Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Danuza, André e Laís - 08/12/2009

NO INÍCIO E NO FINALZINHO!



Danuza e André foram a pelo menos uma reunião do GAPN São Carlos, e foi lá que me contrataram como doula. Eu estava trabalhando em conjunto com a Frê, e marcamos as reuniões de preparação para o parto no consultório dela. O último encontro de preparação foi no dia 07/12. Estava chovendo forte e o André parou bem na porta do consultório para a Danuza descer e depois foi procurar lugar para estacionar.

Danuza chegou dizendo que tinha a impressão de que a bolsa havia rompido quando estava no elevador, saindo do consultório da Dra Carla, após consulta de pré-natal. Pura coincidência pois não tinha sido submetida a exame de toque que pudesse acidentalmente ter causado o rompimento precoce da bolsa. Enquanto aguardamos o André ela foi ao banheiro para ver a cor do líquido e sentir se tinha o cheiro característico - parecido com o cheiro de sêmen.

Enquanto ela estava no banheiro o André chegou correndo e escorregou no pano que estava perto da porta, de modo que adentrou o consultório "surfando" no pano, e quando a Danuza chegou, eu e ele estávamos nos acabando de rir! Danuza disse que o líquido estava claro e não tinha cheiro de nada, de modo que ficamos sem ter certeza de que tinha sido mesmo a bolsa. Fomos para nossa reunião. Ela ficou temerosa de molhar o sofá e sentou-se sobre a blusa. Conversamos sobre parto, duvidas, medos... e no final a blusa realmente estava bem molhada, e continuava tendo cheiro de nada. Então nos despedimos, perto das 16h30.

Às 21h30 mais ou menos, Danuza me ligou. Disse que ao sair da nossa reunião tinha voltado ao consultório da Dra Carla, que examinou e confirmou que tinha sido mesmo a bolsa que tinha rompido. Eles então foram para Descalvado esperar o início das contrações, e buscar as malas pois tinham vindo a São Carlos apenas para uma consulta de pré-natal, sem trazer nada... Agora, perto das 22h00, já estavam se preparando para vir para São Carlos, pois as contrações já começavam a ficar fortes e um pouco mais próximas.

Tínhamos conversado bastante sobre como esperar as contrações ficarem mais próximas e mais fortes, já que morando em Descalvado seria desconfortável esperar que as contrações estivessem de 3 em 3 minutos e só aí pegar estrada. Então, em todas as nossas conversas falávamos sobre a possibilidade de ficarmos num hotel, onde eu os doularia, aguardando os sinais de dilatação avançada.

Arrumei minhas coisas e fui dormir cedo.


Acordei perto da uma da manhã. Era a Frê, no celular.

Frê: - "Vânia, o André da Danuza ligou para mim!!! Ele disse que ligou para vc e vc não atendeu... parece que estava meio bravo... eles estão na maternidade, as contrações estão de 10 em 10 minutos".

- Eu esqueci o celular no vibracall! Que droga!

Frê : - Eu achei mesmo que vc demorou muito para atender... e agora? Eles querem que eu vá para lá.

- Vc pode ir? Quando amanhecer o dia eu troco com vc se for o caso. Pq se já estão na maternidade não vão deixar nós duas entrarmos... quando está quase nascendo é diferente, mas nesse caso vai demorar pq as contrações ainda estão um tanto espaçadas...

Frê: - Claro, sem problemas! Então eu vou, e de manhã nós trocamos.

Mandei mensagem no celular da Danusa pedindo desculpas por não ter acordado... (que meleca!)

Liguei para a Frê um tempo depois para saber se tinham deixado ela entrar na maternidade e ela ainda não tinha saído de casa. Eu estava tão ansiosa que não percebi que tinha passado tão pouco tempo...

Esperei um tanto e liguei de novo, a Frê atendeu assim:

- Vânia, as contrações já estão de dois em dois... e ela está tendo mais uma, vou lá ajudar.


E desligou.

Pensei que talvez nascesse antes de amanhecer o dia já que tinha passado de 10 em 10 para 2 em 2 em poucas horas. Evolução ótima!

Daí a pouco meu telefone tocou de novo. Nossa, será que já nasceu?

- Oi Vânia, é a Cláudia! Tudo bem?... estou com contrações de 5 em 5 mais ou menos, mas estão bem leves ainda. Só estou avisando para vc já ir pegando suas coisas... daqui a pouco te chamo...

Conversamos mais um pouco... levantei, tomei um cafezinho e fui tomar banho... daí a pouco sai para doular a Cláudia. Quando chegamos na maternidade, algum tempo depois, vi a Frê e a Dra Carla lá na ponta do corredor, antes de entrar no quarto em que a Cláudia ficaria.

Daí a pouco fomos para o centro obstétrico e o Rafael nasceu.

Danuza estava na sala ao lado, ouvindo tudo. Depois que estava tudo tranquilo com a Claudia fui falar "oi" para a Danuza e ela não respondeu, nem o André. Pensei que tinham ficado muito bravos comigo... depois lembrei que eu estava de touca e máscara! Abaixei a máscara e falei de novo, os olhos da Danuza se abriram num sorriso... André também gostou de me ver.

Danuza tinha perdido o controle sobre a dor e solicitado anestesia, esperando que o bebê baixasse depois que ela conseguisse relaxar. Para garantir a segurança a enfermeira ouvia os batimentos cardíacos do bebê o tempo todo, mas sem o aparelho de cardiotoco. Só com o sonarzinho, que não é tão desconfortável, e mais do que suficiente. E teve uma hora que os batimentos diminuíram e demoraram um pouco para recuperar, a Dra Carla falou que ia operar... saí com os olhos cheios de lágrimas... fiquei por ali, estranhei a falta de movimentação, voltei para dar uma olhada, e estavam todos muito calmos. A bebê - Laís - tinha se recuperado, e tinham voltado à espera pelo parto normal. Mas depois de mais algum tempo a Dra Carla fez novo toque e disse que estava se formando uma bossa muito grande, e que era melhor operar mesmo. Nessa hora me ofereci para filmar, e o André me entregou a filmadora.

Assim, André pode viver inteiramente a emoção de ver Laís vindo para o lado de cá da barriga sem se preocupar com o foco e o enquadramento. E como ele chorou quando ela nasceu! Seu choro emocionou todos os que estavam presentes.

Fiquei com eles o máximo que pude, mas o centro obstétrico começou a ficar muito movimentado e minha presença ali começou a causar estranheza, de modo que saí antes que me colocassem para fora...

Foi uma doulagem muito diferente... estar presente no momento em que não sabiam ainda se era a bolsa que tinha rompido, e depois re-encontrá-los no momento da cesárea, a tempo de ajudar a filmar!

Danuza, André e Laís: apesar de não ter ficado com vocês durante o trabalho de parto, quero que saibam que até hoje me emociono quando lembro da emoção que vocês sentiram quando puderam ficar os três juntos, do lado de cá da barriga.

Danuza, você foi até onde podia antes que o parto virasse sofrimento. Ter ficado com contrações durante a madrugada, com certeza fez diferença para a história de vínculo e amamentação. Você foi e é uma boa mãe, tanto durante o trabalho de parto quanto agora, tenho certeza. Você deixou a Laís escolher o dia que ela queria nascer, quando ela sentiu-se pronta para vir.

André, obrigada pela honra de ter te dado o primeiro "abraço de parabéns" quando você se tornou pai "de fato", com a Laís ali do lado, já querendo mamar!
Laís, parabéns pela linda família que você veio completar!



Só mais uma coisinha: na hora em que se tomou a decisão pela cesárea eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas... pq sei o que foi perdido. Já vi um banho de quem teve parto e de quem teve cesárea. Mas entendo a necessidade da cesárea nesse caso, e não lamento. Fico muito feliz que o recurso da cirurgia seja utilizado quando necessário, e comemoro o nascimento de mais um bebê muito amado, e recebido com cuidado e respeito pela equipe e pela família.


Com amor,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama muito tudo isso!

domingo, 18 de julho de 2010

OFICINA DE PARTO




Oficina de Preparação para o
Parto ATIVO




Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Parto ativo: diferente do que se vê nos partos tradicionais, onde a gestante se encontra passiva à mercê das orientações e intervenções médicas. Ativo no sentido de movimentar-se durante o trabalho de parto, evitando deitar-se. Ativo para o(a) acompanhante que desejar estar junto e preparado(a), não só para assistir como para auxiliar.

Conteúdo:
1. O que esperar no trabalho de parto.
2. Como saber a melhor hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Como o acompanhante pode ajudar.

O acompanhante pode ser o pai do bebê, sua mãe, sua irmã, ou sua melhor amiga... Qualquer pessoa que estiver disposta a estar junto e te ajudar, e com quem você se sinta completamente à vontade.

Direcionada a gestantes no último trimestre da gestação, com ou sem acompanhantes.
Dia 21/07/2010 - quarta-feira - das 19h00 às 22h00.
Investimento: R$50,00 o casal – R$ 25,00 para cada acompanhante adicional.

Vagas limitadas. Somente com Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para vaniacrbezerra@yahoo.com.br , ou pelos telefones: 3375-1648 e 9794-3566.

Local: IPC – Instituto de Psicologia Comportamental - Rua Pedro II, 2.095 Centro Tel: (16) 3307.6953

Aguardem confirmação de novos módulos, num curso completo para gestantes:

Gestação saudável, Amamentação, Primeiros Cuidados com Recém-Nascido (incluindo primeiros socorros).

E também um módulo especial para estudantes e profissionais que atendem gestantes e parturientes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mariana, Rafael e Luísa - 04/12/2009

Mariana fez preparação para o Parto com a Jamile, e quando a visitei para conhecê-la me pareceu super segura em relação ao parto. Opinião partilhada pela Jamile. Mas de verdade nunca sabemos o que vai acontecer durante o parto, e essa é uma das emoções de ser doula ou parteira. Temos nossos palpites em relação às mulheres que vamos acompanhar, mas muito frequentemente nos surpreendemos!

Então fui conhecer Mariana e Rafael. Tinha uma impressão forte de já conhecer Mariana, o que foi atribuído às vezes em que ela tinha ido às reuniões do grupo... mas não sou boa de guardar nomes e feições sabe? E as reuniões do grupo são sempre bem lotadas, era bastante improvável que fosse mesmo de lá.

Enfim, conversamos... Mariana manifestou muito medo da anestesia por conta de uma péssima experiência anterior... então fiquei com a impressão de que mais do que desejo pelo parto natural, Mariana tinha medo da cesárea. E esse medo costuma se reverter em mais determinação na hora do trabalho de parto. Quem tem medo da cesárea encara o parto com mais naturalidade e força de vontade.

Lembro com clareza dela perguntando se eu achava que deveria fazer algum tipo de preparação para o caso de virar cesárea, e eu respondi: cesárea prá mim é acidente. Quando a gente viaja para a praia sabe que no caminho o carro pode quebrar, os níveis de acidente nas estradas brasileiras são altos, pode acontecer de chegar na praia e chover a semana toda. Por acaso a gente se preparara para estas coisas? Se acontecer lidamos com a situação depois. Não podemos viver nos preparando para o pior... se acontecer paciência!

E Mariana respondeu olhando para o Rafael: -"Ela sempre fala o que a gente precisa ouvir".

Tenho um amigo que concordaria com isso! Ele diz que quando precisa levar um puxão de orelhas liga prá mim! rsrsrsrsr Mas neste caso ninguém precisou de puxão de orelhas, só de uma dose extra de confiança. E isso eu tenho bastante! ;)

E assim nesse clima de confiança, Mariana chegou às 42 semanas. Na consulta de pré-natal agendada para aquele dia iriam agendar a data para internar e induzir o início do trabalho de parto.

Eu estava sem carro, e minha irmã, que frequentemente me empresta o carro para meu marido me levar até a casa onde vou doular tinha saído para a balada de quinta-feira à noite. Mas ficou de prontidão para vir me buscar em casa se fosse preciso. Todas as amigas que estavam com ela sabiam da possibilidade dela ter que sair para vir me dar carona. 

E o telefone tocou: era o Rafael dizendo que Mariana estava em TP há algumas horas e as contrações estavam ficando mais próximas e doloridas. Bolsa integra, bebê mexendo, tudo bem.

Liguei para a Andréia e ela já tinha saído da balada e estava levando as amigas para casa, de modo que só precisou pisar um pouquinho mais fundo no acelerador.

Preparei tudo. Ainda estava com a banheira de parto e o balde com aquecedor da Jamile, que tinham ficado comigo desde o parto da Flávia Bombonato.

Andréia chegou e lá fomos nós, carregando minha bolsa de doulagem mais a banheira e o balde. Quando cheguei no prédio, ao entrar no elevador derrubei o balde de alumínio e fez um barulhão, mais ou menos às quatro da manhã! Senti meu rosto queimando de tão sem graça que eu fiquei! Imaginei quantas ligações o porteiro receberia perguntando o que tinha sido aquele barulho!

Quando cheguei no andar dela e a porta se abriu tinha um senhor esperando, com a porta do apartamento aberta. Mas ele estava saindo, então era apenas uma coincidência? Falei que ia atender a Mariana, ele disse com muita calma: - "Ah! Então é isso!"... E eu estava carregando aquele monte de coisa para dentro da sala, não falei direito com ele, dei um bom dia apressado, e ele foi embora. O Rafael apareceu para me ajudar.

Mariana estava na sala, com uma bandeja com suco e petiscos perto dela, com expressão de felicidade e tranquilidade misturadas. Conversamos um pouco, as contrações já estavam com um certo nível de desconforto, e fui para a cozinha colocar água para esquentar, para a bolsa de água quente. Quando estava voltando a mãe dela estava no corredor e levou um baita susto ao me ver, perguntou o que estava acontecendo... Mariana e Rafael tinham optado por deixá-a dormir, claro! Mas dar de cara comigo na cozinha foi muito inesperado e Dona MariAngela demorou um pouco para conseguir se acalmar. Não me lembro muito bem, mas creio que ela até tomou seus remédios para controlar a pressão alta, e rezou um pouco em seu quarto antes de retornar e ficar conosco na sala.

Enquanto isso eu inflei a bola, e Mariana estava nela, brincando de dar pulinhos e rindo entre as contrações, muito descontraída. Contaram que tinham ido a uma festa de confraternização na noite anterior, e sobre a mesa da cozinha tinha uma bandeja de salgadinhos que eu e Rafael beliscávamos de vez em quando.

Bem de repente o desconforto aumentou bastante, o senso de humor de Mariana desapareceu, ela começou a verbalizar durante as contrações e falou duas vezes que estava com vontade de fazer força. Liguei para a Jamile e perguntei se ela poderia ir até lá dar uma olhada. As duas doulagens anteriores tinham minado minha confiança em "sentir" em quanto estava a dilatação: uma vez achei que estava próximo de nascer e a dilatação estava em 2cm. Na outra vez achei que estava em 2cm e a bebê nasceu! Expliquei para a Jamile que eu sentia que a dilatação não estava total, mas com a Mariana dizendo que sentia muita vontade de fazer força fiquei meio perdida. Jamile disse que não tinha problema, já estava indo. Logo chegou, com aquela aura de tranquilidade e confiança que acompanha os profissionais que confiam que o parto é um processo fisiológico e natural.

Auscutou a bebê e estava tudo bem. Calçou as luvas e Mariana se ajeitou no sofá para ser examinada. Jamile disse que a dilatação estava em 8cm e a bebê estava bem baixa. O nascimento tendia a ser rápido, portanto poderíamos ir para a maternidade. A própria Jamile ligou para o Dr Rogério, explicou como estava e ele já foi se encaminhando para lá. Decidimos nem levar a banheira porque tudo indicava que não haveria tempo para enchê-la. Jamile me levou até a maternidade, acompanhando o carro de Mariana e Rafael.

Fiquei na entrada da maternidade esperando e quando eles chegaram Mariana estava deitada no banco de trás do carro, tendo uma contração, e elas pareciam estar bem longas e quase sem intervalo de modo que ficamos uns 5 minutos esperando um intervalo para ajudá-la a sair do carro mas o intervalo não vinha e ela falou umas 3 vezes que estava fazendo força. Então alguém que estava na recepção foi buscar uma cadeira de rodas e o Rafael a ajudou a levantar-se do carro e sentar-se na cadeira e assim ela foi levada até o quarto.

A banqueta já estava lá, assim como a bola suiça, e enquanto Mariana e Rafael se ajeitaram bem no meio do quarto - ela sentada na banqueta e ele sentado na cadeira bem atrás dela, de modo a apoiá-la, a enfermagem fazia as preparações para a recepção da bebê, e a Shirley, enfermeira obstetra plantonista naquele dia, após certificar-se de que Dr. Rogério e Dra Patricia estavam a caminho, sentou-se no chão em frente à Mariana e ficou confiante e sorridente, apoiando Mariana com o olhar.

A mãe de Mariana tinha ficado em casa. Ia trocar de roupa e encaminhar-se para a maternidade à pé, assim que o dia amanhecesse. Cerca de 10 quarteirões fariam dessa a caminhada matutina mais inesquecível da vida dela.

Logo Dr Rogério chegou e seguiu à risca o plano de parto que eles tinham feito. Mariana tinha pedido a ele e ao marido que a fizessem rir durante o parto, e então começaram a contar situações engraçadas e piadinhas, e Mariana sorria... e respirava fundo e verbalizava durante as contrações.

Shirley tinha dito que a dilatação estava total, apresentação baixa, bolsa íntegra. Dr Rogério disse que não tinha sentido bolsa não, só a cabeça da bebê, e pelo jeito era carequinha. E veio um pequeno desfile de piadas sobre carecas... Tirei algumas fotos mas o dia ainda não tinha amanhecido e as luzes do quarto estavam apagadas, de modo que não ficaram lá muito boas... o filme então... ficou só o audio gravado!

Dra Patricia também já estava ali, de luvas e a postos para a recepção da Luísa.

E assim Luísa chegou, devagar, dentro da bolsa integra, que parecia estar quase sem líquido nenhum de modo que a bolsa parecia estar meio grudada no rosto da bebê. Dr Rogério a colocou sobre o lençol, rompeu a bolsa e a tirou de lá de dentro, desenrolou o cordão umbilical do pescocinho e aí sim, a colocou sobre o colo de Mariana.

Todos em volta sorriam. Após o cordão ter parado de pulsar, Dr Rogério perguntou se Rafael queria cortar, e apontou onde deveria fazê-lo, sem esquecer a recomendação: "isso aqui é o meu dedo, não vai cortar heim?"

Dra Patricia levou a bebê para ser examinada e aquecida no berçário, mas voltou com ela logo em seguida para ser colocada para a primeira mamada.

Enquanto isso fui até a recepção e lá estava Dona MariAngela sentada entre as pessoas que estavam começando a chegar para o horário do visita bem cedo. Ela ficou muito feliz quando eu disse que já tinha nascido e tinha corrido tudo bem. Pelo que me lembro ela quis ligar para o marido imediatamente. Voltei para o quarto e no caminho liguei para a Jamile para contar que já tinha nascido, empelicada e com circular de cordão, quase sem líquido, e perfeitamente bem! Um parto maravilhoso.

Dra Carla estava passando visita para suas clientes e também entrou para cumprimentar rapidamente a Mariana e o Rafael.

Logo depois entraram a mãe de Mariana e os pais do Rafael. Todos muito sorridentes, felizes com a primeira neta.

E assim os deixei. Um clima de festa gostosa, tranquila e emocionante.

Mariana e Rafael, obrigada pelo convite e pela confiança. Amei tê-los acompanhado.



Luísa, que sua vida seja sempre repleta de tranquilidade, luz e paz, como foi o seu nascimento.

Um graaaande beijo,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama profundamente o que faz.




Ah! Eu e Mariana nunca descobrimos de onde vinha a impressão de que nos conhecíamos desde muito antes de eu ir à casa dela. O que descobrimos é que eu tinha trabalhado quase um ano no mesmo departamento do pai dela. São muito parecidos e isso poderia explicar a minha sensação de já conhecê-la, mas não explicaria o fato dela sentir a mesma coisa em relação a mim. Enfim... se já nos conheciamos mesmo ou não... ainda não sabemos!

O pai dela - Claúdio - me reconheceu quando abriu a porta do elevador. E eu estava atrapalhada carregando aquele monte de coisas, vermelha por ter derrubado o balde na entrada do elevador, nem olhei direito prá ele, dei um "bom dia" apressado... Foi ele que depois falou para a Mariana - "mas eu conheço essa moça! ela já trabalhou lá comigo!"

Mais uma para a minha coleção de situações engraçadas durante as doulagens!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Paciente agora tem vontade?"

Laurinha, minha sobrinha de 4 anos, há tempos atrás passou por uma cirurgia de retirada das amígdalas. Ficou com medo de ir deitada na maca, e estava ainda com suas roupinhas, que seriam trocadas pelo aventalzinho esterelizado quando já estivesse lá dentro do centro cirúrgico. Diante disso minha irmã a pegou no colo e foi andando do lado da maca. Não havia necessidade de obrigar a menina a ir chorando e com  medo até lá já que só seria trocada depois. E para espanto de todos uma das técnicas de enfermagem falou para a outra:

- "Paciente agora tem vontade?!"

...

Há tempos atrás (mais tempo do que quando a Laurinha passou pela cirurgia) levei meu filho ao Pronto Atendimento 24h, pq ele estava com vômitos e diarréia. A temperatura deu 37'5 e a médica plantonista prescreveu injeção de dipirona na veia. Expliquei que não gosto de dar dipirona, ela respondeu que era ignorância da minha parte. Respondi que 37'5 é sub-febre e nem gosto de medicar... ela respondeu que era ignorância da minha parte. E ficou com tanta raiva que tive a impressão de que ela ia bater a própria cabeça na parede! Só faltou me pedir para assinar um termo de responsabilidade por não querer medicar sub-febre no meu filho!

...

Ontem doulei e a médica escolhida não estava em São Carlos. O médico "reserva" também não. E à partir daí chamaram outro médico sem perguntar ao casal quem eles queriam que fosse chamado. Esse médico, o número 3, disse que ia fazer uma cesárea, e o casal respondeu que gostaria de esperar um pouco mais. Uma hora depois o médico nº3 examinou de novo e disse que a condição estava inalterada e que faria uma cesárea. O casal respondeu com uma pergunta:

- "Está tudo bem com o bebê?"
 Médico 3 ) Sim, está. ...
Casal: "Então queremos esperar mais um pouco".
Médico: "Sendo assim vou me retirar do caso, e vocês vão ficar sob os cuidados do plantonista, o Dr nº4. Já falei com ele e ele aceitou acompanhá-los".

Vejam, o casal não foi consultado sobre que médico queriam chamar DE NOVO.

20 segundos depois, quando ainda não tínhamos colocado nossos queixos no lugar... entrou o médico número 4. Apresentou-se (coisa que o médico nº 3 não tinha feito), olhou para mim e disse:

- "Vou pedir um cardiotoco, se estiver tudo bem esperamos mais um pouco... tudo bem assim"?
Respondi: "tudo bem".

Ele conversou mais um pouco com o casal, queria fazer outro exame de toque, a moça perguntou se não podia esperar e fazer após o cardiotoco, já que ela tinha submetida a exame de toque há menos de 5 minutos. Ele explicou que precisava ter a sua impressão sobre o tamanho da cabeça do bebê, a posição da cabeça e a pelvimetria. (?) Ela respondeu que entendia, mas o exame de toque é doloroso, não podia esperar?

E para o espanto de todos o médico 4 respondeu para ela:
- "Qual é a sua formação?"
- Hein?
Médico: - "Em que vc é formada"?
- "Sou socióloga"
Médico: - Ah...
- O que tem isso a ver?
R) (Silêncio...) Está bem, vamos então esperar o resultado do cardiotoco.

E saiu.

Quando a enfermeira veio instalar o cardiotoco explicamos a ela o que tinha acontecido. O casal não foi consultado e a opção de terceiro médico não era nenhum daqueles dois... O médico voltou e ia dizer alguma coisa, quando a enfermeira explicou para ele a situação e ele respondeu:
- "Prá mim é até melhor pq o plantão está lotado e tenho 3 cesáreas para fazer agora. Vou entrar no centro cirúrgico, então é até melhor que vocês chamem outro médico".

E saiu.

A enfermeira chamou então a médica número 5. (que deveria ter sido a nº3)

Ela veio, e mais ou menos duas horas depois o bebê nasceu, de parto normal. Não foi um parto fácil... nada fácil... mas não foi cesárea! E o bebê nasceu muito bem, obrigada!

Aí... sabe qual a conclusão que muita gente tira?

O problema é A DOULA!
A DOULA é um problema!
Vamos proibir A DOULA de entrar
e assim não teremos mais problemas!

Como se o casal fosse incapaz de se informar e tomar decisões sobre suas vidas e seus corpos se eu não estivesse lá. Como se questionar prognósticos e pedir segunda opinião fosse crime!

Acordem senhores doutores: PACIENTE TEM VONTADE.

Lembrando que parturiente NÃO está doente, e não é paciente. É cliente.
Quem faz o parto é a mulher. O cuidador, seja médico, enfermeira obstetra ou obstetriz deve obstar: ficar junto e observar. Entrar em cena e fazer alguma coisa, só quando necessário. E foi o que a médica nº5, que deveria ter sido a nº3 fez. Parir é Natural. Obstar é para poucos. Felizmente, não tão poucos assim.

E o bonde da humanização segue, cada vez mais lotado.

Doutora Número 5, meu MUITO OBRIGADA! E um grande abraço.

Vânia.