Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Janayna, Gustavo e Rael

RELATO DE PARTO DA JANAYNA – NASCIMENTO DO GUSTAVO – 23/10/2008

Janayna estava muito ansiosa para entrar em trabalho de parto, manifestou algumas vezes que a espera estava sendo muito difícil. Jamile então sugeriu que ela fizesse algumas sessões de acupuntura, e começasse a tomar alguns preparados homeopáticos para induzir o início do TP.
Rael me ligou meia noite e vinte, contando que a bolsa de águas havia rompido, mas ainda não havia sinal de contrações. Respondi algumas perguntas, tudo parecia estar calmo, orientei que esperassem, não havia pressa. Voltei a dormir.
O dia amanheceu.
No meio da manhã liguei para saber notícias. Sempre fico com medo de ligar e acordar quem acabou de conseguir dormir... Estava tudo bem.
Um pouco mais tarde a Jamile ia até lá para verificar os batimentos cardíacos do bebê, a dinâmica uterina, deixar alguns apetrechos... fui junto e fiquei por lá, já que as contrações estavam começando ficar mais próximas, e Janayna já manifestava certo desconforto.
Na hora do almoço o Rael saiu para buscar marmitex no restaurante preferido do casal, com recomendação de trazer peixe – desejo manifestado pela Janayna (ou pelo Gustavo?), mas não tinha... A tarde foi passando... massagens, banhos, duas caminhadas em volta do quarteirão... eu, Jamile e Janayna. Rael trabalhava no seu computador.
Jantamos pizza.
As contrações vinham e iam, se aproximavam e afastavam... Por três vezes a Jamile colocou agulhas de acupuntura para regularizar as contrações, e Janayna suportava heróicamente a agulha perto do tornozelo, e outra no dedinho do pé... ficava ali sentadinha, esperando Gustavo... Homeopatias... As horas foram passando... e chegaram os 6cm de dilatação. Montamos a piscina, enchemos a piscina, mantivemos a temperatura da água quente... e quatro horas depois, no exame de toque, Jamile disse que a dilatação continuava a mesma.
Passava de duas da manhã, portanto já tínhamos mais de 24 horas de bolsa rota. Jamile disse que tínhamos chegado a um ponto em que ficar em casa poderia ser improdutivo. Parecia que o colo do útero tinha descido, sem aumentar a dilatação, o que poderia ser um sinal de desproporção. Estava tudo bem com a Janayna e com o Gustavo, mas estarem com mais de 24 horas de bolsa rota trazia um certo risco de infecção... então o casal decidiu ir para a maternidade.
Jamile ligou para a obstetra que estava de sobreaviso, fomos para a maternidade, e chegando lá Janayna foi encaminhada para a cesárea. A obstetra disse que poderiam tentar a indução, mas que indução mais anestesia raquidiana (a única disponível nesse caso), poderiam trazer alguns riscos, na opinião dela, maiores que os da cesárea. Então o casal aceitou a cesárea.
Enquanto isso, Rael teve que sair da maternidade e ir a outro endereço, onde pagaria pelo atendimento do plano de saúde que eles tinham adquirido quando ela já estava grávida, sob a promessa de que quando entrasse em trabalho de parto pagariam um tipo de multa/acerto por ainda não terem cumprido a carência. A surpresa foi que chegando lá o atendente disse que isso não era mais possível. Então o casal teve que pagar mais do que tinha sido planejado para ficar em um quarto de SUS, por que já tinham chamado a obstetra do plano, então tiveram que pagar por um parto particular.
Foi a primeira vez que vi um pai de família que está se formando, parado na porta do Centro Cirúrgico. É uma visão triste. Famílias, principalmente em formação, não deveriam ser separadas. (Palavra de Psicóloga Hospitalar, com formação voltada para a Psicologia da Gestação, Parto, Puerpério e Amamentação... mas pensem bem... precisa ter toda essa especialização para ter sensibilidade? O que pensar de quem tem formação mas acha que na maternidade está tudo certo e todos são muito bonzinhos?). Enfim...
Janayna chorou muito quando chegou ao quarto, porque achava que ficaria em um apartamento individual, onde o Rael poderia permanecer com ela, mas agora ia para um quarto coletivo, onde a acompanhante deve ser necessariamente do sexo feminino. Esse imprevisto trouxe ao casal muito mais sofrimento do que a frustração pelo parto ter se tornado cesárea. Porque foram separados mais uma vez!
Quando fui visitar o casal, já em casa, Janayna estava muito cansada, pela noite passada em trabalho de parto, pela noite anterior, em que, depois da bolsa romper ela já não tinha conseguido dormir bem... pelas duas noites na maternidade, com o entra e sai de enfermeiras que medem pressão, temperatura, trazem os remédios necessários, e os bebês que acordam cada um a seu tempo (graças a Deus essa maternidade não é do tipo que toca uma buzina para todos os bebês acordarem ao mesmo tempo). Ajudei-a a deitar-se de lado e amamentar o bebê na cama. Enquanto alguém fica olhando não tem problema. Janayna pode descansar um pouco.
Mas depois a família reclamou que eu tinha ficado com a mamãe e o bebê só prá mim... ficaram com ciúmes...

Voltei alguns dias depois e Janayna estava tendo um pouco de dificuldade com a amamentação. Gustavo era um carinha bem guloso e um tanto carente... não queria desgrudar da mãe. Todas as tentativas de colocá-lo no carrinho ou na cama resultavam em choro... Nessas horas o apoio à mãe é fundamental, até que o bebê comece a ter umas horinhas de sono e ela possa descansar. Foi o que tentei fazer.
Espero que a família esteja feliz, espero que o Gustavo (quarto escorpiniano que acompanhei na chegada a este lado), continue persistente nos seus objetivos e consiga tudo da vida, assim como nos primeiros dias conseguia sua mãe só para ele. Ao casal, agradeço a honra de ter sido chamada para o dia em que deixaram de ser um casal e tornaram-se uma família.
Abraços carinhosos,
Vânia C. R. Bezerra

Um comentário:

  1. Deve ser triste passar por tudo e terminar em cesária hein.
    Mas é pra esses casos que ela existe mesmo.

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