Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Thelma, Raphael e Beatriz 25/12/2009

Essa doulagem foi uma surpresa, uma linda surpresa. Manhã de Natal, café da manhã começando ser preparado, eu recém saída do banho, cabelos escorrendo água. Atendo o telefone.


- Bom dia. É da casa da Vânia?

- Sim, sou eu mesma.

- Bom dia Vânia! Aqui é Tatiana Nagliati, tudo bem? Em primeiro lugar quero desejar Feliz Natal para você e sua família...

Depois de trocarmos os cumprimentos...

- Vânia, estou ligando porque uma moça que eu vou atender... primipara, gestação super tranquila... está em trabalho de parto e eu estou na praia! Eu conversei com o médico e ele disse que não adiantaria eu pegar estrada agora que não vai dar tempo de chegar, ela já está com 6cm... você poderia atendê-la?

- Quem é o médico?

- Dr. Rogério.

- Atendo, com certeza. Só um minuto, vou anotar os nomes...

Anotei os nomes, peguei minhas coisas e meu marido me levou para a maternidade.

Chegando lá entrei com tranquilidade. Eles estavam em apartamento, portanto não tinha a limitação de um acompanhante somente. (Quase um ano depois posso dizer que poucas vezes esbarrei nesta limitação. A doula, qualquer que seja, tem sido corretamente entendida pela enfermagem como parte da equipe que a gestante contratou).

No corredor encontrei o Dr. Rogério. Cumprimentamo-nos pelo Natal, e ele disse rindo: - "Ei Vânia, anda frequentando a maternidade mais do que eu!" Rsrsrsr

Não, não era prá tanto... mas tinhamos acompanhado uma moça 3 dias antes, e tinha terminado numa cesárea meio triste. Tudo bem fisicamente com a mãe e com o bebê, mas emocionalmente tinha sido uma grande batalha, "perdida" após 4 horas de dilatação total, feto ainda flutuante e taquisistolia...(contrações muito fortes, muito longas e praticamente sem intervalo). Essa moça - a Claudirene - continuava internada por um problema com a saúde do bebê, que precisava tomar banhos de luz e fazer hemogramas, eu também a tinha encontrado pouco antes. Estava sorridente, e me desejou boa sorte.

A enfermeira Carla era a plantonista. Levou-me até o apartamento onde estava a moça que eu doularia e fez as apresentações: Thelma e Raphael, esperando Beatriz.

Infelizmente estavam num apartamento onde a banheira não cabia. E ela fez falta... Mas era no mesmo apartamento que eu já tinha visto um parto natural lindíssimo, da Flávia e do Will, e as lembranças me animaram.

Então, Thelma estava já com contrações próximas e bem ritmadas, durando mais de um minuto. Conversamos um pouco. Eu pela primeira vez doulando alguém que eu nunca tinha visto antes, e sou muito reservada... Tenho sempre muito receio de invadir o espaço alheio, e numa doulagem eu teria que necessariamente adentrar o espaço dela. Ainda que eu estivesse ali como convidada e sendo muito bem vinda, tomei o máximo de cuidado para ser delicada e ir devagar. Quem me conhece pessoalmente pode imaginar a minha dificuldade... rsrsr... o que mais me assombrava é que sou muito diferente da Tatiana, que é finíssima nos seus modos, sempre muito bem vestida e falando com classe. Claro que não me considero uma grosseirona, mas de vez em quando piso em alguns calos mesmo sem querer, e também adoro andar de moletom e tênis velhos... Então lá estava eu, de repente muito consciente que a minha falta de classe poderia ser considerada desastrosa. Quase um ano depois parece muito engraçado, mas na hora eu estava mesmo com um pouco de medo de decepcionar.

Tatiana ligou para saber se eu tinha conseguido entrar sem problemas. Sim! E também contei que o Dr Rogério já estava por ali... tudo seguindo na paz.

Bom... fui vencendo meus medos, meus fantasmas... e lancei mão dos meus apetrechos doulísticos... uma bolinha de massagem, a bolsa de água quente... Fui até o SUS e perguntei se podia pegar a bola suiça e banqueta emprestadas. Sim, sem problemas! Todas sorridentes. O plantonista do SUS tb era o Dr. Rogério. Voltei cantando pelo corredor.

A Thelma tinha que tomar soro com penicilina pq o exame de strepto tinha dado positivo. Eu nunca tinha visto isso, e me lembro que dias depois estava contando o parto para a Frê e falei assim: "ela tinha que tomar não sei o que na veia pq um exame não sei qual tinha dado positivo"... rsrsrsr... muito informativo!

Então Thelma ficou uma hora e meia sentada na poltrona, tomando o soro. E ficou com muito sono. Não conseguia se recostar confortavelmente porque quando vinha a contração ela tinha dificuldade de desencostar, então ficava tentando permanecer com a espinha ereta. Mas dormia entre as contrações e ia relaxando e pendendo para a frente. Eu esperava que ela relaxasse e pendesse a cabeça, e então a segurava e encostava o ombro dela na minha perna - eu estava de pé ao lado dela. E assim, encostada em mim, e eu segurando sua cabeça, ela dormia durante os intervalos. Quando as contrações começavam ela ia retesando os músculos, eu então retirava o apoio e massageava as costas, até que ela ia se aquietando e começava a relaxar, e eu voltava à posição de apoio. Ficamos assim mais de uma hora, mesmo enquanto a enf Carla veio verificar a dinâmica uterina e ficou com a mão na barriga da Thelma por 10 minutos, ela continuou dormindo nos intervalos das contrações.

Depois que o soro foi retirado ela começou a reclamar de calor e cansaço. Aceitou a sugestão de ir para o chuveiro, ficando sentada sobre a bola suiça e deixando a água correr nas costas e na barriga alternadamente. E ali ela estava quando o Dr Rogério fez um toque e constatou dilatação total. E ali ela continuou. Algumas vezes disse que não aguentava mais, que estava muito cansada. E voltou a dormir durante os intervalos, encostada na parede.

Eu disse duas vezes ao Rafael que ele tentasse comer alguma coisa. Já eram duas e meia da tarde e eu não tinha visto ele comer nem beber nada. Na primeira vez ele respondeu que estava bem, na segunda respondeu firme que não ia querer nada. Perguntei se ele tinha certeza que não passaria mal. Fui longe demais, ele ficou meio bravo... fiquei bem quietinha depois disso! rsrsrsr

Thelma começou a perguntar as horas e perguntar porque estava demorando. Respondi que não estava demorando, estava vindo no ritmo certo, e apressar o parto nunca é uma boa idéia. Cantei a música da Maria Bethânia - Brincar de Viver - e tb a da Adriana Calcanhoto - Fico assim sem vc". Especialmente aquela parte:

"Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo,
Eu conto as horas prá poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo"!

Tatiana ligou: - "E aí, como estão as coisas"?

- Já faz mais de duas horas que a dilatação está completa... mas tá vindo, devagar tá vindo.. vai dar tudo certo.

Dr Rogério veio fazer outro exame de toque. E logo após ter tirado os dedos a bolsa rompeu. Tinha um pouco de mecônio mas ninguém fez nenhuma referência a isso. Era muito pouco e bem diluído. Ele fez outro toque em seguida e disse que já poderíamos ir para o Centro Obstétrico.

Como era de se esperar, o nível de dor aumentou um pouco após a bolsa ter rompido, e o que eram gemidos passaram a ser gritos. Mas ninguém que estava ali se incomodou com isso. A uma mulher em trabalho de parto deveria ser assegurado o direito de gritar se quiser.
E eu cantando:

"Tô louca prá te ver chegar - tô louca prá te ter nas mãos
Deitar no teu abraço e retomar o pedaço que falta no meu coração"...

Enfermagem prepando a transferência para o C.O. Thelma foi na maca, e quando saímos do quarto estávamos em 5 em volta da maca, e a Thelma a plenos pulmões... e eu com aquela cara de felicidade, que muitas vezes pode ser mal interpretada... ("a dor piorou e ela acha bom")!

Ai ai... mas estava engraçado sabe? Aquele monte de gente andando ao lado da maca e a Thelma fazendo as vezes de sirene de ambulância: aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Ah, a banqueta! Voltei correndo prá pegar a banqueta, sequei-a com o lençol limpo que estava sobre a cama, e lá fui correndo para o C.O. O Dr Rogério e o Rafael estavam se trocando. Entrei no vestiário feminino, coloquei meio corpo para dentro do corredor e falei:

- Rogééério, eu também posso entraaaaaar?

R) Pooooode!

Troquei então minhas roupas pelo "terninho" esterilizado, e continuei apoiando e incentivando o casal, até que a Beatriz veio lhes fazer companhia do lado de cá da barriga. Sem censura, sem cortes, naturalmente. Só alegria.

Assim mais um nascimento respeitoso teve lugar em São Carlos. Lindo, lindo, lindo.

Cheguei de volta à minha casa perto das 5 da tarde. Pouco depois a Tatiana ligou. Contei que tinha sido natural, sem cortes, e eles ficaram muito satisfeitos. Ela agradeceu muito... e só então contou que tinha quebrado um dedo do pé! Disse que quando recebeu a primeira ligação da Thelma quis sair correndo para atendê-la e na correria atropelou uma cadeira e fraturou um dedo. Agora já estava com o pé engessado e com medicação para dor, mas tinha passado o dia no hospital até ser atendida, etc... Vida de doula é assim, cheia de emoções fortes. Mas quebrar um dedo!! Que dooooor!

Por fim... tenho que dizer que foi uma doulagem surpresa, mas não menos emocionante por isso. Presenciar um nascimento prá mim é sempre como testemunhar um milagre. E ajudar uma mulher a vencer suas dores e tomar seu bebê nos braços é uma delícia. Haveria profissão melhor? Prá mim com certeza não!

Thelma, Raphael e Beatriz, obrigada por terem me aceitado no seu espaço. Foi como sempre, uma grande honra.

Tatiana, obrigada por ter se lembrado de mim e confiado no meu profissionalismo. Tornamo-nos  companheiras de projeto e gostei muito desta parceria.

Dr Rogério, como sempre, foi também uma honra ter mais uma vez trabalhado com você. Obrigada por sempre me fazer sentir muito bem vinda.

Beijos a todos,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama muito essa vida.

 
Declaração da Thelma em e-mail para a Tatiana: "Tati, diz para a Vânia colocar no blog sim. Ler o texto me trouxe lembranças ótimas do melhor presente que papai noel já me deu! Bjkas."

domingo, 5 de dezembro de 2010

DESPEDIDA DA VÂNIA DOULA

No último sábado, dia 04/12/2010,  fizemos um piquenique no Pq Ecológico de São Carlos, à titulo de despedida das minhas doulagens são carlenses, mas também uma ocasião de fechar o ano e uma excelente oportunidade de rever as famílias com as quais fiquei em contato durante tanto tempo, na preparação para o parto, nos encontros do GAPN e finalmente durante as horas de trabalho de parto, onde a cada contração o bebê vem ficando mais perto do lado de cá da barriga... até podermos ver se tem cabelo, se tem bochechas gordinhas, se as unhas estão compridas, qual a cor dos olhos... enfim, esses detalhes tão lindos de um recém-nascido.

Muitas adouladas me escreveram se desculpando por não poder comparecer... compromissos de fim de ano. Mas eu não poderia adiar para janeiro, época em que também muitas delas estarão viajando, e eu mesma estarei em meio aos preparativos da mudança para o Amazonas.





Então... sábado de manhã, sem chuva, apesar de ter chovido bastante no dia anterior, ficamos divididos entre buscar uma sombra, a grama muito molhada para permitir que nos sentássemos sem sairmos de lá cheios de barro... mas o parquinho estava seco o suficiente para as crianças.















E assim passamos uma manhã muito agradável, matando saudades, e pq não, trocando informações e contando novidades sobre o atendimento aos partos em nossa região.








Queridas adouladas que lá estiveram, muito muito obrigada! Adorei revê-las, re-encontrar as famílias e segurar os bebês, todos simpáticos e sorridentes!

Beijos!