Quem sou eu

Minha foto
São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

terça-feira, 5 de abril de 2016

Marília e Adriano recebendo Ivan

Marília entrou em contato comigo no dia 30/11, após ter conversado com a equipe que estava contratando para atender seu parto e terem percebido juntas que tinha ali uma trava que talvez uma doula/psicóloga pudesse ajudar a resolver.

Esses atendimentos são muito interessantes porque uma psicóloga que não entenda o mecanismo do parto pode ter dificuldade de reconhecer essas travas, e uma doula que não tenha prática nas técnicas psis corre sério risco de entrar em uma abordagem errônea.

Marcamos então um encontro para o mesmo dia em que ela viria a São Carlos para uma consulta de pré-natal. Marília e Adriano vieram e contaram as facilidades e os obstáculos que estavam encontrando no planejamento de um parto domiciliar, e conversamos um pouco sobre as travas, as questões emocionais que Marília estava tendo mais dificuldades para resolver. A principal dizia respeito a uma das coisas que sempre recomendamos a qualquer mulher que se prepara para um parto natural: não divulgar o tempo de gestação para a família e amigos, para não sofrer a pressão pela cesárea caso a gestação chegue ou ultrapasse as 41 semanas. Por mais que saibamos que se pode esperar até 42 semanas, ter o telefone tocando o dia todo com pessoas queridas perguntando se já estão vendo sinais de que o parto já começou...  não ajuda ninguém a relaxar e esperar o tempo do bebê!

Nesse dia apenas conversamos bastante, e fiquei de enviar cópia do meu contrato de doulagem para eles analisarem. Marília enviou o endereço de e-mail e eu demorei uns dois dias para responder porque atendi um parto naquela semana e me atrapalhei toda com os e-mails! :P

Enfim, consegui enviar o arquivo, e na semana seguinte ela enviou mensagem dizendo que me contratariam. Então marcamos um dia pra eu ir à casa dela - 15/12 - em Tambaú, e fizemos duas sessões seguidas, para aproveitar melhor a viagem. Falamos sobre parto, histórias de parto, assistimos videos, tiramos dúvidas, e na segunda sessão apliquei uma técnica de redescoberta de pontos de força emocional, superação, coragem, persistência. Marília teve um desempenho excelente!


É preciso dizer que nesse meio tempo as enfermeiras também haviam tido uma conversa sobre providencias a serem tomadas para o parto: não as providências materiais, mas sim as comportamentais. Esclarecimentos necessários sobre como seria o dia do parto. E nessas providências Marília também obteve aproveitamento excelente. Pegou seu parto em suas mãos, tomou as rédeas da situação, deixou a menininha para trás e ativou a mulher adulta e responsável por suas decisões.

Adriano a apoiava em tudo, e estava sempre presente fazendo sua parte nessas providências.

Na semana seguinte, anterior ao Natal, Marília deveria fazer um ultrassom, e por causa dos feriados ela não conseguia marcar em lugar algum. Depois de muita conversa pelo zap uma das EOs conseguiu marcar um encaixe em São Carlos, na segunda-feira dia 28 às 13h30.

Assim chegamos à semana que antecedia o Natal, com um ultrassom marcado para a segunda seguinte.

Nesse ponto temos apertos típicos de vida de doula que tem que viver colada ao celular: eu passaria a semana do Natal em uma chácara alugada pela minha família. Aí me dei conta de que não sabia se o celular pegaria sinal lá. Então combinei com a Marília que eu passaria todos os números de celular de quem estivesse lá... e pedi que ela ligasse se precisasse de alguma coisa, e não confiasse em mensagens ou zap. 

Chegando na chácara, percebi que não só o sinal de celular era muito bom como isso também fazia com que o zap carregasse normalmente, embora consumisse meus créditos com rapidez. :P 

Noite de Natal, eu estava indo colocar o celular pra carregar e... puf! acabou a energia! Primeira providencia: procurar um celular com bateria completa. Segunda providencia: avisar a Marília que o meu celular ia desligar e que se houvesse necessidade ela ligasse pro número que eu estava passando. 


Energia voltou antes da meia noite, mandei Feliz Nataaaaaaal... :) Dia 25 tranquilo, Marília enviando mensagens de que o tampão estava soltando. Eu e as parteiras respondemos que relaxasse, tampão pode inclusive formar outro, não é um sinal forte de TP eminente... Ela mandou também um vídeo do bebê Ivan mexendo muito dentro da barriga, fazendo ondas no vestido de festa. Lindo!

Manhã do dia 26, saí da chácara pra ir alimentar meus pets em casa. Esqueci o celular pra trás. Liguei pro meu irmão, falei pra ele ficar com o meu celular por perto, eu voltaria em menos de uma hora.

Quando cheguei de volta na chácara ele falou que Marília tinha mandado mais uma foto de tampão, ele nem me ligou avisando. (A esposa dele também está gestante, ele tem acompanhado esses assuntos se preparando para o nascimento do filho). Fiquei muito feliz com a tranquilidade dele!

10h55 uma mensagem diferente: "tá vazando um pouquinho de líquido, não sei se é bolsa".

Parteiras então combinaram de passar pra vê-la mais tarde no mesmo dia. Recomendaram relaxamento.

11h05 ela mandou uma mensagem maior: "deu uma dor e fez um Tum! saiu líquido e mais tampão".

Parteira recomendou colocar um pano ao invés de absorvente pra ter ideia da quantidade de líquido.

Marília responde que está tendo contrações e enquanto elas duram sai mais líquido. "Está doendo um pouco mais". Disse que estava sozinha em casa, então pediria que Adriano voltasse do trabalho pra casa.

Avisei meu pessoal que provavelmente sairia pra atender parto, pra eles acelerarem um almocinho pra mim, e fui tomar banho e me aprontar. Quando sai do banho tinha uma ligação perdida do Adriano.

Retornei, ele disse que as contrações estavam ficando próximas mas não sabia dizer quão próximas. Pedi pra marcar quantas contrações teria em dez minutos e fui almoçar, dessa vez colada mesmo ao celular.

Shirley ligou e falou que achava melhor nos colocarmos a caminho, conversamos um pouco, acabei de almoçar e fui buscá-la, nos colocamos na estrada. Shirley nem tinha almoçado, estava com um cacho de uvas dentro de um potinho e foi comendo pelo caminho enquanto trocava mais mensagens com o casal.

Nem peguei meus apetrechos de doulagem, óleos de massagem, bolsa de água quente,... sendo PD tinha certeza que conseguiria me virar sem essas coisas. Só levei roupas pra trocar caso me molhasse no chuveiro ou banheira de parto.

14h39 uma mensagem do Adriano: "vem logo meninas, o bixo tá pegando aqui"!

Na estrada demos muita risada quando peguei uma rota que Shirley nunca tinha feito. Num parto anterior eu me perdi na volta pra casa, só faltava dessa vez me perder na ida! Mas não era o caso.

Chegamos em Tambáu, um pouco depois da Juliana, que nos recebeu no portão dizendo: "vai ser rápido"! (acredito que chegamos às 15h15).

Marília bem concentrada, sentada na cadeira ao lado de sua cama, nos cumprimentou sem sorrir. Veio uma contração, ela apoiou as mãos no braços da cadeira e levantou o corpo, vocalizando baixo e pareceu que fez força. Eu e Shirley ficamos com ela enquanto Juliana e Adriano acabaram de ajeitar a banheira no quarto que seria o do Ivan, e a colocaram pra encher.

Depois de mais duas contrações com Marília levantando o corpo e fazendo força, incentivei que ela fosse pra banqueta pra não ficar com muita dor nos braços no dia seguinte. Ajeitei a banqueta dentro do box do chuveiro, mas ela não achou uma boa ideia, então a banqueta foi colocada em frente ao vaso sanitário, onde me sentei sobre a tampa, ela sentou-se na banqueta, e poderia se encostar em mim e relaxar durante os intervalos. Nas contrações passei a pressionar as laterais do quadril e ela disse que aliviava a dor.

Banheira enchendo, Adriano e Juliana agora também estavam por perto e traziam tudo que ela precisava: compressa fria na testa (ideia da Shirley e muito bem recebida), água, pedacinhos de chocolate que Marília aceitava com relutância. Tivemos que insistir que ela precisaria de força na reta final e então ela aceitou uns goles de refrigerante e depois mais alguns de água de coco.

Ficamos assim, durante as contrações eu apertava seu quadril e ela puxava um lençol. Uma hora achei que tinha ficado pesado pra Shirley, também gestante, vi ela fazendo muita força, achei que não era uma boa ideia, pedi pro Adriano segurar o lençol. 

Pedi que alguém alcançasse meu celular pra colocar uma musica pra tocar, mas ela não quis. Concentradíssima!

Muito calor dentro do banheiro, alguém teve a ideia de abrir a janela, Marília foi contra porque poderiam ouvir as vocalizações dela, ficaria inibida... então trouxeram um ventilador que ela mandava ligar e desligar conforme as contrações iam e vinham.

Tem uma foto do Adriano segurando o lençol pra Marília puxar, um raio de sol incidindo bem na testa dele, ficou muito Jedi! 

Juliana avisou que a banheira já estava com um nível de água que daria pra entrar, Marília achou que não conseguiria andar até lá. (Não só conseguiu como entrou na banheira sem tanta dificuldade). Mas tenho que contar que quando ela teve uma contração no meio do corredor ela se pendurou no pescoço do Adriano e foi se apoiando nele. Como ele não cedeu ela tirou os pés do chão! Pensei achando um pouco de graça: entre todos os riscos do parto nunca mencionam quanto as costas dos acompanhantes sofrem... acho que pensei em voz alta porque ele respondeu! "as costas até que tudo bem, mas o pescoço"... 

Marília entrou na banheira, a água estava quente, enquanto ficaram com ela eu assumi a tarefa de trazer vários baldes de água fria até ficar numa temperatura mais agradável pra ela. A cachorra que até então estava quieta passou a rosnar pra mim toda vez que eu passava na cozinha. Também né? A dona dela vocalizando forte a cada contração que a esta altura estavam de dois em dois minutos, e uma desconhecida carregando baldes pela casa... tinha que rosnar mesmo!

Cochichei pra Juliana: Ju, vc já fez amizade com a cachorra? 
R) "Sim"!
eu: Então vai lá e fecha a porta da cozinha pra mim?! 

Depois riram muito da minha cara tá? Mas eu entendo a cachorra, realmente ela estava fazendo bem a parte dela! (E só rosnou, não mostrou os dentes).

Então a água estava boa, Marília se ajeitou na banheira. Alguém trouxe o aquecedor e o oxigênio pra esse quarto. Adriano, eu, Shirley e Juliana em volta da banheira, apoiando e auxiliando no que fosse preciso.

A fotógrafa amiga chegou, nos cumprimentou discretamente e começou a fotografar.

Nessa hora a Marília estava puxando o lençol e mesmo durante os intervalos ela continuava puxando. Não conseguia relaxar. Depois de uma contração eu fui soltando o lençol bem devagarinho, até ela se apoiar na borda da banheira. Assim que relaxei o lençol ela pediu pra levantá-la novamente. rsrsrsr

E agora sim, ela queria musica. Juliana pegou o celular dela e colocou sua playlist pra tocar.

Confiança para atravessar a fronteira - o tempo é de se entregar

Vôo do Beija Flor - de Elisa Cristal

Musica que tocava quando Ivan vinha nascendo

(Ó mãe natureza abençoe os filhos teus... parteiras e eu cantando juntas... ficou meio difícil de cantar e não chorar, eu amo essa música!)

Marília precisou de um apoio mais forte, Adriano foi se inclinando quase dentro da banheira, Shirley o incentivou a entrar. Vai junto, vai ser bom!

Ele entrou e à princípio ficou meio desajeitado, mas no intervalo seguinte conseguiu colocar-se forte e firme, dando todo o apoio necessário.

E assim, na água, mais 4 corações femininos em volta, e um masculino, e Ivan chegou. A principio só com a cabeça pra fora abriu os olhos e deu uma boa olhada em volta, e então veio...  do ventre de sua mãe direto para os braços de seu pai. Lindo, saudável, em paz!

Nasceu 16h48.

Ficaram por vários minutos se curtindo, os 3, com as parteiras olhando cuidadosamente. Quando a água poderia começar a esfriar eles foram incentivados a sair. Todas ajudamos com toalhas e apoio, e assim com o filho nos braços, Marília voltou para a sua cama, já forrada com lençol plástico e um lençol absorvente. Ali ela ficou mais alguns minutos, até a placenta sair e o cordão ser cortado.

Família em paz e se conhecendo, Marília dizendo que estava com fome. Fui até a cozinha, achei uma sopa, esquentei e levei pra ela. Ela disse que preferia um churrasco e ficava dizendo: "nossa, que fome!"

Depois de tomar um banho, mais um prato de comida, que foi carinhosamente servido pela fotógrafa.



E enquanto isso Adriano agora papai curtindo como é ter um bebê na barriga.



Rimos muito quando Adriano, depois do nascimento, saiu da banheira e foi até a cozinha, tirou a carteira do bolso encharcado, e começou a colocar tudo pra secar... kkkkk mais uma coisa pra gente prestar atenção: quando for entrar na banheira verifique os bolsos!


Carimbo da Placenta

Parto lindo, poderoso, rápido mas não rápido demais. Tudo perfeito.

Marília e Adriano, agradeço imensamente a confiança no meu trabalho. Foi uma honra e uma glória acompanhá-los na chegada do Ivan.

Que muitas bençãos recaiam sobre vocês.

Grande abraço,


Vânia - doula feliz! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário