Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Oficina de Parto e Oficina de Amamentação e Primeiros Cuidados com o RN - dia 18/01/2014


Oficina de Preparação para o Parto e Oficina de Preparação para a Amamentação e primeiros cuidados com o RN

dia 18/01/2014 sábado das 14h00 às 18h30


Oficina de Preparação para o Parto -Das 14h00 as 16h00 - Conteúdo: fases do trabalho de parto, posições que facilitam a descida do bebê, como o acompanhante pode ajudar, como a doula pode ajudar, como podem trabalhar em conjunto, como não atrapalhar. Técnicas de alivio da dor.



Intervalo com lanche coletivo das 16h00 as 16h30

Oficina de Preparação para a Amamentação e Primeiros Cuidados com o Recém-nascido: das 16h30 as 18h30. Conteúdo: como prevenir os problemas mais comuns e como resolvê-los caso apareçam; pega correta; o que o acompanhante pode fazer para promover e facilitar a amamentação e o vínculo entre mãe e bebê; Primeiros cuidados: curar o umbigo, trocas, banho, cólicas, prevenção de problemas mais comuns.

Facilitadoras: Tatiana Nagliati e Vânia Bezerra - Psicólogas, doulas e educadoras perinatais, atendendo partos há mais de 8 anos.

Investimento: 80,00 cada oficina, com direito a um acompanhante. (mais 40,00 por cada acompanhante extra)
Fazendo a inscrição nas duas oficinas: 150,00. 

A confirmação da inscrição será feita após o deposito do valor.

O lanche será coletivo: cada inscrita deverá levar um prato ou um suco para ser compartilhado. (levar quantidade suficiente para 3 pessoas, assim não teremos desperdício).

Inscrições com Vânia Bezerra - vaniacrbezerra@yahoo.com.br 
(16) 3413-7012 99794-3566 

ou com Tatiana Nagliati - tatiananagliati@gmail.com
(16) 3372-7489 - 99172-1839

Local: CLINFISIO Fisioterapia e Estética.
Rua Luiz Barbosa de Campos, 410 - Jardim Alvorada São Carlos - SP
(próximo ao restaurante Casa Branca).

sábado, 9 de novembro de 2013

Veruska, Sérgio e Ana Laura - janeiro de 2013

Fui doula da Veruska na sua primeira gestação em 2009/2010. Seu primeiro parto foi marcante pra mim: nunca vou me esquecer que sai pulando pelo corredor do centro cirúrgico (os partos ainda eram lá), porque o bebê pesou mais de 4Kg. (Lamento muito pelas muitas mulheres que foram pra cesáreas porque o ultrassom estimou o peso do bebê em mais de 3.5kg...).

O relato dela no GAPN, dizendo que jamais abriria mão da sentir o filho saindo, as perninhas passando: "senti tudo tudo tudo, e foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida".

Em 2012, logo depois d'eu ter voltado do Amazonas a Veruska me ligou contando que estava novamente grávida. Adorei saber!

Já no final da gestação marcamos uma conversa. Preparação para o parto era totalmente desnecessária, depois de um parto tão empoderado como aquele que ela já teve! Mas uma conversa para colocar o assunto em dia, e falar um pouquinho sobre o plano de parto, assim eu não teria que ficar perguntando. Conversa rápida também, falamos mais sobre o GAPN do que de qualquer outra coisa. Muita tranquilidade no ar!

Poucos dias depois recebi uma mensagem: "Vânia, só para vc ficar ciente, decidi que vou ter o parto na Casa de Saúde".

E mais um ou dois dias... sábado, 7h30 da manhã o telefone toca: "Vânia, a bolsa acabou de romper"

Conversamos, ela ligou para o médico, todos cientes, ficamos esperando o inicio das contrações.

As 3 da tarde ela ligou novamente: - "Vânia, até agora nada de contrações"...

Conversamos um pouco, e continuamos esperando, muito tranquilamente.

Passou a tarde, veio a noite. Deixei tudo arrumadinho e fui dormir. O telefone tocou à 1 da manhã. Atendi e Veruska estava gritando:

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIII... Vânia, nós estamos indo pra maternidade porque as contrações já estão juntando uma na outra... AAAAAAAAAAAAAAAAAiiiiiiiiiiiiiiiiiii".

Falei que já estava indo, passei correndo em baixo do chuveiro só pra acordar melhor, e no banho percebi que eu estava tremendo! Nunca tinha tido descarga de adrenalina quando me chamam para doular, mas os gritos dela fizeram um bom efeito! rsrsrsrsr

Chamei o táxi que veio rápido, cheguei lá 1h30, poucos minutos depois deles.

Veruska e Sérgio já estavam instalados e a banheira inflável já estava enchendo.

Quando entrei no quarto após os cumprimentos, a enfermeira disse assim:

- "Vânia, eu fiz o exame de toque, ela está com 3cm só, mas não quer voltar pra casa"...






Veruska respondeu:

- "Não tem a menor condição de ficar em casa assim, as contrações estão encostadas uma na outra, de dois em dois minutos! Aí, já ta vindo outra! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii"!

Eu fiquei muito tranquila nessa hora e apoiei a Veruska: - com as contrações tão próximas, de qualquer forma é melhor fazer a ausculta fetal com frequência, então é melhor ficar mesmo"!

Nessa contração a Veruska ficou de cócoras se segurando na cama, e eu me abaixei e fiz massagem nas costas dela. Quando passou ela disse que estava se sentindo muito cansada, e que ia deitar um pouco.

Fui colocar água pra ferver pra colocar na bolsa de água quente, e o Sérgio daí a pouco resolveu ir esperar em outro lugar, deixou o número na discagem automática do celular da Veruska para chamarmos quando estivesse próximo de nascer. E foi embora.

Veruska falou que nós iriamos ter uma surpresa: -"Vai nascer tão rápido que vcs que vão ter que atender, podem ficar preparadas"!

A enfermeira respondeu com tranquilidade que tudo bem, ela tinha prática.

Como tinha o pessoal da enfermagem entrando e saindo do quarto pq estavam ajudando a encher a banheira carregando água, vinham perguntar se estava faltando alguma coisa, etc, eu percebi que Veruska se incomodava com a falta de privacidade e coloquei um lençolzinho sobre suas pernas para que ela pudesse ficar à vontade. Logo depois ela pediu para subir a cabeceira da cama, ficou bem ajeitada, e vocalizava com tranquilidade durante as contrações, começou a cantarolar um hino, de olhos fechados, muito tranquila.



Eu trouxe a bolsa de água quente para ela, ela mesma colocava de um lado e do outro do quadril. Veio um suco pra ela tomar, pq estava se sentindo fraca, sua última refeição havia sido às 6 da tarde, depois não tinha comido mais nada. As contrações tinham começado as 11 da noite e a uma da manhã já estavam beeeem próximas.

No entanto o suco não estava gostoso, e ela tomou só metade. Mas tinha trazido umas coisinhas de casa e comeu duas bolachinhas., logo seus lábios estavam mais corados e ela sentia-se melhor.

Um fazia massagens em ponto de do-in na mão, e em uma contração particularmente mais forte ela estendeu as mãos, eu as segurei e falei: "puxa"!

Ela puxou e abriu bem a boca, contração compriiiida!

Quando passou eu até falei: "caramba, essa foi forte"! E Veruska respondeu: - "senti tudo abrindo"!

Well... já vi partos rápidos, mas a dilatação estava em 3 há menos de meia hora antes... hehehe...

Mais duas ou três contrações e ela prendeu a respiração... perguntei: "vc está fazendo força"?

R) "Não sei, acho que não".

Mais uma contração, e ela fala... - "tá nascendo"!

A enfermeira estava entrando, eu levantei um pouquinho o lençol, olhei, e falei: - "tá nascendo"!

Ela acendeu a luz, só colocou a cabeça pra fora do quarto e repetiu: "tá nascendo! berço, liguem o berço"!

Entraram mais duas no quarto, começaram a ligar tudo enquanto eu a enfermeira ficamos ao lado dela. Mais uma contração e saiu a cabeça, e na próxima saiu o corpinho!

Veruska imediatamente começou a comemorar: "Conseguiiiiiiiiiiiiiiiiiii de novooooooooooooooooooo, uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Obrigada meu Jesuuuuuuuuuuuuuuuuuuuus"!



E batia palmas e agradecia aos céus, uma cena muito muito linda!

Liguei para o Sérgio: - "Pode subir que já nasceu"!

A Ana Laura estava sendo atendida, e logo veio para o colo da Veruska. O médico e a pediatra foram chamados e vieram muito rápido. Veruska estava tão na partolândia ainda que até errou o nome do médico duas vezes!  rsrsrsrsr

Nada de laceração, nenhuma necessidade de pontos, Ana Laura mamando tranquilamente, família reunida, fui embora com a sensação de missão cumprida, num mundo cada vez melhor para se nascer e para se viver!

Delicia de vida essa de doula! Com adrenalina e tudo, adoro!

Veruska e Sérgio, muito obrigada pela honra dupla de acompanhar a chegada de seus dois filhos!

Ana Laura seja muito bem vinda! Que sua vida seja toda feliz, como foi o dia de sua chegada!



Abraços!

Vânia Bezerra.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Karen, Jr e Luisa - dezembro de 2012

Fui doula da Karen na primeira gestação dela, adorei conhecê-la, nossos encontros eram muito tranquilos, ela frequentou o GAPN junto com o marido e foram à oficina de parto. O relato do primeiro Trabalho de Parto  (TP) e seu desfecho encontra-se neste link:

http://vaniadoula.blogspot.com.br/2012/01/karen-e-jr-nascimento-da-sofia-03082010.html

Após o nascimento da Sofia, eu fui morar no Amazonas, e lá eu estava quando a Karen engravidou pela segunda vez. Mas voltei em seguida! Ela ficou sabendo da minha volta pela Jamile, e logo começamos a trocar e-mails, fui à casa dela apenas uma vez, levando a cópia do plano de parto anterior, conversamos bastante sobre algum tópico que ela desejasse fazer diferente desta vez. Tudo acertado, ficamos tranquilamente esperando que Luisa desejasse nascer e Karen entrasse em TP.

Karen mandou mensagem perto das 09h00 avisando que estava com contrações de 15 em 15 minutos.

(No começo das minha doulagens eu pedia pra não avisar muito cedo, pq eu mesma ficava ansiosa e perdia o sono... rsrsrsrsr aff, que vergonha de confessar isso! Agora, mais experiente, eu peço que me avisem quando perceberem que começou, assim eu me poupo de cansaço durante o dia, adiando uma faxina ou tirando um cochilo no meio da tarde. E nunca viajo para longe, mas se estiver em alguma cidade vizinha já vou tratando de voltar).

Mandei mensagem de volta, perguntando se ela estava calma, se precisava de alguma coisa... ela me ligou de volta. Disse que estava calma, mas iria até a maternidade dar uma olhada em um pequeno sangramento que estava tendo. Mais tarde mandou outra mensagem que já estava de volta em casa, estava tudo bem, e me avisaria então quando as contrações estivessem mais próximas.

Mantive meus compromissos e tirei meu cochilo no meio da tarde. Perto das 20h30 ela me ligou, dizendo que os intervalos ainda estavam um pouco irregulares, mas às vezes de 5 minutos, às vezes de 3. Muito tranquila ainda, mas eu preferi ir para a casa dela. Pedi carona pra minha irmã, deixei meu filho na casa dela, e ela me levou para a casa da Karen.

Jr abriu o portão, Karen estava na sala, sentada na bola e rodando o quadril. Linda!

Deixei minha mochila por ali, comentei que tinha demorado um pouco pq a cidade estava com congestionamentos pelo movimento do pessoal saindo pra ver as carretas da Coca-Cola passarem. rsrsrs

Ambos comentaram que as contrações estavam mais próximas, e logo que cheguei demorou quase 10 minutos pra vir uma contração. Provavelmente a minha chegada foi suficiente pra dar essa espaçada, mas foi só o primeiro intervalo, pois os demais já voltaram pra 4 ou 3 minutos. Nos intervalos Karen descansava, se sentava na bola, no sofá, ou ia dar uma volta na garagem. Estava uma noite um pouco mais fresca do que o calor intenso que vinha fazendo nas semanas anteriores, mas mesmo assim ainda estava muito quente. Jr. pegou um ventilador e o ligou na sala, Karen se sentava na bola bem em frente ao ventilador.

Peguei uma toalhinha de mão e passei a molha-la em água gelada. Tb pegamos uma garrafinha de água e colocamos no freezer por meia hora mais ou menos... Karen ficava revezando entre passar a garrafinha pelo pescoço e pelos braços, e a toalhinha molhada no rosto, dava uma aliviada no calor.

Estava se sentindo um pouco enjoada, mas sentia fome... tentou comer uns pedaços de pêra logo vomitou tudo... aí o Jr arrumou um copo com gelo e limão, e água bem gelada, que ela foi bebendo aos goles e acalmando o mal estar.

Liguei para a maternidade e avisei que estava doulando a Karen e que iriamos para a maternidade dali a algumas horas.

Quando vinham as contrações, na maioria das vezes, Karen procurava uma esquina de parede e se apoiava, colocando um joelho na frente do outro e balançando o corpo para frente e para trás. Outras vezes ia até uma cadeira e se reclinava apoiando-se no encosto. Todas as vezes eu fazia massagem nas costas. Algumas vezes ela referia estar sentindo dor "no pé da barriga", então falei que ela podia segurar a barriga e trazê-la para trás, para dentro do corpo.

Ela me disse que tinha pensado em usar o aparelho de ventosa, então fomos pegá-lo, ela me ensinou como manejar o aparelho e eu coloquei nos dois pontos das costas, onde ficaram por cerca de meia hora.

Jr descansou um pouco no sofá, mas levantou-se logo que as contrações começaram a ficar mais intensas e mais próximas. Comecei a marcar a duração das contrações e os intervalos e vi que já estavam durando quase um minuto e meio, e com intervalos irregulares, mas às vezes de 4 minutos e outras vezes de 30 segundos. Mal dava tempo dela se sentar e já levantava de novo. Depois de umas 4 contrações seguidas com intervalos de 30 segundos fiz sinal para o Jr que iríamos para a maternidade em seguida. Nem deu tempo de chegar no carro e veio outra, ela voltou para a sala e fiz massagem de novo, enquanto pedi a ele que tirasse o carro da garagem para que ela subisse com o carro já na rua. (Os degraus que o carro desce da garagem para a calçada e da calçada para a rua podem ser bastante desconfortáveis). E assim ele fez, e no próximo intervalos conseguimos chegar até o carro. No caminho até a maternidade paramos duas vezes para esperar a contração parar - uma vez foi na praça da XV, a outra já bem perto da maternidade). Outra contração ao descer do carro.

Chegamos. Duas da manhã mais ou menos. A recepcionista disse duas vezes para irmos a uma salinha de exames, e que Karen deveria ser examinada antes da internação. Fiquei um pouco apreensiva: será que voltamos ao tempo de ter que deitar para um exame de toque?! Mas não, quem veio nem foi a enfermeira, foi uma técnica de enfermagem, que pegou a Karen pelo braço e a guiava como quem guia um cego... fiquei bem atenta às reações da Karen e ela não pareceu se incomodar, então não falei nada. Fomos direcionados para o elevador de carga pq o outro estava em reforma. Me lembrei de um relato no GAPN que a moça contou que o elevador não parava alinhado com o piso, e teve uma hora que ela achou que dava pra pular... vê se isso é hora de lembrar desse tipo de coisa, logo eu que sou dada a ter crises de risos!

Bom... chegamos na suíte PPP e a moça começou a fazer umas perguntas para a Karen: primeiro filho? o primeiro foi normal? tem quantos anos? como se chama? # Quando é que vão entender que encher uma parturiente de perguntas não é boa ideiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa? Aí no meio da contração ela veio com a camisolinha de hospital e falou que depois da contração ela podia tirar toda a roupa e colocar a camisola... falei que não, que ela queria ficar com a própria roupa. - "Mas é que começa a sujar"... respondi de novo que ainda não - a bolsa está integra e ela não está com sangramento, então por enquanto ela quer ficar com a própria roupa.

Saiu sem responder nada, olhei para o Jr rindo e fiz um gesto sinalizando que a moça já tinha ficado brava comigo. Kkk... quando vou aprender a ser doula mansa e não doula onça? Será que um dia eu consigo? Eu bem poderia ter falado com um sorriso nos olhos, sem aquela expressão de quem quer enforcar a moça só pq ela encheu a Karen de perguntas no meio de uma contração!!!

Um dia eu aprendo, um dia eu aprendo, um dia eu aprendo... (meu mantra pessoal).

A enfermeira chegou, se apresentou, muito simpática. Pegou o sonar e tentou algumas vezes auscultar a bebê, mas teve um pouquinho de dificuldade de encontrar o foco, e quando encontrava já vinha uma contração e Karen queria se levantar. De qq forma deu para ver que estava tudo bem , deu para ver que o foco não estava ainda muito abaixo do umbigo, portanto era evidente que o nascimento não era eminente, e deu para perceber que as contrações estavam mesmo muito próximas e fortes. Ela então aconselhou que Karen fosse um pouco para o chuveiro. Levou a bola para lá, e ajudou a Karen a se ajeitar, enquanto eu procurei uma touca de plástico e o Jr desceu para fazer a internação. Com a Karen bem ajeitada no chuveiro, eu fazia massagens nas costas dela quando vinham contrações, e a enfermeira colocou a banheira para encher. Logo que ficou cheia ajudamos a Karen a entrar, e relaxando ali em pouco tempo as contrações espaçaram um pouco.

Foi só mais de uma hora depois que estávamos ali que a enfermeira pediu para dar uma olhada na dilatação. A parte chata foi que quis que a Karen se deitasse para o exame, justificando que não tinha prática em fazer o toque com a mulher na banqueta. Fiz o possível para manter meus olhos baixos pq tenho certeza que estariam soltando faíscas... fazer o que... : P  Ajudei a Karen a deitar, ela se posicionou de lado e perguntou se não poderia ser assim, a enfermeira respondeu que sim. Ufa, legal!

O toque foi feito com educação e gentileza, Karen não deu nenhum pulo e nem se contorceu nenhuma vez... nada do show de horrores que já vi algumas vezes... e a enfermeira sorriu! Eu achei isso ótimo pq elas geralmente tem uma prática tão grande de fazer cara de paisagem que a gente nunca consegue saber como está... rsrsrs  E falou na hora: - "8 de dilatação, já está quase"!!!

Ô coisa boa!

Ajudei a Karen a se levantar antes da próxima contração e logo ela quis voltar para a banheira. Aceitava alguns goles de água mas não queria comer nada. Com alguma insistência aceitou um suco de laranja, que tomou e vomitou em seguida... massagens durante as contrações.

 Jr. sentou-se próximo à banheira e a apoiava.

Mais uma hora e meia se passou e percebemos que ela começou a fazer força.Não muita força, algumas vezes ainda conseguia resistir . E a enfermeira passou a vigiar se a cabecinha da bebê não estaria aparecendo.Duas ou três vezes Karen verbalizou que estava achando que não iria aguentar, e então a enfermeira e eu nos revezávamos no sentido de incentivá-la.

EO esperando a contração passar para fazer a ausculta fetal
Consegui achar uma técnica de massagem que dava mais alivio - mas essa massagem atrapalhava a enfermeira que estava tentando ver através da água se a bebê já estava coroando. Sugeri então que ela não fizesse o toque, mas só encostasse a mão espalmada e percebesse se o períneo estava abaulando. Ela pediu licença para a Karen e encostou a mão, sorriu, olhou para a técnica de enfermagem e falou: pode chamar o médico e a pediatra.

Passaram a arrumar o berço aquecido e demais apetrechos, e eu pude fazer uma massagem vigorosa nas costas da Karen, enchendo a banheira de ondas. Ah! A técnica de enfermagem, na hora do exame de toque, tinha pendurado o lençol no gancho que fica acima da banheira, e Karen adorou, gostou de se ajeitar de cócoras e pendurada no lençol, isso foi ótimo!

Dr. Rogério e Dra Patrícia chegaram, tranquilos e sorridentes como sempre. Adoro essa vida!

A essa altura Karen já estava se pendurando no lençol há algum tempo, e já tinha verbalizado que os braços estavam cansados. Perguntei então se ela não queria tentar a banqueta. Ela topou, todos a ajudamos a sair, eu sequei suas costas e suas pernas rapidamente, e ela se ajeitou na banqueta. Coloquei a escadinha de dois degraus atras dela e falei para o Jr que aquele era o lugar reservado especialmente pra ele, e assim Karen poderia se apoiar nele durante os intervalos entre as contrações e relaxar.




Na próxima contração, Dr Rogério sentado no chão na frente dela, falou: "Já está nascendo! Na próxima nasce"!

Peguei a câmera fotográfica e tirei váááárias fotos, mas sempre alguém se mexia, de modo que só uma ou outra ficaram boas.E eu percebi que se salvariam poucas fotos, então teria que pelo menos filmar... só que na penumbra, já cansei de filmar tudo e sair só o som... fica registrado o primeiro chorinho e só. Bom, dessa vez que achei que valia a pena aumentar um pouco a luz, então coloquei a câmera filmando e apontada para eles, e fui até o interruptor e aumentei um pouco a luz. Acho que todo mundo olhou pra mim! Fazia tempo que eu não corava de vergonha! rsrsrsr Mas a Karen nem percebeu n pq ela já estava totalmente na partolândia, não se incomodou em nada, então mantive a filmagem.

Nessa hora o Jr olhou pra mim e com o olhar me perguntou se estava quase nascendo mesmo. Respondi que sim, sim, sim, metade da cabeça já estava do lado de cá da barriga!

Mais um pouquinho e  nasceu! Linda Luísa, muito bem vinda a esse mundo!

Jr fez as honras e cortou o cordão mas só depois de ter parado de pulsar.

Karen precisou de um ou dois pontinhos. E pronto! A placenta saiu em seguida, bem rapidinho.

Uma hora após o nascimento Karen já tinha até tomado banho e estava amamentando, enquanto comia açaí com frutas.

Enquanto saía da maternidade me deparei com um lindíssimo nascer do sol!  Adoro essa vida, realmente adoro!




Karen, Jr e Sofia, muito obrigada por terem me convidado! Luísa, seja sempre muito bem vinda!

Beijos,

Vânia Bezerra: Vânia Doula!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Oficinas de Preparação para o Parto e Amamentação, em agosto e setembro de 2013

OFICINA DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO ATIVO


17/08/2013 - sábado - às 15h00


COM VÂNIA C. R. BEZERRA E TATIANA NAGLIATI


Porque não basta querer! No Brasil você tem 60% de chance de ter uma cesárea se for pelo SUS, e mais de 90% de chance se for convênio ou particular. Se você já está com um médico que realmente apoia a sua decisão, você já percorreu a metade do caminho para garantir que só terá cesárea se for necessário. Agora venha aprender a sua parte. O que na sua tranquilidade e no seu comportamento podem fazer toda a diferença.


Importante: comparecer com roupas confortáveis e flexíveis, pois vamos nos sentar no chão e treinar as posições para cada fase do TP.

São muitos pequenos detalhes que juntos podem fazer uma enorme diferença! Um(a) acompanhante calmo e que saiba o que fazer durante as contrações vai tornar a experiência de ambos bem mais tranquila.

Local: CLINFISIO Fisioterapia e Estética.
Rua Luiz Barbosa de Campos, 410 - Jardim Alvorada São Carlos - SP
(próximo ao restaurante Casa Branca).

Investimento: 60,00 por gestante com um acompanhante. (mais 30,00 por cada acompanhante extra)

Inscrições por e-mail ou telefones abaixo relacionados.

Vânia Bezerra
vaniacrbezerra@yahoo.com.br
(16)9794-3566 / 3413-7012


Em 21/09 teremos mais uma Oficina de Preparação para Amamentação e Primeiros Cuidados com o Bebê.


















sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tatiana, Bruno e José - setembro de 2012

Conheci o casal bem no comecinho da minha vida como doula. As reuniões de Apoio ao Parto eram pequenas, eu, minha irmã, Adriana Abujanra aparecendo quando podia, e as doulas de Araraquara. Uma vez fiz um encontro no Parque Ecológico, e eles estavam lá, me vendo falar sobre parto, parto, parto!

No final da primeira gestação Tatiana descobriu um problema no convênio. Ela não teria a cobertura para o parto a não ser que voltasse para a cidade de origem do contrato. Como descobriu isso já com quase 38 semanas, não teve tempo de se planejar, foi um susto! Voltou então para a sua cidade na esperança de que encontrar quem a apoiasse no parto, mas os médicos já nem a aceitavam como paciente. A médica que a aceitou fazia exames de toque em todas as consultas e fazia aquela observação lixo: "vc não está tendo dilatação, parece que vai ter que ser cesárea".

E assim foi. E ainda não deixavam ficar acompanhante. Em uma noite, Tatiana acordou e viu seu bebê se afogando, ficando roxo, e mesmo cesareada teve forças para se levantar o bastante para esticar o braço e acudir o bebê, que cresceu lindo, forte, saudável, e hoje é uma criança dessas que fazem observações tão perspicazes que vão acabar gerando um volume de crônicas!

E então eu fui embora de São Carlos, e voltei, e Tatiana estava gravida novamente. Conversamos diversas vezes pelo facebook, ela terminando o doutorado e pedindo para o bebê esperar até a defesa. Adoro essas mães heroínas! Em plena gestação, quando seria tão normal dormir uma tarde inteira, Tatiana corria contra o tempo e escrevia uma tese!

Um dia eu estava no face, de madrugada, e começamos a conversar. Eu estava esperando as contrações de uma grande amiga minha engrenarem, e conversando com a Tatiana e avisando: se eu sumir de repente é pq fui chamada.

Tese entregue, defesa feita, reta final, e eu pensando: ela não vai me chamar pra doular???? rsrsrsr Mas ela chamou! ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, lá fui eu toda feliz! Conversamos apenas uma vez antes dela entrar em TP, com 40 semanas.

Ela me ligou e avisou que a bolsa tinha rompido. Perguntei sobre a cor do liquido, bebê mexendo muito, tudo tranquilizador, pode voltar a dormir. O que é muito fácil falar, mas claro que consigo me colocar na pele de quem está de bolsa rota, a cabeça fica a mil, muito dificil até de descansar... Tatiana tinha uma consulta de pré-natal marcada para aquele mesmo dia. Foram até lá, deram uma esticadinha até a maternidade, fizeram um cardiotoco, tudo tranquilizador, voltaram para casa. Passaram o dia procurando se ocupar e esperando as contrações, que começaram e mantiveram um intervalo sempre maior que dez minutos até o dia seguinte, quando o obstetra achou melhor começar o esquema de antibióticos e em uma conversa, ele e o casal resolveram começar a conduzir o parto já que ela estava já ficando muito cansada e ainda haveria um bom caminho a ser percorrido.

Então me avisaram que estavam indo começar a condução do parto. Fiquei a postos e Tatiana me chamou perto das 9 da noite. Como estava tudo pronto eu cheguei rápido. A enfermeira me recebeu dizendo que achava que ainda estava muito no começo, mas eu não me importaria de ficar desde o começo se era isso que a Tatiana estava precisando. No entanto, as contrações deram uma espaçada logo após a minha chegada, mas em seguida ritmaram muito próximas e eu já ajudava a cada vez. Logo ela foi para o chuveiro, que a princípio tivemos dificuldade em regular quente, parecia que hora ficava gelado, hora ficava quente demais. Mas conseguimos e ela ficou sob o chuveiro bastante tempo, até que ele desligou e não ligava mais. Nesse meio tempo lançamos mão da bolsa de água quente e massagem, e depois de alguns minutos tentei novamente e o chuveiro ligou. Jamais me esquecerei da alegria com que ela jogou longe a toalha onde estava embrulhada e praticamente pulou em baixo do chuveiro, declarando com os olhos brilhando: "eu adoro tomar banho, você não tem noção de como eu adoro chuveiro!"



E lá ela ficou por algum tempo. Depois sentiu necessidade de se movimentar mais, veio para o quarto, andva um pouco e se agachava quando vinham as contrações. Outras vezes apoiava os braços na cama e se inclinava. Sentia dores nas pernas e eu fazia massagens enquanto ela apertava as mãos do marido. Pediu música, ele colocou a seleção que haviam feito, ela cantarolou alguns versos, balançava a cabeça no ritmo da música, sempre de olhos fechados.

A enfermeira vinha, auscultava o bebê, reafirmava que estava tudo ótimo, saia tranquilamente dizendo para chamarmos quando fosse necessário. Que benção, que benção trabalhar num lugar assim, onde gestantes que querem parto são bem vindas, onde maridos são bem vindos, onde doulas são bem vindas! #gratidão!

Tatiana sentia frio, a gente fechava a janela, Tatiana sentia muito calor, a gente corria e abria a janela, ela se abanava com o leque, e em seguida sentia frio e pedia desculpas mas queria que fechássemos a janela. A dança dos hormônios!

Comecei a senti-la mais agitada, respirando mais forte, e muito muito mais concentrada, pediu para o Bruno desligar a música. Andou até a janela, olhou lá pra fora. Veio uma contração, ela se virou e se apoiou na cama, não gostou, puxou os travesseiros empilhando-os, apoiou a cabeça e relaxou as costas. Resolvi olhar, abri um sorriso e falei pro Bruno: pode chamar a enfermeira. Ele acionou a campainha mas ficou meio agitado, quando ia sair pelo corredor para chamar pessoalmente a enf. já vinha entrando, e ficou por ali durante uma ou duas contrações. Não me lembro se ela fez exame de toque ou se só olhando dava para ver, mas sei que ela disse para a equipe que podiam chamar o médico e a pediatra.

Enquanto isso eu peguei a banqueta e arrumei perto do sofá, caso ela quisesse ou precisasse mudar de posição depois, mas ela havia se ajeitado de pé, agarrava as mãos do Bruno e sentia os puxos já muito fortes.

Essa é uma uma parte muito legal do TP, quando vc que está acompanhando não precisa mais perguntar se ela está fazendo força, pq dá pra ver pela respiração entrecortada e pelas feições, às vezes pela vocalização que de repente para.

O médico chegou, a pediatra chegou, e o José chegou em seguida, e veio em meio a um jato de líquido amniótico que acertou a parede e fez um barulho de splash tão grande que todo mundo olhou pra ver o que tinha acertado a parede!

Tatiana então se virou e pegou seu bebê no colo, enquanto o Bruno pulava pelo quarto, emocionadíssimo, repetindo: "que coisa linda, que coisa linda"!

Até o fim dos meus dias vou me orgulhar por ter participado da luta pelo direito das famílias estarem juntas nesse momento! Ninguém, ninguém mesmo tem o direito de se sentir autorizado a deixar um pai de fora, só porque um pai a cada 100 dá um pouco de trabalho. Eu vou até onde for preciso pra defender os outros 99!

E assim ficamos, todos felicíssimos, vendo a felicidade do casal e a tranquilidade do bebê.

A placenta demorou um pouquinho, mas bem pouquinho, menos de uma hora se não me engano. Mas as contrações para a dequitação da placenta estavam doloridas também, o que não acontece com muita frequência.  O bebê já tinha mamado e estava muito tranquilo no berço, então sugeri que ela ficasse de pé para a gravidade ajudar na descida da placenta, e funcionou. Ela nem precisou ficar de pé, só se ajoelhou na cama, e duas contrações depois a placenta nasceu. Tatiana olhou para a enfermeira e perguntou: "posso tomar banho"?

Eis uma cena que eu gostaria de poder mostrar: um banho de uma mulher que teve parto, e um banho de uma mulher que teve cesárea. Só isso seria o suficiente para mostrar o que é melhor, só isso seria o suficiente para evidenciar o erro enorme de quem acha que cesárea é sem dor.

E lá foi a Tatiana para o seu adorado chuveiro, e lavou até a cabeça! Quando sai de lá o quarto todo recendia a sabonete, shampoo e felicidade!

Mais um VBAC, mais uma mãe que conheceu seu lado selvagem e até se assustou um pouco com a força que tem! Mais uma família respeitada na hora do re-encontro.

Amo, amo, amo essa vida de doula!

Tatiana e Bruno, muito muito obrigada por terem me chamado pra essa dança! Adorei!

João e José, sejam bem vindos a essa terra.

E parabéns pela linda família!

Beijos,

Vânia.

domingo, 28 de abril de 2013

Fabíola, Gabriel e Luna - setembro de 2012

Conheci Fabíola em uma reunião do Grupo de Apoio ao Parto Ativo de São Carlos, o nosso GAPN.

Na hora das apresentações sempre pedimos que as gestantes digam seus nomes, de quantas semanas estão, como ficaram sabendo do grupo, e o nome do médico... e na hora da Fabíola se apresentar, estando pela primeira vez ali, ela foi muito enfática, de um jeito que eu nunca tinha visto! Apresentou-se com calma e depois disse algo assim: "meu médico é o Fulano de Tal mas eu já quero deixar claro que se eu tiver que trocar de médico eu vou fazer isso pq a minha relação com ele é profissional e se ele não tiver condições de me proporcionar uma experiência segura eu troco, sem nenhum problema"!

Tenho que dizer que em certas ocasiões no GAPN eu tenho vontade de pular da cadeira e aplaudir de pé! E essa foi uma dessas vezes!

(Outra vez inesquecível foi quando um filho de médico disse que o pai dele era TOTALMENTE contra a decisão do casal de ter parto domiciliar, mas... que isso era um problema que o pai que resolvesse lá na terapia dele, porque o parto domiciliar já estava decidido! Aaaaaaaaaaaaah os cortes do "cordão umbilical", como são lindos!)

Bom... Fabíola me contratou como doula, fui à casa dela duas ou três vezes, os encontros eram muito tranquilos, tiramos dúvidas, assistimos alguns vídeos, eu deixei com ela a minha banheira que encaixa no box para ela poder tomar uns banhos bem gostosos.

E a mudança de médico também foi mesmo muito tranquila! O médico perguntou muito calmamente se não iam mesmo querer marcar a cesárea porque ele viajaria na sexta, então a cesárea teria que ser na quarta... e disse que na verdade não se sentia confortável para oferecer o tipo de parto que ela estava buscando, especialmente porque ela completaria 40 semanas, o que na opinião dele o tirava da zona de tranquilidade... então que ela se sentissem bem à vontade para mudar de médico se preferisse... e assim foi! Ligaram no médico indicado por mim, ele os atendeu, solicito como sempre, atencioso, o casal sentiu a diferença.

Fabíola entrou em TP na sexta-feira. Dois dias após trocar de médico.

Eu estava super indecisa sobre viajar no fds. Tinha uma vivência espiritual em Barra Bonita que eu queria ir, mas sentia que não devia... e não deu outra, na sexta o Gabriel ligou, às 18h15, dizendo que a contrações estavam já de 3 em 3 minutos doendo bem pouquinho, ela continuava conversando durante as contrações. Só por aí já deu para saber que estava muito no começo, pedi pra eles esperarem mais um pouco, meia hora mais ou menos, e me ligar novamente, mas recomendei que avisassem também o médico que o TP estava começando. Daí a pouco me ligaram de volta dizendo que o médico estava de plantão em outra maternidade e solicitou que eles fossem até lá para ele dar uma olhada, qualquer coisa voltariam para casa.

Tomei um banhão, dei uma checada nas mochila de doulagem e fiquei montando quebra-cabeças na internet pra passar o tempo.

As 9 da noite eles me ligaram. Fabíola estava com 2 dedos de dilatação, o exame de cardiotoco estava perfeito, mas eles preferiram já fazer a internação para ficarem mais tranquilos. Moram longe da maternidade e acharam que ir e voltar seria mais estressante. Fui pra lá também para ficar com eles.

Quando cheguei os pais do Gabriel estavam lá. Ficaram um pouco e depois foram embora. E chegaram os pais da Fabíola, ficaram um pouco e depois foram embora. A mãe dela com foi com lágrimas nos olhos, queria ficar, mas respeitou o momento em que o casal estava.

As 2 da manhã a ausculta dos batimentos cardíacos fetais estava um pouco abaixo do umbigo. Primeiro exame de toque, 5 cm. Fabíola dormiu na poltrona, tirava chochilos entre as contrações. Depois revezou entre a bola, o chuveiro e a banheira. Não perdia o pique, manteve-se guerreira e nos provocou risos várias vezes...

Uma vez foi quando ela estava na poltrona, cochilando, veio uma contração e ela começou a cantar:

"NOSSA! .. NOSSA!... Assim você me mata"...

Eu não deixei por menos, peguei meu celular e toquei a versão em inglês: "this way you´re gonna kill me... oh, if I catch you, OMG"!... o Gabriel quase caiu da cadeira de tanto rir...

Essa ficou para a história!

As 6 da manhã as coisas pareciam estar bem diferentes, tudo muito mais intenso, foco bem mais baixo, exame de toque pra não correr o risco de não dar tempo do médico chegar... 7 cm, bebê beeem baixo, faltando pouco pra começar os puxos.

Chuveiro, bola, caminhadinhas pelo quarto, Fabíola correu pro banheiro e vomitou.

A enfermeira comentou: "o vômito dos 7 cm"! Nunca tinha ouvido ser dito dessa forma, mas sim, na transição - fase dos 7 aos 10cm -  é mais comum vomitar.

O médico passou por ali, perguntou como estavam as coisas, conversou um pouquinho e foi embora, tudo muito tranquilo, uma benção!

Fabíola estava na poltrona, voltou para a banheira, passou a vocalizar bem mais forte durante as contrações, e pediu que sua mãe fosse chamada para vir ficar junto. Discordei nessa hora, tenho que confessar! Fui contra, argumentei, mas Fabíola foi firme em sua decisão. Sua mãe foi chamada, e tive impressão que chegou muito muito rápido! rsrsrs Já ouvi dizer que algumas mães tem asas...

Coloquei música de lobos uivando, Fabíola adorou. quando acabava ela logo pedia pra tocar de novo. Perdi a conta de quantas vezes os lobos uivaram nesse dia!

Quando a mãe chegou Fabíola já estava bem calma, apenas respirando fundo durante as contrações, e mesmo assim sua mãe derramava lágrimas todas as vezes que ela tinha contrações durante a primeira hora que esteve ali. Depois se acostumou, se acalmou, e ajudou, e no final juntou-se ao coro dos incentivos, quando Fabíola já estava muito cansada.

Às 10h30 o foco estava muito baixo, novo exame de toque: 9 cm.

Energia renovada, mais banheira, mais chuveiro, mais massagens, incentivos... mas Fabíola começou a ficar chorosa, quando vinham as contrações ela engatava um mantra de "não aguento mais, não aguento mais, não aguento mais", e Gabriel rebatia com "aguenta sim, você é forte, aguenta sim, você é forte". Apesar disso ela continuava choramingando... sugeri ao Gabriel que não falasse com ela algumas vezes, que assim ela acharia a fonte da própria força, que ela estava precisando dar um mergulho no fundo desse poço para conseguir tomar impulso e sair de lá com seus próprios recursos. E isso realmente aconteceu, mas tive a impressão que ela quase se afogou... ela entrou em desespero, passou a falar muito rápido e alto: EU NÃO VOU DESISTIR, EU QUERO VER VOCÊ NOS MEUS BRAÇOS, EU VOU CONSEGUIR, EU QUERO QUE VOCÊ NASÇA, EU NÃO VOU PEDIR CESÁREA AGORA QUE FALTA TÃO POUCO...

Mas isso foi falado com uma força tão grande que levou todos os presentes às lágrimas, inclusive eu... foi muito intenso!

Daí a algumas contrações ela voltou pra banheira, coloquei a música de uivos novamente, ela se tranquilizou tanto que eu e Gabriel chegamos a ter a impressão que as contrações tinham parado, mas depois ela explicou que conseguiu entrar em um estado meditativo profundo e passou a não reagir às contrações.

Mas explicou que não aguentava mais e pediu cesárea.

O médico veio, pediu para examinar com cuidado, inclusive para descartar a hipótese de que estivesse quase nascendo, ou que alguma manobra pudesse viabilizar o parto vaginal... fez um exame de toque com ela sentada na banqueta, amparada pelo Gabriel, e pediu para sentir se a bebê descia durante a contração. A dilatação continuava a mesma de 5 horas antes, e durante a contração a cabecinha não se moveu nem um milímetro. E assim a decisão pela cesárea foi tomada, o anestesista foi chamado, e Fabíola foi preparada para a cirurgia, com a maior calma possível. A dificuldade nessa hora é que quando a via cirúrgica foi decidida cada contração passa a representar uma dor totalmente sem sentido, e dói mais. Mas não demorou  muito e já escutamos o chorinho da Luna através das portas do Centro Cirúrgico.

Gabriel acompanhou-a o tempo todo, e saiu junto com ela. Família reunida, todos felicitando o casal e a Fabíola por ter sido tão guerreira.

Apesar da cesárea ter sido a pedido no princípio, ficamos com a impressão de que realmente a Luna não conseguiria nascer por via baixa. Ela tinha um degrau na testa e as orelhinhas dobradas pelas 5 horas em que ficou parada no mesmo ponto. Não posso jurar, mas penso que ela entrou no canal de parto em uma posição mais difícil, olhando para a frente, o que algumas vezes não impede que o bebê nasça, mas no caso dela acabou sendo decisivo.

Nessa experiência o que mais me impressionou foi a tranquilidade do casal pois mesmo tendo ido ao grupo apenas uma vez, tendo trocado de médico às vésperas do parto, tendo ficado tantas horas em trabalho de parto para no final terminar numa cesárea, em momento algum eles lamentaram a decisão e a luta pela qual passaram juntos. Foram guerreiros, se apoiando o tempo todo, e trazendo sua filha para o lado de cá da melhor forma possível em cada um dos momentos. Compreenderam a força do processo natural pelo qual passaram até o momento da decisão pela cesárea, e a diferença que isso fez na vida da criança.

Sou muito grata por viver momentos como estes, em que um casal se torna uma família, e que bebês chegam a esta Terra!

Fabíola e Gabriel, muito muito obrigada pela honra de ter doulado vocês! Foi uma experiência muito linda!

Luna, seja sempre muito bem vinda!

Um grande abraço!

Vânia C. R. Bezerra

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Querida Vânia!

Você não tem noção de quão feliz me deixou seu relato! 
Não só pelas suas palavras mas também por me fazer reviver tudo AQUILO de novo!
Meu Deus... que delícia!
A Luna está uma FOFA! Magicamente tranquila, carinhosa, esperta, saudável e bela (como as mães são puxa saco, Meu Deus!) Eu não poderia estar mais feliz em toda minha vida! É uma felicidade serena! 
Para minha família, ela trouxe luz! Isso traduz tudo. 

Me empolguei depois que li seu relato e estou começando a escrever sob minha ótica. 
Claro que eu gostaria muito que você publicasse seu texto, principalmente porque das minhas fontes de inspiração e coragem, e também o lugar de onde eu tirava minhas dúvidas (madrugadas antes do parto!), o seu blog era dos mais importantes. Assim que devo muito a ele e reconheço a importância dos relatos para as futuras mamães. Te peço também que publique o meu texto, assim que eu terminar (vai levar alguns dias). Sobre os nomes, pode incluir tudo o que você quiser, inclusive as fotos que estou te enviando.

Muito obrigada por tudo! Por me ajudar a trazer ao mundo essa criaturinha!
Beijos
Fabi

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Opa, que delícia! Daqui a alguns dias então teremos o relato da Fabíola! Fiquei muito feliz!

Beijos, beijos!  E vamos em frente, mudando o mundo, um parto de cada vez, um parto de cada vez!

Vânia.







segunda-feira, 22 de abril de 2013

Oficina de Parto - 27/04/2013




Próxima Oficina de Preparação para o Parto Ativo: dia 27/04/2013 (sábado) às 15h00, em São Carlos.

A oficina tem duração de duas horas a duas horas e meia e o objetivo é revisar as fases do trabalho de parto, com enfase no que a mulher pode sentir em casa fase e como o/a acompanhante pode ajudar nos diferentes momentos. Conversaremos bastante sobre as posições mais favoráveis, as massagens, demonstrando-as e incentivando a pratica. Por isso é muito importante, se possível, que o/a acompanhante de escolha compareça também.

Importante: comparecer com roupas confortáveis e flexíveis, pois vamos nos sentar no chão e treinar as posições para cada fase do TP.

São muitos pequenos detalhes que juntos podem fazer uma enorme diferença! Um(a) acompanhante calmo e que saiba o que fazer durante as contrações vai tornar a experiência de ambos bem mais tranquila.

Local: CLINFISIO Fisioterapia e Estética.
Rua Luiz Barbosa de Campos, 410 - Jardim Alvorada São Carlos - SP
(próximo ao restaurante Casa Branca).

Investimento: 60,00 por gestante com um acompanhante. (mais 30,00 por cada acompanhante extra)

Inscrições por e-mail ou telefones abaixo relacionados.

Vânia Bezerra
vaniacrbezerra@yahoo.com.br
(16)9794-3566 / 3413-7012

Tatiana Fusco Nagliati
jtnagliati@terra.com.br
9166-6524
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Enviar por e-mail os seguintes dados:Nome completo:Telefones para contato:e-mail:de quantas semanas vc está: quando completa 40 semanas? (comumente chamada de DPP):Vai um(a) acompanhante com vc? Qual o nome?Quem é seu médico?
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Realização condicionada a número mínimo de participantes, por isso não deixe para se inscrever na ultima hora. Não é necessário pagar com antecedência.

Esperamos vocês, com muito carinho, fazendo o possível para tornar a vivência do parto mais confiante e tranquila.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

AJUDANTE PÓS-PARTO

Iniciando nova fase de trabalhos no apoio as mães, a partir de agora me coloco a disposição para a função de ajudante pós-parto, atendendo principalmente na fase de adaptação da rotina da família ao recém-nascido.

Apoio à amamentação, primeiros cuidados, sono, cólicas, banho, cuidado com o umbigo, rotina dos irmãos mais velhos, recuperação do parto ou da cesariana, etc. 

Ajudo em tudo que a mãe e a família necessitarem, e que tenha a ver com a presença de um bebê, seja na forma de uma simples conversa atenciosa e sem qualquer julgamento, uma massagem, ajuda na amamentação, acompanhamento a consulta com o pediatra, exame do pezinho, do olhinho, do ouvidinho, vacinas... (dirigindo o carro se for preciso), ficando com o bebê para que essa mãe possa tomar um banho mais longo, ou possa dormir com mais tranquilidade, etc.

Ainda posso realizar pequenas tarefas domésticas, como arrumar uma cozinha ou bater uma roupa na máquina, colocar no varal, fazer supermercado/sacolão, abastecer a geladeira, preparar uma refeição, sair para pagar contas, levar e buscar crianças mais velhas na escola.

Além disso, posso dar muitas dicas de como tornar a sua rotina mais pratica quando você não precisar mais da minha ajuda tão frequentemente, quando a rotina do sono e mamadas do bebê estiverem bem estabelecida e você bem adaptada, e já completamente recuperada do parto ou da cesárea.

É importante saber que o meu apoio será no sentido de que essa mãe possa, assim que possível, cuidar do seu bebê e da sua casa, pois quando alguém vai para ajudar mas na verdade faz tudo por ela, aumenta seu risco de ter depressão pós-parto. Meu objetivo é ajudar no que for preciso, ensinando o que for preciso, e nunca fazer tudo por ela. 

Eu farei tudo o que for necessário para que ela tenha tranquilidade,  tempo e disposição para ela mesma e para o bebê.

Contato para uma primeira conversa por tel ou e-mail:
3413-7012 / 9794-3566 / vaniacrbezerra@yahoo.com.br




sábado, 19 de janeiro de 2013

Kátia, Ton, Enki Miguel e Benjamin - agosto de 2012


Conheci a Kátia durante sua primeira gestação em 2009. Depois das nossas reuniões de preparação para o parto e o acompanhamento do trabalho de parto, nos tornamos grandes amigas, irmãs crescendo na mesma tribo. No final de 2010 meu marido foi chamado para trabalhar no Amazonas. A Kátia foi a primeira pessoa que ficou sabendo, junto com o Tom. E eu sabia que a Kátia estaria entre as pessoas de quem seu sentiria mais saudade!




Dezembro de 2011, recebo o seguinte e-mail dela:

__________________

Novidade: ESTOU GRAVIDÍSSIMA!!! Em torno de 4 semanas, pelas minhas contas, fiz teste de farmácia ontem...

Bom agora vem toda uma preocupação, aí vou ter bastante assunto por email com vc! rs..r.sr.s."
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E adivinhem o que eu pensei? ???

R) Aff, não acredito que não vou doular a Kátia!!



Fiz até conta, vi que nasceria entre julho e agosto... quem sabe não nasceria enquanto eu estivesse passando férias em São Carlos? #Esperança rules!

Bom... dezembro, janeiro e fevereiro foram passando... trocamos váááááários e-mails, tirei algumas dúvidas... Dá tempo de ir de Araraquara para São Carlos? Precisa fazer o pré-natal nas duas cidades? O que vc acha de parto domiciliar?

Indiquei a doula de Araraquara que ela até já tinha achado e me perguntou se eu conhecia. Conheço sim, ela é ótima! E indiquei a enfermeira obstetra com quem estava acostumada a trabalhar.

Também mandei e-mail pra todo mundo pedindo que atendessem a Kátia como se fosse da minha família, porque na verdade ela é mesmo!

Então o tempo passou, muita água rolou por debaixo da ponte... e minha volta para o estado de São Paulo começou a se formar. Meu marido voltou primeiro, o emprego dele não deu certo... e eu tentei ficar lá no Amazonas até julho pra poder fazer a transferência do meu filho no mês de férias escolares, achei que seria menos traumático para ele. Falei pra Kátia que voltaria para o estado de São Paulo mas ainda não sabia se seria para São Carlos. Mantive a fé de estar por perto quando ela estivesse em trabalho de parto.

Mais água passou debaixo da ponte... e eu e meu marido resolvemos que não estava valendo a pena eu ficar lá no Amazonas, sozinha com o filho. Nós não estávamos felizes, eu comecei a ficar doente, meu filho tinha pesadelos. Liguei pro meu marido e falei de um jeitinho assim bem manso...

PODE ALUGAR UMA CASA E COMPRAR AS PASSAGENS PORQUE EU NÃO QUERO MAIS FICAR AQUI! ME TIRA DAQUI O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, PELOAMORDEDEUS!

Ele nem perguntou por que, só respondeu: "pode deixar!" E depois passou uma lista enorme de providencias que eu deveria tomar... : P

Mais água passou debaixo da ponte... e eu voltei. Muito Feliz!

No final de maio, quando encontrei a Kátia em um fim de semana, ficamos as duas rindo sem parar. Ela dizia: "Vânia, eu não torci pra vc voltar, mas estou TÃO feliz por vc ter voltado!". E eu respondia rindo... eu torci muito para estar por perto!


Confusão no mundo das militantes do parto humanizado, bem na reta final da gestação da Kátia! Tudo por causa de uma reportagem do Fantástico sobre partos domiciliares e uma ameaça de punição ao médico que se pronunciou favorável à escolha informada. A mobilização foi imediata, e eu participei com todas as minhas forças. Fui pra São Paulo participar da passeata pelo direito de escolha. E também fui pra Araraquara participar da passeata pelo direito de escolha! 


Passeata em São Paulo


Passeata em São Paulo











E lá em Araraquara também estavam a Kátia, o Tom e o Enki Miguel. Ela era a única gestante presente, no meio da avenida, carregando um cartaz, então todos os repórteres que apareceram foram falar com ela, e ela muito calma e sorridente, dizendo que o seu bebê escolheria o dia de nascer, ninguém iria marcar uma data!


Final da passeata em Araraquara, Cris e eu.
Enki, Tom e Kátia, na passeata de Arrqra.















E todos nós no meio da avenida, fazendo barulho e cantando: 

- "Dr, "cê" não me engana... vc só quer cesariana!"



Cristiane, Kátia e eu, no chá de fraldas do Ben


Em julho teve o chá de fraldas do Benjamin... Que delícia ver a Cris pintando a barriga da Kátia, o Enki ajudando a colorir... todas as mulheres presentes colocaram "pulseiras" que nos manteriam conectadas ao parto da Kátia, e deram suas bençãos. Tudo muito lindo!



pulseira para ser usada até o dia do parto,
conectando todas as mulheres

E então entramos na reta final: esperar o dia em que o Ben  ficaria com vontade de nascer.












Raul (meu marido) estava viajando e eu tinha ficado dois dias fora de casa, doulando a Natália. No dia seguinte dormi  praticamente o dia todo. (quinta-feira). Na sexta fiz faxina, e a noite o Raul chegou de viagem. Pensei: se a Kátia entrar em TP agora já poderei sair de casa tranquilamente.  hehehe...

Quatro horas depois recebi uma mensagem: "Vânia, estou em TP. Já avisamos a Jamile. Bj. Kátia".

Respondi: "obaaaaaa, hj vai ter festa! Vou ligar pra Jamile. bjs!"

Lua sorrindo, na noite em que o Bem nasceu.
Mandei mensagem pra Jamile, reforçando o pedido de carona. Arrumei uma mochila com uma troca de roupa, e fiquei no facebook passando o tempo. A Tatiana Corrêa estava on line, e ficamos batendo papo sobre gravidez, parto, parto, parto... contei que estava aguardando as contrações da Kátia ficarem bem próximas, e quando ela chamasse a Jamile, eu iria junto de carona. (Eu mesma não era a doula contratada, eu era a doula amiga, voluntária, convidada especial, por isso iria junto com a parteira e não logo no começo do TP).

Tragicômico: enquanto esperava fui fazer xixi e levei o celular junto, pra que se tocasse eu atendesse rápido. Aí saí do banheiro, fechei a porta e esqueci o celular lá dentro! A Jamile mandou duas mensagens, dizendo que já tinham chamado, depois me pedindo pra ir até a rodoviária que ela me pegaria lá... aí me ligou, e eu ouvia o celular tocar e não achava! Quando encontrei e atendi, ela me perguntou: - "já está chegando"? E eu respondi: - chegando onde?

Aff... que vergonha! Ela teve que me buscar em casa pq a essa altura seria mais rápido do que me esperar chegar até a rodoviária... fui esperá-la na rotatória perto de casa, assim pelo menos economizaria o tempo  dela ter que ficar procurando a minha casa...

Chegou rapidinho e lá fomos pelo caminho, colocando assunto em dia. Chegamos em Araraquara e Jamile colocou o endereço da Kátia no GPS. Nós duas já tínhamos ido na casa da Kátia, mas chegar até nas proximidades é que era a dúvida. Aí o GPS mandava virar e retornar, virar e retornar, ficamos rindo por saber que a máquina estava errada... seguimos os nossos próprios palpites e chegamos sem dificuldade.

O Tom veio abrir o portão, e encontramos a Kátia na sala, de olhos fechados, concentrada em seu próprio corpo. Quando abriu os olhos e nos descobriu ali, sorriu mansamente e fechou os olhos novamente. Bem cara de partolândia! Quando veio a contração ela vocalizou forte, bem cara de expulsivo! Então ficamos todas sorridentes. O Tom já estava enchendo a banheira, a Jamile começou a abrir suas coisas e preparar o ambiente para receber o bebê. Eram 3 da manhã mais ou menos.




As contrações não estavam muito muito próximas como é o mais comum de acontecer quando o bebê está quase nascendo, mas como já vimos alguns partos tranquilos com contrações não tão próximas... o comportamento da Kátia é o que mais indicava que logo veríamos a cabecinha do Ben começar a aparecer. Mas quando um tempinho se passou e isso não aconteceu, Jamile sugeriu: "vamos dar uma olhada pra ter certeza"?

Kátia aceitou. E o resultado foi: "olha, ainda falta um tempinho, mas como vc está com muita dor, que tal entrar um pouco na banheira? Vai te ajudar a relaxar e re-encontrar o foco"...

Kátia fazia uma cara de sofrimento durante as contrações, embora conseguisse relaxar bastante durante os intervalos e a gente tivesse a impressão de que ela chegava a tirar uns cochilos, ela estava começando a lutar contra as contrações, lamentando e fazendo sinal negativo com a cabeça quando elas começavam. E quando vemos isso acontecer sabemos que o parto vai se prolongar porque a mulher está resistindo em deixar a contração fazer o seu trabalho.

Então nosso papel, de nós todos que estávamos ali, passou a ser de ajudar a Kátia a se entregar novamente ao TP. Ela entrou na banheira, ficou um pouco, relaxou bastante, e as contrações deram uma espaçada. A princípio isso não me preocupou porque o TP estava avançado, ela estava com mais de 7cm de dilatação, e se as contrações espaçaram eu tive fé de que era o que o corpo dela precisava. Ela tiraria uns cochilos mais longos, descansaria, recuperaria o controle sobre suas emoções, e depois as contrações se aproximariam de novo, quando voltassem a ser recebidas com alegria.

A Camila chegou, acho que entre 5 e 6 da manhã, se não me engano o dia estava quase amanhecendo. O Tom foi abrir o portão e brincou: "já nasceu!", e ela entrou rindo e dizendo: "nasceu nada, se tivesse nascido eu saberia"... rsrsrsr





Kátia saiu da banheira e daí pra frente ficou revezando entre a bola e a banqueta. Embora não tenha chegado ao ponto de receber as contrações com alegria, Kátia parou de lutar contra elas. Mas pediu uma toalha para morder. Pediu várias vezes. E nós ficamos conversando com ela, explicando que trancar os dentes não era uma boa ideia, que seria melhor ela abrir bem a boca, e que se tivesse vontade de gritar então que gritasse... nós gritaríamos junto para fazer companhia. E rimos... ela sorriu. E conseguiu começar a abrir bem a boca e entoar um mantra bem alto de "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii". E nós em volta reforçando: isso Kátia, solta, deixa doer que nasce!

Daí pra frente o parto ficou um pouco traumático para o Tom. Porque foram muitas horas de verbalização do mantra AAAAAAAAAAAAAAAAAAiiiiiiiiiiiiii, e segundo palavras dele, esse som o perseguiu durante alguns dias... ou meses, não sei direito. A ponto de hoje eu ter sérias dúvidas sobre se não teria sido melhor dar uma toalhinha para a Kátia morder. Embora isso seja contra todas as pesquisas de que mandar a mulher trancar os dentes na realidade atrapalha a abertura do colo do útero... talvez a Kátia seja uma excessão à regra. E agora não tem como voltar no tempo e tirar a prova. Se emitir os sons acabavam por incomodá-la, de verdade, sinto que errei quando não atendi seu pedido.

O dia amanheceu, o sol esquentou um pouquinho, mas mesmo assim, sair para caminhar no quintal ainda não era uma boa opção, pois o vento estava bem frio. Tom comentou que sairia para comprar pão, mas a Kátia fez objeção na hora. "Não sai não, fica aqui comigo". Então seu pedido foi atendido. Saiu um café da manhã, com leite, café e bolachas. Provavelmente acabamos com as bolachas do Enki! Rsrsrsrsr

Chegou a hora do almoço. Tom foi para a cozinha e cozinhou macarrão, com molho e carne de soja. E todas nós almoçamos: eu, Cristiane, Jamile e Camila. Não me lembro do Tom ter almoçado.

As contrações da Kátia foram ficando ainda mais espaçadas, embora em algum momento que não me lembro qual, um exame de toque tenha mostrado que a dilatação já estava completa, então mesmo com as contrações distantes o parto estava evoluindo. Kátia continuava ativa, embora mantivesse os olhos fechados quase o tempo todo, e só durante as contrações mais fortes ela abria os olhos e olhava em volta, com o olhar de partolândia que ela já tinha desde os 7cm. 

Em algum momento eu disse para o Tom que a Kátia talvez estivesse limpando as memórias do trabalho de parto do Enki, quando ela ficou com a dilatação parada em 9cm durante 8 horas e foi para a cesárea. E embora tenha sido uma cesárea muito bem indicada, eu jamais esquecerei da expressão de derrota quando ela abaixou a cabeça e murmurou uma pergunta: "não foi por falta de tentar né"?!

Eu mantinha minha fé de que após reviver e limpar as memórias celulares do TP anterior, ela abraçaria as contrações com alegria e traria o Ben para o lado de cá da barriga, de forma natural e no calor de sua casa. Em algum momento ela chegaria a conclusão fatal: a dor faz parte do processo, mas o sofrimento é opcional. E apesar da expressão de sofrimento que ela mantinha, o parto estava evoluindo. Lentamente? Talvez, mas temos certeza de que cada parto é um nascimento diferente, do bebê que está vindo, da mulher que está em TP e tem seus conflitos para resolver, do pai que está ali renascendo como pai de 2 e não mais de filho único. Do primeiro bebê, que agora passará a ser o irmãozão... a família está renascendo, e cada uma tem o seu tempo.




Dai a algumas horas a minha suspeita de que a Kátia precisaria de mais tempo até colocar o Ben pro lado de cá já era uma certeza. E entre nós que estávamos ali ajudando, começamos a revezar umas cochiladas, pq mentes cansadas param de ter idéias criativas sobre a melhor maneira de ajudar. 

Os horários de refeições marcavam a passagem do tempo.

Enquanto isso, Kátia também se alimentou. Colheradas de açaí com mel... depois uma sopinha... 

Mais tarde um chá, que poderia ajudá-la a relaxar e se entregar, abrir-se, soltar-se, ceder e vencer.

Kátia finalmente começou a sorrir. Abriu os olhos, abriu um grande sorriso, partolândia com força total, fez declarações de amor a todos que estavam presentes, sorria durante as contrações e dizia: "o Ben vai chegar, vamos ter mais um bebezinho em casa". E continuava sorrindo durante os intervalos, enquanto permanecia de olhos fechados, com a respiração bem tranquila.

A bolsa rompeu quando ela estava sentada na banqueta. E eu estava perto, fazendo massagem, escutei até o barulho: PLOC! Saiu pouco líquido, e claro. Tudo correndo bem!

Tocamos músicas. O Tom carinhosamente foi escolhendo uma a uma, e Kátia balançava o corpo. Tom aplicava reike na barriga, incentivando o Ben a rodar. Tínhamos a impressão de que ele tinha parado no mesmo ponto em que o Enki parou, embora a dilatação estivesse mais avançada.




A tarde finalmente estava mais quente, e Kátia estava sentindo um conforto quando fazíamos o cabo de guerra durante as contrações. Ela foi incentivada então a ficar de cócoras durante as contrações, segurando-se em um lençol pendurado no telhado do quintal. Nessa hora eu estava tirando um cochilo deitada no sofá da sala. 


Depois de algum tempo percebi uma movimentação mais intensa. Estavam vindo para dentro porque o nascimento era eminente, a posição tinha dado certo, ela veio para a sala e sentou-se na baqueta. Alguém comentou que só agora a bolsa tinha rompido mesmo, saiu bastante líquido... As contrações vinham e iam, vinham e iam, e o Ben não apareceu... foi feito mais um exame de toque e ele tinha voltado um pouco no canal de parto. Como a posição anterior tinha sido muito boa, outro lençol foi amarrado na janela do quarto, pq lá fora estava ventando frio de novo, então tinha que ser dentro de casa. Mais uma vez o nascimento parecia eminente. E mais uma vez ele voltou no canal de parto. 


Mais uma vez continuamos a incentivá-la mas infelizmente a dúvida começou a nos rondar. E se começou a nos rondar, imaginem como o Tom estava se sentindo. Neste ponto estávamos todos receosos de verbalizar nossas duvidas, mas a cada vez que se fazia uma ausculta dos batimentos cardíacos do bebê, ver o sonar ser colocado no mesmo lugar onde estava oito horas antes era emocionalmente pesado.


A possibilidade de transferência para a maternidade começou a se formar. E Kátia abriu bem os olhos e falou: "não desistam de mim"!! e chorou.






Jamile então sugeriu: vá para o chuveiro, tome um banhão assim, com bastante água caindo na cabeça. Kátia foi, mas saiu muito depressa, todas nós nos espantamos quando ouvimos o chuveiro desligando. Jamile então foi lá e falou pra ela ficar mais um pouco, tentando relaxar meeeesmo. Kátia voltou para o chuveiro, disposta a qualquer coisa, fazendo tudo o que fosse necessário. Perguntou se podia se sentar no vaso sanitário e todas fomos unanimes em responder que seria melhor na banqueta de parto. Mais baixinha que o vaso, e onde poderíamos ver caso o Ben começasse a aparecer. 

Kátia voltou para o quarto, sentou-se na banqueta, Jamile pediu para fazer um toque durante a contração. Sentiu a cabecinha descer bastante, ficou com os olhos cheios de lágrimas, falou com a voz embargada: "vai nascer!". E fez sinal para a Camila colocar as roupinhas para esquentar. 

Aguardamos... nada aconteceu. Outro exame, e o Ben tinha voltado de novo no canal de parto.

Nesse ponto sentimos que a transferência para o hospital era inevitável. Saí e falei com o Tom. Ele ficou um tanto aliviado pois ele já estava com muito receio de que estivéssemos insistindo demais no parto natural, o medo já tinha começado a rondá-lo. De minha parte, cheguei a ter dúvidas e falei para a Cris que achava que tinha escutado os batimentos cardíacos do bebê um pouco devagar... será que as contrações não estavam tão distantes porque o Ben já estava cansado?? A Cris foi perguntar para a Jamile e ela me respondeu que não, que tinham chegado talvez próximos ao limite inferior, mas nunca estiveram abaixo do nível seguro, e o mais importante: a variabilidade estava ótima, ou seja, caiam um pouco durante as contrações mas se recuperavam rapidamente quando elas passavam. (Agora, enquanto escrevo, fico até com vergonha de confessar que tive essas dúvidas, mas não quero fingir que sou perfeita... eu duvidei, verbalizei, a dúvida foi sanada, voltei a me sentir segura. Ponto!)

Tom chamou um grande amigo para ajudar nessa transferência para a maternidade. Kátia chorava, e pediu para tentarmos mais um pouco. Deitou-se na cama, de barriga pra cima, e Camila fez mais um toque durante a contração. Sorriu e falou: "ele está rodando na minha mão, estou sentindo... isso Kátia, faz força aqui embaixo, isso, assim mesmo"...

Quando passou a contração a Kátia falou: "agora eu senti, agora entendi, vc ficar com os dedos aí ajudou eu sentir direito"... então, a pedido dela, a técnica foi mantida...

Saí do quarto e falei com o Tom, que estava lá fora conversando com o amigo que já tinha chegado. Conversei um pouco com os dois, morrendo de medo que o Ben nascesse enquanto eu estava lá fora, mas tranquilizar o Tom era parte do meu trabalho também. Kátia tinha voltado a cantar aquele mantra bem alto, e o som doía nos ouvidos dele... ele chegou a se afastar um pouco de casa, indo um pouco pra lá na calçada, onde se sentaram para esperar mais um pouco sem ouvir os gritos dela.

De volta no quarto, encontrei todas dando risadas... Jamile olhou pra mim e esclareceu: "não vai ser um parto humanizado mas vai ser "tipo humanizado"! Isso pq a Kátia estava sentindo-se bem de barriga pra cima, com orientação de como fazer força, então todas nós começamos a falar "força, força, força, isso, muito bem, não para agora"... Se estava dando certo, ué, então que fosse assim!

Comentei que todas nós tivemos partos assim, e eu pelo menos não trocaria o meu parto frank por uma cesárea! Jamile e Cris concordaram comigo, e alguém comentou que só a Camila que não tinha parido assim... Kátia começou a rir e completou: "já sei, ela não tem filhos ainda né"? E todas nós estouramos em risadas!


Então o bebê desceu no canal de parto, as roupinhas foram colocadas para esquentar mais uma vez! E mais uma vez nada aconteceu.

Todas nós tivemos que encarar nossos fantasmas... porque depois disso as contrações deram uma espaçada enorme, chegando a ter intervalos de meia hora. E o bebê estava alto de novo. 

Começamos a preparar as coisas para irmos para a maternidade. A enfermeira que estava lá, de plantão, era conhecida da Cris, e tínhamos certeza de que seu atendimento seria alinhado com as recomendações da OMS, estávamos todos tranquilas quanto a isso. Infelizmente o mesmo não se aplicaria à médica plantonista... Um dúvida pairou sobre o que seria melhor, ir para a maternidade de Araraquara ou ir para São Carlos. E infelizmente, como a cesárea a essa altura parecia inevitável, chegou-se a conclusão de que levá-la para São Carlos só prolongaria o que já tinha se tornado um sofrimento: perder novamente o parto natural.

Então fomos para a maternidade, no carro do amigo da família, o Rubinho. O Tom ficou em casa esperando todo mundo sair para trancar tudo e então seguiria para a maternidade.

No caminho decidimos que eu entraria como acompanhante, já que a Cris, a doula ativista da cidade, poderia ser reconhecida e provocar comportamentos retaliativos por parte da médica que estava de plantão. Eu mesma conheço essa realidade por experiência própria, pois infelizmente já aconteceu comigo em São Carlos!

Chegamos na maternidade. A primeira dificuldade foi logo na portaria, pois a recepcionista achava que quem fosse acompanhar a Kátia só poderia entrar depois do exame... a enfermeira veio e falou que o direito a acompanhante era lei, e foi entrando com a Kátia e me dizendo que podia entrar também... o exame foi feito, constatada dilatação total e bolsa rota, a internação confirmada. Eu estava ajudando a Kátia a recolocar a calcinha quando a guardete veio com a missão de me levar para fora, dizendo que eu só poderia entrar depois que a internação fosse feita. Fiquei assim de olhos arregalados no meio do corredor, e na verdade não me lembro bem como isso se resolveu. Acho que a enfermeira interviu novamente, dizendo que isso podia esperar, a Cris veio dizer que os documentos estavam com ela e poderia fazer a internação, mas mesmo assim eu tive que ir até a mesa da recepcionista para que um adesivo de "acompanhante" fosse grudado na minha blusa, enquanto ela me explicava que a autoridade de me deixar entrar ou não era da recepção e da guardete, e não da enfermeira... eu parecia uma vaquinha de presépio mexendo a cabeça em sinal de concordância pq tudo que eu queria  era que aquela conversa tivesse fim para que eu pudesse subir e ficar com a Kátia.

Enfim, a conversa sobre quem tinha o poder de decisão sobre cumprir a lei ou não chegou ao fim, e eu obtive a autorização para subir. Encontrei a Kátia sendo examinada novamente, pois a médica não confiou no exame da enfermeira e quis verificar com seus próprios dedos, o que ainda por cima fazia em extrema grosseria, sem pedir licença, e perguntou a que horas a bolsa tinha rompido... eu respondi que não tinha certeza de que tinha rompido por que umas vezes pingava e outras vezes não pingava... fiz a melhor cara de burra de que fui capaz!

A médica falou que a bolsa  não estava rota não, pegou aquele instrumento parecido com agulha de crochê e furou a bolsa... a Kátia chegava a pular de susto, eu tentava ajudar da melhor forma, a enfermeira parecia estar presa num filme de terror, tentava afastar a médica para que a Kátia pudesse respirar melhor. 

A médica viu então que as contrações estavam muito espaçadas, eu aproveitei para me fazer de burra de novo... (é importante que a médica sinta que é a mais inteligente da sala). Se ela ficar com pena dos pobres e ignorantes, ganhamos pelo menos uns pontos de simpatia. Falei: - "então... por isso que a gente demorou pra vir, as contrações estavam muito espaçadas... mas ela sentiu vontade de fazer força, então na dúvida achamos que era melhor vir dar uma olhada"!

Felizmente fazer cara de banana podre é uma capacidade que não me abandona quando é extremamente necessária!

O soro foi colocado, com 30 gotas por minuto. Fiquei com muito medo nessa hora. Tive absoluta certeza de que essa médica não sabia o que estava fazendo, e rezei, rezei, rezei o tempo todo. Pensava: "PQP se acontecer alguma m**** ninguém vai acreditar que quando chegamos na maternidade o bebê estava bem e depois do soro aberto demais ele nasceu mal"... Egoísmo né? Pensar que o bebê nasceria mal e eu ainda seria apontada como culpada. Mas de novo: não quero fingir que sou perfeita. Isso me passou pela cabeça, fazer o quê? Fiquei com medo pelo bebê, e como não sou burra, as consequências não só para ele me vieram à mente também. 

As contrações ficaram bem próximas de um minuto para o outro. Kátia se posicionava em quatro apoios e sem que nenhuma palavra fosse necessária, a enfermeira empurrava o quadril de um lado e um empurrava do outro, fazendo o chamado "fórceps de parteira". Porque é assim que funciona entre pessoas que sabem o que estão fazendo.


Meu celular vibrava o tempo todo. Eram a Cris e a Jamile pedindo noticias, mas as contrações estavam tão próximas que eu não conseguia responder, não dava tempo.


A médica insistia em fazer toque a cada contração, ou no máximo a cada duas... Me cortou o coração quando a Kátia falou com a voz chorosa: "mas deitada é horrível, eu quero levantar".


A enfermeira não esperou permissão da médica, ajudou a Kátia a levantar, sugeriu que ela fosse um pouco na bola... a médica saiu da sala chutando a lixeira e batendo a porta.


A enfermeira auscultou o bebê novamente, estava tudo bem, a médica voltou, falando muito brava, não me lembro bem o que... acho que falou que já fazia mais de meia hora que a dilatação estava completa, então seria cesárea. Abriu o soro - mais de uma gota por segundo - pensei:  - Jesus, a Kátia tem cesárea, não pode abrir o soro desse jeito!!!


Saíram todos do quarto, ficamos sozinhas.


Passou uma contração, a Kátia olhou pra mim e disse: - "Vânia, eu senti! Agora eu senti ele descer, agora vai nascer"!


Meu coração ficou do tamanho de uma azeitona nessa hora. Falei com a maior doçura e cuidado de que fui capaz: "Linda, eu não sei o que vc sentiu, mas eu tenho certeza de que o bebê continua no mesmo lugar que ele já estava há mais de dez horas atrás". (pq quando a enfermeira fez a ausculta o sonar foi colocado exatamente no mesmo lugar).


Não cheguei a falar que a médica já tinha saído para chamar o anestesista para a cesárea... veio outra contração, a Kátia suspirou e fechou os olhos... a enfermeira tinha voltado, olhou pra mim e falou bem baixinho: "acho que perdi meu emprego... mas também eu não aguento mais ver as mulheres sendo tratadas desse jeito!".


Ajudamos a Kátia a atravessar mais essa contração... e a cabecinha do Ben começou a aparecer. Eu fiquei com medo de acreditar! Meu Deus, será que estou sonhando acordada?


A médica voltou, quis examinar de novo, nem foi preciso, foi só a Kátia deitar e dava pra ver a cabecinha aparecendo. Já  veio outra contração e a médica queria que ela se levantasse e caminhasse até o centro cirúrgico, no meio da contração! Fiz cara de clemência, olhei pra médica e pedi: - espera a contração passar que ela consegue, nós vamos ajudar.


A médica saiu bufando de novo, falou que ia trocar de roupa. Passou a contração, ajudamos a Kátia a levantar e descer da cama e já veio outra contração. Nesse ponto eu tive confiança de que ela conseguiria chegar até o centro cirúrgico que era bem ao lado, então dei um beijo nela e falei: "Kátia, eu vou descer para o Tom poder subir, vai dar tudo certo"!


Desci correndo, entrei voando na recepção, falando "vai nascer, vai nascer, cadê o Tom"? Ele estava descansando no carro e a Cris foi até lá chamá-lo, fiquei com receio que não desse tempo... quando ele veio eu falei: "Tom, a médica vai fazer episiotomia mas tenha certeza que é melhor do que cesárea! Corre que vai nascer!"



Ele saiu correndo e o guarda o barrou dizendo que ele precisava do adesivo. Corri até ele, tirei o adesivo da minha camiseta e grudei na dele, e ele saiu correndo de novo.

A Cris a essa altura estava pulando no meio da recepção, sorrindo e comemorando.


Ficamos as duas abraçadas, aguardando notícias, contei o que eu tinha visto, ela mandou mensagem para a Jamile, que estava aflita por notícias.


Não demorou nada e a Cris recebeu mensagem no celular dela. Era a enfermeira, lá de dentro mandando notícias. A mensagem dizia assim: "Nasceu! com procedência de mão e circular em alça."


Começamos a pular de novo, abraçadas... e logo a enfermeira desceu para falar com a gente. Estava nervosa, dizia que não aguentava mais ver as mulheres sendo tratadas desse jeito, contou que sentia até vontade de faltar ao trabalho de tão desmotivada que se sentia. Ficamos ali conversando, aparando as arestas, consolando. A história da Kátia seria muito diferente se essa enfermeira não estivesse de plantão naquela noite!


(Observações importantes: 1) a Kátia pediu duas vezes para a médica não fazer a episio e ela não fez. Depois ficou reclamando que a laceração foi grande por causa da falta da episio... 2) uma laceração que precisa de 6 pontos não é grande, nem aqui nem na China! rsrsrsrsr)




O Tom apareceu, o tempo permitido pela maternidade que ainda não cumpre a lei tinha acabado. Perguntei se poderia dormir na casa dele, senão eu iria para a casa da Cris. Ele ficou muito aliviado por ter companhia para voltar para casa, disse que já tinha pensado em ir dormir na casa do amigo, para não ficar só em casa com as lembranças dos gritos da Kátia.


Na hora de sair que fui perceber: quando desci correndo para que o Tom pudesse subir e acompanhar o nascimento do Benjamin, esqueci minha bolsa. Nem me deixaram ir buscar. O guarda perguntou onde eu tinha deixado e foi ele mesmo buscá-la. Medo de que eu burlasse as regras e fosse dar um tchau para a Kátia? rrsrsrs


Voltamos para a casa. No caminho já conversamos bastante, o Tom estava muito impressionado com o sofrimento da Kátia. Contou os detalhes do atendimento da médica nos momentos finais do nascimento. A médica reclamou o tempo todo do comportamento da Kátia, dizendo que ela não estava colaborando! Muito triste ter que escutar isso num momento que deveria ser de comemoração, emoção, alegria... Kátia ainda teve presença de espírito para dizer, depois do parto: "viu doutora, eu cheguei e rapidinho nasceu, nem dei tanto trabalho assim"!


Tom contou também que o bebê nasceu muito tranquilo, parecia que estava dormindo, aí abriu os olhos, olhou em volta e fez uma careta.


Já de volta a casa, esvaziamos a piscina e o Tom a colocou no quintal para secar. Passou um pano na sala e deixou tudo arrumado, depois nos sentamos para tomar um chá de camomila e ficamos conversamos mais um pouco. A Kátia ligou, sua voz estava alegre, disse que o bebê estava com ela, e estava tranquilo, já tinha mamado sem dificuldade, ela ia tomar banho, estava tudo bem. Ele disse que eu estava ali, ela começou a me agradecer por ter ficado com ela, e disse que estava muito feliz por ter conseguido parir, apesar de não ter sido como o planejado. 


Quando ela desligou achei que a expressão do Tom já estava um pouco mais serena. Antes disso, no caminho para casa, eu tinha falado que ele perceberia depois a diferença, pois a recuperação dela seria muito mais rápida, além de não ficar aquela frustração por não ter nascido de novo. Dessa vez ela também precisou da ajuda do soro, mas isso nem se compara com uma cesárea. Além disso, todas as outras intervenções: obrigá-la a deitar-se, amarrá-la... a Kátia sabe que nada disso foi mesmo necessário. Então o sentimento um dia chega ao seguinte ponto: tudo isso foi feito pq a médica ainda acha que é necessário, porque parou de estudar, porque não está aberta a novos aprendizados, porque está engessada em um modo desatualizado de atendimento a parturientes... e ainda por cima se acha muito esperta! Tenho mais dó da médica do que da Kátia... porque a Kátia é inteligente! rsrsrsr


Fomos dormir. 


Eu dormi bem, mas acordei com uma baita dor de cabeça. Achei que era falta de café, fui até a cozinha e achei café instantâneo, fiz um pouco pra mim. Na sala achei uns livros para ler, voltei para o quarto e fiquei lá bem quieta até o Tom acordar. Quando escutei ele andando pela casa, levantei-me também. Tomamos café e a Kátia ligou. Contou que a noite foi tranquila e pediu para o Tom levar algumas coisas que na correria em que fizemos as malas acabamos esquecendo.


Antes de sair de casa a minha dor de cabeça tinha piorado. Ele me deixou na rodoviária antes de ir levar as coisas para ela na maternidade.


Na rodoviária comprei remédio e tomei dois, minha cabeça estava arrebentando. Deu uma melhoradinha... quando cheguei na minha casa já tinha piorado de novo. Fui tentar dormir e piorou mais ainda. Sentei-me na cama e pensei: - Ok, agora eu vou descobrir porque a minha cabeça está doendo tanto! Respirei fundo três vezes... e me dei conta que não tinha tomado um copo de água o dia todo! Só tomei aquele copo de chá de camomila, perto da uma da manhã. Fui até a cozinha e tomei dois copos de água, bem devagar... e a dor de cabeça desapareceu antes do fim do segundo copo! Mais uma aprendizagem importante para a minha bagagem: não esquecer de tomar água! rsrsrsr


Eu e Kátia trocamos muitas mensagens desde então. Quando o Ben estava com 7 dias eles tiveram que vir a São Carlos resolver umas coisas, e passaram na minha casa, para devolver a piscininha e conversar um pouco. Tiramos fotos. Kátia ainda estava se sentando de lado, com muita dor nos pontos. Depois descobriram que a médica apertou demais os pontos, que ficaram machucando... mais uma dor que poderia ter sido evitada! Felizmente, mais alguns dias e Kátia estava completamente recuperada, mas foram dias bem longos!



Kátia, Benjamin e eu

Tudo valeu a pena. Sentir dor é diferente de sofrer. Dor de parto é sinal de que tudo está correndo bem, de que o bebê vai nascer. É graças a essa dor que as mulheres tem tempo de voltar para casa se estiverem na rua, e se for preciso tem tempo até para dar uma limpadinha na casa, assim o bebê nasce na casa bem limpinha. A natureza é sábia, sempre! E toda vez que questionamos e pretendemos melhorar a natureza, erramos!

Quanto ao sofrimento imposto pelo atendimento desatualizado e grosseiro da médica: deixamos de sofrer quando deixamos de nos comportar como vítimas e passamos a exigir um tratamento melhor. É nosso direito ir para uma maternidade e encontrar profissionais que gostam de atender parturientes, que gostam de ver bebês nascendo, que tem amor pelo próximo, e que não param de estudar depois que recebem o diploma. Quando silenciamos, sofremos!


Mas silenciar não faz parte da nossa natureza: nem da minha, nem da Kátia, nem do Tom, nem da Cris... e o parto da Kátia acabou dando força a um movimento de luta pelo direito a um atendimento digno e humanizado, atualizado, e com o cumprimento da Lei do Acompanhante, que vem sendo desrespeitada sistematicamente em Araraquara!



Antes de engravidar, quando a Kátia mudou-se para Araraquara, o atendimento ao parto em São Carlos já tinha melhorado muito. Kátia foi a primeira a tentar um parto na água dentro da maternidade de São Carlos, na piscina inflável. Foi um trabalho de parto muuuito comentado. Eu sempre dizia que ela tinha sido pioneira, e que depois do nascimento do Enki muitas mulheres se beneficiaram percorrendo o caminho que ela tinha ajudado a desbravar. 

Quando ela engravidou pela segunda vez, em tom de confidência ela me disse: "Vânia, dessa vez eu não quero desbravar caminhos, eu quero um parto tranquilo, na minha casa"...


Pois é... só que quando a gente chega nessa Terra com uma missão, não adianta correr que o destino nos alcança!


E eu estava lá de novo! Grata, eternamente grata! Imensamente feliz por ter participado novamente da história da minha amiga/irmã, desbravadora de caminhos iluminados!


Bons caminhos para se dar à luz!



Benjamin com 4 meses


Kátia, Tom, Enki Miguel e Benjamin... amo muito vocês! Muito muito muito muito...


Benjamin, seja muito bem vindo, sempre! Muita saúde! Parabéns por ter vindo completar essa linda família!


Vânia C. R. Bezerra

doula de corpo, alma e coração! 

Amo, amo, amo, amo, amo muito essa vida!



Benjamin e Enki Miguel - A arte de fazer filhos bonitos!
Ben com 5 meses - Lindo!




Vejam a reação da Kátia ao meu relato, mais o relato dela do nascimento, depois d'eu ter descido correndo para o Ton subir e ficar com ela, e ver o filho nascer. :)

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Oi meu amor!
Dessa vez nem chorei com seu relato, pois a situação foi de uma batalha q foi vencida então leio com sorriso no rosto.
O que tenho a tirar de tudo isso é que realmente cada parto é um parto. Nem eu e nem ninguém pode julgar os TPs em andamento, nem mesmo quem está na área obstétrica há muito tempo, pois só Deus sabe o aprendizado q a parturiente e envolvidos vão ter q passar.
  
Faria tudo de novo, pois tive oportunidade de passar todo meu TP no conforto da minha casa e com a segurança do conhecimento técnico da Jamile. Com certeza uma mesma situação na maternidade de Araraquara já teria virado cesária sem muita espera.
Bom vamos ao momento que vc desceu pra chamar o Ton:
Quando eu já estava na porta a enfermeira amiga da Cris disse pra mim baixinho: " Peça pra ela não fazer episio, senão ela vai fazer". Graças a Deus eu estava ainda em condições de ainda ouvir alguma coisa! rss... Assim eu fiz o pedido logo que estava entrando na sala de parto e ainda repeti mais uma vez.
Ao subir naquela cama que fica em posição ginecológica fiquei primeiro de quatro quando veio outra contração, e então a médica gritou: - "Deita aí pelo amor de Deus, quer que seu filho morra caindo no chão? Depois ainda levo processo nas costas!". 

Será que precisaria o Ben cair no chão? Ela não consegue aparar o bebê eu estando de quatro?!!
Enfim consegui me virar, colocar as pernas no apoio. Logo veio outra contração, fiquei a partir daí só de olhos fechados, ela gritava: "Força, força, de boca fechada, não pára", olhei para a enfermeira amiga da Cris e ela fez sinal para eu atender o pedido da médica, foi quando o Ton chegou e pegou na minha mão.
Mais ou meno 23hs saiu a cabeça e a médica segurou e puxou o corpo, ufa! A maior parte da dor se foi. E então pra dar uma de tonta perguntei: "A placenta saiu?". A médica responde: "Não, provavelmente na próxima contração ela sairá" e ficou aguardando... Perguntei para saber se ela acabaria puxando minha placenta, então tomaria uma atitude. Na próxima contração realmente saiu.
Depois fiquei sabendo que a enfermeira amiga da Cris disse que o bebê havia nascido com a mão no rosto, observando a mãozinha e o cotovelo dele por vários dias reparei que estavam mesmo avermelhados, talvez pela pressão no TP.
A médica ficava resmungando: "Não quis episio, agora tem muita laceração!" E então como sabia que ela faria ainda alguns pontos preferi virar amiga dela enquanto era tempo..rs.... 

Disse: "Eu nem te dei trabalho, né doutora?". Ela responde: "Se todas chegassem assim tava bom!". 

Enquanto isso, o Ben estava sendo examinado pelo pediatra.
Logo o Ben foi colocado em cima de mim para tentar sugar, com o olho bem aberto ele me olhou e não sugou nada e foi levado pra terminar de examiná-lo e tomar um banhinho.
Depois de suturar 6 pontos de lacerações, fui colocada no corredor para terminar de tomar um sacão de ocitocina (pra que isso ainda? já dei a luz pô!), perguntando para a enfermeira ela responde: "Isso é um protocolo, tem que terminar de tomar..."
Chega a enfermeira amiga da Cris pra conversar comigo:
- Me desculpe (sic) viu? (com os olhos cheios de lágrima)
- Magina se desculpar pelo que? Você fez o que estava ao seu alcance, se você não estivesse aqui o que seria de mim? Tenho muito a te agradecer.
- Eu quero sair daqui, não aguentou mais ver isso. (se referia às atitudes da médica)
- Não saia, faça sua parte, faça a diferença.
Soube que pouco tempo depois ela pediu demissão, infelizmente.
Depois veio o Ben de novo, limpinho me sugar novamente, e dessa vez deu certo, fez a pega, mas não mamou muito. Ele foi dormir enquanto esperava eu ser colocada no quarto.
Veio outra enfermeira com um questionário imenso para eu responder e eu morrendo de fome e sono.
Fui para o quarto ainda com aquela agulha no punho, pedi pra tirar, pois queria tudo via oral. Fui atendida. Perguntei se podiam trazer alguma coisa para eu comer, trouxeram chá, biscoitos, manteiga e geleia, noooossa as coisas mais gostosas que comi na vida! rsss
O Ben veio para o quarto e quase não dormi, só fiquei paquerando-o. Durante a noite amamentava-o e trocava a fralda sozinha! Pela manhã tomei meu banho sozinha, que maravilha! E às 17hs tive alta sem receita médica alguma! Sai de sapato alto e um vestido lindo, nem parecia que em menos de 24hs tinha parido! Viva o parto normal! rsss
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Um beijão! O seu relato está perfeito.
Se quiser alguma foto me fale.
Tb te amo muito! Do tamanho do número de cesárias de Araraquara! ahuhauhauahu
Sua irmã: Kátia