Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Thelma, Raphael e Beatriz 25/12/2009

Essa doulagem foi uma surpresa, uma linda surpresa. Manhã de Natal, café da manhã começando ser preparado, eu recém saída do banho, cabelos escorrendo água. Atendo o telefone.


- Bom dia. É da casa da Vânia?

- Sim, sou eu mesma.

- Bom dia Vânia! Aqui é Tatiana Nagliati, tudo bem? Em primeiro lugar quero desejar Feliz Natal para você e sua família...

Depois de trocarmos os cumprimentos...

- Vânia, estou ligando porque uma moça que eu vou atender... primipara, gestação super tranquila... está em trabalho de parto e eu estou na praia! Eu conversei com o médico e ele disse que não adiantaria eu pegar estrada agora que não vai dar tempo de chegar, ela já está com 6cm... você poderia atendê-la?

- Quem é o médico?

- Dr. Rogério.

- Atendo, com certeza. Só um minuto, vou anotar os nomes...

Anotei os nomes, peguei minhas coisas e meu marido me levou para a maternidade.

Chegando lá entrei com tranquilidade. Eles estavam em apartamento, portanto não tinha a limitação de um acompanhante somente. (Quase um ano depois posso dizer que poucas vezes esbarrei nesta limitação. A doula, qualquer que seja, tem sido corretamente entendida pela enfermagem como parte da equipe que a gestante contratou).

No corredor encontrei o Dr. Rogério. Cumprimentamo-nos pelo Natal, e ele disse rindo: - "Ei Vânia, anda frequentando a maternidade mais do que eu!" Rsrsrsr

Não, não era prá tanto... mas tinhamos acompanhado uma moça 3 dias antes, e tinha terminado numa cesárea meio triste. Tudo bem fisicamente com a mãe e com o bebê, mas emocionalmente tinha sido uma grande batalha, "perdida" após 4 horas de dilatação total, feto ainda flutuante e taquisistolia...(contrações muito fortes, muito longas e praticamente sem intervalo). Essa moça - a Claudirene - continuava internada por um problema com a saúde do bebê, que precisava tomar banhos de luz e fazer hemogramas, eu também a tinha encontrado pouco antes. Estava sorridente, e me desejou boa sorte.

A enfermeira Carla era a plantonista. Levou-me até o apartamento onde estava a moça que eu doularia e fez as apresentações: Thelma e Raphael, esperando Beatriz.

Infelizmente estavam num apartamento onde a banheira não cabia. E ela fez falta... Mas era no mesmo apartamento que eu já tinha visto um parto natural lindíssimo, da Flávia e do Will, e as lembranças me animaram.

Então, Thelma estava já com contrações próximas e bem ritmadas, durando mais de um minuto. Conversamos um pouco. Eu pela primeira vez doulando alguém que eu nunca tinha visto antes, e sou muito reservada... Tenho sempre muito receio de invadir o espaço alheio, e numa doulagem eu teria que necessariamente adentrar o espaço dela. Ainda que eu estivesse ali como convidada e sendo muito bem vinda, tomei o máximo de cuidado para ser delicada e ir devagar. Quem me conhece pessoalmente pode imaginar a minha dificuldade... rsrsr... o que mais me assombrava é que sou muito diferente da Tatiana, que é finíssima nos seus modos, sempre muito bem vestida e falando com classe. Claro que não me considero uma grosseirona, mas de vez em quando piso em alguns calos mesmo sem querer, e também adoro andar de moletom e tênis velhos... Então lá estava eu, de repente muito consciente que a minha falta de classe poderia ser considerada desastrosa. Quase um ano depois parece muito engraçado, mas na hora eu estava mesmo com um pouco de medo de decepcionar.

Tatiana ligou para saber se eu tinha conseguido entrar sem problemas. Sim! E também contei que o Dr Rogério já estava por ali... tudo seguindo na paz.

Bom... fui vencendo meus medos, meus fantasmas... e lancei mão dos meus apetrechos doulísticos... uma bolinha de massagem, a bolsa de água quente... Fui até o SUS e perguntei se podia pegar a bola suiça e banqueta emprestadas. Sim, sem problemas! Todas sorridentes. O plantonista do SUS tb era o Dr. Rogério. Voltei cantando pelo corredor.

A Thelma tinha que tomar soro com penicilina pq o exame de strepto tinha dado positivo. Eu nunca tinha visto isso, e me lembro que dias depois estava contando o parto para a Frê e falei assim: "ela tinha que tomar não sei o que na veia pq um exame não sei qual tinha dado positivo"... rsrsrsr... muito informativo!

Então Thelma ficou uma hora e meia sentada na poltrona, tomando o soro. E ficou com muito sono. Não conseguia se recostar confortavelmente porque quando vinha a contração ela tinha dificuldade de desencostar, então ficava tentando permanecer com a espinha ereta. Mas dormia entre as contrações e ia relaxando e pendendo para a frente. Eu esperava que ela relaxasse e pendesse a cabeça, e então a segurava e encostava o ombro dela na minha perna - eu estava de pé ao lado dela. E assim, encostada em mim, e eu segurando sua cabeça, ela dormia durante os intervalos. Quando as contrações começavam ela ia retesando os músculos, eu então retirava o apoio e massageava as costas, até que ela ia se aquietando e começava a relaxar, e eu voltava à posição de apoio. Ficamos assim mais de uma hora, mesmo enquanto a enf Carla veio verificar a dinâmica uterina e ficou com a mão na barriga da Thelma por 10 minutos, ela continuou dormindo nos intervalos das contrações.

Depois que o soro foi retirado ela começou a reclamar de calor e cansaço. Aceitou a sugestão de ir para o chuveiro, ficando sentada sobre a bola suiça e deixando a água correr nas costas e na barriga alternadamente. E ali ela estava quando o Dr Rogério fez um toque e constatou dilatação total. E ali ela continuou. Algumas vezes disse que não aguentava mais, que estava muito cansada. E voltou a dormir durante os intervalos, encostada na parede.

Eu disse duas vezes ao Rafael que ele tentasse comer alguma coisa. Já eram duas e meia da tarde e eu não tinha visto ele comer nem beber nada. Na primeira vez ele respondeu que estava bem, na segunda respondeu firme que não ia querer nada. Perguntei se ele tinha certeza que não passaria mal. Fui longe demais, ele ficou meio bravo... fiquei bem quietinha depois disso! rsrsrsr

Thelma começou a perguntar as horas e perguntar porque estava demorando. Respondi que não estava demorando, estava vindo no ritmo certo, e apressar o parto nunca é uma boa idéia. Cantei a música da Maria Bethânia - Brincar de Viver - e tb a da Adriana Calcanhoto - Fico assim sem vc". Especialmente aquela parte:

"Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo,
Eu conto as horas prá poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo"!

Tatiana ligou: - "E aí, como estão as coisas"?

- Já faz mais de duas horas que a dilatação está completa... mas tá vindo, devagar tá vindo.. vai dar tudo certo.

Dr Rogério veio fazer outro exame de toque. E logo após ter tirado os dedos a bolsa rompeu. Tinha um pouco de mecônio mas ninguém fez nenhuma referência a isso. Era muito pouco e bem diluído. Ele fez outro toque em seguida e disse que já poderíamos ir para o Centro Obstétrico.

Como era de se esperar, o nível de dor aumentou um pouco após a bolsa ter rompido, e o que eram gemidos passaram a ser gritos. Mas ninguém que estava ali se incomodou com isso. A uma mulher em trabalho de parto deveria ser assegurado o direito de gritar se quiser.
E eu cantando:

"Tô louca prá te ver chegar - tô louca prá te ter nas mãos
Deitar no teu abraço e retomar o pedaço que falta no meu coração"...

Enfermagem prepando a transferência para o C.O. Thelma foi na maca, e quando saímos do quarto estávamos em 5 em volta da maca, e a Thelma a plenos pulmões... e eu com aquela cara de felicidade, que muitas vezes pode ser mal interpretada... ("a dor piorou e ela acha bom")!

Ai ai... mas estava engraçado sabe? Aquele monte de gente andando ao lado da maca e a Thelma fazendo as vezes de sirene de ambulância: aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Ah, a banqueta! Voltei correndo prá pegar a banqueta, sequei-a com o lençol limpo que estava sobre a cama, e lá fui correndo para o C.O. O Dr Rogério e o Rafael estavam se trocando. Entrei no vestiário feminino, coloquei meio corpo para dentro do corredor e falei:

- Rogééério, eu também posso entraaaaaar?

R) Pooooode!

Troquei então minhas roupas pelo "terninho" esterilizado, e continuei apoiando e incentivando o casal, até que a Beatriz veio lhes fazer companhia do lado de cá da barriga. Sem censura, sem cortes, naturalmente. Só alegria.

Assim mais um nascimento respeitoso teve lugar em São Carlos. Lindo, lindo, lindo.

Cheguei de volta à minha casa perto das 5 da tarde. Pouco depois a Tatiana ligou. Contei que tinha sido natural, sem cortes, e eles ficaram muito satisfeitos. Ela agradeceu muito... e só então contou que tinha quebrado um dedo do pé! Disse que quando recebeu a primeira ligação da Thelma quis sair correndo para atendê-la e na correria atropelou uma cadeira e fraturou um dedo. Agora já estava com o pé engessado e com medicação para dor, mas tinha passado o dia no hospital até ser atendida, etc... Vida de doula é assim, cheia de emoções fortes. Mas quebrar um dedo!! Que dooooor!

Por fim... tenho que dizer que foi uma doulagem surpresa, mas não menos emocionante por isso. Presenciar um nascimento prá mim é sempre como testemunhar um milagre. E ajudar uma mulher a vencer suas dores e tomar seu bebê nos braços é uma delícia. Haveria profissão melhor? Prá mim com certeza não!

Thelma, Raphael e Beatriz, obrigada por terem me aceitado no seu espaço. Foi como sempre, uma grande honra.

Tatiana, obrigada por ter se lembrado de mim e confiado no meu profissionalismo. Tornamo-nos  companheiras de projeto e gostei muito desta parceria.

Dr Rogério, como sempre, foi também uma honra ter mais uma vez trabalhado com você. Obrigada por sempre me fazer sentir muito bem vinda.

Beijos a todos,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama muito essa vida.

 
Declaração da Thelma em e-mail para a Tatiana: "Tati, diz para a Vânia colocar no blog sim. Ler o texto me trouxe lembranças ótimas do melhor presente que papai noel já me deu! Bjkas."

domingo, 5 de dezembro de 2010

DESPEDIDA DA VÂNIA DOULA

No último sábado, dia 04/12/2010,  fizemos um piquenique no Pq Ecológico de São Carlos, à titulo de despedida das minhas doulagens são carlenses, mas também uma ocasião de fechar o ano e uma excelente oportunidade de rever as famílias com as quais fiquei em contato durante tanto tempo, na preparação para o parto, nos encontros do GAPN e finalmente durante as horas de trabalho de parto, onde a cada contração o bebê vem ficando mais perto do lado de cá da barriga... até podermos ver se tem cabelo, se tem bochechas gordinhas, se as unhas estão compridas, qual a cor dos olhos... enfim, esses detalhes tão lindos de um recém-nascido.

Muitas adouladas me escreveram se desculpando por não poder comparecer... compromissos de fim de ano. Mas eu não poderia adiar para janeiro, época em que também muitas delas estarão viajando, e eu mesma estarei em meio aos preparativos da mudança para o Amazonas.





Então... sábado de manhã, sem chuva, apesar de ter chovido bastante no dia anterior, ficamos divididos entre buscar uma sombra, a grama muito molhada para permitir que nos sentássemos sem sairmos de lá cheios de barro... mas o parquinho estava seco o suficiente para as crianças.















E assim passamos uma manhã muito agradável, matando saudades, e pq não, trocando informações e contando novidades sobre o atendimento aos partos em nossa região.








Queridas adouladas que lá estiveram, muito muito obrigada! Adorei revê-las, re-encontrar as famílias e segurar os bebês, todos simpáticos e sorridentes!

Beijos!


domingo, 28 de novembro de 2010

Claudirene, Fábio e Heitor 22/12/2009

Claudirene achou meu folder sobre um balcão, quando procurava viver sua gestação de forma saudável. Me ligou, pediu informações e marcamos um dia para eu ir à casa dela explicar o meu trabalho.

Cheguei, conversamos um pouco... ela estava de repouso moderado e tomando medicamento para evitar o trabalho de parto prematuro. Um remédio que eu mesma tomei quando estava grávida, e me lembro de ter taquicardias horríveis.

Ela completaria 40 semanas no dia 25/12. No jargão médico a data em que se completa 40 semanas é chamada de DPP - data provável do parto. Já foi dito por várias pessoas que essa nomenclatura deveria ser abolida pois gera ansiedade quando a gestação se prolonga por mais alguns dias...

Enfim, as 40 semanas de Claudirene eram em 25/12.

E ela me perguntou: - "Vc não vai viajar no Natal vai?"

R) Com certeza não.

Eu andava numa dureza tão grande que não poderia viajar nem que eu quisesse... rsrsrsr

Conversamos mais um pouco e o Fábio chegou. Fizeram várias perguntas e a certa altura o Fábio fez sinal positivo com a cabeça. Eu estava contratada. Então começamos a preparação imediatamente.

Claudirene contou que no inicio da gestação tinha decidido por parto domiciliar, e chegaram a reformar a casa, pensando no parto. No quintal havia uma área especialmente reformulada, com uma pérgula e uma rede, uma área coberta... tudo muito lindo. Mas... começou o bombardeio: "vc é louca... vai colocar seu filho em risco por um capricho... e se acontece x? e se acontece y"?

Pois é... a cultura do medo! Exemplo: Melhor não ir prá praia pq pode acontecer um acidente!

Sinceramente, alguém conhece uma pessoa saudável que deixa de ir prá praia pq pode morrer no caminho, mesmo com os índices de acidentes nas estradas brasileiras sendo tão altos?

Então... Pq desistimos de ter nossos partos domiciliares?

R) Pq ninguém deixa de ir prá praia, então ninguém vem falar na sua cabeça que vc também não deveria ir. Mas as mulheres desistem de seus partos porque temem a dor, então vem te dizer que vc tb deveria marcar uma cesárea. (Traduzindo: Eu vou ficar muito abalada se você conseguir, então... seria melhor que você nem tentasse...).

Pois é... Claudirene e Fábio já tinham sofrido o bombardeio das pessoas que se deixam dominar pelo medo, e já tinham desistido de seu parto domiciliar.

Enfim, a casa ganhou uma área novinha e muito agradável!

Como gosto de provocar, passei o filme "Birth as we know it". Cenas lindíssimas de partos no mar, com golfinhos nadando em volta. Claudirene ficava emocionada com as cenas, e chamava o filho mais velho, Vitor, para assistir também. Ele assistiu um ou dois partos, mas pareceu não dar muita bola... achou bonito, mas não entendeu a emoção de sua mãe... claro, para as crianças as coisas são naturalmente mais simples... nós é que já complicamos tudo... rs.

Voltei à casa dela algumas vezes, uma das quais acompanhada pela Frê, e depois disso ficamos aguardando o dia em que Heitor teria vontade de nascer.

Claudirene foi a algumas reuniões do GAPN, e me lembro dela na sua cadeira de praia, no dia em que fizemos pipoca e assistimos o filme "The business of being born". Filme chocante que mostra o desastre da confiança cega na tecnologia dura, e sobre como os médicos obstetras chegam a se formar sem nunca ter visto um parto natural durante a graduação ou especilização... O grupo ficou mudo após o término do filme. E eu também! Fiquei congelada com as cenas das mulheres que eram amarradas nos anos do "sono do crepúsculo", quando recebiam dolantina como promessa de ausência de dor, e na verdade perdiam a memória do parto.

Um dia Claudirene me ligou aos prantos porque seu médico não queria esperar as 40 semanas. Pois é... ela ficou tanto tempo tomando medicamento e fazendo repouso para prevenir um parto prematuro, e de repente, na visão dele, não valia mais a pena esperar mais. Seria pela proximidade da data mágica - 25/12?

Ela dizia assim:

- Vânia, ele sabe que eu não quero, ele sabe! Pq mudar agora, tão perto do final?

E soluçava de tanto chorar.

Respondi: Claudirene, é melhor assim. Caiu a máscara antes que fosse tarde demais. Vc vai ter tempo de procurar outro médico.

Ela conseguiu se acalmar. E no dia seguinte me ligou dizendo que tinha marcado uma consulta. E foi à consulta, e chorou muito lá também. Mudou de obstetra. E voltamos a esperar pelo trabalho de parto, com toda calma... o que aconteceu no dia 22/12. Pelo médico anterior ela teria sido submetida a uma cesárea no dia 21.

Me ligou pela manhã, dizendo que a bolsa havia rompido e já estava com contrações. Um pouco espaçadas, ainda bem leves, mas já tinha começado.

Perto das 10h00 resolvi ir à casa dela, levar a piscina de parto, e conversar um pouco. Quando cheguei ela estava sentada na bola, na área de luz perto da sala e da cozinha, e acompanhada por sua mãe. Começou a chorar quando me viu! Me abraçou e ficamos nós duas balançando e sorrindo. Ia dar tudo certo.

Eu, Fábio e Vitor inflamos a piscina utilizando o compressor do carro, e depois passamos pelo corredor rolando aquilo tudo, como se fosse uma enorme bóia. Ajeitamos tudo na área especialmente reformada para o parto, e colocamos para encher, com água da mangueira do quintal. Estava um dia muito quente.

Claudirene andava por ali, e as contrações já começaram a ficar mais fortes. Me lembro bem de uma contração em que ela se inclinou para a frente e apoiou as mãos nos joelhos, e foi inclinando, inclinando... o Fábio correu e entrou na frente dela, segurando-a pelos ombros. Quando passou ela começou a rir muito e disse: "se vc não me segurasse eu ia cair de boca!"


O Fábio colocou música para tocar, e eu coloquei um panelão de água para esquentar, para jogar na piscina quando já estivesse um pouco mais cheia... e o gás acabou. Durante mais uma contração, eu apoiando a Claudirene e o Fábio passando, utilizando sua técnica especial de carregar botijões de gás... e aí quem não parava de rir era eu... (Tá bom, vou contar: até hoje eu choro de rir quando me lembro da cena!)

Comecei a anotar a regularidade e duração das contrações: já estava de 3 em 3. E logo a sobrinha dela passou a ser a minha assistente, anotando enquanto eu apoiava e fazia massagens durante as contrações. Claudirene entrou na piscina assim que o volume de água permitiu. Relaxou um pouco, mas a sombra fez que a água ficasse muito fria... logo desistiu e saiu. Enxugou-se e ficou andando no sol para esquentar. De vez em quando se lavava com a mangueira no quintal. Começou a rir lembrando o tanto que reforçávamos durante as reuniões do GAPN, a necessidade de vencer as inibições. Quem imaginaria uma mulher em TP andando quase nua, no sol do quintal, e de vez em quando se lavando na mangueira? Pois ela estava achando o maior barato.





Hora do almoço, preparado pela mãe dela. Claudirene não quis comer comida, beliscou umas coisinhas compradas especialmente para a ocasião, e tomava um suquinho... Foi tomar uma ducha morninha para relaxar e depois ficou no quarto... eu almocei junto com a mãe dela e as crianças.


Claudirene quis tentar tirar um cochilo, e logo descobrimos que a intensidade das contrações já não permitiam que ela ficasse deitada. Começou a sentir um calor intenso durante as contrações, e eu apareci com o meu infalível leque... ela quase morreu de rir! Ficou lá, sentada na bola, relaxando apoiada no Fábio, e eu abanando.

E então ela começou a dizer assim: "Vaniaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa esse moleque vai nascer aquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii".

Quando passava a contração eu dizia que era melhor esperar mais um pouco. Vinha outra contração e ela dizia "tem certeza? não é melhor ir para o hospital? vai nasceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer".

Pensei: segundo parto, primeiro normal... vai que dilata rápido mesmo? Se ela tá dizendo... rsrsrs... melhor prevenir!

Durante a manhã eu tinha enviado um torpedo no celular da Dra Carla avisando que Claudirene estava em TP. Liguei no celular e não atendeu. Liguei na casa dela e quem atendeu me disse que ela não estava em São Carlos. Xiiiiiiiiiiiii... Liguei no outro celular.

Eu: "Oi Carla! Hum... onde vc está?"

R) "Estou em Campinas. PQ? NÃO VAI ME DIZER QUE A CLAUDIRENE ESTÁ EM TP?... PUTZ... Eu acabei de chegar aqui e não vou conseguir sair rápido... E vc costuma avisar só quando está quase nascendo né?

Ai caramba... não era o caso, só dessa vez... mas nós já estávamos pensando em ir para a maternidade...
Na continuidade da conversa ela disse para chamar o Dr. Rogério, e que ela já ia ligar para ele.

Voltei para o quarto, e as contrações tinham mesmo firmado de dois em dois minutos. Esperei um intervalo e me aproximei para falar com ela. Fiz uma massagem na testa, logo acima dos olhos... e falei para ela que a Carla não estava em São Carlos. O Dr. Rogério a atenderia.

Tudo bem! Vamos para a maternidade então. Perto das 13h00, trânsito intenso. E o Fábio calmo o suficiente para acelerar nos intervalos e parar nas contrações. Me lembro que no semáforo da Carlos Botelho ele passou por cima da calçada da floricultura para não perder o intervalo, e parou logo em seguida, para a contração.

Chegamos na maternidade e o Dr Rogério entrou em seguida. Examinou e estava com 7cm de dilatação. BCFs normais. Tudo bem.

Fomos para o apartamento que fica na esquina, bem em frente ao postinho da enfermagem, e lá passamos a tarde: ela, o Fábio e eu. Andamos no corredor, ela usou a bola, eu enchi a banheira, ela ficou bastante lá... e a enf de plantão, Gabriela, vinha verificar o coraçãozinho de tempos em tempos. Tudo bem.

Eu fiquei preocupada pq a barriga da Claudirene parecia fazer uma cintura. Mostrei para a enfermeira, e perguntei:

- Claudirene, vc tinha barriga de tanquinho antes de engravidar né?

- Tinha.

- Bem forte?

- Sim, bem forte.

Gabriela fez sinal que estava tudo bem.

A certa altura a Claudirene falou: "minha barriga subiu".

E eu: hã?!

Claudirene: - "Já estava aqui em baixo, e agora subiu de novo! Pq subiu?"

A dilatação já estava completa já algum tempo. Claudirene ficando muito cansada. O Fábio saiu para comprar um suco e algo para ela comer. Voltou com uma marmitinha de açaí. Ela estava relaxando na banheira e o Fábio servia colheradas de açaí na boca. E Claudirene foi recuperando as forças e a cor.






Saímos para andar no corredor, e demos duas voltas. O Fábio apoiando pela frente e eu fazendo massagens nas costas.

Voltamos para o quarto e ele colocou músicas no celular. A única música de que me lembro é a Africa do Toto. Adoro essa música!

Liguei para a Dra. Carla. Ela já estava na estrada, voltando, mas ainda estava longe. Eram mais de 18h00 já.
- Carla, quanto podemos esperar depois que a dilatação está total para fazer um diagnóstico de desproporção?

- Na verdade não existe um limite definido. A Ana Paula Caldas ficou 5 horas com dilatação total e a Lis nasceu muito bem.

Ok. A dilatação estava completa há 3 horas. Mãe e bebê estavam ótimos. Podíamos esperar mais um pouco.

Daí mais uma hora o Dr Rogério voltou e conversaram. Ele disse que o que chamava a atenção era a altura da barriga e o fato dela estar toda torta para o lado, quando a essa altura seria de se esperar que estivesse centralizada...

Claudirene tentou fazer uma força, mesmo sem estar sentindo vontade, para ver se estimulava o bebê a descer e centralizar. Quando fez a segunda força a dor da contração se multiplicou e não parava mais. Ela começou a sentir dor nos lugares errados: dor no meio da barriga, e a intensidade beirou o insuportável.

Claudirene e Fábio conversaram e resolveram que não dava para esperar mais. Alguma coisa parecia estar errada.

Fui chamar o Dr. Rogério. Falei que ela estava muito cansada e estava doendo no lugar errado, sem intervalos... estava tudo errado.

Então foram para a cesárea. Dra Carla chegou correndo, direto da estrada, a tempo de auxiliar. Equipe quase 100% humanizada. Não fosse pelo anestesista que não deixou nenhum acompanhante entrar. Essa parte foi muito triste.

Ficamos eu e Fábio do lado de fora do Centro Obstétrico, os dois com cara de quem espera notícias de alguém que acabou que sofrer um acidente. Pq cesárea prá mim é isso: acidente.

Voltei para o quarto e fiquei lá, ajudando esvaziar a banheira e colocando as coisas em ordem. Deitei no chão do banheiro e chorei. Chorei como se um parente meu tivesse sofrido um acidente e estivesse na cirurgia. Eu não temia pela vida dela, mas não há como não lamentar.

Fiquei até ela voltar para o quarto, e ela veio chorando. Contando a cena que logo viraria minha velha conhecida, de anestesista que não aguenta esperar dois minutos até a contração passar, e quer porque quer que a mulher se curve e relaxe durante uma contração!

Pois é... entre os médicos, assim como em qualquer outra profissão, existem os maus profissionais... para estes, esperar dois minutos é pedir demais.

Fui embora quando Claudirene começou a melhorar, olhou prá mim e me disse que eu podia ir descansar.

Voltei à maternidade 3 dias depois, numa doulagem surpresa, em plena data mágica: 25/12. E encontrei Claudirene no corredor. Andando, tranquila e sorridente. Contou que o Heitor teve um problema e precisou permanecer internado. E que a pediatra tinha comentado como foram importantes todas aquelas horas em TP pq tanto o problema se manifestou mais cedo quanto o leite dela desceu mais cedo, fazendo tb que a recuperação dele fosse mais rápida. (Fazendo valer a máxima de que nenhuma contração é em vão, e cada gota de ocitocina vale a pena!)

Claudirene voltou a uma reunião do GAPN para contar sua história, e chorou enquanto descrevia seu medo de morrer durante a cesárea e deixar dois filhos, e como teve uma conversa com o marido antes de ir para a cesárea, dizendo a ele que ele teria que dar conta dos dois meninos.

E ela também chorou contando como tinha escutado de algumas pessoas algo como: "viu como não deu certo e vc precisou de cesárea? Você agora precisa rever os seus conceitos".

Esse é o preço que se paga por não ser pertencente à maioria. E a maioria no nosso país faz cesárea com hora marcada, independentemente dos riscos envolvidos para o bebê e para a própria vida. Quando se ousa pensar diferente atraímos uma leva de pessoas que procuram nos colocar de volta no caminho considerado "normal". Claudirene é socióloga. Poderia discorrer sobre isso melhor do que eu. Mas o fato de entendermos o que acontece não nos torna imunes à dor de sermos julgados irresponsáveis.

Assim, aproveito para reforçar mais uma vez: não contem quando quiserem parto normal, e menos ainda se quiserem parto domiciliar. Façam como todo mundo: "Ah, vamos ver na hora, se virar cesárea tudo bem!" Porque claro que fica tudo bem se a cesárea for mesmo necessária, esta parte não é mentira! E evita os falatórios desnecessários na sua cabeça!

Enfim, Claudirene ainda me acompanhou na reportagem sobre o direito do acompanhante, na audiência pública na câmara de vereadores de São Carlos sobre o descumprimento da Lei Federal que dá esse direito às parturientes. E também estava na exibição do documentário da Dra Melânia Amorim.

Eu, como sempre, sinto-me muito grata e honrada por ter feito parte desta história. Uma história de luta pelo direito de ser diferente, e de luto pelo paraíso perdido. No entanto, podemos ter a certeza de que o trabalho de parto fez toda a diferença para o Heitor, e sua entrada nesta vida teria sido bem diferente e mais difícil se tivesse sido sem os abraços das contrações.

Claudirene, obrigada pelo convite.
Fábio obrigada pela confiança.
Vitor, obrigada pela simpatia.

E Heitor,

Espero que sua vida, assim como o seu nascimento, tenha algumas situações onde as decisões não são fáceis e nem isentas de alguma dor... pois os caminhos fáceis geralmente são muito lotados e não tão emocionantes... gostoso é escalar montanhas e ver a vista lá de cima. Sua mãe que o diga!

Beijos a todos!

Vânia C. R. Bezerra



Vejam aqui o relato do parto - nascimento da Ester, que veio em 2011 fazer parte desta linda família.
http://www.vaniadoula.blogspot.com.br/2012/12/claudirene-fabio-e-ester-setembro-de.html




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Festa de Encerramento

Olás!

Muitas pessoas já sabem, mas agora vou contar prá todo mundo. Eu estou encerrando minhas atividades como doula em São Carlos. Em janeiro estarei de mudança para o Amazonas, e estou muito feliz.

Gostaria muitíssimo de fazer um grande encontro de "adouladas" e também de todos os profissionais que tornaram essa história possível, caminhando também nesta trilha de humanização do atendimento ao parto e nascimento.

Assim, desde já estão todos convidados, casais que acompanhei e profissionais que também estavam lá.


Será um piquenique no Parque Ecológico, no sábado dia 04/12/2010 às 09h30 da manhã na área próxima ao Parque Infantil. Levem lanches e sucos e faremos uma mesa coletiva. (Conselho: levem o suficiente para o casal e mais um pouquinho só. Se todo mundo leva para 10 pessoas no final sobra muita coisa... não é preciso.)

Se amanhecer chovendo o piquenique muda automaticamente para a minha casa. :P

Passarei meu endereço pelos convites nos e-mails, que estarei enviando nos próximos dias. Como a lista de e-mails pode ter alguns desatualizados, digo mais uma vez: considerem-se todos convidados.

Um graaaaaande beijo e até lá.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Workshop Gestação, Parto e Simbiose, com Cláudia Rodrigues

Fim de semana passado tivemos em São Carlos o workshop GPS da Cláudia. E sim, pudemos nos localizar, e sabíamos bem onde queríamos chegar: entender os mistérios do parto. Por quê algumas mulheres levam a dilatação até os 10cm requeridos e aí o bebê não desce, não desce, não desce? Pq às vezes ele desce e depois sobe?! Pq às vezes as mulheres tem o parto do jeitinho que sonharam e construíram, e aí a amamentação é difííííiícil? Pq tão poucas vezes (mas não tão poucas assim?) vemos tudo correr redondinho, as pequenas dificuldades sendo rapidamente resolvidas?

Pois é... Cláudia logo nos esclareceu que não saíriamos dali entendo tudo... claro! Ninguém esperava um milagre! rsrsrsr Mas então passamos o dia procurando entender nossas próprias histórias. Cada uma contando partes de seus partos (ou cesáreas, posto que cesárea NÃO é parto). Trabalhando nossas dificuldades de tocar, de pegar, de sentir, de estar junto e separar, de grudar e depois deixar ir, de negar.

Estar na duplicidade de ser organizadora e estar na vivência ao mesmo tempo não foi fácil... ao final do dia meus ombros doíam, não só pelas caixas e pilhas de pratos que carreguei, mas principalmente pela ansiedade de fazer tudo bem feito. Estava chovendo lá fora, tivemos que abrir mão do espaço encantdor no quintal e ficar ali mesmo.. arrumei uma roda de cadeiras e almoçamos segurando os pratos no colo... mas mantivemos o foco, que era a principal razão para não sairmos em busca de um confortável restaurante. O assunto durante a sobremesa era como cada uma descobriu ou contou aos filhos "de onde vem os bebês". Muitas histórias engraçadas e gostosas de ouvir.

Voltamos ao trabalho muito mais soltas, e o break da tarde fizemos às 17h00! (Recomendo fortemente às próximas organizadoras de workshops da Cláudia: deixem água, café e bolachinhas disponíveis numa mesa ao lado para que cada uma que estiver com fome e sede, levante-se e sirva-se sem interrupção do assunto. Assim como quando estiver apertada vá ao banheiro sem necessidade de pedir licença. Cada parada demanda tmbém o tempo de voltar à concentração... enfim. Deixem a formalidade dos breaks de lado que dará mais certo!)

E o trabalho foi uma delícia! Tudo muito rico. E sim, tivemos altas crises de riso, eu particularmente chorei de rir! ("No que fui me meter, prá que fui inventar isso, agora eu vou ter mesmo que fazer isso"?!) Mas confiei que se ela estava dizendo que ninguém tinha se machucado seriamente antes, não seria eu a primeira... e lá fui eu, fazendo piadas pelo meio do caminho, chorando de rir, me defendendo o tempo todo, mas fui... e adorei.

Quem tiver Cláudia por perto, não perca a oportunidade de fazer seus workshops. Vale a pena, e muito!

Vejam o postagem dela sobre o nosso grupo:

http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com/2010/10/belas-feras-de-sao-carlos.html#comment-form

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GRUPO DE APOIO AO PARTO NATURAL em SÃO CARLOS COMPLETA UM ANO


(da esq para a direita) Jamile Bussadori (enfermeira obstetra),
Vânia Bezerra (doula),
Carla Polido (ginecologista e obstetra) e
Ana Frederica Locilento (Psicóloga)
Fundadoras do GAPN São Carlos

No dia 13/10 às 20h00 o Grupo de Apoio ao Parto Natural em São Carlos/SP estará comemorando um ano de funcionamento.







A reunião especial terá lugar no anfiteatro do Paço Municipal, situado à Rua Episcopal nº 1575, Centro - esquina com a Rua Marechal Deodoro.
No local haverá exposição de fotos, exibição de um documentário sobre trabalho bem sucedido de diminuição de taxas de cesáreas em serviço público, relatos de experiência de profissionais ligadas ao grupo,  além da apresentação de resultados alcançados e novos projetos em andamento. Autoridades locais que estiveram junto ao grupo neste primeiro ano de caminhada estarão presentes.

Compareça você também, participe conosco desta comemoração, e aproveite para tirar suas dúvidas sobre o assunto.


As reuniões do Grupo de Apoio ao Parto Natural em São Carlos são quinzenais e gratuitas. Informações pelos tels 3371-9090 e 3375-1648.

"Pelo Parto sem violência".  Frederick Leboyer 1977 (No Brasil traduzido como "Nascer Sorrindo").
"Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer". Michel Odent , 2002.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

OFICINA DE PARTO



Oficina de Preparação para o

Parto ATIVO
(Provavelmente será a última do ano, por isso desta vez aceitaremos inscrições de gestantes que completarão 40 semanas até janeiro de 2011).

Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Parto ativo: diferente do que se vê nos partos tradicionais, onde a gestante se encontra passiva à mercê das orientações e intervenções médicas. Ativo no sentido de movimentar-se durante o trabalho de parto, evitando deitar-se. Ativo para o(a) acompanhante que desejar estar junto e preparado(a), não só para assistir como para auxiliar.

Conteúdo:
1. O que esperar no trabalho de parto.
2. Como saber a melhor hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Como o acompanhante pode ajudar.

O acompanhante pode ser o pai do bebê, sua mãe, sua irmã, ou sua melhor amiga... Qualquer pessoa que estiver disposta a estar junto e te ajudar, e com quem você se sinta completamente à vontade.

Direcionada a gestantes no último trimestre da gestação, com ou sem acompanhantes. (exceção feita à oficina de 21/09/2010)
Data 21/09/2010 - terça-feira - das 19h00 às 22h00.
Investimento: R$50,00 o casal – R$ 25,00 para cada acompanhante adicional.

Importante: vestir roupas leves, com as quais vc possa ficar de cócoras. Sapatos confortáveis, e se possível levar uma almofada para sentar-se.

Vagas limitadas. Somente com Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para vaniacrbezerra@yahoo.com.br , ou pelos telefones: 3375-1648 e 9794-3566.

Local: IPC – Instituto de Psicologia Comportamental - Rua Pedro II, 2.095 Centro Tel: (16) 3307.6953

Aguardem confirmação de novos módulos, num curso completo para gestantes:

Gestação saudável, Amamentação, Primeiros Cuidados com Recém-Nascido (incluindo primeiros socorros).

E também um módulo especial para estudantes e profissionais que atendem gestantes e parturientes.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Planos de Saúde vão ter que se explicar

MPF exige que a ANS regulamente cesáreas realizadas através de plano de saúde
A Parto do Princípio, em 2006, elaborou um documento denunciando o excessivo número de cesáreas na rede privada de saúde. Um dossiê de 35 páginas com referências de mais de 30 artigos científicos foi entregue ao Ministério Público Federal.

Ativistas da Parto do Princípio estiveram presentes na Audiência Pública em 2007 em São Paulo junto de representantes do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Conselho Federal de Medicina, Associação dos Hospitais Privados, Conselho Federal de Enfermagem, Escola Paulista de Medicina e representantes de planos de saúde.


Depois de mais de três anos de debate, o MPF entra na justiça exigindo que a ANS regulamente os serviços obstétricos visando uma diminuição efetiva da realização de cesáreas desnecessárias, assim protegendo os direitos, a vida e as integridade física do usuário dos planos de saúde privados.


Confira a notícia no site do MPF:

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/24-08-10-2013-mpf-sp-ajuiza-acao-civil-publica-para-que-ans-seja-obrigada-a-regulamentar-servicos-obstetricos-privados


Confira o documento na íntegra:

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/pdfs-das-noticias/Inicial%20-%200017488-30.2010.4.03.6100_cesarianas.pdf/at_download/file

Confira as notícias sobre esta Ação Civil Pública:

http://www.abril.com.br/noticias/brasil/mpf-quer-ans-regulamente-cesareas-feitas-planos-saude-590621.shtml


Como fica claro na conclusão do MPF, campanhas dirigidas à população não tiveram o efeito esperado. Agora esperamos que médicos e planos de saúde que ainda não atualizaram suas condutas o façam!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CLAUDIA, MARCELO E RAFAEL - 08/12/2009

Eu e Frê fomos à casa da Claudia uma vez para explicar como é o trabalho de doula e no que poderíamos fazer alguma diferença... e Claudia nos contou sobre seu primeiro parto - o nascimento da Marcela. Tinha sido induzido e com anestesia, e ela guardava este parto como uma boa experiência, tendo portanto alguma dificuldade de aceitar que desta vez não poderia ser da mesma forma. Dra Carla, neste intervalo entre as  duas gestações da Claudia tinha mudado muito sua forma de atender e não fazia mais partos com analgesia.

Aliás ela agora dizia que quem faz o parto é a gestante e que papel de bom obstetra é ficar ao lado e observar, entrando em cena só em caso de necessidade.

Então, eu e Frê conversamos com a Claudia sobre esstas mudanças... e cerca de duas semanas depois ela me ligou dizendo que gostaria de começar as reuniões de preparação para o parto natural.

Depois de 3 ou 4 reuniões ficamos aguardando o grande dia, onde conheceríamos o Rafael, irmão da Marcela.

No dia 08/12 meu telefone já tinha tocado mais cedo. Era a Frê dizendo que a Danuza estava em trabalho de parto, e depois de um pouco de conversa resolvermos que a Frê iria doular a Danuza e eu trocaria com ela quando amanhecesse o dia. Daí a pouco meu telefone tocou de novo. Pensei: nossa, será que já nasceu? Não... era a Cláudia avisando que estava em TP, e estava bem tranquila. Era só para eu ir me preparando.

Levantei, tomei um cafézinho, um banho... e logo meu telefone tocou de novo. Era a Claudia.

-"Agora já pode vir que está mais forte".

Chamei um táxi e ele demorou uma vida inteira para chegar... Marcelo me ligou pedindo que eu me apressasse e eu estava quase chegando lá.

Encontrei a Claudia no quarto do casal, sentada na cama, um pouco suada e um pouco ofegante, mas totalmente na paz. Contou que a Marcela tinha ido para a casa da tia, de pijama e tomando uma mamadeira gostosa, feitinha na hora. Todos muito tranquilos.

Inflei a bola suiça e a coloquei sobre a cama, e Claudia ficava de joelhos sobre a cama, descansando apoiada na bola, enquanto eu massageava suas costas. O Marcelo já estava esquentando água quando eu cheguei e colocamos também a bolsa de água quente. Claudia parecia fazer questão que o marido se afastasse quando ela estivesse com contrações. Assim ela podia fazer cara feia e xingar à vontade... quando passava ela o chamava e pedia alguma coisa: água, uma toalha... de modo que ele corria prá lá e prá cá conforme as contrações iam e vinham.

Já contei que ADORO mulheres que ficam bravas? Sabe, não dá para parir preocupada em ser uma "boa menina". Boas meninas marcam cesáreas, vão ao salão de beleza, fazem escova e unhas artísticas, e chegam na maternidade bem vestidas. Eu, com certeza, prefiro gente de verdade, que chega suada e descabelada, muitas vezes enroladas apenas no roupão de banho. Essas conseguem parir com louvor.

Claudia quis tomar um banho, e eu levei a bola para o banheiro. Continuei incentivando e fazendo massagens durante as contrações, cada vez mais fortes, mais próximas e mais duradouras. Ela me contou que tinha entrado na banheira no dia anterior eu acho, e não tinha conseguido sair da banheira sem ajuda, de modo que ficou gritando até o Marcelo aparecer para ajudá-la a sair. Demos muita risada... gestante passa por cada uma!

Bom... o TP foi ficando mais forte, e ela começou a dizer que sentia vontade de ir ao banheiro só durante as contrações. Tentou uma vez e nada... tentou novamente e nada... sinal de trabalho de parto avançado. Hora de ir para a maternidade.

Marcelo colocou as coisas no carro e a ajudamos a se vestir. No corredor do quarto até a sala de estar ela teve contrações, e depois da segunda ela travou no lugar e não conseguia mais andar... e tinha impressão de que ia fazer cocô. Booooom... mas vamos indo prá maternidade? Vem eu te ajudo... precisamos ir ... Eu e Marcelo fomos ajudando, puxando, empurrando, incentivando... até ela chegar no carro e sentar-se no banco de trás, bem na ponta do banco, abraçada ao encosto do banco da frente. E assim fomos para a maternidade, parando durante as contrações, eu massageava as costas dela, e Marcelo ficava de olho pelo retrovisor até que a Claúdia dissesse que podia continuar. Pé na tábua até a próxima contração.

No caminho liguei para a maternidade e pedi que levassem uma cadeira de rodas até a portaria pq ela realmente não estava conseguindo andar. Eu já sabia que a Dra Carla já estava lá pq tinha trocado uns torpedos com a Frê, que estava doulando a Danuza.

Chegamos, Claudia foi para dentro da maternidade na cadeira, e eu a acompanhei enquanto o Marcelo ficou fazendo a internação. A maternidade estava tão lotada que ela foi levada para um quarto particular, pois era o único disponível. Enquanto estávamos entrando no quarto eu vi a Dra Carla e a Frê lá na outra ponta de corredor, e logo a Carla chegou e pediu licença para avaliar a dilatação e altura do bebê. Ao fazer o exame de toque seu semblante se iluminou e ela disse: - Está nascendo!

Ela explicou que o parto não poderia ser no quarto pq a Danuza tinha solicitado analgesia, o que seria uma última tentativa para ver se o bebê descia, pois ela tinha ficado algum tempo com a dilatação completa mas o bebê não vinha... assim, não daria para ficar com uma paciente dentro do centro cirurgico e outra no quarto, ambas com dilatação total... então:  fomos todos para o centro obstétrico.

Claudia foi de maca, e a entrada no CO foi meio dramática pq a maca travou na metade, não ia nem para a frente nem para trás... eu fui ajudar e quase derrubei ela da maca, peloamordeDeus! Que susto! No fim o jeito foi ajudá-la a descer da maca que tinha ficado meio pendurada. Dei a volta correndo, coloquei a roupa esterilizada, e quando as encontrei a Claudia vinha andando meio pendurada nos ombros da Dra Carla e Dra Patricia. Entramos em uma sala, onde a banqueta de parto já estava posicionada, e Claudia sentouse nela. Fiquei atrás apoiando, até o Marcelo aparecer e trocar de lugar comigo. Peguei a máquina fotográfica, e após poucas contrações e um grito de

- "Vemmmmmmmmmmmmmm Rafaaaaaaaaa que a mamãe está te esperandooooooooo"!!!!

Nasceu o Rafael! E foi direto para o colo de sua mãe, onde foi abraçado e recebido com palavras afetuosas da mamãe e do papai, ambos muito sorridentes. Tudo perfeito.

Tirei várias fotos, logo após o nascimento, e depois, na primeira mamada.

Após exame a médica disse que precisaria dar uns pontinhos. Mas a bebê da Danuza, a Laís, esperava ali do lado. Claudia e Marcelo ainda acompanharam minha angústia pelo desfecho do parto da Danuza. Viram quando eu chorei pq tinha virado cesárea, depois viram que eu tinha me tranquilizado pq estavam novamente aguardando o parto... e depois virou cesárea mesmo, e eu fui filmar.

Depois sai do CO, que estava bem movimentado e minha presença começou a causar estranheza.

Aproveitei e fui até o PQ, onde fiz um lanche e comprei umas coisinhas para a Claudia, que enquanto aguardava o desfecho do parto da Danuza tinha se queixado algumas vezes de fome. Quando ela chegou no quarto e viu os pães de queijo, seus olhos brilharam. Rsrsrsr

Fiquei com ela durante algum tempo, e como tinha demorado para sair do CO devido ao congestionamento de cesáreas agendadas... 4 horas após o nascimento do Rafael ele ainda não estava no quarto. Procurei a enfermeira plantonista e era a Shirley, linda!. Expliquei que tinha sido um parto tão lindo... tudo tão perfeito... mas a demora para trazer o bebê poderia estragar tudo! Ela então foi pessoalmente buscar o Rafael, e dez minutinhos depois ele chegou. Lindo ... e sonolento. Com dificuldade de pega. A demora já tinha feito seus estragos. Nada que a determinação da Claudia e do Marcelo não pudessem vencer, mas poderia ter sido um começo de vida mais tranquilo para o Rafael se ele não tivesse ficado separado de sua mãe durante as preciosas primeiras hora de vida. Ele já tinha mamado um pouquinho no C.O., mas depois disso ficou tempo demais separado da família.  O calor de um abraço de mãe nunca poderá ser substituido por um berço aquecido!

Daí a pouco o Marcelo me levou para casa. Voltei com a sensação já bem conhecida que o mundo fica melhor a cada parto respeitoso que acompanho. Respeito pela fisiologia feminina e pelo nascimento suave, como foi o do Rafael.

Claudia voltou ao GAPN para contar seu parto. E completou dizendo:

- "Embora durante o trabalho do parto eu tenha ficado bem mal humorada, dando ordens o tempo todo para o Marcelo - vai pra lá, vem prá cá... - eu queria dizer que a presença dele foi fundamental, e ali quando o Rafael estava já nascendo, eu sentir a força do Marcelo atrás de mim foi muito importante... (nessa parte ela já estava com os olhos marejados)... Então eu queria agradecer ao meu marido... e também dizer aos maridos aqui que tenham paciência... pq depois do parto a gente volta ao normal viu?


Lindo depoimento! Maravilhoso!

Claudia, Marcelo, Marcela e Rafael. Foi uma honra ter trabalhado com vocês.

Um graaaaande abraço,


Vânia C. R. Bezerra

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CONVIVENDO COM UM BEBÊ - PREVENÇÃO E CUIDADOS

OFICINA
CONVIVENDO COM UM BEBÊ - PREVENÇÃO E CUIDADOS
Público Alvo: Gestantes com acompanhantes ou casais com bebês de até 6 meses.
Carga horária: 3 horas.
Horário: das 9h00 às 12h00.
Data: 28/08/2010
Investimento:  50,00 - o acompanhante não paga.
Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para vaniacrbezerra@yahoo.com.br ou pelos telefones: 3375-1648 / 9794-3566 (op Claro). 
Dúvidas sobre a oficina: entrar em contato com Vânia, por e-mail ou telefone.

Objetivo: preparar as gestantes e mães para o cuidado com o bebê: como conviver com o bebê, prevenir acidentes e como socorrê-los.

Conteúdo Programático:
1. Ter um bebê em casa: o que muda?
2. Choro - cólicas - engasgos - refluxo - febre
3. Prevenção de acidentes
4. Primeiros socorros
5. O banho

Facilitadoras:
Jamile C. C. Bussadori - (COREN 83389)- enfermeira obstetra/parteira. Graduada pela Universidade Federal de São Carlos em 1999. Mestre e Doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Parteira do Arte de Nascer, prestando assistência à gestação, parto e pós-parto domiciliar, desde 2008.
Tatiana C. F. Nagliati -  (CRP 06/99230) Psicóloga, Educadora Perinatal e doula. Formada pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, atendendo como doula desde 2007. Psicóloga do Instituto de Psicologia Comportamental.
Vânia C. R. Bezerra (CRP 06/51759). Psicóloga, Educadora Perinatal e Doula . Graduada pela Universidade Federal de Uberlândia em 1996, com Aprimoramento Profissional em Psicologia Clínica Hospitalar pela PUC Campinas em 1998. Educadora Perinatal (cursos para gestantes) formada pela Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004. Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP em 2006. Oferece cursos para gestantes e acompanha partos como doula, desde 2004.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Danuza, André e Laís - 08/12/2009

NO INÍCIO E NO FINALZINHO!



Danuza e André foram a pelo menos uma reunião do GAPN São Carlos, e foi lá que me contrataram como doula. Eu estava trabalhando em conjunto com a Frê, e marcamos as reuniões de preparação para o parto no consultório dela. O último encontro de preparação foi no dia 07/12. Estava chovendo forte e o André parou bem na porta do consultório para a Danuza descer e depois foi procurar lugar para estacionar.

Danuza chegou dizendo que tinha a impressão de que a bolsa havia rompido quando estava no elevador, saindo do consultório da Dra Carla, após consulta de pré-natal. Pura coincidência pois não tinha sido submetida a exame de toque que pudesse acidentalmente ter causado o rompimento precoce da bolsa. Enquanto aguardamos o André ela foi ao banheiro para ver a cor do líquido e sentir se tinha o cheiro característico - parecido com o cheiro de sêmen.

Enquanto ela estava no banheiro o André chegou correndo e escorregou no pano que estava perto da porta, de modo que adentrou o consultório "surfando" no pano, e quando a Danuza chegou, eu e ele estávamos nos acabando de rir! Danuza disse que o líquido estava claro e não tinha cheiro de nada, de modo que ficamos sem ter certeza de que tinha sido mesmo a bolsa. Fomos para nossa reunião. Ela ficou temerosa de molhar o sofá e sentou-se sobre a blusa. Conversamos sobre parto, duvidas, medos... e no final a blusa realmente estava bem molhada, e continuava tendo cheiro de nada. Então nos despedimos, perto das 16h30.

Às 21h30 mais ou menos, Danuza me ligou. Disse que ao sair da nossa reunião tinha voltado ao consultório da Dra Carla, que examinou e confirmou que tinha sido mesmo a bolsa que tinha rompido. Eles então foram para Descalvado esperar o início das contrações, e buscar as malas pois tinham vindo a São Carlos apenas para uma consulta de pré-natal, sem trazer nada... Agora, perto das 22h00, já estavam se preparando para vir para São Carlos, pois as contrações já começavam a ficar fortes e um pouco mais próximas.

Tínhamos conversado bastante sobre como esperar as contrações ficarem mais próximas e mais fortes, já que morando em Descalvado seria desconfortável esperar que as contrações estivessem de 3 em 3 minutos e só aí pegar estrada. Então, em todas as nossas conversas falávamos sobre a possibilidade de ficarmos num hotel, onde eu os doularia, aguardando os sinais de dilatação avançada.

Arrumei minhas coisas e fui dormir cedo.


Acordei perto da uma da manhã. Era a Frê, no celular.

Frê: - "Vânia, o André da Danuza ligou para mim!!! Ele disse que ligou para vc e vc não atendeu... parece que estava meio bravo... eles estão na maternidade, as contrações estão de 10 em 10 minutos".

- Eu esqueci o celular no vibracall! Que droga!

Frê : - Eu achei mesmo que vc demorou muito para atender... e agora? Eles querem que eu vá para lá.

- Vc pode ir? Quando amanhecer o dia eu troco com vc se for o caso. Pq se já estão na maternidade não vão deixar nós duas entrarmos... quando está quase nascendo é diferente, mas nesse caso vai demorar pq as contrações ainda estão um tanto espaçadas...

Frê: - Claro, sem problemas! Então eu vou, e de manhã nós trocamos.

Mandei mensagem no celular da Danusa pedindo desculpas por não ter acordado... (que meleca!)

Liguei para a Frê um tempo depois para saber se tinham deixado ela entrar na maternidade e ela ainda não tinha saído de casa. Eu estava tão ansiosa que não percebi que tinha passado tão pouco tempo...

Esperei um tanto e liguei de novo, a Frê atendeu assim:

- Vânia, as contrações já estão de dois em dois... e ela está tendo mais uma, vou lá ajudar.


E desligou.

Pensei que talvez nascesse antes de amanhecer o dia já que tinha passado de 10 em 10 para 2 em 2 em poucas horas. Evolução ótima!

Daí a pouco meu telefone tocou de novo. Nossa, será que já nasceu?

- Oi Vânia, é a Cláudia! Tudo bem?... estou com contrações de 5 em 5 mais ou menos, mas estão bem leves ainda. Só estou avisando para vc já ir pegando suas coisas... daqui a pouco te chamo...

Conversamos mais um pouco... levantei, tomei um cafezinho e fui tomar banho... daí a pouco sai para doular a Cláudia. Quando chegamos na maternidade, algum tempo depois, vi a Frê e a Dra Carla lá na ponta do corredor, antes de entrar no quarto em que a Cláudia ficaria.

Daí a pouco fomos para o centro obstétrico e o Rafael nasceu.

Danuza estava na sala ao lado, ouvindo tudo. Depois que estava tudo tranquilo com a Claudia fui falar "oi" para a Danuza e ela não respondeu, nem o André. Pensei que tinham ficado muito bravos comigo... depois lembrei que eu estava de touca e máscara! Abaixei a máscara e falei de novo, os olhos da Danuza se abriram num sorriso... André também gostou de me ver.

Danuza tinha perdido o controle sobre a dor e solicitado anestesia, esperando que o bebê baixasse depois que ela conseguisse relaxar. Para garantir a segurança a enfermeira ouvia os batimentos cardíacos do bebê o tempo todo, mas sem o aparelho de cardiotoco. Só com o sonarzinho, que não é tão desconfortável, e mais do que suficiente. E teve uma hora que os batimentos diminuíram e demoraram um pouco para recuperar, a Dra Carla falou que ia operar... saí com os olhos cheios de lágrimas... fiquei por ali, estranhei a falta de movimentação, voltei para dar uma olhada, e estavam todos muito calmos. A bebê - Laís - tinha se recuperado, e tinham voltado à espera pelo parto normal. Mas depois de mais algum tempo a Dra Carla fez novo toque e disse que estava se formando uma bossa muito grande, e que era melhor operar mesmo. Nessa hora me ofereci para filmar, e o André me entregou a filmadora.

Assim, André pode viver inteiramente a emoção de ver Laís vindo para o lado de cá da barriga sem se preocupar com o foco e o enquadramento. E como ele chorou quando ela nasceu! Seu choro emocionou todos os que estavam presentes.

Fiquei com eles o máximo que pude, mas o centro obstétrico começou a ficar muito movimentado e minha presença ali começou a causar estranheza, de modo que saí antes que me colocassem para fora...

Foi uma doulagem muito diferente... estar presente no momento em que não sabiam ainda se era a bolsa que tinha rompido, e depois re-encontrá-los no momento da cesárea, a tempo de ajudar a filmar!

Danuza, André e Laís: apesar de não ter ficado com vocês durante o trabalho de parto, quero que saibam que até hoje me emociono quando lembro da emoção que vocês sentiram quando puderam ficar os três juntos, do lado de cá da barriga.

Danuza, você foi até onde podia antes que o parto virasse sofrimento. Ter ficado com contrações durante a madrugada, com certeza fez diferença para a história de vínculo e amamentação. Você foi e é uma boa mãe, tanto durante o trabalho de parto quanto agora, tenho certeza. Você deixou a Laís escolher o dia que ela queria nascer, quando ela sentiu-se pronta para vir.

André, obrigada pela honra de ter te dado o primeiro "abraço de parabéns" quando você se tornou pai "de fato", com a Laís ali do lado, já querendo mamar!
Laís, parabéns pela linda família que você veio completar!



Só mais uma coisinha: na hora em que se tomou a decisão pela cesárea eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas... pq sei o que foi perdido. Já vi um banho de quem teve parto e de quem teve cesárea. Mas entendo a necessidade da cesárea nesse caso, e não lamento. Fico muito feliz que o recurso da cirurgia seja utilizado quando necessário, e comemoro o nascimento de mais um bebê muito amado, e recebido com cuidado e respeito pela equipe e pela família.


Com amor,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama muito tudo isso!

domingo, 18 de julho de 2010

OFICINA DE PARTO




Oficina de Preparação para o
Parto ATIVO




Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Parto ativo: diferente do que se vê nos partos tradicionais, onde a gestante se encontra passiva à mercê das orientações e intervenções médicas. Ativo no sentido de movimentar-se durante o trabalho de parto, evitando deitar-se. Ativo para o(a) acompanhante que desejar estar junto e preparado(a), não só para assistir como para auxiliar.

Conteúdo:
1. O que esperar no trabalho de parto.
2. Como saber a melhor hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Como o acompanhante pode ajudar.

O acompanhante pode ser o pai do bebê, sua mãe, sua irmã, ou sua melhor amiga... Qualquer pessoa que estiver disposta a estar junto e te ajudar, e com quem você se sinta completamente à vontade.

Direcionada a gestantes no último trimestre da gestação, com ou sem acompanhantes.
Dia 21/07/2010 - quarta-feira - das 19h00 às 22h00.
Investimento: R$50,00 o casal – R$ 25,00 para cada acompanhante adicional.

Vagas limitadas. Somente com Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para vaniacrbezerra@yahoo.com.br , ou pelos telefones: 3375-1648 e 9794-3566.

Local: IPC – Instituto de Psicologia Comportamental - Rua Pedro II, 2.095 Centro Tel: (16) 3307.6953

Aguardem confirmação de novos módulos, num curso completo para gestantes:

Gestação saudável, Amamentação, Primeiros Cuidados com Recém-Nascido (incluindo primeiros socorros).

E também um módulo especial para estudantes e profissionais que atendem gestantes e parturientes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mariana, Rafael e Luísa - 04/12/2009

Mariana fez preparação para o Parto com a Jamile, e quando a visitei para conhecê-la me pareceu super segura em relação ao parto. Opinião partilhada pela Jamile. Mas de verdade nunca sabemos o que vai acontecer durante o parto, e essa é uma das emoções de ser doula ou parteira. Temos nossos palpites em relação às mulheres que vamos acompanhar, mas muito frequentemente nos surpreendemos!

Então fui conhecer Mariana e Rafael. Tinha uma impressão forte de já conhecer Mariana, o que foi atribuído às vezes em que ela tinha ido às reuniões do grupo... mas não sou boa de guardar nomes e feições sabe? E as reuniões do grupo são sempre bem lotadas, era bastante improvável que fosse mesmo de lá.

Enfim, conversamos... Mariana manifestou muito medo da anestesia por conta de uma péssima experiência anterior... então fiquei com a impressão de que mais do que desejo pelo parto natural, Mariana tinha medo da cesárea. E esse medo costuma se reverter em mais determinação na hora do trabalho de parto. Quem tem medo da cesárea encara o parto com mais naturalidade e força de vontade.

Lembro com clareza dela perguntando se eu achava que deveria fazer algum tipo de preparação para o caso de virar cesárea, e eu respondi: cesárea prá mim é acidente. Quando a gente viaja para a praia sabe que no caminho o carro pode quebrar, os níveis de acidente nas estradas brasileiras são altos, pode acontecer de chegar na praia e chover a semana toda. Por acaso a gente se preparara para estas coisas? Se acontecer lidamos com a situação depois. Não podemos viver nos preparando para o pior... se acontecer paciência!

E Mariana respondeu olhando para o Rafael: -"Ela sempre fala o que a gente precisa ouvir".

Tenho um amigo que concordaria com isso! Ele diz que quando precisa levar um puxão de orelhas liga prá mim! rsrsrsrsr Mas neste caso ninguém precisou de puxão de orelhas, só de uma dose extra de confiança. E isso eu tenho bastante! ;)

E assim nesse clima de confiança, Mariana chegou às 42 semanas. Na consulta de pré-natal agendada para aquele dia iriam agendar a data para internar e induzir o início do trabalho de parto.

Eu estava sem carro, e minha irmã, que frequentemente me empresta o carro para meu marido me levar até a casa onde vou doular tinha saído para a balada de quinta-feira à noite. Mas ficou de prontidão para vir me buscar em casa se fosse preciso. Todas as amigas que estavam com ela sabiam da possibilidade dela ter que sair para vir me dar carona. 

E o telefone tocou: era o Rafael dizendo que Mariana estava em TP há algumas horas e as contrações estavam ficando mais próximas e doloridas. Bolsa integra, bebê mexendo, tudo bem.

Liguei para a Andréia e ela já tinha saído da balada e estava levando as amigas para casa, de modo que só precisou pisar um pouquinho mais fundo no acelerador.

Preparei tudo. Ainda estava com a banheira de parto e o balde com aquecedor da Jamile, que tinham ficado comigo desde o parto da Flávia Bombonato.

Andréia chegou e lá fomos nós, carregando minha bolsa de doulagem mais a banheira e o balde. Quando cheguei no prédio, ao entrar no elevador derrubei o balde de alumínio e fez um barulhão, mais ou menos às quatro da manhã! Senti meu rosto queimando de tão sem graça que eu fiquei! Imaginei quantas ligações o porteiro receberia perguntando o que tinha sido aquele barulho!

Quando cheguei no andar dela e a porta se abriu tinha um senhor esperando, com a porta do apartamento aberta. Mas ele estava saindo, então era apenas uma coincidência? Falei que ia atender a Mariana, ele disse com muita calma: - "Ah! Então é isso!"... E eu estava carregando aquele monte de coisa para dentro da sala, não falei direito com ele, dei um bom dia apressado, e ele foi embora. O Rafael apareceu para me ajudar.

Mariana estava na sala, com uma bandeja com suco e petiscos perto dela, com expressão de felicidade e tranquilidade misturadas. Conversamos um pouco, as contrações já estavam com um certo nível de desconforto, e fui para a cozinha colocar água para esquentar, para a bolsa de água quente. Quando estava voltando a mãe dela estava no corredor e levou um baita susto ao me ver, perguntou o que estava acontecendo... Mariana e Rafael tinham optado por deixá-a dormir, claro! Mas dar de cara comigo na cozinha foi muito inesperado e Dona MariAngela demorou um pouco para conseguir se acalmar. Não me lembro muito bem, mas creio que ela até tomou seus remédios para controlar a pressão alta, e rezou um pouco em seu quarto antes de retornar e ficar conosco na sala.

Enquanto isso eu inflei a bola, e Mariana estava nela, brincando de dar pulinhos e rindo entre as contrações, muito descontraída. Contaram que tinham ido a uma festa de confraternização na noite anterior, e sobre a mesa da cozinha tinha uma bandeja de salgadinhos que eu e Rafael beliscávamos de vez em quando.

Bem de repente o desconforto aumentou bastante, o senso de humor de Mariana desapareceu, ela começou a verbalizar durante as contrações e falou duas vezes que estava com vontade de fazer força. Liguei para a Jamile e perguntei se ela poderia ir até lá dar uma olhada. As duas doulagens anteriores tinham minado minha confiança em "sentir" em quanto estava a dilatação: uma vez achei que estava próximo de nascer e a dilatação estava em 2cm. Na outra vez achei que estava em 2cm e a bebê nasceu! Expliquei para a Jamile que eu sentia que a dilatação não estava total, mas com a Mariana dizendo que sentia muita vontade de fazer força fiquei meio perdida. Jamile disse que não tinha problema, já estava indo. Logo chegou, com aquela aura de tranquilidade e confiança que acompanha os profissionais que confiam que o parto é um processo fisiológico e natural.

Auscutou a bebê e estava tudo bem. Calçou as luvas e Mariana se ajeitou no sofá para ser examinada. Jamile disse que a dilatação estava em 8cm e a bebê estava bem baixa. O nascimento tendia a ser rápido, portanto poderíamos ir para a maternidade. A própria Jamile ligou para o Dr Rogério, explicou como estava e ele já foi se encaminhando para lá. Decidimos nem levar a banheira porque tudo indicava que não haveria tempo para enchê-la. Jamile me levou até a maternidade, acompanhando o carro de Mariana e Rafael.

Fiquei na entrada da maternidade esperando e quando eles chegaram Mariana estava deitada no banco de trás do carro, tendo uma contração, e elas pareciam estar bem longas e quase sem intervalo de modo que ficamos uns 5 minutos esperando um intervalo para ajudá-la a sair do carro mas o intervalo não vinha e ela falou umas 3 vezes que estava fazendo força. Então alguém que estava na recepção foi buscar uma cadeira de rodas e o Rafael a ajudou a levantar-se do carro e sentar-se na cadeira e assim ela foi levada até o quarto.

A banqueta já estava lá, assim como a bola suiça, e enquanto Mariana e Rafael se ajeitaram bem no meio do quarto - ela sentada na banqueta e ele sentado na cadeira bem atrás dela, de modo a apoiá-la, a enfermagem fazia as preparações para a recepção da bebê, e a Shirley, enfermeira obstetra plantonista naquele dia, após certificar-se de que Dr. Rogério e Dra Patricia estavam a caminho, sentou-se no chão em frente à Mariana e ficou confiante e sorridente, apoiando Mariana com o olhar.

A mãe de Mariana tinha ficado em casa. Ia trocar de roupa e encaminhar-se para a maternidade à pé, assim que o dia amanhecesse. Cerca de 10 quarteirões fariam dessa a caminhada matutina mais inesquecível da vida dela.

Logo Dr Rogério chegou e seguiu à risca o plano de parto que eles tinham feito. Mariana tinha pedido a ele e ao marido que a fizessem rir durante o parto, e então começaram a contar situações engraçadas e piadinhas, e Mariana sorria... e respirava fundo e verbalizava durante as contrações.

Shirley tinha dito que a dilatação estava total, apresentação baixa, bolsa íntegra. Dr Rogério disse que não tinha sentido bolsa não, só a cabeça da bebê, e pelo jeito era carequinha. E veio um pequeno desfile de piadas sobre carecas... Tirei algumas fotos mas o dia ainda não tinha amanhecido e as luzes do quarto estavam apagadas, de modo que não ficaram lá muito boas... o filme então... ficou só o audio gravado!

Dra Patricia também já estava ali, de luvas e a postos para a recepção da Luísa.

E assim Luísa chegou, devagar, dentro da bolsa integra, que parecia estar quase sem líquido nenhum de modo que a bolsa parecia estar meio grudada no rosto da bebê. Dr Rogério a colocou sobre o lençol, rompeu a bolsa e a tirou de lá de dentro, desenrolou o cordão umbilical do pescocinho e aí sim, a colocou sobre o colo de Mariana.

Todos em volta sorriam. Após o cordão ter parado de pulsar, Dr Rogério perguntou se Rafael queria cortar, e apontou onde deveria fazê-lo, sem esquecer a recomendação: "isso aqui é o meu dedo, não vai cortar heim?"

Dra Patricia levou a bebê para ser examinada e aquecida no berçário, mas voltou com ela logo em seguida para ser colocada para a primeira mamada.

Enquanto isso fui até a recepção e lá estava Dona MariAngela sentada entre as pessoas que estavam começando a chegar para o horário do visita bem cedo. Ela ficou muito feliz quando eu disse que já tinha nascido e tinha corrido tudo bem. Pelo que me lembro ela quis ligar para o marido imediatamente. Voltei para o quarto e no caminho liguei para a Jamile para contar que já tinha nascido, empelicada e com circular de cordão, quase sem líquido, e perfeitamente bem! Um parto maravilhoso.

Dra Carla estava passando visita para suas clientes e também entrou para cumprimentar rapidamente a Mariana e o Rafael.

Logo depois entraram a mãe de Mariana e os pais do Rafael. Todos muito sorridentes, felizes com a primeira neta.

E assim os deixei. Um clima de festa gostosa, tranquila e emocionante.

Mariana e Rafael, obrigada pelo convite e pela confiança. Amei tê-los acompanhado.



Luísa, que sua vida seja sempre repleta de tranquilidade, luz e paz, como foi o seu nascimento.

Um graaaande beijo,

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama profundamente o que faz.




Ah! Eu e Mariana nunca descobrimos de onde vinha a impressão de que nos conhecíamos desde muito antes de eu ir à casa dela. O que descobrimos é que eu tinha trabalhado quase um ano no mesmo departamento do pai dela. São muito parecidos e isso poderia explicar a minha sensação de já conhecê-la, mas não explicaria o fato dela sentir a mesma coisa em relação a mim. Enfim... se já nos conheciamos mesmo ou não... ainda não sabemos!

O pai dela - Claúdio - me reconheceu quando abriu a porta do elevador. E eu estava atrapalhada carregando aquele monte de coisas, vermelha por ter derrubado o balde na entrada do elevador, nem olhei direito prá ele, dei um "bom dia" apressado... Foi ele que depois falou para a Mariana - "mas eu conheço essa moça! ela já trabalhou lá comigo!"

Mais uma para a minha coleção de situações engraçadas durante as doulagens!