? E eu respondia... Sentia sim, mas sentia dor em casa..... E ai elas falavam : TADINHA... NEM DEU TEMPO DE CHAMAR O ANESTESISTA... E eu dizia: EU NÃO QUIS QUE CHAMASSEM O ANESTESISTA!! Era engraçado elas virem falar comigo... tentar entender o q tinha acontecido... Definitivamente elas não estão acostumadas com esse tipo de parto.....rss... Eu me senti um peixinho no aquário... Que todo mundo passa e fica olhando...

-Meu parto passou bemmm longe de ser um parto humanizado.... Mas fiquei feliz , bem feliz por algumas conquistas... Eu nao tenho muito pra reclamar do parto...Foi rápido... Não tive muita intervenção por que não deu tempo mesmo!

Tem mais um monte de coisa que quero falar.... Mas estarei sem acesso a Internet até começo de outubro... Mas assim que voltar coloco meu relato... Beijos a todos!

Adriana e Sofya
www.meulindobebe.weblogger.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Adriana e Sofya


Às 4h30 da manhã de domingo o telefone toca. É Dona Cristina para dizer que Adriana está em TP. A bolsa rompeu às 03h00 e agora ela já está com contrações de 20 em 20 minutos. Pensei: se eu chegar lá em uma hora ela terá tido 3 ou 4 contrações, tudo bem... olhei para o relógio e enxerguei os ponteiros invertidos: eram 04h20 e eu vi 06h30. Falei que 07h30 mais ou menos eu estaria chegando.

Quando desliguei o telefone meu marido me alertou para a confusão. Mas ainda assim fiquei tranquila, confiei na Adriana e fui tomar banho, depois arrumei as coisas, passei álcool na bola... Telefone toca de novo, 05h45, é Dona Cristina: "Vânia, já deu 8 contrações seguidas com intervalo de 5 minutos". Falei que em meia hora estaria lá. Chamei minha irmã para me levar e chegamos 06h20. Adriana estava sob o chuveiro, apoiada na parede. Tinha uma cadeira mas ela disse que não conseguia ficar sentada. Disse que não estava aguentando mais, e que fazia tempo que não sentia a bebê se mexer. Pediu água, e depois de 2 ou 3 contrações quis sair do chuveiro. Fomos para a sala e ela sentou-se na bola, dizendo que era beeem melhor que cadeira. Na primeira contração falei para dar aqueles pulinhos na bola, mas depois que a contração passou ela falou que doeu mais, então abandonamos a idéia. Pedi para dar umas apertadinhas e uma balançada na barriga e ver se a bebê reagia, e como ela reagiu bem, fiquei tranquila. As contrações foram ficando mais próximas e mais demoradas - de 2 em 2 minutos e durando 35 segundos. Falei que com 45 segundos seria bom irmos para a maternidade mas ela não quis - "não, é muito cedo, eu quero esperar mais". Fiquei tranquila. Saiu da bola, foi para o sofá, reclamou de calor... quando vinha a contração se inclinava para a frente e para o lado.Falei que quando começasse a me xingar saberíamos que estava perto e ela respondeu com um olhar doce: "eu não vou te xingar!". Quis ir para o quarto, o que se provou quase uma intuição pois logo em seguida uma vizinha chegou. ("O que que ela veio fazer aqui?!!!") Levei o som para o quarto, fechei a porta e ficamos lá escutando música, contando contrações e relaxando entre elas. Nessa altura ela não queria mais massagem na lombar, reclamou que doía. Continuei apoiando e ajudando a relaxar os ombros e o pescoço entre as contrações. Ela falou que estava dando vontade de fazer cocô durante as contrações e uma luz vermelha se acendeu na minha cabeça. É hora de ir.- "Eu não queria ter que ir..." (achei que ela ia chorar). Expliquei que sentir vontade de fazer cocô só durante as contrações é sinal de que está muito perto. Ela concordou e fui avisar a mãe. Elas ainda tinham que ir buscar o carro da vizinha. Quando voltei pro quarto veio uma contração mais looonga. Ela gritou: "Não está passaaaaandooooooo. Porque não está passaaaaaandoooooooooooooooo?! AAAAAAAAAAAAAAAAAi" E afastou as pernas! Juro que pensei que ia nascer! Cheguei a olhar prá ter certeza. Depois que passou ajudei a vestir o vestido e fomos lá prá fora. O carro demorou e vieram mais contrações. E quando o carro chegou... o caminho, as contrações, os buracos, a dor... Cinco ou seis minutos que pareceram horas. Adriana pediu que parassem o carro durante a contração mas não quiseram nem saber disso. Todo mundo falava: "vai nascer, vai nascer"... tentei acalmá-os dizendo que ainda demoraria um pouquinho, e pensei: "se nascer no carro vai ser uma méééér...!" Chegamos. 07h30 Adriana entrou na frente, e já vieram com cadeira de rodas: "nada disso, eu não consigo sentar, dói demais, EU VOU ANDANDO." Como ela já conhecia o caminho foi indo, e não tiveram outra opção senão segui-la de perto, mas com as caras mais contrariadas do mundo. E a vizinha, tão solicita tentando ajudar: "já falou que a bolsa estorou às 3?" Nããããããão! Foi às 6! não... foi 6 e meia! (Adriana teve medo que a dilatação ainda estivesse pequena, e se fosse esse o caso ela queria ter mais tempo, por isso mentiu a hora em que a bolsa se rompeu.) - "Já ligaram para o médico? NÃO?! Pq não?!"- Pq o médico falou que não era prá ligar, era prá vir prá cá primeiro.- "Ah... mas vcs TINHAM QUE TER LIGADO!"Bom... na terceira vez que falaram isso minha língua escapou ao controle: "se a gente não for confiar no médico...". Aí pararam. Um capítulo à parte: chamavam ela de filhinha! Porra, isso é pior que mãezinha! E tudo que eu queria ter na hora era uma filmadora prá vocês verem a cara de surpresa daquela que fez o toque! Os olhos se arregalaram, o queixo caiu! Os dedos foram afastando, afastando... meu coração deu pulos de alegria! Deu certo! Ela chegou com 9cm de dilatação. Nove! Pensei que não ia mesmo dar tempo de fazerem nada... E tentei ajudá-la o máximo que pude.

Enf: "Mas e a depilação? Não vai depilar?! Mas é mais higiênico!!" Insistiram, insistiram... e Adriana se rendeu: "tá depila logo, mas cuidado! Não vai me cortar heim?" A enfermeira levantava a barriga dela prá depilar até em cima, e ela reclamava que aquilo doía muito. Tentei fazer umas piadinhas diante do inevitável... e no final não aguentei: "vai ser parto normal, pq tem que depilar tanto prá cima?!" A enfermeira ficou P da vida e parou, jogou a gillete na pia e falou: "Fiz o que pude! ele que se vire depois com os pontos!" Pensei que iam me por prá fora, pensei: "Vânia, cala a boca já!" Adriana pediu prá levantar, e eu ajudei. Tinha uma auxiliar lá: "mas você não pode ficar de pé! e se o neném nascer?!" Olhei prá ela e falei: "bom, aí tá tudo resolvido né?!" e pensei : "Vânia, cala a boca já!"

No corredor a enf. ligou pro médico: "a bolsa rompeu às 3, não... 6, não... 6 e meia... tá em 9 cm com rebordo na volta inteira" E a Adriana: "fala prá ele que sou aquela que quer parto de índia!"Enf: - "É aquela que quer parto de índia, não quer que depile, não quer ficar deitada... ela só quer ter o bebê!!! Haaaaaaahahaha..."

No quarto, Adriana tomou água várias vezes. Elas diziam: "NÃO PODE" e ela dizia que só ia molhar a boca, ia lá e tomava vários goles. Quando o médico chegou estávamos abraçadas perto da janela, ela estava tendo uma contração. Pensei: "deve ser uma cena linda, mas eles não têem olhos de ver..." Ele a chamou de mulher: "Vem cá mulher que eu tenho que te examinar". Pensei: "caramba, mulher é bem melhor que filhinha, agora estamos bem!"No toque: 10 cm com rebordo anterior, e na auscuta do coração da Sofia, tudo ótimo. Ele tirou o rebordo com a mão, ela gritou prá caramba, e já pudemos ir prá sala de parto. No caminho alguém observou que ela estava tão tranquila, nem parecia que ia ter filho. Me encaminharam prá trocar de roupa. Adriana parou na porta da sala de parto e fingiu que estava tendo contração prá me dar tempo de chegar, e aproveitou para dizer que não ia subir na mesa. Quando acabei de me trocar o médico estava na porta, esperando prá pegar toucas e máscaras, e me falou: "convence sua amiga a subir naquela mesa senão vamos ter que tomar uma providência". Bom... eu amarelei. Uma quantidade enorme de absurdos passou pela minha cabeça. Quando cheguei ela andou até a mesa de parto, apoiou as duas mãos e falou: "EU NÃO VOU SUBIR". E eu a abracei e falei: "Dri, estamos em um hospital, e não temos alternativa". Ela suspirou... E perguntou prá mim: "e se a gente fizesse agora uma anestesia?" Respondi mansamente: "não dá mais tempo Dri... você vai conseguir, você aguentou até agora, o pior já passou..."Nós deixamos o médico fora de cena! Putz... Ela subiu na mesa e colocou as pernas nos estribos. Não foi amarrada.

E então mais toques, ele dizendo que o bebê estava alto ainda...a preparação prá episio que ela percebeu...- "VOCÊ FALOU QUE NÃO IA CORTAR" - "Mas se eu não cortar depois você vai ter que fazer uma cirurgia prá por as coisas de volta no lugar e vai ser muito pior"."QUANTOS PONTOS VC VAI TER QUE DAR? A enfermeira respondeu: "ah... uns dezoito...por dentro! Haaaaaahahahah"Adriana quase chorando: "Vânia ele falou que não ia cortar!"- "Dri, muitos médicos dizem que não vão fazer cesárea e fazem!"E isso a acalmou...

Veio outra contração. A mesa estava na horizontal, o médico dizendo que daqui a pouco iam inclinar... Adriana então inclinou-se sózinha, ficando com os cotovelos dobrados e apoiados na mesa, e eles deram um travesseiro que eu dobrei e coloquei sob as costas dela. Aí veio a enfermeira e disse: "VC TEM QUE SEGURAR AQUI!" e esticou o braço dela derrubando-a deitada na mesa. O grito foi horrível. Enquanto durou a contração Adriana puxou o braço de volta e conseguiu ficar inclinada. Mas depois que passou eles falaram tanto que ela TINHA que segurar nos ferros prá conseguir fazer a força direito... ela foi experimentar, e eu não percebi que por baixo do campo, depois disso, a auxiliar ficou segurando o cotovelo dela prá que ela não conseguisse mais dobrá-lo. E nessa hora Adriana ficou com muita raiva... e as contrações desapareceram.

Aí puseram soro prás contrações voltarem, ficaram falando que ela fazia força errado, que não ajudava... que onde o bebê estava parado não podia ficar...O médico enfiava as mãos, me dava a impressão que ele estava tentando puxar o bebê. Ela me olhou com os olhos vidrados de dor e falou: "Vânia isso que ele tá fazendo dói demais!" e eu respondi: "eu sei... eu lembro..."Ele ordenou a kristeler, e enfermeira fez... algumas vezes... uma cena horrível... e Sofia nasceu. Ele cortou o cordão imediatamente e entregou pro pediatra. Adriana me olhou preocupada: "pq não chorou, deu alguma coisa errada?" -Não Dri, ela tá começando a respirar, e logo vai chorar. Tiramos o médico de cena pela segunda vez!

E logo a Sofia chorou. O médico falou prá mim: "vai lá ver!" Balancei a cabeça negativamente. (Não gosto de ver o que fazem com os bebês. Passo mal...). Abracei a Adriana e fiquei falando baixinho com ela... "vc conseguiu, parabéns!..."A enfermeira perguntou alguma coisa e o médico respondeu: "não sei, pergunta prá chefe aí" e fez sinal na minha direção. Minha cara caiu! Olhei prá ele e dei o sorriso mais sedutor do mundo... por baixo da máscara! : P

Ele sorriu de volta e respondeu a pergunta dela. Depois que a placenta saiu (foi tracionada mas não arrancada), ele pediu "a boneca". Adriana olhou prá mim com cara de interrogação e eu respondi: "não sei..."

- O QUE QUE É BONECA? -
- "Mas tudo essa menina quer saber! Depois eu te mostro o que é a boneca!
- "EU TAMBÉM QUERO VER A PLACENTA! CADÊ A PLACENTA?"

Olhei prá ele e falei bem mansinha: "tenho um monte de amigas bravas assim... vou mandar todas pra você porque você é muito bom!" E ele: "nããão, peloamordeDeus! Eu não mereço."

Ficamos todos dando risada. Adriana recebeu os pontos da episio, e ele falou: "agora vou fazer o parto da boneca. Olha aqui." e puxou um bolo de gase que estava colocado na vagina prá estancar o sangramento enquanto ele dava os pontos.

"E A PLACENTA, CADÊ A PLACENTA? EU QUERO VER!" ... Ele mostrou, e mostrou um lugar mais grosso com uma formação meio arredondada, dizendo que ali tinha começado a se formar outra placenta. (?) Ela pediu prá colocar a mão, queria tocar na placenta... ele deu um suspiro de resignação e deixou. Vieram com a Sofia, mostraram de longe prá Adriana, que só pode esticar o braço e tocá-la com as pontas dos dedos, e já levaram embora. Veio o pediatra e falou que estava tudo bem e que ele voltaria à tarde.

- "O SENHOR NÃO DEU A INJEÇÃO NÉ?"
- "Não. Em xx anos de medicina nunca dei e nunca tive problemas. Até acredito que num parto prematuro ou traumático pode ser necessário, mas nesse caso não."
- "ISSO MESMO! OBRIGADA POR FAZER O QUE TINHA SIDO COMBINADO!"

TÓIN!

Logo fomos todos pro quarto. Sofia ficou em observação (por rotina, não por necessidade). Fiquei mais um pouco por ali, e depois fui trocar de roupa. Na saída as enfermeiras me enquadraram:

- "Você já trabalhou em hospital?"
- É... já trabalhei em unidade de queimados e em UTI...
- "Onde?"Em Uberlândia... e depois em Campinas...
- "Ah..."

Acho que ficaram satisfeitas. A mãe da Adriana esteve presente o tempo todo, e muito respeitosamente. Ela tinha combinado que ia sair de casa quando o TP começasse, que iria pro shopping, mas domingo de madrugada o shopping tá fechado! Então ela não saiu, mas ficou no quintal, e só vinha quando era chamada. Lá na maternidade, depois do exame de admissão ela foi encaminhada prá recepção prá fazer a internação, e quando chegou de volta a Sofia já tinha nascido. Adriana ficou internada dois dias, porque na segunda à tarde, quando o pediatra passou ele achou que a Sofia estava chorando demais, e pediu prá elas ficarem lá mais aquela noite. Tiveram alta na terça de manhã. Não foi o melhor parto que poderia ter sido, mas foi O PARTO. Adriana suportou heróicamente as intervenções, escapou de algumas, e lutou tudo o que pode. Esse relato pode parecer muito longo, mas se eu fosse contar tudo o que escutamos da enfermagem seria muito maior. E Adriana, apesar de tudo isso conseguiu! Como bem disse a Ingrid, é triste que uma cena de parto se transforme numa luta de boxe! E a impressão que Adriana ficou, de que a sala de parto se parece com uma sala de torturas é verdadeira. É importante que tenhamos consciência disso: não importa o quão grande seja sua capacidade de luta, se a equipe não é humanizada eles vão te enquadrar!

A favor do médico posso lembrar que Adriana estava com placenta em grau 3 já havia algum tempo, e diante disso muitos médicos teriam pressionado em direção à cesárea. Ele não fez isso. Fez a episio, e agora eu entendi o que algumas pesoas já tinham tentado me explicar: ele aprendeu assim e não sabe fazer de outra forma. Se tivesse aberto mão da episio mas feito aquela kristeler daquele jeito, provavelmente o resultado teria sido desastroso.

Fico muito feliz de ter participado dessa história, de ter ajudado, e de agora ser honrada com a amizade de Adriana: mulher guerreira, que informou-se, fez suas escolhas e batalhou por elas até os 42 minutos do segundo tempo.

Beijos, paz e luz.
Vânia Bezerra - recém-nascida como doula em 11.09.2005