Quem sou eu

Minha foto
São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

segunda-feira, 31 de maio de 2010

OFICINA DE PARTO

Oficina de Preparação para o
Parto ATIVO




Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Parto ativo: diferente do que se vê nos partos tradicionais, onde a gestante se encontra passiva à mercê das orientações e intervenções médicas. Ativo no sentido de movimentar-se durante o trabalho de parto, evitando deitar-se. Ativo para o(a) acompanhante que desejar estar junto e preparado(a), não só para assistir como para auxiliar.

Conteúdo:
1. O que esperar no trabalho de parto.
2. Como saber a melhor hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Como o acompanhante pode ajudar.

O acompanhante pode ser o pai do bebê, sua mãe, sua irmã, ou sua melhor amiga... Qualquer pessoa que estiver disposta a estar junto e te ajudar, e com quem você se sinta completamente à vontade.

Direcionada a gestantes no último trimestre da gestação, com ou sem acompanhantes.
Dia 10/06/2010 - quinta-feira - das 19h00 às 22h00.
Investimento: R$50,00 o casal – R$ 25,00 para cada acompanhante adicional.

Vagas limitadas. Somente com Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para vaniacrbezerra@yahoo.com.br , ou pelos telefones: 3375-1648 e 9794-3566.

Local: IPC – Instituto de Psicologia Comportamental - Rua Pedro II, 2.095 Centro Tel: (16) 3307.6953

quinta-feira, 20 de maio de 2010

SEGURANÇA

Essa doulagem foi bem diferente. Foi a primeira vez em que eu fui procurado pelo obstetra, bem antes, da gestante. Nos seguintes termos: "estou pensando em encaminhar uma gestante para vc, mas antes preciso saber como você trabalha".

Sem problemas!

Lá fomos eu e Fre, no dia marcado, conversar, e a conversa foi até que tranquila. Apesar do profissional ter receio de parto normal, e isso ficar claro nas histórias tristes que contou, a preocupação era proporcionar para a sua paciente o parto normal que ela queria. Me pareceu uma preocupação legítima, e depois de conversar sobre o que seria o papel de cada uma, sendo que a minha principal função seria realmente empoderar o casal para que ficassem o máximo possível em casa, aceitamos trabalhar em parceria.

Alguns dias depois a moça me ligou, marcamos o dia para iniciar a preparação. Não pude ir na primeira reunião, a Fre foi sózinha, e depois disso fizemos mais três ou quatro reuniões, assistindo flmes e tirando dúvidas, como sempre.

Passadas as 40 semanas a moça fez algumas sessões de acupuntura, para estimular o bebê a nascer, pois percebeu que a ansiedade do profissional estava ficando bem grande. Então, antes que chegasse a 41 tentaram dar uma estimulada.

Num domingo de manhã meu telefone tocou. Era a moça, dizendo que estava com contrações desde as 5h30 da manhã. Estava muito calma. Ela e o marido deram muita risada dizendo que o bebê não tinha deixado dormirem até mais tarde, e tinha resolvido nascer no dia mais caro! (Partos no domingo são mais caros). Mas era só piadinha mesmo, nada que tivesse importância real, nada que representasse algo mais do que motivo para risadas.

Conversamos e combinamos que ela me chamaria quando as contrações estivessem mais próximas. Ao longo da tarde trocamos alguns torpedos, ela contou que os pais dela tinham chegado, estavam muito calmos assistindo tv, e ela estava tirando cochilos.

Chamou lá pelas 8 e tanto da noite. Agora as contrações estavam ficando mais regulares e próximas. Chegamos eu e Fre na casa dela, perto das 21h00.

Quando chego costumo, depois de me ambientar, ou seja, depois de alguns minutos, passada a fase das apresentações, marcar o intervalo e a duração das contrações para começar a ter idéia de a quantas anda a dilatação. Marquei 21h08 - 21h11 - 21h16 - 21h20. Todas durando cerca de 45 segundos. A moça muito tranqüila.

Eu e Fre começamos a inflar a piscina, e mais algum tempo depois começamos a enchê-la com água da torneira da cozinha, em esquema de revezamento. Água quentinha.

Enquanto isso fizemos massagem, ela foi para o chuveiro, o marido trouxe um sonzinho com músicas relaxantes. Ela começou a manifestar um pouco mais de dor, foi para a banheira. Os pais continuavam vendo tv na sala, super tranquilos. A mãe dela de vez em quando vinha dar uma olhadinha, perguntava se precisávamos de alguma coisa. Estava tudo bem.

Depois das 23h30 ela começou a ter contrações de dois em dois minutos e às vezes pareciam não ter intervalo entre uma e outra. Aconteceu duas vezes. O bebê continuava se mexendo bastante, bolsa íntegra, moça um pouco inquieta, deu alguns pequenos murros na borda da banheira, e mãe dela se assustou um pouco, mas diante da nossa tranqüilidade, minha e da Fre, ela se acalmou de novo. Fiz sinal para a Fre de 7 cm, ela ficou emocionada.

Dali a pouco achei que era uma boa idéia começarmos a nos arrumar para ir para a maternidade, pq a moça mora um pouco longe, seriam mais de vinte minutos até lá, e estando com contrações de 2 em 2 minutos, fiquei receosa de que o trajeto fosse muito sofrido para ela, resultando em descarga de adrenalina.

Então com bastante calma, colocaram as malas no carro, e os pais dela foram tb para a maternidade. Eu com o casal, no carro deles, a Fre no carro dela, e os pais da moça no carro deles. Quase uma carreata! rsrsrs

Domingo à noite, movimento de moçada andando com o carro a 10 por hora para paquerar. E mesmo assim o casal muuuuito tranquilo. Chegamos na maternidade, e no exame de admissão a enfermeira constatou 8cm e colo bem fino. Bolsa íntegra. BCF absolutamente tranquilizadores.

Fomos para o quarto. Ela e o marido, eu e Fre. Os pais dela, bem calmos, aguardando na recepção. Tudo lindo, claro, perfeito. Não dava para ser melhor.

A moça muito centrada, embaixo do chuveiro, gemendo um pouco durante as contrações. A Fre fazendo massagens, todos sorridentes em volta.

O médico chegou. De cara reclamando que o banheiro estava quente demais, e pedindo que ela fosse para a cama para ser examinada novamente. Veja: exame de toque menos de meia hora depois dela ter sido examinada pela enfermeira obstetra.

A moça foi para a cama. Fez o toque, fez uma careta e disse que realmente estava com oito de dilatação, mas o bebê estava ainda muito aaaaaaalto. E me pediu que eu pegasse sei lá o que para romper a bolsa. Fingi que não escutei, cruzei o olhar com o da Fre, ela estava com os olhos arregalados e a boca torcida. A minha cara devia estar muito pior. Olhei para fora, pela janela aberta e vi estrelas no céu.



Uma noite linda, e um parto que tinha tudo para ser lindo, e o segundo erro sendo cometido em menos de 10 minutos. O médico levantou, pegou o treco sózinha, rompeu a bolsa, saiu um jato de líquido claro, cheiro característico. Tudo tranquilizador. O bem estar do feto até aí era inequívoco.

MAS... Para quem não sabe, vou explicar: prolapso de cordão é uma dos piores coisas que pode acontecer num parto normal: quando uma parte do cordão sai antes do bebê. Se a cabeça do feto descer pelo canal de parto e pressionar o cordão contra a bacia pélvica o fluxo sanguíneo é interrompido e o bebê nasce muito mal SE conseguir nascer. A cesárea precisa ser muuuuito rápida. É muito raro de acontecer, e na maioria das vezes quando acontece, é pq o bebê estava alto e a bolsa foi rompida pelo profissional de saúde que deveria estar ali para garantir a SEGURANÇA. E cesárea muito rápida numa maternidade que não tem anestesista de plantão é impossível. Isso ficou claro? Romper bolsa com bebê alto na maternidade de São Carlos é muito mais perigoso do que no resto do país, pq o anestesista precisa ser chamado e demora no mínimo dez minutos para chegar.

Ok. O prolapso não aconteceu, graças a Deus.

Depois disso o médico disse que a moça poderia voltar para o chuveiro se quisesse, e e ela quis. Bom... quem sabe agora o bebê nasce rápido e fica tudo bem?

Acontece que depois que a bolsa rompe as dores aumentam bastante de intensidade. Passadas algumas contrações a mulher se acostuma com a nova intensidade e re-encontra seu equilíbrio. A moça passou a verbalizar um pouco mais alto durante as contrações. E o médico perguntou 3 vezes: "numa escala de zero a dez, quanto está doendo?

Na primeira vez a moça respondeu "10" e ele respondeu: "10 é muuuuito aaaalto! Precisa melhorar"!

Na segunda vez a moça respondeu "8", e ele disse: "aaaah, agora melhorou um pouco, mas ainda está alto"!

E na terceira vez eu arregalei os olhos e fiz um gesto com as mãos, pedindo para o médico parar com isso!

Ele perguntou em voz alta e grossa, parecendo um trovão: (erro: não falar baixo).

- O que foi Vânia?

Eu respondi em voz baixa:

- Pare de chamar a atenção dela para a dor.

E ele disse:

- "Eu acho que as coisas não são assim não! Ai que exagero! Eu só quero saber se ela está se sentindo bem"!

E eu repeti: "então pare de chamar a atenção dela para a dor".

Veio mais uma contração e a moça deu uns murros de leve na parede. E ninguém estaria preparado para o que vimos a seguir: a moça estava de cabeça baixa, completamente na partolândia, centrada, calma, lidando muito bem com a dor, e deu um ou dois murros na parede. Qual a importância disso? Nenhuma! Para quem já viu partos, dar pequenos murros na parede no período final de transição, ou ficar brava com a equipe, mandar o marido sair... tirar toda a roupa e andar nua pela casa ou pelo quarto, gritar o quanto quiser, falar palavrões... nada disso é preocupante! O contrário, quando a moça se fecha, não fala um "Ai" e fica boazinha o tempo todo, hum... o parto começa a arrastar. Enquanto não soltar os cachorros não nasce sabe? Então a nossa moça estava indo super bem!

Pois bem. Para o espanto de todos o médico foi lá, pegou a moça pelos cabelos e os puxou para trás, de modo a obrigá-la a olhar para cima, olhar para ele nos olhos, e disse algo como: "assim não pode"! Quase podemos traduzir como: "você não está sendo uma boa menina"!

Eu, Fre e o marido trocamos olhares espantados. Eu me levantei e sugeri que a moça se levantasse e fizesse um movimento com os quadris, colocando um pé sobre a cadeira e balançando para a frente, para ajudar o bebê a descer. Isso não era necessário. Mas foi o jeito que encontrei de entrar no meio entre a moça e o médico.

Ele saiu reclamando de novo que o banheiro estava quente demais. Em alguns minutos voltou e disse que queria examinar a moça de novo. Lá foi a moça para a cama, colocar-se de barriga para cima.

Pois é... mais um desfile de coisas que não se deve fazer. Ele não fez um exame de toque, ele simplesmente não tirou mais a mão de dentro da vagina da moça. E algum tempo depois ela disse: "pronto, acabei de dilatar tudo".

Traduzindo: ao fazer o exame de toque abriu os dedos e forçou o colo do útero a dilatar mais rápido. Se eu falar aqui os danos que isso pode causar daria um livro. Rapidamente, posso dizer: possibilidade aumentada de incontinência cervical na próxima gestação. O que é isso: o cervix não dilatou sózinho, no ritmo dele. Foi forçado a abrir muito rápido. E pode não fechar mais com tanta eficiência. Na próxima gestação ele simplesmente pode começar a abrir antes da hora, resultando em necessidade de repouso para não perder o bebê.

O médico pediu para trazer o cardiotoco. (exame que não dve ser feito rotineiramente em gestante de baixo risco). Aparelho instalado, mãe há mais de meia hora deitada de barriga para cima, e o médico a orientava a fazer a famosa força comprida. E ainda ficava bravo quando a moça parava para respirar!!!

Meu Deus, a moça ficava roxa de tanto fazer força e o médico ficava bravo quando ela respirava!

E disse: "Você tem que ajudar senão nós vamos ficar aqui até que horas"?!




A Fre se aproximou de mim. Falei: "Fre, prepara o coração que vai virar cesárea. Ele não vai aguentar esperar o bebê descer. Não há mais nada que possamos fazer".

A Fre foi embora chorando, pediu que eu desse uma desculpa para o casal, dissesse que ela estava com uma dor de cabeça insuportável, sei lá... qq coisa.

Eu não via os números do cardiotoco de onde estava. GraçasaDeus, pq eram péssimos. Chegava a 60.

O médico pediu que aplicassem duas ampolas de glicose na veia da moça. Aplicaram. e deixaram o soro.
A enfermeira me olhava com expressão de consternação, de dó da moça, de espanto, de indignação tendo que ser disfarçada. Tudo o que eu mesma tb estava sentindo.

Aí o médico disse que o bebê tinha descido e que ela já podia ser levada para o centro obstétrico. Ia nascer! Minha previsão estava errada, ainda bem!

Fomos indo para o Centro Obstétrico. O marido foi se trocar, e eu junto com a enfermeira nos trocamos para entrar. Quando abrimos a porta e estávamos no pequeno corredor que leva às salas cirúrgicas, a médica passou por nós correndo e falou para a enfermeira, com expressão de pânico: PREPARA A CESÁREA ENQUANTO EU CHAMO O AUXILIAR E O ANESTESISTA.

A enfermeira me olhou e disse: - "Vânia, em cesárea vc não pode entrar".

É que eu tinha ficado congelada no meio do corredor, imaginando o que teria acontecido!

Quando estava saindo vi o auxiliar chegando correndo. Não vi o anestesista.

Saí, fui para o quarto ajudar a arrumar. Parecia um açougue de tanto sangue espalhado. Nunca vi um quarto daquele jeito, nem depois que o bebê nasce, quando um certo nível de sangramento é esperado.

Vieram tb as auxiliares, arrumamos tudo, a faxineira veia e limpou o chão. Parecia que nada demais tinha acontecido ali. Mas meu coração estava pesado. Será que eu poderia ter previsto que o despreparo do médico era tão grande? Que quando ele disse que os partos que ele acompanha sempre terminam em cesárea, eu poderia ter imaginado que ele maltratava as pacientes, que não fazia a menor idéia do que significar ser obstetra = obstar: ficar junto e observar, e entrar em cena somente nos poucos casos em que isso é necessário? E se eu tivesse previsto? Como é que fica uma doula que é procurado pela médico, que diz que seus partos terminam em cesárea e ele precisa de ajuda. Aí eu digo para a moça: "olha, esse médico não tá me parecendo confiável"? E não poderia ter feito isso.

Fui procurar os pais dela, eles estavam em frente ao vidro do berçário. A pediatra, linda, atenciosa, veio, perguntou se eles queriam ver o bebê e os levou lá dentro do berçário, pq o bebê estava no oxigênio e não podia ser trazido até o vidro.

Em voz baixa, para mim, ela disse: "Vânia, eu assustei. Nasceu muito mal. Reagiu rápido e vai ficar tudo bem... mas foi um baita susto".

Falei com o pai antes de ir embora. Não me lembro se falei com a moça! O pai me disse que estava preocupado que ela ficasse muito triste, que talvez ficasse deprimida... conversamos um pouco sobre isso, e procurei tranquilizá-lo.

Falei com ela por telefone algumas vezes antes de visitá-la. Minha consciência pesava. Me sentia culpada por tê-la deixado passar por aquilo.

Quando fui, a mãe dela ainda estava com ela, e ela já subia e descia escadas com um pouco mais de facilidade. Conversamos sobre como ela tinha se sentido. Estava tudo bem até aí. O marido chegou. Neste ponto da conversa estávamos começando a falar sobre o comportamento do médico. A moça disse: "eu tenho dúvidas se elaefez certo ao romper a bolsa". E o marido respondeu em tom um pouco severo: "tivemos 9 meses para escolher o médico e vamos continuar confiando nele. Se formos questionar agora os profissioanis que contratamos também vamos ter que pensar se a Vânia tinha razão ao nos dizer que parto normal é seguro"!

A conversa morreu. A moça estava pronta para saber que seu corpo não falhou, mas o marido ainda estava muito chocado com a cesárea de urgência. Era cedo demais para esclarecer o que tinha acontecido. Era preciso deixar a amamentação e o vínculo se firmarem, e aos poucos talvez eles se dessem conta sem termos, eu e Frê, que forçá-los a enxergar o quadro todo.

Eu e Fre conversamos muito sobre isso. Resolvemos dar tempo ao tempo. Nós mesmas tinhamos muitas duvidas sobre se poderíamos ter feito alguma coisa naquele momento, mas o que? Chamar o casal de lado e dizer: "olha, os procedimentos dele são desnecessários e inadequados, achamos que vcs deviam mandá-lo embora e chamar outro profissional"?

Doulas não podem fazer isso. Não é da nossa alçada questionar procedimentos médicos. Nosso dever é dar suporte físico e emocional ao casal, e cumprimos nosso papel muito bem. Se estudamos Medicina Baseada em Evidências, e sabemos que há muito tempo está provado que bolsa não deve ser rompida com bebê alto, que não se deve mandar a mulher fazer força comprida que isso faz baixar a oxigenação do feto, que mulheres gestantes não devem ser mantidas de barriga para cima que isso faz baixar a oxigenação do feto, que o colo do útero deve dilatar a seu tempo para o benefício de todos... etc... o que podemos fazer quando o médico não sabe? Nada!

Eu só pedi para ele parar de chamar a atenção dela para a dor e ele ficou muito ofendido! Dali para a frente não olhou mais prá mim e procurava fingir que eu não estava mais ali.

O que eu poderia ter feito? Infelizmente nada.

Tanto o casal quanto o bebê estão fisicamente bem.

Podemos dizer que faz quase um ano, e temos notícia que esse profissional continua tentando acertar. Para o bem das pacientes dela, espero que ele consiga.

Ao casal: espero que um dia vocês saibam, no coração mais do que nas idéias, que parto normal é seguro. Que muita gente resolve não ter parto domiciliar em nome da SEGURANÇA. Pois segurança foi o que vocês não encontraram no hospital.

Ao médico, caso um dia se reconheça nesta postagem. Minhas declarações sobre seus erros podem ser mais esclarecidas em:

Enkin, e outros: GUIA PARA ATENÇÃO EFETIVA NA GRAVIDEZ E NO PARTO. Ed. Guanabara-Koogan, RJ, RJ. 2000, terceira edição.



OMS - MATERNIDADE SEGURA - ASSISTÊNCIA AO PARTO NORMAL - UM GUIA PRÁTICO. Genebra, 1996.


Quando o senhor disse: "você precisa me ajudar senão vamos ficar aqui até que horas"?! demonstrou sua falta de amor. Sua única preocupação era não passar a noite toda acordado.

"É preciso ter amor. Sem amor nós não passamos de bem intencionados"
Frederick Leboyer


Sinto muito por ter sido testemunha de um parto com violência, que quase teve resultado funesto. Gostaria de pensar que isso nunca mais aconteceu. Mas sei que não é verdade.

Ao bebê: espero que sua vida seja linda e clara como a noite em que você nasceu. Conte sempre comigo se algum dia suspeitar que o modo como vc nasceu está afetando sua capacidade de confiar no próximo e amar. Mas tenho quase certeza de que o amor e dedicação dos seus pais poderá minimizar os efeitos traumáticos daquela noite.

Amo vocês.

Vânia. (chorando pela centésima vez ao lembrar do que foi e saber como poderia ter sido).

domingo, 16 de maio de 2010

Reunião de Família

Esse será um brevíssimo relato, pois foi uma doulagem "relâmpago".

A moça me procurou aos oito meses de gestação, após sair de licença maternidade e vir para São Carlos, aguardar o parto na casa da mãe dela. O casal mora em uma cidade distante e ao procurar assistência próxima não gostaram nem um pouco do nível de atenção que teriam por lá. Então decidiram que ela viria para São Carlos, ficaria na casa da mãe dela, e o chamaria quando entrasse em TP.

Fizemos duas ou três reuniões de preparação, e chegou o grande dia. Ela me ligou bem cedo, perto de 8 da manhã, dizendo que a bolsa havia rompido e já estava com contrações próximas - cinco minutos de intervalo. Resolvemos que daí a pouco eu já iria ficar com ela. Liguei para a Frê, ela ficou felissícima e se colocou à disposição se fosse preciso.

O plano de parto incluia privacidade e ficar em casa o maior tempo possível, como sempre. No entanto... não foi isso que aconteceu. Quando cheguei lá ela estava bem calma, na sala, andando prá lá e prá cá... aceitou um cházinho de canela para esquentar, comeu um pedaço de bolo... e o irmão chegou com a namorada a tiracolo. Além de não ir trabalhar ele foi buscar a namorada porque ela também queria ficar junto! Mais dez minutos e chegou também o namorado da mãe dela, "para ajudar caso fosse necessário". A expressão dela foi: "não acredito"!

Aconselhei que ela fosse ficar no quarto, tomar um banho quentinho... fiquei por perto. Mas ela não se ajeitou mais, não queria ficar fechada no quarto, com toda razão. Então, depois de no máximo duas horas que eu chegara na casa dela, ela decidiu que queria ir para a maternidade para ter mais privacidade. Então fomos. Ela, eu e a família inteira, esperando que eles ficassem na recepção.

No exame de admissão a enfermeira disse que ela estava com 2 cm de dilatação e colo afinando. Estava tudo indo muito bem até aí. Mas pensar que ir para a maternidade traria mais privacidade foi um ledo engano. A mãe trazia notícias da família ansiosa esperando lá fora... E a moça começou a se queixar de cansaço e muita dor.

Chamei a Frê para ajudar. Eu não tinha como sair de perto da moça para ir montar a piscina que a mãe juntava em volta dela, dando notícias no mundo lá fora: estava uma chuva torrencial e o marido dela vindo o mais rápido possível de uma cidade distante... ela ficava ligando para ele e vinha contar em que ponto da viagem ele estava. Eu não conseguia imaginar que pudesse piorar. A Frê chegou, montamos a piscina em revezamento, tentando segurar a ansiedade da família o tempo todo.

Uma hora depois, piscina montada e cheia, a moça entrou e conseguiu relaxar por algum tempo. Saí para ir tomar uma água e encontrei a mãe e o namorado tendo uma conversa do tipo: "que absurdo fazê-la passar por isso!".

Bom... ao meio dia ela quis saber como estava a dilatação, e o colo havia afinado mais, mas a dilatação continuava a mesma. Explicamos que estava tudo bem, estava evoluindo, mas ela parecia mesmo uma mulher à beira de um ataque de nervos. Pediu cesárea. Perguntei duas vezes se ela tinha certeza, se não queria esperar mais um pouquinho... e diante do olhar irado na mãe dela expliquei que estava fazendo meu papel, pois eu fui contratada prá isso.

A moça agradeceu a disse que tinha certeza, que queria a cesárea.

Então a equipe da maternidade começou a prepará-la para ir para a cirurgia, e "aí sim fomos surpreendidos novamente"! A mãe dela ligou para o genro, ele já estava em Araraquara, e ela veio perguntou se não daria para esperar ele chegar. Tóin! Então a equipe enfiou o pé no freio e fez o máximo possível de operação tartaruga, para dar tempo dele chegar, já que o anestesista já estava a caminho e com certeza não iria aceitar ficar a postos esperando que o pai do bebê chegasse!

Bom... depois de tudo ainda tivemos, eu e Fre, que aguentar mais uma vez o olhar irado do namorado da mãe, e as frases muito conhecidas de que "isso não é humanizar, isso é judiar" ou "a tecnologia está aí para ser usada". Bom... que me perdoem, mas nem respondi. Simplesmente a carapuça não serviu e eu não tenho hábito de semear solo infértil.

O que posso dizer para terminar? Que foi o dinheiro mais fácil que eu ganhei na minha vida de doula? Pois eu preferiria ter trabalhado muito, muuuuuito mais.

Posso dizer que não adianta a equipe ser humanizada quando a família não colabora. Quando ia me passar pela cabeça que seria necessário chamar o namorado da mãe da moça para uma oficina de parto? Kkk... ninguém merece!

O desfecho: o casal se sentiu respeitado, a moça ficou satisfeita. Perguntei a ela se eu ou a equipe haviamos em algum momento forçado demais para esperar mais um pouco. Ela mais uma vez me respondeu que nos havia contratado para isso, para incentivá-la quando ela precisasse de incentivo, e que graças a isso deu tempo do marido chegar e ver o filho logo depois de ter nascido.

Se a torcida do Flamengo não ficou satisfeita... bom... a eles desejo tudo de bom!

E o bonde da humanização segue em frente!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Daniela, Evandro e Bruna 10/09/2009



Esse é um relato de doulagem diferente: Daniela é minha irmã. Nove anos mais nova que eu, o que não impede que ela seja a minha heroína! O amor e a profunda admiração que sinto por ela não podem ser expressos em palavras. Mas posso tentar resumir da seguinte forma: ela é a pessoa mais bonita e mais forte que eu conheço.

Ela tinha ficado com contrações irregulares desde as 7 da manhã do dia anterior - intervalos de 6 - 10 -30 - 40 minutos... Passei o dia na casa dela. Estava chovendo forte, e na televisão passavam notícias de alagamentos e enchentes. Almoçamos, depois eu dormi a tarde toda enquanto ela viu televisão... à tarde demos uma voltona no quarteirão... e as contrações continuavam bem espaçadas. Fui para a minha casa ali pelas 19h00, podendo voltar a qualquer momento.


Ela me ligou às cinco da manhã, dizendo que as contrações estavam bem próximas desde as 3. Intervalos de dois minutos, um minuto... sai voando de casa. . Ela é muito forte prá dor, então fui prá lá achando que até poderíamos ter que correr prá maternidade.


Daniela tem uma filha especial de 12 anos. "Atraso do desenvolvimento de etiologia desconhecida". Entrou em TP duas vezes, uma vez com 36s5d, e o obstetra internou prá segurar, dizendo que o feto era de baixo peso. Depois, com 39 semanas, virou cesárea por mecônio. Fora isso, deram a BCG duas vezes. Minha mãe diz que a enfermeira quase desmaiou quando viu que tinha dado a vacina errada, saiu correndo prá buscar um pediatra... ele veio e disse que não haveria problemas... três dias depois ela teve uma convulsão, no colo da avó. Levaram ao pronto socorro, que encaminhou para o pediatra, que recomendou observar. E é só isso que sabemos.

Então estava eu, doulando minha irmã, que tem uma filha especial e uma historinha de mecônio após ter entrado em TP duas vezes. (Que fique bem claro, a Lu não aspirou mecônio, temos certeza disso).

Segunda gestação, pródromos tranquilos, contrações próximas há duas horas, e .... nada do feto mexer... fiquei das 5 às 7h30 na casa dela, e nada.... perguntei quando ela tinha sentido mexer, e ela disse que no dia anterior... merda! Achei melhor ir dar uma olhada. Ok. No caminho para a maternidade mexeu algumas vezes, e forte. Mesmo assim continuamos no mesmo caminho. Chegamos na maternidade junto com uma gestante cadeirante (paralisia infantil), em TP. A outra moça foi atendida primeiro. Ai foi a Dani. As contrações tinham voltado para um intervalo de 4-5minutos, mas aí, enquanto a enfermeira estava auscultando o BCF não deu nenhuma contração, bcf normal... e zero de dilatação, colo grosso. A enfermeira pegou as duas fichas, foi falar com o plantonista, voltou... e disse: as duas vão prá cesárea.

- PQ?!
- Essa por que o feto está muito alto, e a sua irmã pq está com contrações e não tem dilatação.

...

(Jesus me ajude...)

Pedi prá falar com ele. Falei que a Dani estava tranquila, estava tudo bem, não poderíamos ir prá casa esperar mais um pouco?

Aí ele pediu um cardiotoco e disse que se estivesse tudo bem poderíamos voltar para casa... Afinal enquanto estávamos ali nem contrações ela teve, a bolsa estava íntegra. Ele disse que esperaria o resultado do exame, mas a essa altura o medo já tinha feito seus estragos... fomos à cozinha, ela comeu umas bolachas e tomou chá... vinte minutos depois foi pro exame... e de cara deu uma bradi de 80, juntou um monte de gente em volta do monitor... e sem estímulo algum os batimentos se normalizaram, mas aí ficaram em 160 por 15 minutos, contrações bem fraquinhas... já vi tudo... quando a enfermeira saiu já falei prá Dani que tinha ficado no limite da normalidade e que provavelmente iria prá cesárea mesmo. A enfermeira voltou, mostrou um círculo bem grande em volta da bradi, "explicou" que aquilo era sofrimento... ao contrário do que eu tinha imaginado, o plantonista achou que preocupante era a bradicardia com recuperação espontânea. Mas não vamos entrar numa disputa do que é mais preocupante certo? Não estava bom e pronto.

Depois de esperar a moça cadeirante sair da cesárea, a Dani entrou em seguida. Pedi prá entrar junto mas todo mundo falando que o Dr. Xxxx nunca deixava ninguém entrar... Ok. Daí a pouco veio uma enf.. correndo, dizendo "ele deixou, mas tem que ir logo pq já vai começar".. Entrei voando, pensando que "vão me deixar entrar depois que já nasceu...". Mas não, ainda estavam se paramentando... aí me puseram na janelinha, olhando os pés dela, e perguntaram se eu tinha mesmo coragem de ver. Eu respondi que na verdade eu não queria ver o nascimento, eu queria ficar perto da Daniela, segurar a mão dela... e não é que deixaram? Lá fui eu, dei um beijo nela, a cirurgia ia começar... alguém perguntou: "vocês viram isso?!" e apontou a caixa de luvas. E em seguida todos foram trocar as luvas e os aventais cirúrgicos. Eu não olhei, não sei o que tinha de errado, mas estava contaminado, já que todos começaram a se trocar...

Mais alguns minutos e a cirurgia começou.

Cirurgião e Auxiliar conversando:

- Vc então é doula? Trabalha com a Carla né? Já fizeram muitos partos domiciliares?

Imagina meu espanto... eu não falei que sou doula, e nunca acompanhei partos domiciliares com a Dra. Carla! Quando pedi para entrar eu disse que sou psicóloga hospitalar, que já trabalhei em UTI, já trabalhei com grandes queimados, com transplantados... (tudo verdade viu? Posso provar se for necessário). Fiquei chocada com a pergunta, e respondi meio bestamente:

- Não tem muitos partos domiciliares não, são poucos...

Cirurgião: - Aí quando não dá certo vem prá maternidade né?
- ... (não respondi)

Auxiliar: - Isso, pelo jeito, é segredo de profissão...
- ... (não respondi).

Cirurgião: - Vc só trabalha com a Carla?

- Na verdade eu trabalho com as gestantes! Já acompanhei gestantes da Dra. Carla, do Dr. Rogério, da xxxxxx, da xxxxxxx, do xxxxxxxx, da xxxxxxxxxx, do xxxxxxxxxxx..

Engraçado que eu tenho muita dificuldade de guardar nomes, e na hora lembrei de todos! E bem poderia ter respondido que "já trabalhei com quase todos os obstetras que pelo menos de vez em quando permitem que o bebê nasça por via vaginal"!

Chegaram na bolsa.

- Tem um meconião aqui...
- Noooooooossa! F5! (Pior categoria de furacão).
- Tá feia a coisa... (tentem imaginar a cara da Daniela).
- Prepara a sucção, depressa!

Olhando prá mim: - "Cê vai ver o que vai sair agora... eu teria feito essa cesárea antes, só fiz cardiotoco pq vc pediu. Virou cesárea de emergência por sua culpa."

Bom... eu poderia ter respondido que cesáreas na maioria das vezes deveriam ser por emergência. Mas abaixei a cabeça e fiquei quieta.

Ele rompeu a bolsa, espirrou líquido verde e bem diluído. Pediu fórceps, tentou locar, não conseguiu, tentou de novo, não conseguiu...

O auxiliar disse: - "desculpa eu falar mas pq você não puxa com a mão?!"(Agradeço e agradecerei sempre ao auxiliar por esta intervenção).

Aposto meu diploma que o cirurgião poderia ter respondido: "pq estou fazendo um pouco de terrorismo...".

Ele puxou com as mãos, tirou só a cabeça, lavou a boca e o nariz, aspirou, depois tirou o corpinho. Sem tônus. Sujinha, mas SINCERAMENTE, eu não achei muito... e agora tenho certeza, por que já vi mecônios muito mais espessos depois disso, e a criança também ficou bem.

Cometi o erro de falar para a Daniela quando tinham tirado só a cabeça. Quando passaram 5 segundos e não veio o choro ela achou que era muito grave...

Levaram para a salinha ao lado, escutei um choro rouco, falei prá Dani, que era ela chorando. A Dani virou e vomitou na mesma hora... mais um pouco e chorou forte... Não tinha ninguém no caminho, fui até a janelinha e olhei, ela estava com boa cor, movimentos vigoros, chorando... com a perninha sangrando pq já tinham dado o Kanakion intra muscular.

Voltei, falei prá Dani que estava tudo bem, ela vomitou de novo.

Trouxeram a Bruna, mostraram, estava tudo bem, saíram.

Cirurgião: - "Tá indo prá UTI?"
Eu (desesperada) - Não! Ela tá bem! Chorou forte, já está corada, tá tudo bem!

A Dani vomitou de novo...

Foram terminando os pontos, pedindo desculpas pq a cicatriz ia ficar torta, pq tinha virado cesárea de emergência, por minha culpa é claro, era preciso dizer isso de novo... e o médico me convidando prá trabalhar com ele, dizendo que tem uma equipe interdisciplinar, com nutricionista e fisioterapeuta... e eu pensando que não era hora prá esse tipo de conversa! (PQP!) Até entendo a tentativa desastrada de ser simpático, mas não era hora. No entanto, conversas paralelas são comuns, infelizmente. Como era comigo, não respondi para não esticar o assunto.

Saí dali, fui lá no berçário.

Posso ver?
Pode.

Bruna estava na encubadora, chorando, agitando braços e pernas... depois começou a chupar as mãos e se acalmou...

Voltei.
- Tá tudo bem viu Dani? Ela tá ali no berçário, chupando as mãozinhas.
Dessa vez ela não vomitou.

Entrou um médico...
- O Sr. é o Dr. XXXXXXX?
- PQ VC QUER SABER?
-... eu queria agradecer por ter permitido que eu entrasse.
- QUEM DISSE QUE EU DEIXEI?
- Bom, eu só queria agradecer... viu como eu não dei trabalho?
- EU SOU CONTRA A PRESENÇA DE PESSOAS ESTRANHAS. AQUI É UM LOCAL DE TRABALHO, NÃO ESTAMOS AQUI PRÁ DAR ESPETÁCULO PARA ESTRANHOS ASSISTIREM!
- Bom... eu não sou estranha, eu tenho dois olhos, um nariz e uma boca, tudo no lugar certo, não tenho nada de estranho...
- AQUI NÃO É UM CIRCO! E EU QUERO SABER QUEM FOI QUE DISSE QUE EU TINHA DEIXADO VOCÊ ENTRAR.
- O Sr. me desculpe mas eu não sei o nome...
- EU SOU CONTRA ACOMPANHANTES! EU NÃO DEIXEI NINGUÉM ENTRAR!
- Bom, então eu retiro o agradecimento! Me desculpe por ter agradecido!

Ele ficou p. da vida...saiu... olhei pro cirurgião, pedi desculpas, ele não respondeu, manteve a cabeça baixa... o Dr. XXXXXX voltou.

- AGORA QUE A SRA SABE QUE EU NÃO DEI PERMISSÃO, PODE SE RETIRAR!

Olhei prá Daniela prá dizer tchau.

- A SRA É SURDA? NÃO ME OUVIU? É PARA SAIR IMEDIATAMENTE!

Dei um beijo na Daniela, pedi desculpas prá ela e para o cirurgião e saí. O Dr. XXXXXX foi andando atrás de mim e falando sem parar, até eu entrar no vestiário feminino e fechar a porta. E ficou lá, gritando que ali não era um circo para permitir a entrada de palhaços, que eu deveria ir trabalhar no circo, etc...

_________________________________

Gente, eu errei, devia ter respondido que não sou estranha, sou da família... mas é mais forte que eu... toda vez que eu sou agredida sem estar esperando, minha reação é com ironia... e posso até pedir desculpas por ter reagido com ironia, mas não estou acostumada a grosserias, e reagir bem em tal circunstância nem é uma capacidade que eu queira muito adquirir... prefiro ser tratada com educação e responder com educação. Quase um ano depois posso dizer que já passei por outras agressões e consegui responder com educação. De tudo sempre se pode aprender alguma coisa...
_________________________________________________________________________

O Apgar da Bruna foi 3, 8 e 10. (Dez com quinze minutos). Já vi apgares piores e os bebês estão bem.

Perguntas: a aspiração como foi feita, e eu não discordo de ter sido feita, pode baixar o apgar? A demora entre a anestesia e o início da cirurgia podem ter baixado o apgar? As tentativas fracassadas de tirar com fórceps podem ter baixado o apgar?

A resposta para todas estas perguntas é: SIM.
_____________________________________________________________

Bom.. saí chorando pelo corredor, falei com o Evandro e com a Luana, falei que estava tudo bem, que eu só tinha ficado nervosa com a gritaria do anestesista. Achei que ia demorar uma semana até parar de chorar... fui até a rua e liguei para a Ana Frê, me acabando de chorar... ela me escutou e me ajudou a me acalmar. Melhorei um pouco. Também liguei para a Andréia, minha irmã, e ela também me ajudou. Depois também encontrei apoio na rede de humanização, e tive certeza de que não foi o meu comportamento de questionar a indicação de cesárea o inadequado nesta história.

Passei as duas noites com ela na maternidade. Ela foi bem atendida. Bruninha foi submetida a teste de destro - e "explicaram" que era para verificar se estava mamando! Sei... agora observar o bem estar do bebê, também não é suficiente?! Mais uma máquina de "faz pim", e pior: é cruel! De 6 em 6 horas dão uma lancetada no pé do bebê para verificar a glicemia! Eu tinha vontade de chorar quando a auxiliar de enfermagem entrava com o aparelhinho no quarto!

Teve uma hora que ela disse: agora está bom!
E a Dani perguntou: então não precisa fazer mais né?
E ela respondeu: de 6 em 6 horas até a alta. (Não é culpa dela, é prescrição da pediatra, que soubemos que era uma mulher, mas não vimos a cara nem uma vez).





Bom... e a alta, heim? Imaginem a cena. O médico entrou no quarto, fez aquele gesto de puxar a pele de baixo do olho da Dani para baixo, depois pediu que ela mostrasse as palmas das mãos, perguntou se estava tudo bem, ela respondeu que sim, ele deu alta!


- Tá tudo bem?
- Tá.
- Então você está de alta.

E saiu. Sem nenhum tipo de orientação, encaminhamento, nada! (Nem por parte da enfermagem depois disso).

Depois que ele saiu a outra moça que estava no quarto falou: "mas nem olha a cicatriz"?! Pois é... diante de tantos absurdos que vimos antes, este pareceu o menor.





E o que posso dizer para terminar esse relato? -"Meu Deus, permita que isso não se repita com outras mulheres"!? Pois acreditem, ele já fez pior, bem pior. Para que Deus possa nos ajudar é preciso que os outros médicos parem de baixar a cabeça, parem de ter medo de mexer com peixe grande. Pq esse cara é SIM um peixe grande. Não acredito nem por um segundo que os outros médicos se acovardariam diante dele se ele fosse apenas mais um anestesista entre os 12 ou 14 que temos em nossa cidade. Tem alguma coisa nessa história que só quem está lá dentro pode entender.

O que eu posso dizer? Sinto muito? Sinto muito que essa história horrorosa tenha sido com a minha irmã/heroína?

Sim, eu sinto muito. Sinto muito que ela tenha tido o grande azar de entre 12 anestesistas, ela tenha caído justamente no plantão deste monstro com um Dr. na frente do nome.

Daniela é muito forte para dor. Recuperou-se rápido, sempre preocupada em melhorar logo para poder cuidar da Luana. Uma cicatriz torta é a menor preocupação que uma mulher sábia como ela poderia ter.

Bruna é linda. Forte, saudável, está com sete meses e já é estrelinha das festas da família.

Elas ficaram bem.

___________________________________________________

Dani, tenho muito orgulho e me sinto muito honrada de ser da sua família. Vc já era minha heroína e neste dia provou mais uma vez sua força. Te amo muito.

Bruninha: sei que vc sofreu um pouco para nascer. Espero que sua vida seja toda de paz e luz para compensar a dificuldade do começo. Conte sempre com sua tia que te adora.

Luana, minha querida, obrigada por ser atenciosa e amorosa. Adoro você.

Evandro, se cuida! Sua família é uma joia, e você merece fazer parte dela.

Beijos, muitos beijos!

Vânia.
Vencedores! Outubro de 2012