Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

sábado, 26 de junho de 2010

Flávia, Douglas e Maria Clara

Jamile me ligou. Disse que estava a poucas semanas da defesa do doutorado, com receio de não conseguir atender duas das moças que a haviam contratado. Caso acontecesse de entrarem em TP no dia anterior ao da defesa, ou no próprio dia da defesa não teria como antendê-las. Perguntou se eu aceitaria "ajudar".

Como sempre faço, pergunto "quem é o médico?". Isso porque, assim como tem médicos que não querem me ver nem pintada de ouro... o sentimento é recíproco! E para o meu alívio e alegria, eram clientes da Dra Carla e Dr Rogério. Então, aceitei e lá fui eu conhecer as moças: Flávia e Mariana.


Fui à casa da Flávia uma vez, para conhecê-la, conhecer o marido, a casa... ela já tinha feito a preparação para o parto com a Jamile, e sabia pelo menos um filme "decor e salteado".

E as duas semanas passaram, e chegou a semana da defesa do doutorado da Jamile.

À pedido da Flávia e contrariando os conselhos de Dra Carla, que preferia esperar mais pelo parto espontâneo já que havia um descompasso entre a DUM e os ultrassons, e estava tudo muito bem com a bebê... chegaram a um acordo e a indução dela foi marcada para o dia  01/12/2009. Fiquei à postos, esperando ser chamada quando a indução "pegasse", isto é, quando as contrações estivessem já bem ritmadas, próximas e com um certo nível de desconforto. Num parto induzido eu sempre combino assim as minhas adouladas: que façam da mesma forma como fariam num parto espontâneo - me chamem quando as contrações estiverem ficando próximas, com intervalos iguais ou menores que cinco minutos, já que antes disso não tenho muito o que fazer, viro visita e isso pode atrapalhar. Enquanto o trabalho de parto está tranquilo se ganha muito mais em estar com familiares pois não causam nenhum tipo de contrangimento.

Jamile me ligou perto das 10h30 perguntando se eu poderia ir até a maternidade pq a Flávia tinha ficado um pouco nervosa e tinha chorado na hora da internação.

Cheguei bem na hora do almoço, que na maternidade é servido bem cedo, e a mãe dela pediu que eu aguardasse um pouco até que ela tivesse acabado de comer. Fiquei na recepção até que a mãe dela trocasse de lugar comigo. E como ao meio dia há um horário de visita especial para os pais, o Douglas logo apareceu. 

Conversamos um pouco. Ela tinha ficado nervosa na hora da internação por conta do Douglas não poder ficar, por causa da obrigatoriedade imposta pela maternidade de que "o" acompanhante tem que ser uma mulher. Quando cheguei ela já estava bem mais calma. Nesse ponto seria interesante para todos que eu saísse e a mãe dela voltasse, mas achamos que causaria um transtorno maior quebrar a rotina da maternidade, fazer de novo um pedido de troca de acompanhante fora do horário esipulado por eles, e resolvemos que seria melhor eu ficar. Acabou o horário de visita, o Douglas foi embora, e Flávia resolveu ligar a tv. Tentaríamos tirar um cochilo. Eu na outra cama do quarto, e a tv com o volume bem baixinho, para funcionar como sonífero. 

Mas ela não conseguiu ficar muito tempo deitada. As contrações firmaram o rítmo de 3 em 10 minutos às duas da tarde. A orientação era que avisássemos quando isso acontecesse para que trocassem o soro, e assim foi feito. A enfermeira de plantão era a Shirley, maravilhosa!

Chegou a Jamile, trazendo a banheira dela emprestada, que é bem melhor do que a disponível na maternidade. Conversaram, estava tudo muito tranquilo.

Às 3 da tarde é horário de visita. Entrou a mãe, e depois o marido. E também uma vizinha, que tinha entrado para visitar outra conhecida que estava internada, mas fez um desvio e foi parar no quarto da Flávia! Rrssrsrsr 

A Flávia estava dançando com o marido, super concentrada, e não respondia às perguntas da sua visitante. Chamei a visita para ver a banheira que eu estava começando a inflar, para deixar pronta para encher quando fosse a hora. Ela me perguntou: "o que está acontecendo"?! Imaginem o susto de ver alguém em TP com contrações próximas e dançando com o marido! Expliquei que estava tudo bem. Mas ela queria voltar para o quarto e ficar lá com a Flávia. É compreensível sabe? As pessoas querem ajudar, querem participar, querem se certificar que está tudo bem. Mas esta vizinha tb tinha no olhar uma expressão de susto, como quem diz: "meu Deeeeeeeus o que está acontecendo aqui?!!!!!" De onde concluímos o de sempre: para ajudar é preciso estar preparada. Daí a pouco a visita resolveu sair, e eu deixei os dois dançando, fui inflar a banheira. 



Passou o horário de visita e ele foi ficando. 








Shirley sorria, verificava o bem estar do bebê, elogiava muito, colocava-se à disposição para qualquer coisa que fosse necessária e saía. Estava tudo perfeito.


Às cinco da tarde o Douglas começou a dizer que precisava sair para fumar, mas sabíamos que se ele saísse dificilmente deixariam voltar.

Coloquei a banheira para encher porque Flávia estava sentindo um pouquinho mais de desconforto, e eu achei que poderia aumentar muito rápido, por ser indução. Então resolvi deixar a banheira cheia, e quando fosse a hora levaríamos pouco tempo para conseguir esquentar a água. A Jamile também tinha deixado o aquecedor dela que é bem grandão.

Às seis o Douglas não aguentou mais e saiu. Aproveitou para ir para casa tomar um banho. Às sete e meia tinha outra horário de visita e ele poderia voltar.

Seis e meia a Shirley mediu a dinâmica uterina e os intervalos tinham aumentado, assim como a duração das contrações tinha diminuído. 


Dra Carla passou visita e estava tudo com cara de início de TP, de modo que fazer um exame de toque naquela hora poderia ser ansiolítico, não serviria para nada. A Shirley desejou que o parto fosse feliz como a Flávia desejava, despediu-se e foi passar plantão.

Flávia perguntou se poderia tomar um banho pq estava com muuuito calor. Eu e Carla falamos quase ao mesmo tempo que poderia tomar uma ducha, sem entrar na banheira, porque isso poderia tornar o TP arrastado, já que tudo indicava que estava apenas no começo.

Não chegamos a contar para a Flávia que as contrações tinham diminído. Apenas confiamos que logo aumentariam novamente. Ela estava tendo 3 contrações a cada dez minutos, e durando muito pouco ainda - 30 ou 40 segundos.

Dra Carla saiu. Ajudei a Flávia entrar na banheira. Ela se colocou de pé na banheira, embaixo da ducha, e começou a lavar a cabeça com expressão de intenso alívio. 


Aí veio uma contração, ela me olhou com a expressão completamente alterada e falou bem baixinho: - "eu posso ajoelhar"?

- Pode!

- "Vânia, tá nascendo"!!!

Me imaginei correndo pelo corredor e depois a enfermeira dizendo que estava com 2cm de diltatação. (Olha como o fantasma da doulagem anterior apareceu)!

- Coloca a mão lá e me dá certeza.

Flávia colocou a mão e disse:

- "Tem alguma coisa aqui"!

Falei bem calma: vou chamar a enfermeira prá dar uma olhada. Saí devagar do quarto... e aí fui correndo até o postinho da enfermagem. Correndo de chinelos no corredor, fazendo aquele barulhão de PLÁ PLÁ PLÁ PLÁ Apareceu um monte de cabecinhas prá fora dos quartos para ver o que estava acontecendo. Quando cheguei no postinho todo mundo já tinha parado de conversar prá ver quem vinha correndo... falei SHIRLEY, TÁ NASCENDO! 

A Shirley: - "Como assim tá nascendo?!!!! Tem certeza?"

- Ela colocou a mão e falou que está nascendo!

E voltei correndo: PLÁ PLÁ PLÁ...

Veio um monte de gente correndo atrás de mim. Paramos e entramos calmamente no quarto... Flávia estava acocorada dentro da banheira, segurando nas bordas. A Shirley colocou as luvas e pediu: posso examinar? A Flávia fez sinal negativo com a cabeça. No meio dessa contração a bolsa rompeu. Passou, a Flávia falou que agora podia examinar. A Shirley examinou, e disse com a voz muito doce: "vamos chamar o marido que está nascendo".

Saíram todas do quarto, com a missão de preparar tudo em tempo recorde, correram cada uma para um lado. - chamar o marido; - chamar a obstetra; - chamar a pediatra; ...

Mais uma contração e Flávia falou de novo:- "Vânia, tá nascendo". 

Tudo bem, elas já estão vindo... 

- "Já saiu a cabeça! E agora saiu o resto!

Olhei para a banheira, e lá estava Maria Clara nadando! Peguei a bebê, virei-a e entreguei para mãe. Estava tudo bem. Entrou alguém no quarto, uma auxiliar eu acho, não me lembro quem era. Falei: já nasceu! Ela entrou e eu fui de novo correndo atrás da Shirley, mas ela já estava vindo pelo corredor. Voltei para o quarto, peguei a máquina e tirei uma foto. 



Clarinha estava bem, movimentando-se vigorosamente.

Saí para o corredor para tentar falar com o Douglas de novo, mas ele não atendeu. Achei que ele devia estar vindo correndo para a maternidade e não quis atender o celular enquanto dirigia.

Voltei para o quarto e vi a pediatra passando correndo com a bebê nos braços. O nascimento foi tão inesperado que a água estava fria!!! Na época ainda não tinha o berço aquecido no quarto, e só por isso a Clara foi levada para o centro obstétrico, para ser aquecida mais rapidamente. E a Flávia contou que a bebê chorou forte assim que foi tirada dos braços dela. O único problema foi que perdeu temperatura e precisou do berço aquecido.

Dra Carla chegou com a expressão mais feliz do mundo. Contou que quando a Shirley ligou e disse que estava nascendo ela respondeu:
- Shirley, você tá falando sério?!
R) - Doutora, nunca falei tão sério na minha vida!

Então ela saiu correndo, deixou os filhos na aula de futebol, e ligou para a mãe dela ir buscá-los. 

Conversou um pouquinho com a Flávia e foi lá ver a Clarinha. Já estava tudo bem, ela tinha sido aquecida e voltou para o quarto em bem pouco tempo.



A mãe da Flávia chegou. Nossa, ela estava MUITO BRAVA por imaginar que não havia sido chamada por algum tipo de boicote da equipe. Repetia sem parar: "mas vocês não disseram que chamariam quando estivesse perto de nascer?" Tentávamos explicar e logo ela perguntava de novo. Mais uma vez: é compreensível. Foi inesperado para todos.

O Douglas já tinha se acalmado no caminho. Ele tinha ficado nervoso à principio mas logo imaginou que haveria uma explicação. Ele confiava na equipe. Depois ele disse que chegou a imaginar que tinha sido cesárea de emergência. A Jamile também imaginou a mesma coisa quando enviei um torpedo para ela dizendo "já nasceu"! 
Jamile também passou por lá. A defesa do doutorado dela era no dia seguinte, a apresentação ainda não estava pronta, mas saiu correndo quando contei que já tinha nascido.

Em pouco tempo a alegria absoluta reinava entre todos. E o Douglas me disse baixinho: - "A  Flávia teve exatamente o parto que ela queria"! 

A mãe dela me pediu que passasse a noite lá porque ela tinha ficado nervosa demais e ainda não tinha conseguido se acalmar. Mas já tinha aceitado que havia sido um imprevisto.

Ficamos Flávia, Maria Clara e eu. Até meia noite estávamos completamente acordadas, e foi bem depois que a emoção começou a dar lugar ao cansaço. Me lembro de que bem perto de amanhecer a enfermeira da noite entrou, verificou o bem estar da Flávia e da bebê, e eu percebi tudo mas não consegui levantar. Elas ficaram falando baixinho para me deixar dormir. Vê se isso é acompanhante que se apresente! rsrsrsr



Quando o dia amanheceu a mãe dela logo chegou para trocar comigo, e o Douglas também entrou pq bem cedinho tem um horário para os pais. Ambos estavam muito sorridentes, e nesse ponto a mãe dela já me abraçou e agradeceu.


Prá mim foi uma honra. Mais uma história inesquecível de parto feliz.







Flávia e Douglas, obrigada por terem me chamado para esta festa! E que festa heim? Daquelas que a gente acha que vai ter um bolinho com guaraná e de repente vira uma festona com música ao vivo, e tudo do bom e do melhor! Que eu saiba foi o primeiro parto na água na maternidade de São Carlos.

Maria Clara, minha linda, desculpe pela água fria! Mas algo me diz que vc gosta taaaanto de água que tanto faz se está fria ou quentinha, basta que dê para bater os pézinhos!





Bom... aí no banho de balde já não está dando para bater os pézinhos, mas tendo água já está bom! Rsrsrsrs

Beijoooooooooooos,

Vânia C. R. Bezerra
emocionada de novo por lembrar de tudo! 

Em tempo: obrigada Jamile por ter me chamado, e obrigada à você e à Carla pela felicidade tão intensa que só os profissionais que confiam na capacidade das mulheres podem demonstrar. Parir é natural! E saber "obstar" é para bem poucos. Felizmente não tão poucos assim!



sexta-feira, 18 de junho de 2010

Humanizando Nascimentos e Partos

Esse é o título do livro organizado por Daphne Rattner e Belkis Trench.




"Nascer Sorrindo - Parir Pelejando" foi o nome que Carmem S. Tornquist, doutora em Antropologia Social e professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), deu à resenha escrita por ela para a Revista Interface, onde podemos ler:

"Uma leitura às avessas do livro, começando pelos anexos, levaria os leitores que estão do lado de fora do campo da assistência a uma certa indignação: suscitam perguntas dos leigos acerca de noções partilhadas pelos ativistas, que merecem ser estranhadas: desde as tão faladas evidências científicas até a própria noção de humanização, passando pela Carta Aberta à Comunidade, assinada por um pai indignado diante da negativa de acompanhar sua mulher no trabalho de parto por parte do "alto clero" de uma maternidade. Do ponto de vista dos não-profissionais, pululam perguntas: "por que os gestores de saúde e grande parte dos médicos não aderem às recomendações da OMS?", "por que as taxas de cesáreas ainda são tão altas no Brasil, malgrado estas mesmas recomendações e todos os incentivos do ministério para o parto normal?", "por que as tais evidências científicas atuais não seduzem os médicos, que insistem em manter práticas consideradas pela literatura internacional como pouco aconselháveis ou sem eficácia?", "por que apesar de medida simples, barata e eficaz - o direito de as mulheres serem acompanhadas por alguém de sua confiança é tão malvisto pelas instituições, como relatam não só a carta de Raul, mas também o périplo empreendido por Fabio Mello, em seu texto "Eu queria estar lá!"?", "por que as Casas de Parto não se expandem pelo país, por quê são fechadas ou desqualificados em cidades modernas e cosmopolitas como o Rio de Janeiro, apesar de toda a ciência e de toda a sua legalidade?".

A íntegra da resenha pode ser encontrada aqui:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-32832006000100018&script=sci_arttext

No dia 19.05.2010 fomos para Bauru, junto com Dra Carla Polido, eu e as enfermeiras da Unimed São Carlos, Shirley, Carla Moreno e Karina.

No 2º Seminário de Humanização do Parto promovido pelo grupo GAAME pudemos ver a palestra de Dra Daphne Ratter - "A alta taxa de cesáreas: um problema de saúde pública", a palestra da Dra Cláudia G. Magalhães sobre "O efeito dominó dos procedimentos usados de forma rotineira". À tarde assistimos a apresentação do "Vídeo Projeto Renascer" da Dra Melânia Amorim, com comentários da Dra Carla Polido, e o emocionante relato de experiência da Dra. Jamile Bussadori e Eleonora Moraes.

Foi um lindo dia, lindas palestras, muitas informações e muitas lágrimas, tanto de indignação pelo tratamento ao qual as mulheres ainda são condenadas, quanto de alegria intensa pelas mulheres resgatadas por Dra Cláudia, Dra Melânia e Dra Jamile em parceria com Eleonora. Lindas todas elas!

E eu estava lá! (Obrigada Dra.Carla, (linda!) que em São Carlos vem resgatando mulheres desde o ano passado. Yes!).

E finalmente pude pedir um autógrafo à querida (e também linda), Daphne Rattner, que em seu livro nos conta parte da história de como a humanização vem tomando forma em nosso país. Neste livro, vocês podem encontrar meu nome na página 188. (8 é o número do infinito e da justiça. E somando todos os números se chega de novo ao número 8. Adorei até isso!)



 
É sempre bom quando podemos passar um dia entre "iguais" - mulheres em busca de melhor atendimento (e de melhorar o atendimento) às mulheres deste país.

Vânia C. R. Bezerra
Militante pela Humanização do Parto.

domingo, 13 de junho de 2010

Feliz aniversário Manuuuuuuuuuuuuuuu!

Hoje faz três anos que nasceu a Emanuelle da Adriana - a Manú.

Hoje faz 3 anos que São Carlos começou a se tornar um lugar bem melhor para se nascer. Nascimentos com respeito, com condutas baseadas na MBE (Medicina Baseada em Evidências) começaram a se tornar mais frequentes, mais frequentes, mais frequentes... graças às asas da borboleta Adriana, sua primeira filha, a Sophia, e depois a Andréia com a Laura e sua peregrinação atrás de um VBAC - 8 meses depois de uma redução de estômago.

Então, num belo dia 13/06 nos reunimos, eu e Andréia, à Adriana prestes à dar à luz à Manú.

Um lindo dia, de céu azul como os olhos da Adriana, em que permanecemos confiantes como estava a Adriana confiante em sua capacidade de parir. E foi um lindo nascimento, muito tranquilo. Manú chorou forte antes mesmo de ter saído completamente, como que para nos dizer: "está tudo bem".

Graças à esse nascimento tudo começou a mudar em São Carlos. Graças à força da Adriana em se indignar contra o tratamento ao qual ela seria condenada, e dizer com todas as letras: EU NÃO VOU TER MINHA FILHA DO JEITO TRADICIONAL, NÃO VOU PERMITIR QUE ME DEITEM E ME AMARREM, NÃO QUERO EPISIOTOMIA, NÃO QUERO QUE EMPURREM MINHA BARRIGA, NÃO QUERO QUE ME MANDEM FAZER FORÇA DE COCÔ, NÃO QUERO QUE PINGUEM O COLÍRIO NELA, NÃO QUERO QUE SEJA DADA UM INJEÇÃO SE HÁ POSSIBILIDADE DE DAR A MESMA SUBSTÂNCIA VIA ORAL, E PRINCIPALMENTE NÃO QUERO QUE A SEPAREM DE MIM COMO FIZERAM COM A SOPHIA!

Não estou dizendo que todos os casais deveriam fazer as mesmas opções, que fique bem claro. O que estou dizendo é que é preciso fazer suas próprias opções e pegar as rédeas do parto nas próprias mãos. O parto é seu. Não é do médico nem da instituição. (A não ser que você seja do tipo que diz que se qualquer coisa der errado você vai processar todo mundo. Aliás quem fala isso ainda não entendeu nada, nem de partos nem da vida...).

Adriana fez suas escolhas e foi ser feliz. Devemos a ela muitas homenagens. E à Manú por ter vindo ser a capitã do time dos bebês da região nascidos em casa!

Beijos Manú! PARABÉNS!



Neste link vocês podem ver o post da Adriana sobre o aniversário da Manú!
http://www.minhasdocesmeninas.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Michele, Tiago e Gabriela

Madrugada Intensa - novembro de 2009

Eu e Frê continuávamos trabalhando juntas, mas decidimos que nem sempre seria preciso fazer todos os atendimentos juntas. Então, eu fazia a preparação para o parto com algumas gestantes e ela com outras, e no dia do parto poderíamos ficar juntas ou revezar se fosse preciso. Nesta doulagem o esquema novo se mostrou muito útil.

De madrugada, como na maioria das vezes, meu telefone tocou. Era a Michele dizendo assim:




- Oi Vânia, eu sou a Michele, não sei se você sabe quem eu sou, eu fiz a preparação com a Frê, só que eu estou tentando falar com ela e não estou conseguindo... eu já ia ligar para a Dra Carla, mas resolvi ligar para você antes...




   (Alguns relatos à frente vocês vão ver um casal que tentou falar comigo e não conseguiu e ligou para a Frê. Essas coisas podem acontecer e é ótimo quando o casal mantém seu centro e procura um norte! Os dois casais se saíram muito bem!)

Continuando:

Eu: - Eu sei quem vc é! Eu e Frê estamos sempre em contato conversando sobre as moças que estão perto de entrar em TP. Eu só não sei chegar na sua casa...

Peguei o endereço, conversei mais um pouco sobre os intervalos das contrações, se tinha rompido a bolsa, se a neném estava mexendo... tuuudo tranquilizador.

Então peguei minhas coisas, acordei meu marido, sempre pronto a ajudar, e fui buscar a Frê na casa da sogra dela. Pois é: a Frê tinha se mudado havia pouquíssimo tempo, e a sala da casa nova tinha apresentado um problemão no piso. Então, ela teve que se mudar para a casa da sogra por uma semana, para a construtora trocar o piso e pintar a sala novamente. Por isso no tel. fixo não tinha ninguém, e o celular bem naquela noite deu um probleminha. O mesmíssimo problema que aconteceu comigo algum tempo depois!

Plena madrugada e eu tocando campainha na casa da sogra da Frê! Olha a situação!

Toquei um monte de vezes e estava quase desistindo quando o sogro dela abriu a janela. Falei que precisava falar com ela, e dois segundos depois ela apareceu na janela! Caramba, que rapidez! Expliquei que a Michele estava em TP, que tinha tentado falar com ela, etc... em cinco minutos estávamos à caminho. Raul (meu marido), Danilo (marido da Frê) e companhia ltda. voltaram a dormir.

Sempre fico imaginando quantas doulas estarão acordando na mesma madrugada... é uma delícia saber que a mesma energia está em movimento em muitos lugares.

Chegamos na casa da Michele, Tiago nos recebeu, e ela nos aguardava na sala. Estava bem calma, muito sorridente, contrações um pouco espaçadas, durando pouco tempo. Fizemos o chá de canela, ficou aquele cheiro bom na casa! Logo depois as contrações regularam e ficaram um pouco mais fortes. Ela nos contou que tinha ido a um velório e como estava muito vazio ela tinha ficado sem jeito de sair... só foi para casa às duas da manhã, e antes que tivesse se deitado as contrações começaram. Prá complicar mais ainda, na noite anterior ela já tinha dormido pouco e mal.

Quando amanheceu o dia as contrações já estavam beeeem fortes, e ela se queixava de dor nos olhos e dor nos pés, que estavam muito inchados. Fizemos um escalda pés, depois ela tentou relaxar na poltrona de amamentação durante os intervalos, mas não dava muito resultado. Ela passou a verbalizar muito alto, e as contrações pareciam muito fortes e próximas. Mais uma vez, achei que por ela morar muito longe seria perigoso esperar muito mais e o trajeto ser muito sofrido até a maternidade.

Essa foi a primeira vez que errei feio. Na maternidade, quem entrou para acompanhar o exame inicial foi a Frê, e algum tempo depois ela saiu no corredor e fez sinal para mim que a dilatação estava em dois cm e que a Carla tinha orientado a voltarmos para casa, claro, com toda razão. Esperei um pouco e nada delas saírem. Pedi à recepcionista que me deixasse ir ao banheiro (o que eu estava mesmo precisando), mas minha intenção era ajudar a resgatar a moça da decepção que ela deveria estar sentindo. Fui até ela, abracei e disse:

- Me perdoa por eu ter errado a hora de vir para a maternidade? Vamos voltar para casa, nós vamos te ajudar. Vai dar tudo certo...

E fui pegando ela e fazendo ela andar em direção à saída. Tem horas que a gente não só tem que jogar a corda mas também tem que fazer toda a força para tirar alguém que "está se afogando". Como eu tinha responsabilidade por ela estar lá, também peguei para mim a responsabilidade de tirá-la de lá. Graças a Deus, deu certo.

Voltamos todos para a casa dela, agora também com a mãe dela, o que foi muito bom.

Pãozinho quentinho, café, bolachinhas...

Fizemos mais escalda pés, ela ficou bastante tempo em baixo do chuveiro com o marido ajudando, andamos no quintal, colocamos músicas de conforto e fé. Ela tinha recuperado totalmente o controle sobre a dor. Mas começou a vomitar muito. Nada parava no estômago: nem água nem comida, e ela começou a queixar-se de fraqueza.

Tinha uma consulta de pré-natal marcada para as duas da tarde, e achei uma boa idéia irmos até lá para conversar com a Carla. Falei que se a dilatação estivesse em 6 ou mais ela já poderia entrar na banheira, e alguma coisa poderia ser feita em relação à fraqueza que ela estava sentindo.

A essa altura a Frê tinha saído para ir levar as filhas à escola, almoçar, e atender um paciente que vinha de outra cidade e que ela não tinha conseguido desmarcar. Depois disso ficaria à postos para revezar comigo se fosse necessário.

Então, fomos à consulta. Ela estava com contrações próximas e quando entramos no Centro Médico as pessoas "abriam alas" para que ela passasse, e o porteiro veio nos ajudar a passar na frente da fila do elevador. Eu sempre acho que as pessoas deveriam estar mais acostumadas a ver mulheres em TP... rsrsrs... mas a reação é quase sempre como se estivesse passando uma vítima de furacão! O que me traz de volta à realidade: estamos num país cesarista.

Chegamos cedo, antes da Carla, e a secretária nos deixou esperar na sala de consultas. Quando a Carla chegou, conversamos, expliquei que a moça estava há algum tempo fazendo vômitos ainda que não tivesse comido nada, e a dor também já estava num ponto que a banheira poderia ajudar muito. No exame a dilatação estava de 5 para 6cm, e quando a Carla perguntou para a moça o que ela queria fazer, ela respondeu:

- "Não quero ter que voltar prá casa"!

Então, todos de acordo, fomos para a maternidade, com receita de medicação para cortar os vômitos e intenção de colocar a banheira para encher. E assim foi feito.

Quando a Frê chegou, Michele tinha acabado de entrar na banheira, e eu já estava precisando sair por que naquele dia era a minha palestra no curso de gestantes da Unimed. Graças a isso não tivemos problemas quanto a eu sair e a Frê entrar, mesmo não sendo o horário estipulado pela maternidade para troca de acompanhante. Fui para casa com tempo de descansar duas horinhas antes de voltar para a palestra, às 19h30. (Fui palestrante voluntária na Unimed por dois anos, e atualmente não sou mais chamada, o que devo dizer que veio a calhar porque era mais uma preocupação de estar atendendo um parto e ter que sair para dar a palestra, ou faltar ao compromisso e deixar o pessoal todo sem palestrante. Nesse parto que estou relatando agora foi a única vez que eu saí durante a doulagem, e eu não gostei nada de ter feito isso).

Enfim, a Frê ficou com a Michele até as três da madrugada, quando a dilatação já estava em 8cm, mas a moça simplesmente não aguentou mais, por puro cansaço, dor nas pernas, nos pés e nos olhos. Pediu cesárea.



E aí está a Gabriela, sendo mostrada para a vovó e para o papai.

Depois disso passei a recomendar veementemente para as gestantes que acompanho, que final de gestação não é hora para ser politicamente correto. Também não é hora de ir a shows de rock em que você tenha que ficar de pé. Enfim, é preciso preservar as horas de sono, porque se calhar de você entrar em TP na mesma noite, você pode não aguentar o cansaço, o sono, a dor nos pés...

E como disse o marido de outra "adoulada": é trabalho de parto e não "férias" de parto. Boa disposição pode ajudar muito, e nesse caso fez falta.

No entanto: vejam, o pedido foi por cansaço, mas à favor da Michele devemos lembrar que a bebê estava na posição "invertida" (olhando para a frente, com as costas alinhadas com a coluna da mãe), posição em que o parto natural costuma demorar mais. Provavelmente se a bebê estivesse na posição que facilita o parto, (olhando para trás, com as costas voltadas para a barriga da mãe) ela teria nascido e o cansaço não teria feito taaaaanta diferença. A bebê também estava com duas voltas de cordão no pescoço, mas isso não deve ter sido determinante na demora. Mais ou menos quarenta por cento dos bebês que nascem de parto natural têm voltas de cordão no pescoço e nascem muito bem.

Enfim, a menininha nasceu no dia que ela escolheu para nascer, recebeu as ondas de contração sobre seu corpinho, e não foi simplesmente arrancada de lá com hora marcada, para a comodidade de todos. Bebês não vêem para esse mundo para não incomodar sabe? Quem não quiser ser incomodado é melhor não ter filhos. O mínimo de respeito que devemos a eles é deixá-los nascer no dia que quiserem, a não ser nos poucos casos em que realmente há necessidade de interromper a gestação.

Pois esse respeito essa moça teve. Ela tentou. E tenho certeza que só não conseguiu por estar muito cansada. Não tenho a menor dúvida que ela teria conseguido se as noites de sono tivessem sido boas.

Michele, obrigada por ter confiado em mim, por ter me chamado e por ter compartilhado comigo este momento glorioso em que você aumentou sua família.

                 


        Tiago, sua calma e tranquilidade foram decisivas para que Michele e Gabriela pudessem sentir que era hora de se separarem e você estaria ali do lado para apoiá-las na hora do re-encontro.






 Gabriela, que sua vida seja linda, cheia de noites bem dormidas, assim como de madrugadas intensas! (Vou te contar um segredinho; minha vida é lotada de madrugadas intensas e eu amo muito tudo isso!)




 

Um grande beijo,

Vânia C. R. Bezerra.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Flávia, Will e Isabela - 02/10/2009

Flávia me procurou já com oito meses e tivemos que correr um pouco com a preparação para o parto. Eu e Frê estivemos na casa dela por duas vezes, e tínhamos marcado para o sábado de manhã um encontro para conhecermos o Will e falarmos sobre amamentação e primeiros cuidados com o recém-nascido. Mas Isabela resolveu nascer na sexta.

Flávia me ligou meia noite e pouquinho dizendo que estava com contrações próximas, mas que eu não precisava ir ainda não. E perguntou: "é só isso mesmo? dá prá aguentar!"

Duas horas depois o marido ligou dizendo que agora estava doendo um pouquinho mais, que ela já queria que eu fosse prá lá. Então chamei um táxi, fui buscar a Frê na casa dela, e fomos para a casa da Flávia. Chegando no prédio, quando a porta do elevador se abriu vinha um moço com um monte de malas.

- Vocês são as doulas? Eu vim trazer as coisas pro carro pq a Flávia já está querendo ir para a maternidade.

Assim conhecemos o Will! Bem tranqüilo e muito simpático.

Enquanto ele foi levar as coisas para o carro eu e Frê subimos para o apartamento. A porta estava aberta e a encontramos na sala, andando de um lado para o outro e balançando os quadris. Olhou para nós e perguntou:

- "É normal vomitar? Já vomitei um monte de vezes".

E saiu correndo pro banheiro. Fomos atrás, segurei o cabelo, ajudei a levantar. Enquanto isso a Frê foi colocar a água para ferver para colocar na bolsa de água quente. Will chegou de volta e disse que a Flávia sempre vomita quando está com cólicas. Então no parto não seria diferente. Estava tudo bem.

Enquanto a água esquentava eu marquei as contrações: 03h40 - 03h41 - 03h42

Assim que a água ferveu e colocamos na bolsa de água quente nos dirigimos para a maternidade. parando no corredor, na saida do elevador, no primeiro pilar do estacionamento, depois do lado do carro. Entramos. O trajeto para a maternidade foi parando, parando, parando... e andando nos intervalos. Chegamos na maternidade, entrei com ela para a sala de exames, a Frê e o Will ficaram na recepção. A enfermeira veio e fez o toque, falou que a dilatação estava total. Eu fiquei tão feliz que abracei a Flávia e falei "parabéns, você conseguiu!" Depois ela até riu da minha cara... eu tinha visto uma seqüencia de cesareas, tinha perdido o costume de ver partos dando certo! Saí no corredor, fiz sinal para a Frê que a dilatação estava total, ela ficou super feliz. Fomos indo para o quarto. Nos levaram para um quarto, eu falei que o plano dela era apartamento. Então nos levaram para o apartamento. (depois me arrependi, e vou explicar pq).

A enfermeira e as auxiliares, muito atenciosas, trouxeram a bola e o banquinho, e Flávia se ajeitou debaixo do chuveiro. Começou a aparecer um coisa pendurada, chamei a enfermeira, ela disse que era bolsa. O líquido dentro estava claro, estava tudo bem. Mas o nascimento parecia eminente e nada do marido, nem da Frê, nem da Carla...

Fui correndo até a recepção, Will me disse que estavam tendo um probleminha com o cartão da Unimed que não estava passando, e estavam ligando em algum lugar para tentar resolver.

Voltei para o quarto e a Flávia percebeu que eu estava agitada. A enfermagem queria transferí-la para o centro obstétrico, e eu dizia para esperar a Carla chegar. E a Flávia falou:

- "Enquanto a Carla não chega não tem outro médico neste hospital? Pq tá nascendo! Chama alguém!"

A enfermeira respondeu olhando prá mim: "tem o plantonista. Quer que eu chame?"
Perguntei: quem é?
- Dr Rogério.

R) Siiiiiiiiiiiiiiiiiim! Por favor, diga que é paciente da Dra. Carla.

E enquanto foram chamar o Rogério eu fui correndo até a recepção, abri a porta e falei: - "Will, entra que vai nascer. Depois a gente resolve esse negócio de cartão"!

Depois até engasguei de tanto rir. Eu, do alto da autoridade que eu não tenho, colocando ordem na bagunça! Ele e a Frê entraram correndo atrás de mim e carregando as malas.

Eles entraram no quarto e eu fiquei no corredor. Estava agitada, parecendo onça enjaulada. A carla apareceu lá na ponta do corredor, eu falei "coooooorre que tá nascendo!"

Ai gente, acho que foi a doulagem mais hilária que eu já fiz. O Dr. Rogério chegou correndo, eu falei que a Carla já tinha chegado, agradeci, ele super tranqüilo, sorriu, falou que qq ele estaria à disposição e foi embora.

Entrei logo depois da Carla, ela se sentou no chão, olhou nos olhos da Flávia, o Will atrás da Carla, eu e Frê na porta, não cabia mais ninguém. As enfermeiras e a pediatra ali no quarto.

A Flávia abriu os olhos, olhou em volta, eu captei o pensamento dela: "gente, eu sou tímida".

Olhei prá Frê e falei: vamos sair que estamos atrapalhando. Saimos, a enfermeira entrou. Pleo menos diminuiu uma!

Por 4 ou 5 contrações tinhamos impressão que Isabela nasceria, e eu filmava. Quando ela veio, veio de uma vez, saiu rápido, quase que não consegui filmar! Carla colocou a Isabela no colo da Flávia, ela a abraçou e colou a bochechinha da Neném na dela, sorrindo muito. Olhando em volta maravilhada, com aquela expressão de "eu consegui e foi maravilhoso"!

Perguntou para a Carla: não vai cortar o cordão? (Pensei, putz, com dois encontros não deu paa chegar na parte de que o cordão não precisa ser cortado imediatamente!")

A Carla respondeu: "ainda está pulsando. Vc quer que eu corte assim mesmo"?

Isso é humanização, para quem não sabe! É co-responsabilidade. É saber conversar com tranquilidade, explicar prós e contras de cada procedimento e decidir junto com o paciente, que neste caso nem é doente, o que deveria tornar tudo mais fácil! Infelizmente esta ainda não é a regra. A maioria dos médicos acha que paciente, ainda que seja um profissional da área, não tem que participar de decisões à respeito do seu próprio corpo ou sua vida. Pois essa é uma facilidade que Dra Carla tem: conversar com as gestantes/parturientes que ela acompanha.

Então, Carla e Flávia decidiram juntas, esperar o cordão parar de pulsar.

Flávia foi andando para o quarto, com Isabela no colo, e todos em volta ajudando. Sentou-se na beirada na cama e calmamente aguardaram a saída da placenta. Quis ligar para mãe dela. O dia estava a amanhecendo.

- Mãe, nasceu! Foi parto ativo! Ganhei debaixo do chuveiro! Por quê? "Cê" não tá acreditando?

Todos em volta começaram a segurar para não rir, mas a cena era tão linda que bem merecia uma explosão de aplausos! Lindo, lindo, lindo. Uma mulher realizada, orgulhosa de seu feito, ligando para sua mãe e contando: eu consegui! o parto foi ativo!

Flávia foi para o centro obstétrico para verificar se precisava de pontos. Não me lembro se foram necessários, mas acho que sim, pq Isabela saiu muito rápido. Quando voltou o quarto já estava limpo e ela queria tomar banho. Levantou da cama, não quis esperar mais, fui junto enquanto ela tomou seu banho, abaixando para tirar o sangue que estava seco entre os dedos dos pés, esfregando as pernas, lavando a cabeça... nossa, quanta diferença de um banho pós-cesárea!

Voltou para o quarto, tomou seu café comendo depressa, olhando para o Will com Isabela no colo e dizendo: "estou morrendo de inveja de vc com ela no colo, eu quero pegar!"

Vieram avisar que o probleminha com o cartão tinha sido resolvido. Já estava tudo certo.

Voltei para casa com a sensação de ser tão abençoada por trabalhar no que gosto! É tão lindo, tão recompensador ver as famílias se formando com essa tranquilidade e amor.

Flávia, Will e Isabela. Obrigada pela honra de ter sido convidada a participar desta festa. Linda festa! A lembrança do amor que vocês transmitem no olhar estará sempre entre minhas melhores recordações.

um grande beijo,

Vânia.