Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Claudirene, Fábio e Ester - setembro de 2011

Relato escrito pela Claudirene, traz toda a sua busca pelo parto e a superação dos obstáculos no dia P. Linda busca, linda a disponibilidade das duas doulas que a atenderam, linda família!
Espero que sirva como inspiração para outras mulheres e famílias.

Beijos!

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Tomei a decisão de compartilhar o meu terceiro parto no momento em que soube que o relato do meu segundo parto, postado no blog de minha Doula Vânia era um dos mais lidos . Trata-se de um parto que  iniciou para o natural (como o primeiro) porém, finalizou em cesariana e, sem direito a acompanhante, o que me motivou a participar de uma audiência pública e de reportagem de denuncia a tv local. Enfim, foi uma cesariana bem indicada na qual saímos bem e superamos emocional e fisicamente. Heitor foi um bebe saudável e mamou no peito durante um ano.

Quinze dias após o aniversário do Heitor, eu já estava grávida da Ester. Minha primeira sensação foi de medo, pois eu havia passado por uma gestação e por uma cesariana recentes e havia acabado de amamentar; ou seja, estava retomando o ‘controle’ de minha vida...portanto, confesso que fiquei muito, muito assustada.

Na primeira consulta com meu obstetra, fiz a pergunta principal: posso ter um parto natural após 1ano e 9meses da cesariana? Ele me respondeu, que isso não seria um impedimento. A partir daí não problematizei o parto. Segui o percurso normal da gestação. Como a minha doula Vânia estava morando fora da cidade, optamos pelo parto na maternidade onde teríamos doula e estrutura necessária para o parto natural. Mas como não podia deixar de ser, a vida nos preparou mais uma surpresa.



No dia 21 de setembro, as 8:30 da manhã, durante a drenagem minha bolsa teve uma pequena fissura, sinalizando que o grande dia tinha chegado. Disse à minha massagista: ih, minha bolsa estourou e estou com contrações. Depois de acalmá-la e finalizar a massagem, emprestei uma toalha para proteger o banco do carro e voltei dirigindo para casa, pois as contrações eram leves. Ao chegar liguei para meu marido no trabalho para que ele se planejasse, pois ele iria me doular até o momento de irmos à maternidade. Por volta das 10:30 liguei para o consultório de meu obstetra e pedi para avisá-lo. Um tempo depois, a secretária me retorna ligação dizendo: “o doutor entrará no plantão às 19hs em outra maternidade, portanto não poderá sair para atendê-la. Então, você deve ir para a outra maternidade”. 

Ao ouvir isso, senti que a casa desabava sobre mim, afinal, eu contava com a estrutura e as doulas daquela instituição! Mas eu não queria passar por mais um parto sem o profissional que me acompanhara no pré-natal. Então, meu marido me olhou e disse: “não podemos ficar sozinhos, precisamos de uma doula”. Eu concordei. A partir daí, começou a missão dele conseguir uma doula que nos acompanhasse até o momento ideal de ir para a maternidade.

Por volta das 13:30hs, fomos para a maternidade para fazer uma sondagem, saber se estava tudo bem com a bebe. Ele marcou com uma doula de conversamos em casa. No caminho, perguntei ao meu marido se ela havia perguntado de sua experiência em doulagens. Ele respondeu que não. Em casa, eu perguntei a ela quantos partos ela havia doulado, qual foi minha surpresa? Ela me disse que nenhum. Então, fui sincera. Disse precisávamos de uma doula experiente, deste modo, ela também poderia acompanhar. Então, ela boi embora. Meu marido ficou comigo, estávamos indo bem, mas no fundo eu estava nervosa, pois temia que não segurássemos a barra quando entrasse no parto ativo. A doula é fundamental neste momento.

Por volta das 19hs, meu marido atende uma ligação. Era a Ana Frederica, uma amiga e ex-doula. Ela havia ficado sabendo, via Camila, a doula que esteve em casa, que eu estava em trabalho de parto e que, se aceitasse iria pra minha casa para me doular. Quando ou a ouvi, eu me explodi em lágrimas. Senti uma alegria imensa. Senti que não estávamos mais sozinhos que poderíamos contar com uma profissional, pois a doula é imprescindível para o parto humanizado. É a doula quem nos sustenta emocionalmente, ela quem zela pelo nosso bem estar, nossa energia, alimentação, tudo. Eu já não me lembrava dos chás, de comer...eu só respirava e me acomodava na melhor posição. Por voltas das 22hs, chegaram as duas doulas: Ana Frê e a Camila. A partir daí, elas assumiram e meu marido foi dormir um pouco. Tomamos um chá forte de canela e nos recolhemos no quanto.

Por volta das 4hs da madrugada, as contrações estavam fortes e a cada um minuto. Meu marido acordou e nos levou para a maternidade. No corredor eu já encontrei o meu médico. Ao olhar para ele eu senti uma paz imensa. Nos acomodamos num quarto apropriado, enquanto elas prepararam a piscina inflável eu fiquei na bola e, em alguns momentos, caminhava pelo corredor. A dilação total aconteceu durante uma pausa das contrações para o descanso. Porém, eu já tinha perdido bastante líquido, então não seria um expulsivo tão fácil como foi a do primeiro filho. Por volta das 10:45hs o médico pergunta às doulas, qual a posição que a progressão teria sido melhor. Elas foram categóricas ao responder de cócoras. Realmente, foi a posição que eu me senti melhor para parir, mas no fundo eu esperava que a bebe nascesse na banheira, como tantas imagens que tinha assistido! De cócoras, não dá para compartilhar tanto assim...


Enfim, na posição de cócoras a Ester nasceu às 11:30hs da manhã de 22 de setembro de 2011. Recebida pelo médico obstetra Dr. Rogério Gonçalves, a quem devemos este sonho realizado. Profissional que me nos acompanhou e nos tranquilizou diante de cada dúvida construída ao longo da gestação. À pediatra Dra. Patrícia Canedo, pela atenção, carinho e paciência que nos dedicou durante os dois partos e depois deles. Somos eternamente gratos às doulas, Ana Frederica e Camila, pela disposição, amor e carinho dispensados. À Carla (doula e enfermeira da maternidade), pela prontidão e competência. Contudo, sou imensamente grata à essa equipe, especialmente, por possibilitar que meu marido participasse  e assistisse, pela primeira vez, o nascimento de um de nossos filhos. Graças a esta equipe, a Ester pôde nascer e, imediatamente, sentir o amor de seu pai.


Com esse depoimento, espero estimular, encorajar e alegrar os corações de mulheres que buscam um nascer mais humano para seus filhos.

Claudirene - dez 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

Bianca, Eduardo e Melissa - julho de 2012


Minha re-estreia como doula, após passar um ano e dois meses morando no interior do Amazonas. Enquanto estive lá vivi muitas experiências gratificantes e enriquecedoras, sem dúvida, mas nada se compara à alegria de trabalhar naquilo que é a sua verdadeira vocação, aquele assunto que você estuda e não se cansa, o trabalho que se mistura ao prazer de estar vivendo nesta Terra. Voltei em maio de 2012. 

Bianca me ligou em junho e já começou explicando que já tinha lido no meu blog que eu só voltaria a doular em setembro, mas gostaria de pelo menos de conversar um dia... ou só fazer a preparação para o parto comigo. Quando fui a casa dela para a primeira conversa sobre parto, expliquei que eu não estava me sentindo à vontade para assumir doulagens porque uma amiga minha, muito querida, teria o bebê em agosto, e pra mim era muitíssimo importante estar no parto dela. Então existiria a possibilidade d'eu estar doulando e se a Kátia entrasse em TP eu iria para o parto dela, e então quem eu estivesse doulando teria que chamar outra doula... a probabilidade disso acontecer era baixíssima, mas... daí que a Bianca e o Eduardo aceitaram correr o risco e me contrataram assim mesmo. Então fizemos mais um encontro de preparação, e na semana seguinte desmarcamos um encontro por  conta do aniversário da Bianca. Ela estava com 38 semanas.

O próximo encontro estava marcado para segunda ou terça-feira... mas no sábado as 3:30 da madrugada recebi uma mensagem:

"Oi Vânia, boa noite. Estou tendo contrações a cada 4:30 minutos... duram uns 45 segundos... desde as 2:30 da manhã. Saiu um pouco d tampão. Qdo vc puder me ligue por favor... obrigada. bjo. Bianca".

Sentiram a calma na mensagem? Contrações com intervalos menores que cinco minutos há uma hora. Informação e preparação podem fazer essa diferença!

Bianca estava muito muito tranquila, só quis mesmo me avisar que as contrações haviam começado, e fui eu quem quis ir para lá, para ficar um pouco, dar uma acompanhada, e se eu achasse que era muito cedo pra ficar teria voltado pra casa, ou talvez fosse dormir na sala enquanto aguardássemos a evolução do TP.

As malas pra a maternidade não estavam prontissimas. Tudo estava lavado, passado e organizado, só faltava separar o que ia para a maternidade e colocar nas malas. (Eu costumo sugerir que não façam as malas e deixem para fazer isso no início do TP. Ajuda a focar no bebê e também passa o tempo, mas não lembro se cheguei a dizer isso para a Bianca). Fiquei por ali, dando dicas, tirando dúvidas, e continuaram arrumando tudo com bastante tranquilidade. As contrações vinham e iam, e nós continuávamos a conversa de onde tinha parado. Mas também não reinava uma falação sabe? Passamos minutos apenas olhando e sorrindo, olhando sorrindo e respirando.



Capítulo à parte: estava uma noite bastante fria, e meu nariz, como sempre, dando o ar da graça com uma coriza chata! :P  Acho que o Eduardo percebeu meu incomodo e ofereceu: "posso te dar um remedinho, vc aceita? é natural".   R) pode.   E a Bianca emendou: - "Mas coloca um pouco de água, não traz puro porque ela não está acostumada".  Era própolis com alguma outra coisa, não me lembro mais. Minutos depois de tomar o líquido eu estava respirando pelo nariz, sem coriza alguma. E eis que depois disso passei a consumir o própolis com frequência, e pela segunda vez a minha vida ficou dividida entre antes e depois de uma doulagem!

( A primeira vez que isso aconteceu foi quando doulei a Kátia, e na visita pós-parto descobrimos muitas crenças em  comum e passamos a fazer parte da mesma tribo, ou seja, eu entrei para a tribo dela. Ô coisa boa!).

No final da manhã as contrações estavam mais próximas e durando um pouco mais, e Bianca achou que tinha sentido puxos, duas ou três vezes. Não tinha certeza, mas diante da dúvida... eu também achei que ela estava prendendo a respiração um pouquinho durante as contrações, e como já estava observando desde o final da madrugada, achei que ela não estava com puxos muito fortes, mas poderia ser sim o início da transição. Como eles tinham decidido ir para a suíte PPP, e podíamos confiar plenamente na assistência que ela teria, não havia motivos para ficar em casa até ter absoluta certeza que se tratava de expulsivo. E sendo assim, estando as contrações bem firmes de 3 em 3 minutos, o melhor é começar a auscultar o bebê de tempos em tempos. Então resolvemos ir para a maternidade, sem pressa, e parando durante as contrações. Olhei no relógio e era 11h11 quando saímos da casa dela.

Cerejeira florida na semana em que Melissa nasceu.

O caminho para a maternidade foi tranquilo, e chegando na recepção teve os papéis para preencher... as contrações deram uma espaçadinha mas mesmo assim a recepcionista dirigiu a Bianca para uma salinha nos fundos da recepção. Mas Bianca não se sentiu bem ali, só entrou e saiu logo após a contração ter passado. Mais alguns minutos e disseram que Bianca podia subir.

Ao entrarmos na suíte Bianca estava totalmente fora da partolândia e foi só aí que percebi que tínhamos ido um pouco cedo para a maternidade. Se a dilatação estivesse avançada ela não teria voltado a um estado tão desconectado do parto. Olhou em volta, pediu água, pediu o controle do ar condicionado e em seguida reparou que era hora de almoço e preocupou-se com o que iríamos comer. Mas logo uma contração se apresentou e ela fechou os olhos, respirou fundo e procurou apoio na bancada. Fiquei na dúvida: será cedo ou não será cedo... bem, como eu já tinha dito, quando a gente está com equipe que parteja seguindo evidências científicas e com amor pelo que fazem, não chega a ser um grande problema se a dilatação não estiver adiantada.



Tivemos um  pouco de dificuldade com o ar condicionado, ficávamos em dúvida se estava resfriando ou aquecendo. rsrsr Até que conseguimos acertar uma temperatura agradável e ficou mais fácil de relaxar.

Eduardo saiu, foi até em casa buscar alguma coisa que ficou para trás, e aproveitou para trazer pão e coisinhas para fazer um lanche.

No meio da tarde Bianca estava com contrações mais próximas e duradouras e cogitando usar a banheira, pois sentia um pouco de cansaço a esta altura. Foi feito um exame de toque e estava com colo mole e fino, 3 cm de dilatação. A dilatação pode parecer pouca, mas o fato de ter afinado e amolecido o colo é bastante significativo. De qualquer forma Bianca resolveu esperar um pouco mais para utilizar a banheira e foi para o chuveiro, relaxar um pouco. Não ficou lá por muito tempo, mas o suficiente para passar o incomodo do exame de toque, e as contrações logo pareciam mais próximas e mais duradouras.



Acontece que Bianca era muito sensível às entradas e saídas da equipe, eu incluída, e cada vez que alguém entrava no quarto para observar o andamento, auscultar o bebê, ou mesmo trazer água fresca e/ou perguntar se queria que limpasse o quarto, as contrações davam uma espaçadinha.

No final da tarde veio uma sugestão de que fizéssemos uso do rebozo. Eu ainda não tenho rebozo para chamar de meu, então usamos um lençol dobrado em forma de baixa, e durante as contrações passavamos essa faixa pelo "pé da barriga" puxando suavemente para cima de modo a trazer a barriga para dentro da pelve. (Pensem em uma barriga caída para a frente e vc com uma faixa puxa a barriga para trás - isso pode ajudar o bebê a se posicionar melhor). Nós fizemos 3 ou 4 vezes no máximo, mas aumentava muito o desconforto e logo abandonamos a ideia.

A música estava fazendo falta, o cd player não estava funcionando. Liguei para o meu marido e pedi pra ele me trazer o carregador do celular, pq a bateria estava acabando. Ele trouxe e aí coloquei o celular pendurado na tomada, ia lá e escolhia as musicas, uma a uma. Música romântica,  música para crianças, música de índio, música para relaxamento, e não necessariamente nessa ordem! rsrsr

O plantão de enfermagem já tinha mudado e de vez em quando a enfermeira vinha auscultar a bebê e ficava durante dez minutos para contar contrações. Bianca continuava sensível e toda vez que a enfermeira vinha contar as contrações se espaçavam. Era só ela sair e ficavam próximas de novo.

O tempo foi passando e tanto ela quanto Eduardo começaram a sentir o cansaço da noite em claro. eu ainda estava em vantagem pois eles me chamaram depois de algumas horas que já estavam acordados, quando os intervalos estavam menores que cinco minutos, mas mesmo assim logo logo eu também comecei a dar longos bocejos. Nessa hora é extremamente importante o clima de tranquilidade que já estava bem estabelecido: quando começava uma contração o Eduardo pegava nas mãos dela, apoiava, abraçava, segurava se fosse preciso. Eu fazia massagens nas costas ou colocava a bolsa de água quente, ou apertava as laterais do quadril. Quando passava a contração, assim que a respiração da Bianca se normalizava e ela estava bem recostada, eu meu deitava para um lado, o Eduardo para o outro, e nós três tirávamos um cochilo. Até a próxima contração. E assim ficamos durante um tempo. Sem pressa, sem ansiedade, só respirando e cuidando... golinhos de água, sorrisos... e cochilos.


Às vezes ela se levantava, ia até a escada de Lynnings, se apoiava, balançava os quadris, fazia estalos com a língua e aquele som de "caminhãozinho", mas feito com a língua contra os dentes e não com os lábios. Estava seguindo seus instintos, fazendo o que seu corpo pedia, sem julgamentos, só confiança no que sentia.

E deu certo!




Bianca quis novamente entrar na banheira, verbalizou quando a enfermeira estava no quarto, e ela disse que achava que era cedo ainda. Então vamos fazer um toque para tirar a dúvida? Não, não, fazer outro toque não. (A enfermeira não quis).

Well... Bianca foi de novo para o chuveiro e as contrações deram uma espaçada. Procurei a enfermeira, falei que tinha a impressão de que se Bianca fosse para a banheira seria melhor, ela me respondeu que se as 3 da tarde a dilatação estava pouca agora também não estaria avançada porque as contrações estavam muito espaçadas. Então... só que quando estávamos só nós 3 no quarto as contrações ficavam bem fortes e próximas, e eu já tinha visto Bianca na partolândia duas vezes, incluindo um longo período em que ela não perdia a concentração nem mesmo durante os intervalos das contrações, totalmente focada no seu corpo e seu bebê, chegando a pedir água e tomar a água de olhos fechados, duas vezes.

A enfermeira colocou a banheira para encher enquanto a Bianca estava no chuveiro. Com a ajuda do Eduardo, colocaram um lençol preso nos ganchos que ficam no teto, e a enfermeira testou várias vezes, pendurando-se no lençol para ter certeza de que estava bem preso.



Bianca veio para o quarto, de novo focada no parto, mas de vez em quando olhava para a banheira que já estava cheia mas a água tinha esfriado um pouco. (estava bem frio, e mesmo com o ar condicionado aquecendo o ambiente, a água esfriou.) Então eu fui lá e "temperei" novamente a água, deixando no ponto. Na próxima vez em que ela perguntou se podia entrar eu falei "pode". Eu e Eduardo a ajudamos a entrar, e durante uma ou duas contrações ela ficou tentando se ajeitar, com um pouco de dificuldade porque quando ia cochilando as pernas boiavam e ela acordava. No próximo intervalo entre as contrações eu fiquei segurando seus pés para não boiarem e ela não acordou. na outra contração ela conseguiu prender os pés de uma jeito que não boiaram, e então conseguiu cochilar novamente. Foram dois cochilos. Na próxima contração ela olhou pra mim e disse "estou com vontade de fazer força".

Eu sorri, balancei a cabeça e disse: pode fazer. Ela fechou os olhos, respirou fundo, e força! Abri mais ainda o sorriso e fiz sinal para a enfermeira olhar. Ela  também abriu um grande sorriso, Eduardo nos viu sorrindo e sorriu também, e assim ficamos todos sorrindo. Que delícia de momento, jamais vou esquecer!

Melissa estava nascendo dentro da bolsa! 

A enfermeira não quis sair, e me pediu para avisar a equipe. Fui até o corredor e chamei todo mundo, o que levou alguns minutinhos. 

Eduardo sentou-se na beirada da banheira, com os pés para dentro, e apoiava as costas de Bianca, que segurava o lençol e mantinha-se de cócoras. O único pedido da equipe foi que ela, durante o intervalo mudasse um pouquinho de posição pq ela tinha se ajeitado de frente para a parede e ficaria bem difícil de alcançar se alguma manobra fosse necessária. (Isso não foi dito a ela, apenas pediram para ir um pouquinho mais para o lado e ela foi).



Nenhum exame de toque foi feito. Depois foi dito que tinha ficado uma dúvida se era mesmo a bebê que estava ali ou se seria só um "bolsão" - uma dobra de bolsa cheia de líquido que desce antes da cabeça do bebê, ou seja, a bebê poderia ainda estar um pouco mais alta. Mas nem para tirar a dúvida foi feito um toque. Apenas aguardaram até os cabelos da bebê ficarem visíveis, então estava confirmado que o nascimento estava próximo.

Bianca vocalizou bem forte duas ou três vezes. (na visita pós-parto ela disse que ficou surpresa nessa hora porque não se imaginava capaz de emitir aqueles sons tão fortes - eu achei isso um barato!).



Melissa nasceu e ficou no colo de sua mãe, bem tranquila. O clima todo era de tranquilidade, respeito. Aguardaram que o cordão parasse de pulsar e Eduardo foi convidado a cortá-lo, aceitando prontamente. Eu que não tive tempo de ligar e ajustar a máquina. : (  Tirei duas fotos mas com o flash desligado, não consegui achar a configuração de foto noturna, perdi o momento. 

Enquanto Melissa estava sendo examinada e vestida, ajudamos a Bianca a sair da banheira, foi feito o exame do períneo e pelo que me lembro ela não precisou de pontos.

A placenta logo se desprendeu, e o parto terminou com muita tranquilidade.

Tiramos várias fotos e demos risada com a champanhe que foi servida. Brindamos ao parto com respeito!

"Detalhe": Bianca tem útero bi-corno. E isso nunca foi nem nunca será um problema. nada mais que uma particularidade, apenas isso!

Bianca e Eduardo, muito muito obrigada por terem me convidado e me aceitado, mesmo com o risco de eu precisar sair para ir para outro parto. Essa confiança e esse amor pelo momento do parir e nascer é que nos aproximou, e com certeza valeu muito a pena. Foi lindo!

Eduardo, Melissa e Bianca - julho de 2012


Melissa, bem vinda a este belo mundo! ( "Você verá que a emoção começa agora... agora é  brincar de viver!")

Meu filho e eu, corujando a Mel.


Equipe: adorei estar de volta, adorei conhecer as novas instalações para o parto, adorei trabalhar de novo com vocês!

Beijos, beijos, beijos, adoro essa vida de doula!

Vânia Bezerra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Relato de Parto da Gisele Reis


Publico agora um relato escrito pela própria Gisele. É muito legal poder ler um relato escrito pela própria mãe, e ainda mais neste caso porque traz a exata noção da importância que essa experiência empoderadora trouxe para ela, e a diferença que fez na sua vida.

Não vou dizer que será sempre assim. Sim, existem casos em que mesmo estando com uma equipe com excelentes referências, no dia alguma coisa simplesmente não funciona bem, e a experiência não será tão linda, podendo algumas vezes ser até traumática, pois as sensibilidades são diferentes e as coisas que a gente faz com a intenção de ajudar podem se tornar exatamente o que atrapalha tudo.

No caso da Gisele eu fiquei muito muito feliz porque antes do parto ela me parecia uma pessoa um pouco  apegada a rotinas, de modo que as surpresas do trabalho de parto poderiam se tornar um empecilho. Mas não, ela foi se adaptando, muito concentrada em si mesma e no parto, soltando sua filha graça e força, muita força!

O que dizer além do óbvio? AMO essa vida de doula!

Vânia C. R. Bezerra

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Minha querida mãe, após um aneurisma cerebral dia (31/05/2012, ela tem 53 anos) desenganada
pelos médicos, andou pela 1a vez no dia 2/11/2012, revelando-se a mulher forte, guerreira que é!
E foi essa mulher forte poderosa também em que o meu parto me transformou, que pude ter forças,
perseverança e muito amor, para que eu pudesse cuidar daquela que me gerou, pariu, cuidou, amou...


É!.... "Trabalho de parto." Me jogo aos seus pés! Te venero, pois você me transformou! 
Obrigada Letícia, minha flor, meu anjo de cabelos dourados e olhos azuis, você é a minha vida!
Obrigada por você ser minha filha! Junto com você, nasci!
Obrigada Eduardo, meu eterno amor, meu homem, meu rei, meu parceiro!
Obrigada mamãe, por ter me gerado, me parido, me criado, me amado!
Obrigada exército celestial (Dra Carla, Doula Vânia, enfermeira Carla, Poli e Chris e todos
que contribuíram para que esse sonho fosse possível).
É com muita alegria que venho contar o relato do meu parto...
No dia 1º de dezembro o meu instinto de mãe me dizia para eu dar um tapa no visual e na casa, pois a próxima madrugada iria prometer. Então tomei um banho demorado, fiz escova no cabelo, tirei as sobrancelhas. Disse para meu marido Eduardo: vamos dormir meu bem, pois não sei não, mais acho que esta noite será diferente.

Fomos dormir às 00h00 e eu já estava com umas dorzinhas mais fortes. Peguei minha apostila do curso que fizemos de preparação para o parto e li a parte que dizia que, se as contrações começassem à noite, eu poderia ir dormir normalmente, pois acordaria espontaneamente caso as contrações se intensificassem e, foi o que ocorreu. A uma e pouco da madrugada acordamos e dissemos: “Começou!!!”(as 40 semanas e 1 dia de gestação).

Então ficamos juntos e, quando vinham as contrações, eu agarrava nele. Bom, esperamos amanhecer e às 06h30 o Dú ligou para a Vânia. Ela chegou rápido e nos encontrou totalmente no mundo da Partolândia! Eu, deitada na cama, olhei e vi que a Vânia estava sorrindo e, fora de brincadeira, senti uma presença de espírito fabulosa! Vi que ela não veio “sozinha”. Não sei explicar, mas a Vânia é mesmo uma pessoa iluminada! Ela e meu marido me ampararam em todos os momentos: vocalizávamos e respirávamos juntos, alternavam fazendo massagens, colocavam bolsa de água quente em minhas costas, a Vânia dava sugestões sobre o que eu deveria fazer, sentei na bola suíça (apesar de não conseguir ficar muito). A Vânia então encheu a banheira, que ela mesma trouxe, e depois de um tempo fomos até lá. Entrei na água e quase não consegui sair mais. A água me relaxou demais! Foi muito bom! 

De repente, por volta das 12h00, comecei a sentir o “puxo”, ainda em casa. Creio que a Letícia teria nascido tranquilamente em casa, ali no meu banheiro. Sai da banheira e o tampão saiu junto. Bom, vamos para a parte difícil: Tive outra contração forte na porta do carro. A Vânia pegou toda a bagagem, colocou na porta malas, porque eu não deixava que meu marido saísse de perto. Pensei que eu fosse ter um troço, de tanta dor que senti! Acho que, na verdade, foi porque eu não queria ir, queria ficar no aconchego do meu lar. O caminho para a maternidade foi o caminho mais demorado e sofrido da minha vida! 

A Vânia segurava a minha mão,fazia massagens, ajudava como podia e meu marido coitado, tentava dirigir da melhor maneira possível, parando o carro por três vezes. Mas graças a Deus chegamos. Ao entrar no quarto, vi que tudo estava preparado: som ambiente, tudo escurinho, a banheira enchendo. A Dra. Carla chegou, e me lembro de vê-la ao meu lado, com sua presença sutil e delicada, e me deixou super contente quando disse que já estava com 8 dedos de dilatação! Fiquei super feliz e pensei que “estava perto”! Eu não diria Dra. Carla obstetra, mas Dra. Anjo da Guarda, pois foi assim que ela se comportou. Em nenhum momento interferiu, ficou monitorando, passando segurança, observando tudo com muito amor. Digo que veio nos trazer “luz” no momento em que o cansaço já começava a bater na porta.

A enfermeira doula Carla, apareceu como um raio de sol, pacificando todo o ambiente. Ela falava baixinho, segurando a minha mão, me dando forças, me transmitindo calma. Dizia-me para eu deixar minha filhinha sair, para me soltar, me abrir para minha filha e respirava junto comigo. A Vânia e o Dú continuavam revezando, fazendo massagens, derramando água quente nas minhas costas, respirando junto. A Vânia colocou músicas de índio, que eu achei o máximo, pois me fez ingressar no meu trabalho de parto. Imaginava-me no meio da mata, parindo como uma índia! Fui muito bom, muito estimulante! A Vânia registrou de uma maneira tão linda com a câmera, os melhores momentos de nossas vidas! Ahhh!!!... Se não fosse essa equipe, estaria perdida! Agradeço muito aos meus primos Chris e Poli (Perseverança), que me mostraram o caminho para o Parto Natural.

Eu não poderia deixar de relatar a presença fundamental do meu amor Eduardo, companheiro fiel que esteve junto comigo desde o início e embarcou nessa “viagem” maravilhosa. Ajudou-me em todos os momentos, me amou, me resgatou, me olhou fundo nos olhos, como nunca, pedindo para mim não perder a fé, me deu a paz, me doulou e pariu junto comigo. Obrigada meu amor, por ser essa pessoa maravilhosa que você é. Se não fosse você, com toda a certeza eu não iria conseguir chegar ao fim dessa jornada, da maneira perfeita como foi. 

Os três momentos mais marcantes para mim no meu trabalho de parto, foram quando o vérnix da cabecinha da minha filhinha começou a boiar na água e quando a Dra. Carla pediu para eu colocar a mão para sentir sua cabecinha, e pude acariciar seu cabelinho com ela ainda dentro de mim! Depois disso vieram 3 contrações fortes, e eu senti uma queimação forte (o tal círculo de fogo que se apresentava) , e a minha filha descer e coroar em mim. A Dra. Carla ainda precisou fazer uma manobra (ver o relato da Penélope, a malabarista) e nunca mais irei esquecer o meu marido chamando nossa filha para nascer! Nunca havia antes escutado palavras tão doces, frases tão perfeitas “o chamado do pai” e ela escutou! O Eduardo viu nossa filhinha sair de dentro da bolsa lindamente! Nasceu perfeita, saudável, linda! E ficamos ali os três, nos contemplando como se não houvesse amanhã. 

É como se eu tivesse esperado a minha vida inteira para viver aquele exato momento. E a Letícia, a nossa princesinha, olhou para mim com seus olhinhos bem abertos e exploradores, foi o olhar mais profundo e mais lindo que já vi! 

Eduardo, Letícia e Gisele
Eu só tenho a agradecer a Deus e a Nossa Senhora pela família abençoada que me deram!

Ass: Gisele Priscila Fazzani dos Reis