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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ultrapassar as 42 semanas... Natália, Sandro e Mia

Natália entrou em contato comigo logo depois de ver no blog que eu voltaria a doular em setembro. O parto dela estava previsto para julho, mas mesmo assim ela quis conversar um pouco, fazer alguns encontros de preparação para o parto. Quando fui a casa dela pela primeira vez ela me contou que acompanhava meu blog há bastante tempo, tendo inclusive recomendado a uma amiga que procurasse informações sobre parto humanizado quando esta estava grávida, e no final eu havia doulado a amiga dela. Boas lembranças!

Expliquei que não estava assumindo doulagens ainda porque uma grande amiga minha teria o bebê em agosto, e então eu voltaria a doular depois disso. Depois de muita troca de idéias ela aceitou correr o risco de entrar em TP ao mesmo tempo que a Kátia, e me contratou como doula.

Então fizemos alguns encontros de preparação para o parto, e em todos eles o marido - Sandro- esteve presente e participante, assim como a mãe dela - Sra Nelly - que tinha vindo para a casa dela na reta final da gestação. Os pais do marido também viriam da França quando o parto estivesse mais próximo.

Natália e sua mãe foram a algumas reuniões do GAPN São Carlos, portanto a Sra Nelly além de ser a favor da  escolha de sua filha, também estava se informando e se preparando para ajudar.


Os encontros de preparação foram sempre muito tranquilos, com algumas dúvidas e muita disposição para fazer o que fosse mais saudável para o bebê e a família. Quando os pais dele chegaram, fizemos uma última reunião, que era mais para que todos nos conhecêssemos, ou seja, que eu fosse apresentada a eles antes do dia P. Lembro-me de que conversamos animadamente, e nem ficou parecido com a Torre de Babel que eu tinha imaginado: eu falando português, a mãe dela falando castelhano, os pais dele falando francês, e Natália e Sandro no meio disso tudo servindo de interpretes. Somente um toque a mais de emoção!


Bom, então passamos a aguardar que ela entrasse em TP. E os dias foram passando. Um dia ela me ligou perguntando se havia algo que pudesse fazer para aumentar as chances de entrar em TP já que já havia passado de 41 semanas. Falei dos 5 hots, que não tem comprovação científica, mas que como ajudam a relaxar podem ajudar a entrar em TP... Achei muito interessante que a família conseguiu criar um clima de respeito pelo processo natural, e a pressão externa - dos amigos perguntando pelo bebê - não chegavam a afetá-la, que completou 42 semanas sem sinais de entrar em TP. Então, de comum acordo com o médico, o casal se internou na maternidade para começar a indução do parto. Internaram-se com 42s1d,  perto das 9 da manhã.

Liguei por volta das 16h00 para saber como estavam indo. Natália contou que tinham decidido pela indução com comprimidos sendo colocados no colo do útero, e estava sentindo umas cólicas muito leves. Comentou que tinha levado umas comédias para assistir no dvd, mas que tinha se arrependido de não ter levado umas revistas para se distrair.


No final da tarde, após buscar meu filho na escola, comprei duas revistas e fui levar para ela. Fiquei lá com eles por cerca de uma hora, e conversamos sobre o sentimento de perder o parto natural... chegando ao alívio de estar com uma equipe bem escolhida, que faria de tudo para que a indução fosse a única intervenção necessária, feita sem pressa, sem relógio correndo, pois enquanto mãe e bebê estão bem não existe uma "dead line" a partir da qual é preciso ir para a cesárea. O que sempre devemos tentar evitar é o cansaço extremo. Isso sim pode levar algumas mulheres a desistir e pedir a cesárea. mas ela continuava muito convicta de suas escolhas: - "não consigo nem me imaginar pedindo cesárea".


Fui pra casa. Minha mochila estava pronta, eu estava pronta. Quando as contrações ficassem mais próximas e mais fortes ela me chamaria. E isso aconteceu quando o dia estava amanhecendo. Por volta das 6 da manhã Natália me ligou e disse que estava com contrações mais fortes e mais próximas desde as 4 da manhã. Então peguei minhas coisas e fui para lá. Encontrei o casal tranquilo, sorridente. Estavam felizes pq o trabalho de parto tinha começado pra valer.

A manhã passou tranquilamente entre massagens, lanchinho, clima ameno. Mas o casal estava preocupado com a remarcação da passagem dos pais dele, que precisaram alterar a data do retorno para a França. A mãe dela também já tinha alterado a data de retorno para a Colômbia. Imaginem a dificuldade de ir até a Polícia Federal e explicar para o agente que o bebê ainda não nasceu, então queremos ficar mais um pouco... no país mais cesarista da Terra, "como assim... ainda não nasceu"?! rsrsrsr Quem resolve respeitar o tempo do bebê passa por cada uma!

No final da manhã seria o horário de colocar mais um comprimido mas a enfermeira não achou mais necessário. As contrações já estavam bem estabelecidas... mas no decorrer da tarde foram ficando cada mais distantes. Natália já estava muito cansada, e a enfermeira sugeriu que ela aproveitasse então para descansar, deitando-se um pouco. Então foi o que ela fez. Deitou-se de lado, com vários travesseiros apoiando a barriga e as costas, e conseguiu descansar. Quando sentiu-se descansada voltou a ficar de pé e caminhar pelo quarto, comeu algumas coisinhas, mas as contrações foram espaçando cada vez mais. A enfermeira sugeriu então o soro com ocitocina, e ela a princípio não quis. Ficamos andando pelo quarto, ela ficava de cócoras durante as contrações, mantendo-se ativa, conectando-se novamente ao parto, chamando as contrações. Mas elas não vieram mesmo.

Bem no final da tarde ela aceitou o soro com ocitocina, que a princípio também seria com poucas gotas por minuto, apenas para dar uma estimulada extra, mas bem de leve.

No entanto isso foi mais uma pequena tristeza para ela, aceitar o soro... e dai logo depois a pediatra entrou no quarto e explicou que tinha uma viagem marcada, que não esperava que a gestação se prolongasse por 42s2d, que tinha ficado o dia todo na torcida pra nascer... mas teria mesmo que viajar no início da noite. Deixou uma colega avisada, que atenderia o bebê da Natália com  o mesmo tipo de atenção que elas tinham combinado previamente. Desejou boa sorte e saiu. Foi atenciosa, carinhosa e as palavras escolhidas com carinho. Mesmo assim... foi mais um baque para a moça digerir. Ela entendeu a médica que precisava viajar - (a médica explicou porque precisava viajar), mas foi o acúmulo de frustrações que fez com que ela chorasse um pouco nessa hora.

Ficamos ali, o marido e eu, apoiando e incentivando, e as contrações foram se aproximando e eram muito bem vindas. Voltamos à rotina de massagens, bolsa de água quente, golinhos de água, incentivo... E nos intervalos nós três procurávamos descansar. Me lembro que uma parte do TP que Natália sentia a dor das costas se irradiar pelas pernas e me pedia que massageasse as pernas. Aí teve uma hora que eu me abaixei para massagear as pernas e encostei o rosto nas costas dela... dei uma cochilada! Imagina a cena, a mulher com contração, o marido apoiando pela frente dando um abraço, a doula fazendo massagens nas pernas e pega no sono! Aff, acho que vai ser o maior mico que já encarei durante uma doulagem! (Pelo menos eu espero nunca aprontar nada pior que isso, ninguém merece! Já levei tombo, já fiquei enjoada, mas cochilar foi meio demais né???)


Lá pelo meio da madrugada eu sai rapidinho do quarto (pra fazer xixi) e quando voltei a enfermeira estava indo ligar para o médico. Pensei: puuutz, ela pediu cesárea! que pena... estava indo bem!


A enfermeira voltou ao quarto e disse que o médico queria falar comigo. Fui até o postinho e ele perguntou como estavam as coisas, conversamos, ele pediu para dar uma forcinha extra que ela estava quase conseguindo e que se fosse preciso mesmo ele viria. Curiosamente isso serviu como um incentivo pra mim, porque no susto de pensar que ela tinha pedido cesárea eu dei uma acordada e voltei ao quarto com força total! E ela não tinha pedido cesárea, ela tinha pedido para conversar com o médico, queria perguntar se estava tudo indo bem mesmo.

Incentivei, conversei, tirei dúvidas... voltamos a nos movimentar mesmo durante os intervalos, paramos de tentar descansar. Pediram o café da manhã e depois de comer, lavar o rosto e dar uns saltos eu estava novamente beeem acordada.

Um detalhe a mais: meu marido estava viajando e meu filho estava na casa da minha irmã, e ligava de uma em uma hora pra perguntar se já tinha nascido... só faltava essa! A família dela super tranquila, a família dele super tranquila, e o MEU filho ligando toda hora pra pedir notícias! eu não mereço! rsrsrsr Quando cheguei em casa minha irmã contou que ele pegava o telefone sem fio e se escondia dentro do guarda roupa pra me ligar... : P Mais uma pra minha coleção de "só acontece comigo"!


Na metade da manhã mais ou menos o médico passou e conversou com o casal, pediu pra fazer um exame de toque "bem cuidadoso" para ter uma ideia de quanto tinha evoluído e quanto faltava.


A moça então deitou-se bem na beiradinha da cama e ele fez o toque, e pediu permissão para avaliar quanto o bebê descia durante a contração. Boas notícias! A dilatação já estava em 8-9 e a bebê descia bem durante a contração, portanto era questão de ter só mais um pouco de paciência.

Quando ela estava com a barriga pra cima esperando a contração eu vi uma divisão na barriga dela, um lugar mais esticado que o resto, e mostrei para o médico. Ele apalpou e falou: "é a bexiga dela". E perguntou pra ela: - "Vc está apertada? Quanto tempo faz que vc fez xixi"?

Estava super cheia a bexiga, e ela nem sentia vontade de fazer xixi, nem conseguia fazer xixi... mas disse que a dor da contração não passava mais, doía o tempo todo, e o médico explicou que provavelmente era a dor da bexiga super esticada que estava se confundindo com a das contrações. O quadro se chama "bexigoma". Passaram então uma sonda e realmente saiu muito muito xixi... e depois disso ela se sentiu bem melhor.

O Sandro recebeu a notícia que seus pais tinham conseguido remarcar a passagem de volta, portanto poderiam ficar mais alguns dias e conhecer a neta. Que bom! Tudo se encaminhando bem!

A manhã de quarta-feira foi passando. Era feriado e a maternidade nem estava tão tranquila assim. Toda vez que eu saia no corredor via alguma  família esperando notícias na porta do Centro Cirúrgico.

Passamos a manhã entre massagens, golinhos de água, caminhadinhas pelo quarto, chuveiro. E foi no chuveiro que ela começou a sentir os puxos (vontade de fazer força), e ficava de cócoras durante as contrações. Comecei a vigiar se a bebê estava começando a aparecer, e abri um grande um grande sorriso e fiz um sinal de positivo para a enfermeira. Já dava para ver a cabecinha da bebê.

Natália ficou no chuveiro durante mais algumas contrações, e duas vezes a cabecinha parecia que vinha tão rápido que eu me ajoelhei no chão e me preparei para segurar a bebê caso ela nascesse.

Enquanto isso a enfermagem preparou tudo no quarto: deram uma limpada em tudo, ligaram o berço aquecido, etc... Natália então saiu do chuveiro e veio se ajeitar na banqueta de parto, com o Sandro apoiando suas costas. Como ela tinha se sentido muito bem com a técnica de cabo de guerra, puxando meus braços, mas durante o expulsivo não daria pra fazer isso com  ela na banqueta, deu um jeito de amarrar um lençol em um dos ganchos do teto colocados especialmente pra isso, e ela se ajeitou bem puxando aquele lençol.

O médico já tinha chegado e tinha ido trocar de roupa, o pediatra tb já estava por ali, e a enfermeira, assim como eu, também teve a impressão que a bebê estava vindo rápido, e chegou a calçar as luvas, preparando-se para segurar a bebê caso ela nascesse. Mas o médico chegou, sentou-se no chão em frente Natália, e ainda levou umas cinco contrações para nascer. 

Mia nasceu empelicada (dentro da bolsa de águas), e o pediatra foi muito legal, só observando de longe, sem tirar a bebê do colo da Nat.

Eu chorei! Não é comum, mas dessa vez eu chorei. Porque tinha ficado apreensiva com o nível de cansaço dela, pq assustei quando achei que ela tinha pedido cesárea, e pq ela teve que ir processando algumas frustrações durante o TP... quando nasceu eu chorei.

Tiramos várias fotos e eu quis ligar para a mãe dela, pedi permissão, eles deram, então eu liguei para a casa deles e contei que tinha nascido e estava tudo bem. Os 3 (a mãe dela e os pais dele), um em cada extensão do telefone, ficaram comemorando. Perguntaram se já podiam vir para a maternidade e eu falei que ainda precisava sair a placenta, mas sim, daqui a pouco já poderiam vir. Provoquei risadas na equipe com a minha tentativa de falar espanhol! kkk

Quando desliguei o telefone fiquei pensando que se essa placenta demorasse pra sair eu me arrependeria amargamente de ter ligado para a casa deles... felizmente isso não aconteceu, e fiz uma anotação mental para nunca mais avisar que o bebê já nasceu antes que a placenta também tenha saído!

Provavelmente devido ao nível de cansaço, ela teve dois pequenos desmaios um pouco depois do parto - uma vez quando levantou da banqueta para ir se deitar, e outra vez quando foi tentar amamentar e ergueu um pouco o corpo. Mas foram episódios muito rápidos e ela logo se recuperou. Provavelmente foi mesmo o cansaço e o esforço físico, e não aconteceu mais.

Enfim, os pais do casal, agora avós da Mia, puderam entrar, e a emoção correu solta. 

O parto foi lindo, tudo valeu a pena!

Como eu me sinto feliz pela Natália ter confiado em mim e confiado que tudo daria certo e que eu poderia sim doulá-la! Eu adorei! 

Muito obrigada por tudo, inclusive por todas as caronas! (rsrsr)

Mia, seja muito bem vinda a este mundo!

Beijos, beijos, beijos!

Vânia Bezerra.

doula, doula, doula por inteiro!


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