Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Giovano, Diana e Giovana


Fiz o curso de Educadora Perinatal no GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa - de São Paulo, em outubro de 2004. Tive aulas com a Ana Cris, com a Angelina Pita, com a Simone Diniz, com a Vera Iaconelli. E na minha turma estavam a Ingrid, que depois deu início à Rede PartodoPrincípio, e a Márcia que tem um capítulo dedicado à ela no livro "O Homem de Vidro" do Ricardo Jones. O capítulo é a "Irmandade do Sapato Furado". Tenho o slide-show do parto dela, e até hoje passo para minhas "adouladas" que ficam em dúvida sobre ter parto domiciliar ou hospitalar.


Voltei para São Carlos e na mesma semana saí em busca de informações sobre os médicos mais cesaristas ou mais vaginalistas. Conversei com dois, fiquei totalmente desanimada com a segunda conversa, e logo depois chegou o primeiro casal. Ligaram na quinta à tarde, dizendo que estavam sendo encaminhados para cesárea por que a bebê estaria encaixada em uma posição desfavorável ao parto. Foram até meu consultório, mostrei como fazer uma posição para favorecer a recolocação da bebê na bacia, e sugeri que buscassem segunda opinião. Eles aceitaram a sugestão, puderam esperar em paz até entrar em trabalho de parto.


Um dia, Diana estava tendo aula e tve uma contração. Foi praticamente arrastada para a maternidade, falando o tempo todo que não era hora, que só uma contração não era motivo prá correr prá maternidade, mas simplesmente não lhe deram ouvidos! Ligaram para o Giovano, avisando que estavam levando-a para a maternidade, e ele pediu que não fizessem isso... mas acharam que ele não estava entendendo! Então ela foi arrastada até a maternidade, a enfermeira examinou, disse que era muito cedo prá internar, e então forma prá casa. Até hoje, quando dou a palestra na Unimed, falo que barriga de gestante vira preocupação da sociedade inteira. parece que se você está grávida fica automaticamente incapaz de tomar conta de si mesma. Mas será que é certo? Será?


Diana ficou bastante tempo na piscina do clube, falou que era uma delícia por que tirava o peso da barriga. Eu também me lembro dessa sensação... aí, uma noite, eu estava acabando de jantar e o telefone tocou. Era o Giovano. As contrações da Diana já estavam se aproximando, conversamos um pouco, cheguei a falar um pouco com ela, mas ela disse que vinha outra contração e manifestou muita dor. Falei que já estava indo prá lá. Tomei banho correndo, a bolsa da doula já estava pronta, eu ia chamar um táxi, o telefone tocou de novo. Era o Giovano avisando que já iam prá maternidade. Falei prá ficar tranquilo, desejei boa sorte.


E no dia seguinte ele ligou dizendo que tinha nascido bem rápido, apesar de umas coisas que tinham acontecido na sala de parto que julgavam totalmente desnecessárias: uma agitação, uma luz muito forte, e um horrendo empurrão na barriga na hora da saída da bebê. Concordo totalmente.


Fui visitá-la no dia seguinte, no horário de visitas. Giovana chorava quase sem parar. Lembro que a peguei no colo e ela parou. Diana disse que ela só mamava de um lado, não aceitava o outro peito. Lembro que falei prá Diana que recém-nascidos são assim, uns choram pouco, outros choram muito... que era questão de tempo prá ela se adaptar ao lado de fora. Fiquei com a bebê no colo enquanto a Diana tomou banho, e depois fui atrás de uma toalha limpa, e consegui um lençol prá ela se enxugar.


Sabe o que tinha acontecido? Giovana estava com a clavícula quebrada. E quando eu a peguei no colo, devo ter pegado do lado que não estava quebrado, portanto ela parou de chorar. Por isso ela só mamava de um lado. No segundo dia fizeram uma radiografia e confirmaram a fratura. A beb~e ficou dois dias com toda aquela dor! Até chorei quando o Giovano me contou. Chorei muito, chorei de pena, chorei de raiva... Fui visitá-los em casa alguns dias depois. Me mostraram como se prende o bracinho enrolando fita crepe na roupinha do recém-nascido. Não é preciso engessar, basta imobilizar com a roupa mesmo.


Estavam bem.


Apesar de não ter doulado literalmente, ajudei na obtenção do parto normal, e mesmo com a fratura de clavícula o resultado foi melhor do que seria uma cesariana com hora marcada. Giovana quis nascer em pleno feriado, e conseguiu. Era novembro de 2004. Foi a segunda escorpiniana que ajudei. (O primeiro foi o meu filho). Só lamento os dois dias que ela ficou com dor. Se tem pediatra na sala de parto, prá que serve? Pelo jeito, serve prá ver que houve um problema, dois dias depois!

4 comentários:

  1. putz, coitadinha da bebê!! não sabia dessa história... mais um pra lista dos absurdos...
    agora, amore, porque você recortou a foto aí de cima, com você dando mamá pro filhote??? estava tão mais linda...
    beijo

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  2. Ooooi! Pois é... estou tendo que tomar uns cuidados com a fotos e filmes do Felipe bebê, pq ele dá umas regredidas... assiste os filmes e começa a falar errado... então vou dar um tempo com as imagens dele bebê. Depois coloco de novo. Beijos! (O Caio tá lindo cantando ai-ô!).

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  3. Legal. Não tinha lido a coisa pelo seu ponto de vista ainda. Ficou bem legal por causa do que não foi escrito, que é justamente a pior parte, da qual você infelizmente não participou... (se estivesse lá, creio que muita coisa não teria acontecido da forma como aconteceu)

    Na quinta-feira, quanto fomos até você, já estávamos na trigésima nona semana. Deu tempo de trocar de médico e foi ele que disse pra enfermeira chefe que não estava na hora quando a Diana fora arrastada pela auxiliar administrativa da escola pra maternidade... enquanto eu era enrolado pela balconista... se não tivessemos trocado de médico na véspera, daria pra imaginar o desfecho da coisa naquele momento.

    Já no momento em que fomos para a maternidade, confesso que eu não estava tão confortável a ponto de esperar sua chegada em casa. A bolsa já havia rompido e as contrações vinham a cada 3 ou 4 minutos. Eu temia que não desse mais tempo se não fossemos aquela hora. Pena que não estávamos preparados para um parto domiciliar não assistido naquela época (risos)

    Na maternidade a única coisa boa foi que acabou rápido. Aquilo é um inferno. Me sentia um lustre apagado.

    Enfim Giovana chegou, e era enorme! Diana praticamente não sangrou (e teria sido menos se o médico não tivesse feito um corte de 1 ponto...). Se não fosse a anestesia, ela teria saído dali andando...

    E o pediatra, na consulta que tivemos duas horas antes do parto, dizia que sua função ali na sala de parto na maioria das vezes é bater papo com o anestesista, e teria sido bom se ele tivesse feito isso naquele caso. Mas eu preciso dizer que ele suspeitou da fratura no momento em que fazia o apgar e pediu que examinassem. Eu estava bem na frente dele quando pediu pra auxiliar de enfermagem que comunicasse ao ortopedista de plantão. Na verdade a falha foi da casa que demorou com o resultado do exame.

    Bom, tudo passou e as duas foram pro quarto. E lá ficaram por longos dois dias... estávamos cansados daquilo e esperávamos a alta do ortopedista, pra podermos cuidar da Giovana em casa. Perguntei por ele no balcão e a moça disse que eu precisava aguardar. Eram 10 da noite do dia 3/11 (Giovana nascera dia 1/11). Nisso chegou o obstetra, com seu estilo pescador (depois descobri que ele tem uma fazenda de criação de peixe). Falei pra ele do nosso cansaço e ele imediatamente ordenou que a balconista chamasse o ortopedista para dar a alta. Ele, o ortopedista de plantão, estava em casa (como assim???) e ficou "irritadinho" com o chamado.

    Enfim saímos e fomos descansar daquele inferno...

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  4. Nossa... as "maravilhas" do parto hospitalar... cada vez que agente conversa, (ou troca posts), descobre mais absurdos! Sabe do que eu lembro? de chega lá, na hora da visita da tarde, encontrar vc senado naquele banco, aguardando permissão prá ver sua família. Nunca consigo expressar suficientemente minha indignação nesses momentos... PAI NÃO É VISITA! E se a maternidade não tem estrutura adequada, deveria ter, porque não estamos mais nos anos sessenta onde se espera que os pais fumem dois maços de cigarro enquanto esperam por notícias do lado de fora!

    E continua tudo igual, 5 anos depois.

    Não sabia mesmo que o pediatra tna manifestado a suspeita na hora... achava que doi dia depois ele tinha chegado e falado algo como: "eu suspeitei na hora, nas não quis flar nada até ter certeza..." (então deixei ela sofrendo...)

    Seja como for, não me conformo... foi um jeito horroroso de começar a vida.

    Mas ainda podia ser pior... semana passada escutei uma história de que quando fizeram a manobra de kristeler (o empurrão na barriga) a clavícula quebrou e o bebê "desmaiou". Meso com o ombro quebrado não conseguiu nascer, demorou, a oxigenação caiu... ficou 21 dias na UTI! Até agora sem sequelas neurológicas... mas é um jeito horroroso de começar a vida...

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