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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

terça-feira, 3 de maio de 2016

Carla e Aender recebendo Gabriela


Carla foi ao meu consultório no dia 21 de out de 2015 para falarmos sobre doulagem. Ela estava frequentando uma turma de yoga para gestantes, mas a doula desse grupo estaria de férias em dez e janeiro, e Carla completaria 40 semanas no dia 02/01.

Ela estava no início do terceiro trimestre de gestação, e contou que a primeira filha - Isabela - havia nascido em uma cesárea, mas não com hora marcada. A bolsa havia rompido e em seguida ela começou a ter contrações e foi para a maternidade. Chegando lá o médico informou que ainda demoraria um pouco para a bebê nascer e perguntou: quer fazer cesárea agora ou quer ficar sofrendo igual essa aí no quarto ao lado"?

Diante de uma recepção tããão incentivadora... :P ela aceitou a cesárea. Mas agora havia assistido alguns filmes, estava frequentando a yoga e o assunto parto natural e humanizado era uma constante.

Apresentei meu jeito de trabalhar, como ajudo na preparação para o parto e amamentação, os valores... e Carla me contratou. Passamos então a fazer reuniões na casa dela, pela manhã, semanalmente. Algumas reuniões mais tranquilas e outras mais corridas por causa do término da greve dos bancos, e a necessidade de compensar horas. Mas tivemos tempo suficiente, assistimos filmes, fizemos o plano de parto e a oficina de parto. Em uma das reuniões fizemos um relaxamento dirigido e a filhinha dela também estava lá. Enquanto Carla praticava as respirações e visualizações, a Isabela também foi ficando mais tranquila, mais tranquila... e dormiu no tapete! :D




Fui à casa deles também em um sábado, para conhecer o Aender, que na época trabalhava em outra cidade e vinha aos fins de semana. E eles também foram ao hospital/maternidade em outra tarde de sábado, para conhecer as instalações onde seriam atendidos no dia em que Gabriela resolvesse que era tempo de nascer.

Semana de Natal, eu e minha família passando uns dias em uma chácara um pouco afastada da cidade. Tempero especial: dia 24/12  perto da meia noite, eu mandando mensagem:

"Aeeeee Bom Nataaaaal! Estamos sem energia elétrica e a bateria do meu celular vai acabar. Se precisar ligue no do meu filho"...

E ela respondeu: "caramba! Obrigada!"

rsrsrsr




Dia 30 trocamos umas mensagens. O médico havia pedido um ultrassom, estava marcado para a segunda-feira dia 04/01 e ela observou: "isso se não nascer né"?




Avisei que iria a uma meditação em Araraquara, mas a minha meditação é de doula... rsrsrsr... de hora em hora eu vou olhar se tem alguma mensagem que precisa ser respondida. Eu estaria lá das 20h00 às 2 da manhã, mas se precisar eu volto. Realmente estava uma noite maravilhosa, e a meditação de fim de ano, fim de ciclo, e recomeço foi linda!



Carla enviou mensagens pelo zap às 5h26 mas eu não acordei, tinha ido dormir tarde... As contrações estavam de dez em dez minutos e ela estava se sentindo bem. Eu sempre aviso para não confiar em mensagens... Então quando as contrações ficaram um pouco mais próximas e fortes eles me ligaram, às 7h50. Pulei da cama e me aprontei o mais rápido que pude. Me lembro de pegar um atalho por uma passagem pela linha do trem, e ao virar a esquina comecei a pensar: se tiver trem passando vou ter que fazer uma volta, vai acabar mais me atrasando mais... mas não tinha trem. Cheguei rápido.

Carla estava bem calma, na sala de sua casa, estava pedindo algo para beber, contou como tinha sido a noite, que ela estava sentindo as contrações há bastante tempo mas não acordou ninguém até as 6 da manhã. Ficou respirando e relaxando, lembrando da preparação. Agora o Aender e também a irmã dela estavam arrumando tudo que ela precisava para continuar relaxada e confiante. A filhinha, Isabela, estava na casa da avó.


Comecei a observar as contrações às 8h40, outra 8h42 e aí os intervalos aumentaram: 8h48, 53, 59, 9h08 (quase 10 minutos). Em volta, a irmã e o marido comentavam que só deu ter chegado as dores tinham diminuído... Carla deitou-se no sofá e tirou uns bons cochilos.

É importante estar tranquila quanto à isso. A chegada de qualquer pessoa nova no cenário do parto pode fazer com que as contrações se espacem um pouco. Então precisamos esperar mais de uma hora pra ver se as contrações voltam a se aproximar.

Exatamente uma hora depois as contrações voltaram a se aproximar: 9h40 9h43 9h45 e assim se mantiveram... próximas, cada vez mais fortes e durando mais tempo.

Carla foi pro chuveiro e também aceitou tomar um suco com açúcar para manter a energia em alta.

Às 10h05 uma contração maaaais duradoura e bem mais forte, me trouxe a impressão de que já poderíamos nos encaminhar pra maternidade. Esperar mais poderia tornar o caminho muito "sofrido".

Então começaram a levar as malas para o carro enquanto ela saia do chuveiro e a irmã a ajudava a colocar um vestido.

Na garagem uma contração longa e forte antes de conseguir entrar no carro, e a família calma em volta, esperando pra vê-la saindo em direção ao hospital.

No caminho algumas contrações. Às vezes parávamos, outras vezes com contrações mais leves, o Aender só diminuía bem a velocidade mas continuava em movimento. A última parada foi a menos de duas quadras da maternidade, e mesmo assim é importante parar e esperar passar.



Eu já tinha avisado a equipe de plantão que estávamos a caminho, e a recepção liberou nossa subida rapidamente, mas tinha uma enfermeira na recepção, que provavelmente estava sem trabalho por ser feriado... ela veio ver o que estava acontecendo e ao ver Carla tendo uma contração pediu para outra pessoa trazer uma cadeira de rodas. Eu falei que não, e ela completou que era melhor trazer uma maca. Daí eu falei que NÃO, de jeito nenhum... isso foi engraçado. A pobre da enfermeira fazendo o possível pra atender bem e a doula colocando o pé na frente... e ainda não tinha acabado.

Fomos andando pelo corredor em direção ao elevador, porque subir pelas escadas a essa altura pareceria uma doula torturadora? rsrsr Mas no corredor a enfermeira super solicita ia fazendo perguntas fofas: é o primeiro filho? como vai chamar? que horas vc começou a sentir dor? (E essa não era a enfermeira que atenderia o parto. Era apenas uma tentativa desastrada de ser agradável e atenciosa). Então eu gentilmente cutuquei o braço dela e fiz sinal pra parar de fazer perguntas pq fazer uma mulher em trabalho de parto responder questionário não é uma boa ideia).

Oh Deus, eu e minhas diretas! Mas tenho fé que um dia irão entender que tudo que uma mulher com contrações próximas e fortes NÃO precisa é de de alguém tentando ser fofa/atenciosa e puxar conversa!

Bom, então entramos no elevador: a Carla, eu, a enfermeira e acho que o maqueiro, que estava atenciosamente empurrando uma cadeira de rodas atrás da Carla.

Importante saber que isso não costuma acontecer nessa maternidade, e que foi apenas um "brinde" pelo fato do parto estar acontecendo em um feriado e o ambulatório estar vazio... :)

Subimos para o terceiro andar, onde fica a suíte de parto, um quarto amplo, com cama de casal, banheira que pode ser utilizada para relaxar/aliviar e para o bebê nascer na água se a mãe assim desejar.

Carla foi muito bem atendida pela enfermeira obstetra plantonista, e foi feito o exame de cardiotocograma: 20 minutos durante os quais o aparelho registra as contrações e a força delas, ao mesmo tempo em que registra os batimentos cardíacos do feto. O resultado foi enviado para o médico, que autorizou a internação.



Então ajeitamos tudo para continuar apoiando, Aender desceu para assinar a internação, subiu com as malas, arrumamos tudo, colocamos música para tocar. Achei no youtube uma seleção linda de músicas da Enya, que a Carla gostou. Toquei umas cinco vezes (não seguidas, óbvio) a Only Time, e essa música nunca tinha me chamado a atenção antes desse parto.


Ao longo do dia às vezes escutávamos fogos de artifício. Ríamos pensando na beleza de sempre ter uma aniversário cercado de alegria e festa. Tempo de nascer, tempo de renovação!

Gabriela à caminho.


Carla sentiu puxos um pouco antes de estar com a dilatação completa, mas na maioria das vezes conseguia segurar a vontade de fazer força.

Ela revezava entre caminhadas, descansadas, chuveiro, e bola. No final da tarde começou a ter puxos mais fortes. e a bolsa começou a ficar aparente. Nessa parte sem o exame de toque é muito difícil saber se o que está aparecendo é só bolsa com líquido ou se a cabecinha está logo atrás. Então chamamos a enfermeira para verificar e ela veio, com muita delicadeza, verificou e disse que sim, a bebê já estava quase ali.



Saiu para chamar a equipe. Carla se ajeitou na banqueta, e o Ander sentado atrás dela, apoiando suas costas. Assim ela estava quando o Dr Rogério chegou e sentou-se à sua frente, e a pediatra de pé ao lado, observando calmamente.



Fiz o lençol com nós para ela puxar durante as contrações, o que alivia a pressão no quadril e direciona a força para baixo.

Gabriela quase nasceu dentro da bolsa, mas ao passar metade da cabecinha a bolsa rompeu e ela veio, linda e tranquila para o colo de sua mãe, sob o olhar amoroso de seu pai, e assim ficou. Contato pele a pele e olho no olho com seus pais. Criança recebida calmamente, com todas as honras que esse momento merece!

Nasceu às 18h10 mais ou menos.

Em seguida ajudamos Carla a se deitar na cama, a bebê foi examinada pela pediatra e sob o olhar atento do pai, e em seguida voltou para o colo da mãe. Mamou muito bem!


A placenta veio logo, e assim o parto terminou. Intenso e tranquilo!

Fiquei até as visitas começarem a chegar. A essa altura os fogos de artifício já estavam mais frequentes. Fui para casa pensando em 2016: que venha cercado de luz amorosa!


Carla e Aender, mito obrigada pela confiança! Foi uma honra acompanhá-los na chegada da Gabriela. Que o tempo possa nos contar muitas coisas boas, sempre, assim como foi no dia do nascimento dela!

Parabéns à nova formação da família!

Carimbo da placenta







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