Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou Doula e Psicóloga. Atendo em consultório na Vila Prado em São Carlos SP. Formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Uma mulher experiente que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto e o pós-parto. Sou doula e psicóloga. Atendendo em consultório particular na Vila Prado em São Carlos SP Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Doule a doula - Telma e Gelson trazendo o Ravi




Conheci a Telma em noites de sábado em Araraquara dedicadas a orações, meditação e busca de evolução espiritual. Dançamos juntas e cantamos em volta de fogueiras. Lembro de nós duas passando perrengue em uma dessas noites em que choveu muito muito forte, e nós duas rindo! Lembro de quando ela falou que ia fazer curso de doula, e lembro de ver de longe ela conversando com uma moça que estava com um bebezinho, e pelos gestos eu sabia que ela estava ensinando técnicas para aumentar a produção de leite. Lembro dela me ligando dizendo que ia doular pela primeira vez e perguntando se eu poderia acompanhar. E no caso era outra moça que também dançava com a gente em volta da fogueira. Siiim, aceitei! E foi uma linda experiência.

Depois me lembro dela gravida e dela contar que aquele bebê não ia chegar. Ela veio em uma roda de acolhimento à perda gestacional em São Carlos, me chamou, eu fui, ela contou a história dela. E a facilitadora da roda disse que ela havia processado muito bem, que o acolhimento estava feito e não via nada a ser trabalhado. Abriu a roda para partilhas e acabou que a constelada daquele dia fui eu!!!!! Constelamos uma perda gestacional da minha mãe. Naquele dia minha irmãzinha que não chegou passou a ter um nome e um lugar reconhecido na família. 

Esse é o nível de convivência e intimidade que eu já tinha com a Telma antes dela me ligar dizendo: 

- "Vânia, eu estou grávida de novo, estou muito feliz. Pensei bastante, eu quero uma doula e gostaria que fosse você... eu sei que você divulgou que não está mais doulando, mas..." 

E eu respondi: Siiiiiiiim, eu aceito doular você! 

Nem perguntei onde quando nem quem seria o médico! nada! Pura emoção, sentimento e gratidão ao universo por poder responder Siiiiiiiiiiim! 


                                                   "Nós te desejamos um lindo Natal" 2023


O tempo passou, a gestação avançou, e ela ia mandando notícias: 

"É um meninooooooooooo!"


E seguimos conversando: 
40 semanas: 20/06
onde vai ser? 
Em Araraquara 
na Gota

3 perdas 43 anos, acima do peso, mas tudo correndo bem, sem diabetes nem pressão alta 

                                                                    Fevereiro 2024 

Nas conversas de março falamos sobre ter uma back up e ela me disse que já tinha uma em mente pra chamar, mas que daria tudo certo, que eu ficasse tranquila! E completou: eu estou suuuper tranquila, nem comprei nada ainda. Vou esperar maio chegar. 

Abril passando, tentamos marcar uma ida minha a Araraquara para vê-la e aproveitaria para passar na maternidade e fazer o cadastro. Não conseguimos marcar e acabei fazendo o cadastro por e-mail. E nisso tenho que dizer que me senti muito bem atendida.

Telma planejando mudança, dizendo que gostaria de ficar naquela casa até o nascimento do bebê, sem saber se seria possível... acreditando que a mudança seria no meio de junho. 

Conversamos sobre a mala da maternidade mais pra ela me dizer como são as coisas naquela maternidade. 

Final de abril 32 semanas - ultrassom bebê bem, liquido ok placenta ok porém diabetes gestacional. Regrar a alimentação mas a médica preferiu entrar com a insulina também. E vamos em frente. 

Cadastro na maternidade feito e confirmado.




Protocolo de diabetes gestacional : induzir com 39 semanas. E uma diferença de 1 semana no calculo pela DUM 38 semanas  do cálculo pelo ultrassom 39 semanas. Mais conversas sobre o plano de parto. 

03 de junho e uma mensagem: "Flor, olha só ... o exame hoje deu restrição de crescimento e a médica disse que para 37 semanas ele está muito pequeninho... avaliam que agora é melhor nascer. Fizeram já o descolamento de membranas e me deixaram vir pra casa buscar as coisas, já fiz minhas orações... e estou voltando para internar e começar a indução. Te aviso quando eu estiver com 6cm aí vc vem. Beijos". 

Bem tranquila na mensagem. Respondi que estaria atenta e assim passou a noite. Acordei algumas vezes, olhava o celular, sem mensagens, voltava a dormir. 

Ligou às 7h40 do dia 04/06 - dizendo que as contrações estavam regulando, já fortes, que já estava com 6 cm e MUITO BRAVA! 


- "Vânia, eu estou muito brava!! Se vc quiser nem precisa vir, vê aí o que vc quer fazer e me avisa, se não quiser nem precisa vir porque eu estou muito P da vida, não respondo por mim". 


Eu já contei pra vcs que quando fica muito brava eu tenho certeza que nasce? (Mas também teve uma vez que a moça estava suuuuper tranquila, aí ela olhava pra mim e dizia: Vânia, eu não estou ficando brava, será que não vai nascer? E nasceu lindamente.)

Bom, eu segurei a vontade de rir, respondi - Claro que eu vou! e sai catando as coisas que já estavam ajeitadas, me troquei e me coloquei a caminho. o Raul emprestou o carro dele, deixei ele no trabalho e me encaminhei pra Araraquara. Achei a maternidade, pensei que tinha achado um estacionamento da maternidade, era de uma imobiliária, kkkkk, andei mais um pouco, achei um aberto, cheguei! Cadastro verificado, crachá de doula e achei o quarto. Entrei. 

Gelson na cadeira perto da porta do banheiro, e ela no chuveiro. 

A Vânia chegou.

"Aiiiii Vâniaaaaa eu to muito brava, e to com medo de começar a xingar"...

E eu: - Pode xingar a vontade, depois vc pede desculpas, fica tranquila!


    Seguimos com mudanças de posição, muita música da playlist feita previamente por ela, um pouquinho de incenso, massagem, sorrisos, orações, apoio, lembranças, risadas, mais contrações, chuveiro. Ela levou galhinhos de alecrim e de lavanda, às vezes pegava. Comia as coisinhas que levou para comer. E vamos seguindo. 





    Enviamos essas fotos para a Kátia e ela respondeu: "ontem, exatamente 15 anos atrás você participava do nascimento do Enki! Te amo sempre!"

Sem palavras para expressar o que trilhar esses caminhos com essas mulheres recebendo seus bebês significa para mim. Amor, gratidão, humildade, sentido da vida, admiração infinita, tudo isso e muito mais. Amo muito e agradeço sempre. 


    Ao longo do dia a dilatação foi verificada poucas vezes, na verdade só quando ela pedia, solicitou analgesia, houve negociações, explicações, muito incentivo, mudança de posição, muita conversa, aceitação da analgesia. Mas entre o aceite e levarem para o centro cirúrgico demorou um pouquinho. 

    Nesse intervalo o diálogo mais engraçado, entre ela e a técnica que ajeitou o soro, mediu P.A. e glicemia, etc, saindo do quarto pergunta: - "Vc quer mais alguma coisa"?

Telma: Eu quero matar alguém!

Técnica: "Isso não vai ser possível." e saiu calmamente fechando a porta com cuidado. 

Esse é o profissionalismo que eu fico imensamente grata quando presencio. 

    A parte de ir para o centro cirúrgico foi tensa porque ela queria muito que eu entrasse também mas não foi permitido e ela ficou mais brava ainda. Uma pessoa podia entrar, então lógico que seria o Gelson. Conversei ali dizendo que nessa hora não valia a pena brigar, deixar a briga pra depois e naquela hora ir buscar seu bebê. Eu estaria no quarto esperando. Ela soltou a minha mão , entraram e voltei para o quarto. 

    Informaram a mudança de quarto, peguei as coisas todas, levei para o quarto indicado em outro andar, já tinha uma mulher lá com a família e o bebê já nascido. Ajeitei as coisas nos armários, me sentei para descansar as pernas. Não ouvi quando o Gelson mandou mensagem e nem quando ele ligou! Daí a pouco ele apareceu no quarto dizendo que estavam de volta lá no mesmo quarto no centro obstétrico e a indução continuaria. Alguém disse que foi a primeira vez que após uma analgesia a parturiente voltou para dar continuidade ao trabalho de parto no quarto. 

    Pegamos as coisas todas e voltamos para o quarto anterior. Ela muito feliz dizendo: - "Vânia, estou outra pessoa! Agora até consigo dizer como vc está bonita!!!" 

    Seguimos com sorrisos e conversa amena, lembranças e risadas. 

    Para mim as refeições acabaram sendo um problema, ao ponto da Telma olhar pra mim e dizer "Eu tenho que te alimentar". O Gelson saiu pra buscar lanche pra mim mas também não permitiram entrar, então sai e fui comer na praça em frente à maternidade. Aproveitei para mudar o carro de lugar pq o estacionamento ia fechar. Tudo certo, de volta ao quarto, massagens e palavras de incentivo.

Nesse tempo todo o Gelson participativo, apoiando e dando todo o amparo.


E toda a segurança do parto sendo monitorada. 


    As contrações seguidas, a dor voltando porque o efeito da analgesia foi passando. Telma ficando brava de novo. Como assim tá doendo de novooooooooooooo?! Pedido de cesárea, resposta de que a cesárea não podia ser à pedido neste caso, mais conversas. Tempo passando, corpo trabalhando, e a chegada dos esperados puxos. 



E essa foi a posição em que ela se ajeitou para o expulsivo. 

Nessa parte do quase nascendo ela começa a dizer "Não tá nascendo, vocês estão me enrolando, eu to com vontade de fazer força mas não é bebê!" Respondi: - Telma, vc é doula faz quanto tempo? É o bebê sim!"

Abaixei a cabeça e pensei "aff, exagerei, passei do ponto, agora fui eu que fique brava, vou ter que pedir desculpas depois". :P 

Mas contrações, já estamos vendo o bebê. ela perguntou quanto falta? Respondi 10 minutos. Não deu nem 2, na próxima contração nasceu. 

Gelson cortou o cordão, ela precisou de um tempinho para se virar na cama, respirar, olhar para o bebê e dizer me dá ele. Em todo esse tempo foi acolhida e apoiada, bebê sendo atendido, observado, tudo certo! 



Família reunida, todos do mesmo lado.


Os sorrisos plenos de um dia que entrou na História!



Mais uma vez e sempre: gratidão imensa pela oportunidade e honra de estar presente. Beijos e abraços! 

VâniaDoula. 


terça-feira, 1 de outubro de 2024

Vim doular e adorei!

Continuo sendo Vânia Doula!

 




Doula: aquela que serve; mulher experiente que serve outra mulher durante o parto.

Há 18 anos doulei pela primeira vez. Foi fantástico! E, desde então, foram mais de 200 doulagens.

Perdi essa conta quando doulei 5 partos na mesma semana! Deixei pra anotar depois, a vida seguiu nas doulagens pós-parto e, nunca mais tive certeza dos números...

A certeza é que ser doula é uma das maiores honras da minha vida! Cada noite insone, cada "corre que vai nascer", cada "calma que ainda vai demorar", cada olhar presente, cada frase dita com amor - mesmo quando era pra tirar aquela mulher do buraco da autopiedade - cada "falta pouco, você já conseguiu, já dá pra ver o bebê", cada uma valeu a pena!

A busca pelo parto e nascimento com respeito continuam me movendo até hoje, pois um parto onde mulher e bebê são respeitados, previne problemas de saúde, tanto físicos quanto emocionais.

E vale lembrar que depressão pós parto existe e não tem NADA a ver com ter corrido tudo bem no parto e estar tudo bem com o bebê, não é ingratidão nem falta de fé. 

Depressão é doença! NÃO é frescura. Se você está chorando muito no pós-parto ou conhece alguém que está se sentindo mal, chorosa, deprimida, triste e com pensamentos sombrios, recomendo a busca de ajuda profissional.

Ter um bebê fisicamente saudável nos braços não invalida seus sentimentos.

Vânia C. R. Bezerra

Psicóloga E Doula

Contato - (16) 99794-3566 

vaniacrbezerra@yahoo.com.br

#psicologasaocarlos #interiordesp #doulasaocarlos #doulagem #depressão #depressãoposparto #babyblues

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Viviane e Marcelo na chegada da Laura.





Dia muito especial, dia de celebrar, de agradecer, dia de boas lembranças!



Segunda vez doulando a Viviane. 

A primeira doulagem muito emocionante e a segunda não seria diferente! 


Recebi mensagem na madrugada de sábado que dizia assim: 

- "Meus filhos gostam mesmo de animar os seus fins de semana"! rsrsrsr 

Ela estava com contrações irregulares e havia perdido o tampão. Me chamou pela manhã. Quando cheguei no condomínio havia uma festa no quiosque e o Marcelo me ajudou a encontrar um lugar para estacionar. Entrei e encontrei Vivi na sala, muito tranquila. Conseguiu ainda ficar umas poucas contrações sentada no sofá, mas logo tinha que se levantar a cada uma, então desistiu de sentar. Passou a apoiar as mãos na mesa da sala ou no encosto do sofá durante as contrações, e nos intervalos dava caminhadinhas pela sala e pela cozinha. Tinha conseguido também se alimentar. Logo as contrações foram ficando fortes e bem próximas, então decidimos ir para a maternidade. Marcelo colocou as coisas no carro e nos intervalos das contrações ela perguntava sobre uma coisa ou outra, se já estava no carro. Colocamos uma toalha no banco do carro para proteger caso a bolsa rompesse a caminho do hospital. Marcelo desceu o carro da rampa da garagem para evitar os solavancos, e ajudamos a Vivi ir até o carro, com direito a duas paradas para contrações, uma na porta de casa e uma na porta do carro. Estavam bem próximas mesmo!

Chegamos ao hospital com tranquilidade, apesar de ser sábado de manhã também era feriado, então o transito não chegou a ser problema. 



Na maternidade fomos conduzidas para o quarto enquanto o Marcelo ficava fazendo a ficha de atendimento. A enfermeira pediu para fazer o exame de toque, e eu disse que mesmo que a dilatação estivesse pouca precisávamos levar em conta que era o terceiro parto, portanto mesmo que o número ali fosse "baixo" o nascimento tendia a ser rápido. Vivi aceitou ser examinada e a dilatação estava em 4. Pelo protocolo o recomendado seria voltar para casa. Pois é... um protocolo feito para primeiro parto! Então Vivi disse que preferia ficar e meio a contragosto da enfermeira, ficamos. 

Vivi foi para o chuveiro e não me lembro de ter colocado a banheira para encher porque ela não se sentia muito atraída pela ideia de parto na água, e de qualquer forma eu acreditava que nem daria tempo. 

Ela no chuveiro e em menos de uma hora já estava com puxos, e desta vez ela já conhecia o caminho, estava segura e com inibições colocadas de lado. 

Marcelo chegou com as malas, a ficha de atendimento já tinha virado ficha de internação. Tudo resolvido, ele não saiu mais de perto. 

Chuveiro, massagens nas costas, sorrisos, palavras de incentivo, massagens nos ombros. Marcelo trazia água quando ela pedia, dizia palavras de incentivo e também a fazia dar risadas. E foi assim, no chuveiro e um ambiente de cuidado amoroso que ela começou a ter vontade de fazer força e eu vi a cabeça da bebê começar a aparecer. Pedi ao Marcelo que avisasse a enfermagem. 


Vivi expressou cansaço. Ofereci a banqueta e ela aceitou experimentar porque no segundo parto teve um pouquinho de dificuldade de se ajeitar. Mas desta vez foi mais fácil: o Marcelo sentado na escadinha de dois degraus, atrás dela, e ela sentada na banqueta de parto e apoiada nele, igualzinho tinha sido no nascimento do Pedro. Dr Rogério chegou e sentou-se no chão, na frente dela e só pediu pra ela verticalizar o corpo porque ela estava torta pro lado. 

Tudo ajeitado, reparei que as costas do Marcelo tinham ficado longe da parede. Pedi para alguém da enfermagem alcançar a bola suiça que havia ficado do outro lado do quarto, e encaixamos entre ele e parede para que ficasse ele também com as costas apoiadas, e com o olhar ele nos agradeceu. 


Vivi fazendo força nas contrações, eu enxugando sua testa e abanando às vezes, Marcelo oferecendo golinhos de água e todos mantendo um clima de tranquilidade e cuidados.

E foi assim que a Laura chegou. Direto pro colo, contato pele e pele, linda!

Assim como no nascimento do Pedro, só tiramos fotos após o nascimento.




Aqui manchamos o rosto da pediatra pq não temos autorização dela para uso da imagem. Mas acreditem: o olhar dela estava tranquilo, cuidadoso, amoroso, e ela tinha um sorriso nos lábios. Momento do contato olhos nos olhos da bebê com sua mãe e seu pai, super respeitado. 

Cuidado atento e atenção amorosa.

 Logo a Vivi estava na cama, estimulando a bebê a mamar, e a placenta saiu logo em seguida. 



Parabéns Viviane pela entrega amorosa, pela tranquilidade e pela força. Parabéns Marcelo pelo apoio tranquilo e amoroso. 

Agradeço imensamente pela confiança no meu trabalho e pela alegria de estar novamente nesse momento sagrado da chegada de mais um bebê nesta linda família. 

Um grande abraço!

Vânia Doula. 😃 💖



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Nara, Kauê e sua família aumentando.

Imagem relacionadaQuem me procurou primeiro foi a doula que Nara havia contratado. A família e a doula estavam em em busca de um parto natural e nascimento humanizado para os gêmeos. Eu já tinha uma experiência em parto de gêmeos e foi por isso que elas me encontraram.

Eu poderia ser uma doula back up, tirando dúvidas e ajudando? Sim, poderia!


A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e close-up
Mãe de dois! 
Nara estava fazendo tudo que podia para arrecadar fundos e assim poder bancar sua viagem de uma cidade vizinha pra São Carlos, e também poder bancar as despesas do parto.

Marcamos então um encontro aqui em São Carlos, para nos conhecermos: Nara, Kauê, barriga com dois bebês, a doula deles, mais a fotógrafa que viria de Araraquara. Foi um encontro muito bom, e entre as apresentações, dúvidas e combinados, ficamos mais firmes na decisão de fazer tudo que fosse possível e seguro, para os bebês nascerem bem e Nara ficar feliz com sua experiência.

As semanas continuaram a correr, e um dia estava na reunião do Grupo de Apoio ao Parto Natural e comecei a receber mensagens da doula de que Nara estava com sinais de começo de TP e já ia pra casa dela. Conversamos um pouco, achei que era cedo pra ir, contrações de vinte em vinte minutos, mas a doula disse que ficaria mais tranquila. Fiquei aguardando.


A noite passou, recebi mensagens de que estava tudo bem, ela não estava em trabalho de parto.















Continuei minhas atividades ao longo da semana e dias depois estavam vindo para São Carlos com contrações mais fortes e regulando.

Cheguei na maternidade, eles estavam no quarto, Nara já com o cardiotoco instalado, terminando do segundo bebê, a enfermeira veio e tirou o aparelho, levou o gráfico e foi falar com o médico. Tudo indo muito bem, contrações espaçadinhas mas fortes, médico autorizou a internação. Eles ficariam na suíte de parto. Mais espaço, ficamos todos muito felizes.

Então subimos para a suíte, Nara e o esposo, a mãe da Nara, a outra doula e eu, mais a fotógrafa que chegou um pouco depois. Nara passou o dia revezando caminhadas e descansadas, chuveiro, bola, conversas e as contrações às vezes firmavam e às vezes espaçavam.

Pen drive tocando a play list escolhida, a doula deles me chamou de canto e falou que precisaria sair, iria a um compromisso em outra cidade, voltaria mais tarde. Era compromisso de trabalho, desses que se a gente não for corre um risco grande de perder o emprego. E era inclusive por que sabiam dessa possibilidade que me chamaram para estar junto. Então ela foi e eu fiquei. Doulas unidas.

O dia passou e a fotógrafa pediu licença para ir em casa tomar um banho e jantar. As contrações continuavam naquela de às vezes próximas e curtas, às vezes fortes e espaçadas... Ficamos de chamar a fotógrafa de volta quando a coisa engrenasse de verdade.


Pen drive tocando, chamei a atenção da Nara para uma música: "você escutou a música de Yemanjá"?!
Diante da resposta negativa, procurei a musica e coloquei pra tocar de novo. Nara cantou enquanto mexia o quadril pra relaxar na bola de pilates.

E foi assim que as contrações engrenaram. Nara não se lembra, mas em certa parte da música ela fez uma saudação colocando as mãos em forma de Namastê, e inclinou a cabeça.

Contrações se aproximando e fortes, coloquei a banheira pra encher ( e aquela banheira era uma maravilha, enchia em 5 minutos e na temperatura adequada).

O detalhe é que engrenou tanto que toda vez que eu pegava o celular pra chamar a outra doula e a fotógrafa, não dava tempo de ligar e já vinha outra contração.

Felizmente a doula mandou mensagem perguntando como estavam as coisas e eu consegui responder: se quiser ver o nascimento vem depressa.

A essa altura Nara já estava na banheira e sentindo os puxos (vontade de fazer força). Pediatra entrou, mãe filmando o parto, e o primeiro bebê nasceu ao mesmo tempo em que o médico entrou exclamando "o primeiro já nasceu"!!!! e em um segundo estava ao lado da banheira acompanhando.

O  bebê ficou no colo da Nara até a próxima contração, quando ela pediu ajuda e o cordão foi cortado, bebê entregue para a pediatra examinar. Voltei minha atenção para a Nara. A doula dela chegou e ficamos todos em volta da banheira. O segundo bebê veio em seguida, e também foi para o colo da Nara. Quem cortou o cordão foi a doula dela, enquanto a mãe dela filmava tudo.

Bebês ficaram super bem, ajudamos a Nara a sair da banheira e ir para a cama.

E assim foi essa história. A segunda vez que doulei parto de gêmeos. Experiência maravilhosa!

Nara agora é doula em sua cidade, e continua essa corrente de partos respeitoso

Que mais bebês, muito mais bebês, possam ficar no colo de suas mães após o nascimento.

Parabéns Nara e Kauê pela força e pela decisão de trazer seus filhos para este mundo de forma suave.





Gratidão imensa por terem me convidado a fazer parte desta história linda!





Vânia C.R. Bezerra.

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domingo, 17 de setembro de 2017

Preparação para o parto, amamentação e primeiros cuidados com o bebê

Preparação para o parto, amamentação e primeiros cuidados com o bebê
Em São Carlos no sábado dia 23/09/2017 das 14 às 18h00

com Vânia C. R. Bezerra - 
Doula há 13 anos, Educadora Perinatal e doula Pós-Parto

Psicóloga com formação voltada para Psicologia Hospitalar - CRP 06/51759

As oficinas têm como objetivo facilitar a aprendizagem através da prática, da simulação e da troca de experiências. Saindo do estudo puramente teórico e obtendo maior segurança emocional
para um parto, amamentação e puerpério mais tranquilos.

OFICINA DE PREPARAÇÃO PARA AMAMENTAÇÃO e primeiros cuidados com o bebê
Das 16h00 às 18h00.



Conteúdo: pega correta, como prevenir os problemas mais comuns e como resolvê-los caso apareçam; o que o acompanhante pode fazer para promover e facilitar a amamentação e o vínculo entre mãe e bebê, banho, cura do umbigo, troca de fraldas, rotina do recém-nascido.

OFICINA DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO
-Das 16h00 às 18h00 



Conteúdo: fases do trabalho de parto, posições que facilitam a descida do bebê, como o acompanhante pode ajudar, como a doula pode ajudar, como podem trabalhar em conjunto. O que evitar para não atrapalhar. Técnicas naturais de alivio da dor. O que levar para a maternidade, o que é necessário ter em casa para um parto domiciliar.

Investimento: 200,00 cada oficina, com direito a um acompanhante. (mais 50,00 por cada acompanhante extra).

Para fazer as duas oficinas: $200,00 (pagamento antecipado)
Inscrições ou dúvidas, entre em contato pelo whatsapp: Vânia - (16) 99794-3566
Importante: comparecer com roupas confortáveis, que te permitam ficar de cócoras e sentar-se no chão. Também vamos ficar descalços.
Para a oficina de amamentação, se possível levar uma boneca e um cueiro ou cobertorzinho.

Informação é poder! Venha se preparar, não deixe para começar a perguntar só quando já estiver com o bebê no colo e as emoções à toda velocidade. Comece agora!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Tornei-me doula...

Tornei-me doula para que histórias assim não mais se repetissem.

Tornei-me doula para mudar o mundo começando pela forma pela qual se chega ao mundo.

Tornei-me doula para ver mulheres sendo respeitadas e bebês sendo bem acolhidos

Acredito que o amor e o respeito profundo pelo nascimento influencia o vínculo entre mãe e filhos

Acredito que não é determinante - não é uma equação matemática onde o resultado será sempre o mesmo

Mas que fará o resultado pender para um lado ou para o outro.

Lembro de uma reportagem no programa dominical noturno de maior audiência no Brasil

Que falava sobre como mulheres e bebês são tratados no Brasil.

Terminou assim: "felizmente a maioria consegue se recuperar das violências sofridas".

Tornei-me doula porque essa frase me comoveu

E eu tinha 7 anos.

Tornei-me doula porque minhas duas irmãs foram mal tratadas durante os nascimentos de suas filhas.

Tornei-me doula porque eu mesma estava sendo encaminhada para intervenções desnecessárias.

Tornei-me doula porque esse não é o mundo onde eu queira ver minhas sobrinhas e meu filho crescendo.

E quando eu quero uma coisa, eu faço! E você?

Leia esta postagem da Sherazade e saiba como algumas coisas continuam acontecendo na maioria das maternidades do Brasil.

Ser presente

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Onze anos e a doula HP.

Onze anos! Há onze anos fui doula pela segunda vez! Há onze anos acompanhei minha irmã em um parto depois de cesárea, depois de redução de estômago, pressão alta sendo controlada com remédios, perdendo peso até o sexto mês, dores que a levavam vezes seguidas a passar a noite internada para receber remédios (para controlar a dor) na veia...

Encontramos uma médica que não teve medo. Não a tratou como uma mulher bomba.


Uma médica que em uma tentativa honesta de não fazer uma episiotomia, conseguiu não fazer um corte profundo e ao invés disso fez três cortes mais "rasos". (Minha irmã dá muita risada disso e diz que ficou com a marca do Zorro).

Uma manobra de Kristeler (empurrar o fundo do útero para acelerar o nascimento) autorizada pela minha irmã que se sentia sem forças para empurrar... (ela estava com os pés nos estribos!!! Pensa num canal de parto apontando pra cima!!!)

A médica me chamou para ver a cabeça da bebê começando a aparecer e eu vi um tantinho de cabelo, falei que sim, mas na verdade nem soube o que tinha visto, só acreditei nela! rsrsrsr

Minha irmã sentada na cama no dia seguinte, passa um homem no corredor e pergunta: "você que estava gritando ontem?! nossa! minha esposa teve cesárea no mesmo horário, ela ainda não conseguiu levantar"...

Pois é! Parto dói sim, a dor é real, grite se sentir vontade! Faça o que sentir vontade, deixe teu corpo te guiar, não fique analisando... Vai valer a pena!

Honro a oportunidade de continuar sendo doula. E continuo vibrando com cada bebê, que nascendo de parto ou de cesárea, nasceu no dia em que quis e nasceu como pôde.

Há algumas semanas um pai me disse que eu parecia o Harry Potter forçando o Dumbledore a tomar a poção que causava dores, dizendo "está quase acabando, toma mais um pouquinho"...

Achei a comparação sensacional. Objetivos diferentes, poção maligna, mas ambas escondendo "objetos de poder" no final do processo. No caso da doulagem... as mulheres que passam pelas contrações descobrem um poder que não estavam conscientes de ter. Tiveram que enfrentar todo um sistema que as guiava para uma cesárea com hora marcada...

Elas destroem crenças limitantes. Uma vez ajudei uma mulher a passar pela "hora da covardia" lembrando-a de todas as pessoas que haviam dito que ela não ia aguentar, e agora o bebê estava quase nascendo, faltava pouco.

Há onze anos faço isso! Mais de 160 partos. Continuo absolutamente apaixonada pelo que faço!