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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

segunda-feira, 14 de março de 2011

Suzana, Emanuel e Joaquim - 15/03/2010


Suzana me ligou seguindo a indicação de meu cunhado que trabalha como zelador do Centro Médico. Ela já tinha ouvido falar de doulas pois estava fazendo o pré-natal com a Dra Carla, e quando meu cunhado falou sobre mim ela resolveu me ligar e pedir mais informações. Algum tempo depois ligou de novo e marcamos um dia para eu ir à casa dela, que a propósito era super perto da minha. Fui à pé. 

Chegando lá conversamos bastante, ela falou que tinha uma irmã (Patrícia) grávida também, conversamos sobre os valores... ficou de falar com o namorado, que mora em São Paulo e depois me daria uma resposta. Fui embora levando o guarda chuva da mãe dela emprestado. Isso foi engraçado... voltei lá algumas vezes para tentar devolver e não consegui... finalmente ela ligou dizendo que ela e a irmã me contratariam. Faríamos a parte da preparação com as duas juntas, deixando apenas o plano de parto em reuniões individuais. Então, na primeira reunião eu consegui devolver o guarda-chuva! rsrsr

Como sempre, assistimos filmes, conversamos muito... a mãe delas ficava junto, e falamos bastante sobre os partos dela, sobre a história de vida deles todos... às vezes tem gente que acha que me incomoda com essas histórias, mas eu vivo disso, eu respiro isso, eu adoro isso! E limpar essas lembranças é muito importante também. Resumindo: tenho um sentimento de carinho muito grande pela Dona Cida. Mulher realmente admirável.

Bom... Dona Cida e as duas filhas freqüentaram assiduamente as reuniões do GAPN, quase sempre acompanhadas também por uma cunhada da Patrícia. As 4, sempre participando e contribuindo para o bom andamento desses encontros.

Suzana e o namorido não participaram da oficina de parto por causa da distância. Ele trabalhando em São Paulo, a oficina foi numa quinta à noite... enfim, não dava mesmo. Mas ela estava muito firme quanto aos procedimentos que são feitos por rotina no atendimento ao parto feito da forma tradicional. Lembro do dia em que fui à casa dela para fazermos juntas o plano de parto. Ele ligou e eles conversaram um pouco sobre isso... ela explicou algumas coisas desnecessárias como a depilação, jejum, etc... e eu fiquei ali só escutando, cheia de orgulho!

Uma grande preocupação dela era que não desse tempo dele chegar quando ela entrasse em TP. Mas ele sempre passava os fins-de-semana em São Carlos... e ela começou a sentir as contrações no domingo! (Eu não acredito em coincidências). Assim, ele não foi embora. Ela me ligou às 8h00 de segunda-feira, dizendo que estava com contrações de 10 em 10 minutos e tudo bem tranquilo, bolsa íntegra, bebê mexendo bastante... deixei minhas coisas de doulagem preparadas. 

Então ela ligou ao meio-dia, e eu entendi que as contrações estava de dois em dois minutos, mas estava tudo bem... ela disse que eu podia almoçar tranquila e ir para lá ali pelas duas da tarde!

Bom... óbvio que eu não almocei tranquila. Almocei correndo. E o telefone tocou de novo, e era o Emanuel, dizendo assim:

- "Olha, vc precisa vir logo, daqui a pouco esse nenê nasce em casa! As contrações já estão de 10 em 10 faz bastante tempo!"
- Ééééé´... estão de 2 em 2 ou de 10 em 10?
- De 10 em 10!
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah boooooooooooooooom! (Respirei aliviada). Então está tudo bem. Olha só... se estiver tudo bem nós vamos para a maternidade quando as contrações estiverem de dois em dois minutos já há algum tempo...
-"De dois em dois?!!!! Tem certeza que não vai nascer aqui?!"
-Tenho. E de qualquer forma eu já estou indo, daqui uma meia hora já estarei aí.
- "Tá bom então..."

Então à uma hora meu marido levou meu filho para a escola e voltou para me levar para a doulagem, na casa da mãe do Emanuel. Tivemos um pouco de dificuldade de encontrar a rua, e parei para pedir informações em um mini-mercado. Quando perguntei para o balconista uma senhora que estava sendo atendida disse:

- Ah, vc está procurando a casa da XXXXX, é minha amiga, o neto dela vai nascer né?
- É. Isso mesmo. 


Então me explicaram como chegar lá e dessa vez foi fácil. Emanuel abriu o portão, e a Suzana estava no quintal, bem próxima. Veio com um sorriso enorme e me abraçou. Meu marido desejou boa sorte e foi embora. Entramos.

Feitas as apresentações, fomos para o quintal. Lindo! Muito gostoso de se ficar, cenário perfeito para um TP tranquilo. .


Bom... Suzana firmava as contrações de 3 em 3 minutos... e voltavam de 10 em 10. Então passei a pedir que fizessem chá de canela para ela. Ajudaria a firmar as contrações. Também providenciei a bolsa de água quente, embora não tenha sido muito utilizada, ficou por ali...

Emanuel apareceu  de filmadora em punho, e daí em diante registrou muitos momentos do TP. Tb me mostrou como operar a filmadora, para que eu filmasse o nascimento. 

Dona Cida chegou, muito sorridente, muito calma, linda!

Suzana caminhava pelo quintal, pendurava-se no pescoço de quem estivesse perto quando a contração vinha, e também nos lençóis que amarrei no quiosque da churrasqueira. Relaxava e deixava o corpo se abrir.

Quando as contrações começaram a ficar mais intensas:

Suzana: - "Agora não tem como voltar atrás né?"
Eu: - "booooom.... o bebê está aí, por algum lugar ele vai ter que sair"...

Ela sorriu docemente... veio outra contração e mais uma vez ela se entregou.

A cunhada chegou, vindo da Inglaterra. Apresentações, e um problemão: o namorado com uma baita dor de dente. Então ficaram atrás de um dentista que o atendesse, e depois saíram para levá-lo até lá.

As sete da noite as contrações firmaram de dois em dois minutos. Ela foi para o chuveiro e ficou lá por um tempo, mas o Emanuel percebeu que estava de dois em dois minutos e ficou um pouco preocupado. Queria levá-la para a maternidade logo. Eu sai do banheiro para buscar água para a Suzana, e escutei um pedaço da conversa entre ele e a Dona Cida, e ela exalava tranquilidade, e com uma voz muito suave disse assim:

- "Ela não está sofrendo! Essa dor aí é só a dor necessária pro bebê nascer"!

Ai gente... como é BOM quando as pessoas entendem isso. A dor faz parte do processo, mas o sofrimento é opcional. E sem dúvida, a Suzana não estava sofrendo. 

Bom, mas também ponderei que eles não teriam a tranquilidade necessária para parar o carro quando ela tivesse contrações à caminho do hospital... então nem daria para ficar muito mais em casa. Falei que levassem as coisas para o carro, e eu e Dona Cida a ajudamos a vestir-se.

Quando sai do quarto escutei o sogro dela desmarcando a aula de inglês:

- "EU NÃO VOU PODER IR PORQUE MEU NETO ESTÁ NASCENDO"!

E ele estava tão feliz que eu fiquei emocionada! Rrsrsrs! Limpei umas lagriminhas do canto dos olhos.

E lá fomos nós, o sogro dirigindo, eu, dona Cida, Suzana, Emanuel... a sogra foi no outro carro junto com a filha. E no caminho ficou tão claro que era cedo para ir para a maternidade... Acho que ela teve só duas contrações, e suportou bem, nem pedi que parassem o carro... no exame de admissão o toque revelou 7cm de dilatação. Sorri e disse:

- Que bom. Vamos ter tempo de encher a banheira sem pressa.

E assim eu fiz. E tenho ótimas lembranças dos acontecimentos seguintes.

Coloquei música prá tocar no celular. "Noites com sol" do Flávio Venturini. E Suzana dançou com o Emanuel, e quando a música terminou ela pediu: - "toca de novo"?

"Ouvi dizer que são milagre, noites com sol,
Mas hoje eu sei não são miragem, noites com sol.
Peço um amor que conceda noites com sol!"

Pode abrir a janela, noites com sol são mais belas.
Deixa entrar o sol".


Terminei de inflar e encher a banheira, Suzana entrou, e ela se sentia muito bem fazendo o "cabo de guerra". Eu enrolei um lençol e quando vinha a contração ela firmava os pés na borda da banheira, eu puxava uma ponta e ela puxava a outra. Fizemos isso vaááááárias vezes, e uma vez que eu tinha saído do quarto a Dona Cida também "entrou na dança". Demos muita risada com ela contando depois, que se a contração tivesse durado mais um pouco ela teria ido parar dentro da banheira junto com a Suzana!

Dra Carla chegou, e às 10 da noite a dilatação estava completa. Suzana olhou prá mim e disse: 

- "Agora eu estou ficando cansada. O que eu posso fazer pra ajudar a nascer mais rápido?"

R) Ficar de cócoras durante as contrações.

E assim ela fez. Segurava o lençol, erguia o corpo e ficava de cócoras.

Dra Carla perguntou:

- Vamos para o centro obstétrico então?
Resposta da Suzana: - "ah, eu queria tanto que nascesse na água! Tá tão bom aqui!"
Dra Carla: - "Então pode ficar. Eu topo"!

Eita, quase que eu saí pulando! Como teria sido muito estranho uma doula pulando pelo quarto, coloquei música de índio e fiquei dançando... tããão feliz que nem posso explicar! 

A pediatra escolhida não estava em São Carlos, a outra também não, então veio outra... sem comentários! :P

Suzana estava na banheira de costas para a porta. Ainda bem, pq juntou uma "baita galera". Eu fiquei num cantinho, toda torta para poder filmar o nascimento, mas como eu tinha certeza que não estavam atrapalhando a Suzana porque estavam bem quietinhas, no fundo eu estava achando bom. Toda essa gente ia ver um nascimento na água!

Dentro do quarto estavam só o Emanuel, Dona Cida, Dra Carla e a pediatra. Na porta um enfermeira segurando uma toalha aquecida para envolver o bebê. E mais umas quatro mulheres se espremendo, procurando um ângulo favorável. Gostaria de ter uma foto deste momento! rsrsrsr   

Quando percebi que estava bem perto de nascer, pedi para alguém segurar a câmera um pouquinho. Eu ia chamar a família dele, para ficarem por perto e ouvirem o primeiro chorinho... mas quando saí do quarto quase trombei com eles bem na porta! rsrsrs Já tinham conseguido a informação com a enfermagem. Então voltei ao meu posto com a filmadora, e assim vimos o Joaquim chegar ao lado de cá da barriga. 

Dra Carla disse com um grande sorriso:
- "Suzana, pega o seu nenêm"!

Nossa, que cena liiiiinda! Maravilhosa!

A parte da pediatra... bom... foi tão ruim que é difícil descrever. Ela aspirou um bebê corado, chorando, e agitando os bracinhos! :P Deixou ele perder temperatura pq o colocou nu sobre a cama e ficou por longos minutos verificando os batimentos cardíacos... aí, com a necessidade de recuperar a temperatura, ele ficou longas horas na encubadora, que resultaram em dificuldade de mamar e icterícia acentuada, a ponto de depois da alta terem que voltar a ficar internados para que ele fizesse os banhos de luz... nem em cem anos eu conseguiria expressar minha indignação. A única coisa que eu poderia desejar para essa médica seria... que ela voltasse a estudar. Há!

Após o nascimento, enquanto o Joaquim ainda estava no colo da Suzana, abracei a Dona Cida, nós duas com os olhos cheios de lágrimas. Que benção!

Levei a filmadora lá fora, e assim a família dele já pode assistir o nascimento.

E encontrei também a Patrícia, linda, com sua barriga de seis para sete meses, super feliz e orgulhosa. Ela disse assim:

- Foi forte a minha irmãzinha né? Será que eu também vou ser?

Sem dúvida! Família de mulheres fortes!

Quando fui fazer a visita pós parto Suzana estava em casa, com muita dificuldade para amamentar. O  bebê parecia que ficava desesperado e "brigava" com o peito, chorando muito! Tentei ajudar, mas realmente a parte de amamentação nunca foi o meu forte... e dias depois os encontrei novamente na maternidade pq o bebê precisou ficar internado para os banhos de luz.


Lembro bem do dia em que Suzana e Dona Cida foram ao GAPN contar como tinha sido o parto. Realmente teve alguns lances engraçados, e outros muito emocionantes. A participação do Emanuel, apoiando e incentivando foi fundamental! E Suzana estava tão bem que a internação um pouco precoce não interferiu em nada. Foi um parto maravilhoso.


O lindo vídeo realizado e editado pelo Emanuel pode ser visto neste link:


http://www.youtube.com/watch?v=2Cwc8S390EM&feature=fvsr

Ou aqui:




Suzana, muitíssimo obrigada por tudo. Eu adorei estar lá. Eu adoro você e adoro sua família. 


Um graaaaande beijo!

Vânia Doula. 




PS: Porque tudo tem uma primeira vez! (Autoria: Emanuel)



2 comentários:

  1. Nossa, Vânia, eu nem lembrava que o primeiro parto no nosso PPP improvisado tinha sido o do Joaquim!!!
    Lindo relato, deu uma saudade de você.
    Beijo grande!!

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  2. Amei o relato! Parir sem ter que ir pro centro obstétrico não tem preço!
    Que fofinho ele dando os primeiros passos.
    Ah, já te disse que escreves muito bem?
    Beijos
    Helô

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