Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Claudirene, Fábio e Ester - setembro de 2011

Relato escrito pela Claudirene, traz toda a sua busca pelo parto e a superação dos obstáculos no dia P. Linda busca, linda a disponibilidade das duas doulas que a atenderam, linda família!
Espero que sirva como inspiração para outras mulheres e famílias.

Beijos!

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Tomei a decisão de compartilhar o meu terceiro parto no momento em que soube que o relato do meu segundo parto, postado no blog de minha Doula Vânia era um dos mais lidos . Trata-se de um parto que  iniciou para o natural (como o primeiro) porém, finalizou em cesariana e, sem direito a acompanhante, o que me motivou a participar de uma audiência pública e de reportagem de denuncia a tv local. Enfim, foi uma cesariana bem indicada na qual saímos bem e superamos emocional e fisicamente. Heitor foi um bebe saudável e mamou no peito durante um ano.

Quinze dias após o aniversário do Heitor, eu já estava grávida da Ester. Minha primeira sensação foi de medo, pois eu havia passado por uma gestação e por uma cesariana recentes e havia acabado de amamentar; ou seja, estava retomando o ‘controle’ de minha vida...portanto, confesso que fiquei muito, muito assustada.

Na primeira consulta com meu obstetra, fiz a pergunta principal: posso ter um parto natural após 1ano e 9meses da cesariana? Ele me respondeu, que isso não seria um impedimento. A partir daí não problematizei o parto. Segui o percurso normal da gestação. Como a minha doula Vânia estava morando fora da cidade, optamos pelo parto na maternidade onde teríamos doula e estrutura necessária para o parto natural. Mas como não podia deixar de ser, a vida nos preparou mais uma surpresa.



No dia 21 de setembro, as 8:30 da manhã, durante a drenagem minha bolsa teve uma pequena fissura, sinalizando que o grande dia tinha chegado. Disse à minha massagista: ih, minha bolsa estourou e estou com contrações. Depois de acalmá-la e finalizar a massagem, emprestei uma toalha para proteger o banco do carro e voltei dirigindo para casa, pois as contrações eram leves. Ao chegar liguei para meu marido no trabalho para que ele se planejasse, pois ele iria me doular até o momento de irmos à maternidade. Por volta das 10:30 liguei para o consultório de meu obstetra e pedi para avisá-lo. Um tempo depois, a secretária me retorna ligação dizendo: “o doutor entrará no plantão às 19hs em outra maternidade, portanto não poderá sair para atendê-la. Então, você deve ir para a outra maternidade”. 

Ao ouvir isso, senti que a casa desabava sobre mim, afinal, eu contava com a estrutura e as doulas daquela instituição! Mas eu não queria passar por mais um parto sem o profissional que me acompanhara no pré-natal. Então, meu marido me olhou e disse: “não podemos ficar sozinhos, precisamos de uma doula”. Eu concordei. A partir daí, começou a missão dele conseguir uma doula que nos acompanhasse até o momento ideal de ir para a maternidade.

Por volta das 13:30hs, fomos para a maternidade para fazer uma sondagem, saber se estava tudo bem com a bebe. Ele marcou com uma doula de conversamos em casa. No caminho, perguntei ao meu marido se ela havia perguntado de sua experiência em doulagens. Ele respondeu que não. Em casa, eu perguntei a ela quantos partos ela havia doulado, qual foi minha surpresa? Ela me disse que nenhum. Então, fui sincera. Disse precisávamos de uma doula experiente, deste modo, ela também poderia acompanhar. Então, ela boi embora. Meu marido ficou comigo, estávamos indo bem, mas no fundo eu estava nervosa, pois temia que não segurássemos a barra quando entrasse no parto ativo. A doula é fundamental neste momento.

Por volta das 19hs, meu marido atende uma ligação. Era a Ana Frederica, uma amiga e ex-doula. Ela havia ficado sabendo, via Camila, a doula que esteve em casa, que eu estava em trabalho de parto e que, se aceitasse iria pra minha casa para me doular. Quando ou a ouvi, eu me explodi em lágrimas. Senti uma alegria imensa. Senti que não estávamos mais sozinhos que poderíamos contar com uma profissional, pois a doula é imprescindível para o parto humanizado. É a doula quem nos sustenta emocionalmente, ela quem zela pelo nosso bem estar, nossa energia, alimentação, tudo. Eu já não me lembrava dos chás, de comer...eu só respirava e me acomodava na melhor posição. Por voltas das 22hs, chegaram as duas doulas: Ana Frê e a Camila. A partir daí, elas assumiram e meu marido foi dormir um pouco. Tomamos um chá forte de canela e nos recolhemos no quanto.

Por volta das 4hs da madrugada, as contrações estavam fortes e a cada um minuto. Meu marido acordou e nos levou para a maternidade. No corredor eu já encontrei o meu médico. Ao olhar para ele eu senti uma paz imensa. Nos acomodamos num quarto apropriado, enquanto elas prepararam a piscina inflável eu fiquei na bola e, em alguns momentos, caminhava pelo corredor. A dilação total aconteceu durante uma pausa das contrações para o descanso. Porém, eu já tinha perdido bastante líquido, então não seria um expulsivo tão fácil como foi a do primeiro filho. Por volta das 10:45hs o médico pergunta às doulas, qual a posição que a progressão teria sido melhor. Elas foram categóricas ao responder de cócoras. Realmente, foi a posição que eu me senti melhor para parir, mas no fundo eu esperava que a bebe nascesse na banheira, como tantas imagens que tinha assistido! De cócoras, não dá para compartilhar tanto assim...


Enfim, na posição de cócoras a Ester nasceu às 11:30hs da manhã de 22 de setembro de 2011. Recebida pelo médico obstetra Dr. Rogério Gonçalves, a quem devemos este sonho realizado. Profissional que me nos acompanhou e nos tranquilizou diante de cada dúvida construída ao longo da gestação. À pediatra Dra. Patrícia Canedo, pela atenção, carinho e paciência que nos dedicou durante os dois partos e depois deles. Somos eternamente gratos às doulas, Ana Frederica e Camila, pela disposição, amor e carinho dispensados. À Carla (doula e enfermeira da maternidade), pela prontidão e competência. Contudo, sou imensamente grata à essa equipe, especialmente, por possibilitar que meu marido participasse  e assistisse, pela primeira vez, o nascimento de um de nossos filhos. Graças a esta equipe, a Ester pôde nascer e, imediatamente, sentir o amor de seu pai.


Com esse depoimento, espero estimular, encorajar e alegrar os corações de mulheres que buscam um nascer mais humano para seus filhos.

Claudirene - dez 2012

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