Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde,neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Aquela que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto. Gosto de pensar a doula como acompanhante facilitadora. E o que é educadora perinatal? Aquela que tem formação para dar cursos para gestantes, falando sobre as mudanças no corpo da gestante, desenvolvimento do feto, parto, amamentação, puerpério e primeiros cuidados com o recém-nascido. Atualmente morando em São Carlos/SP. Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566 (16)34137012

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Escrevi esta carta quando estava no final da gestação, por que simplesmente me recusei a "engolir o sapo e ficar calada". Ela foi longe... foi capa do site da Fiocruz por uma semana, entrou como argumento no projeto de lei da Senadora Ideli, pelo direito de termos acompanhante durante o trabalho de parto e parto, foi verso de um manifesto da Rehuna durante a XII Conferência Nacional de Saúde, em 2004, no Rio de Janeiro, e foi publicada no livro "Humanizando Nascimentos e Partos" (pag, 186 a 188), de Daphne Rattner e Belkis Trench, ed. Senac, São Paulo, 2005.

Nunca recebi nenhum tipo de resposta, nem da Sta Casa referida, nem dos doutores envolvidos na história... mas ter contribuído para o aumento da indignação pela proibição já foi suficiente!
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CARTA ABERTA À COMUNIDADE

Aos Excelentíssimos Senhores Diretores daSanta Casa de Misericórdia de Guaxupé.

Gostaríamos de manifestar nosso absoluto espanto e indignação diante da negativa ao nosso pedido da presença do pai durante o nascimento do nosso filho. Parece-nos absolutamente incrível tal negativa, e ainda mais sendo baseada em argumentos tão fracos. Inesperado para nós foi encontrar um entrave justamente no item que nos parecia ser o mais fácil, mais lógico, e o mais amplamente adotado em todosos centros médicos decentes existentes em nosso país - a presença do pai -,pois todas as outras solicitações que fizemos à equipe médica que nos atenderia, no sentido de conseguirmos um parto o mais natural e humanizado possível, foram atendidas. Assim fica claro que esta instituição tem uma estrutura física muito boa, um laboratório de ótima qualidade, uma suíte de primeiro mundo, e profissionais de várias áreas dispostos a melhorar a qualidade do atendimento visando a humanização do mesmo. Apenas os senhores diretores se negam a evoluir da mesma forma. Gostaríamos de obter então uma resposta mais honesta, pois nos parece que a decisão desta diretoria vem sem nenhum embasamento lógico. Dizer que não permitem a presença do pai devido ao risco de infecção é no mínimo nos tomar por tolos. Dizer que não querem mudar o modo como sempre agiram (abrindo uma exceção) é o mesmo que se passar por tolos. Por fim dizer que não há estrutura física para nos atender!! Qual é a estrutura necessária para o pai estar junto na sala do parto?!!

Permitam-nos analisar seus argumentos um a um.

1) Risco de infecção.Talvez pensem que a pele de um NÃO médico carrega mais vírus e bactérias do que a de um médico, e em sendo assim o pai só pode estar presente se também for um de vocês. Sim, porque sabemos que se o pai fosse médico ele poderia entrar sem nenhum problema, mesmo que não fosse obstetra ou pediatra.Realmente o argumento de controle de infecção para barrar a presença do pai é infinitamente fraco.

2) Não abrir uma exceção, já que o mesmo pedido já foi negado para outras famílias, e uma permissão agora abriria um precedente. Isso nos parece o mesmo que dizer: "somos atrasados, gostamos de ser assim e pretendemos continuar sendo, a não ser que venha uma lei que nos obrigue a evoluir ou escolher outra profissão". Os senhores, justamente por lidar com vidas humanas, deveriam ser os primeiros a ter um verdadeiro interesse em estar sempre atualizados. No entanto não parece ser esse o caso, já que atualmente não só a presença do pai é permitida, como também a de uma profissional chamada de doula, cuja função é dar suporte ao casal que passa por este momento que é tão especial e ao mesmo tempo de grande intensidade emocional. Ela atua acompanhando o casal durante todo o trabalho de parto, proporcionando ganhos tanto físicos quanto emocionais. Valeria a pena inteirarem-se das evoluções no atendimentoàs parturientes, pois acham-se muito atrasados.

3)Finalmente quanto ao último argumento: falta de estrutura física. Esse é o mais difícil de comentar tal o seu despropósito! Qual a estrutura necessária para que o pai possa estar presente na sala de parto?! Um banquinho para elese sentar atrás da mãe? A indumentária adequada para ele vestir?! Um pouco de sabão e álcool iodado para lavar as mãos? É isso que falta?! Parece-nos que é muito mais a falta de boa vontade e visão humanitária.É um absurdo que seja necessária uma lei que os obrigue a agir de forma mais humana no tratamento a seres humanos! Assim, enquanto não vem a lei, continuamos a ser tratados como números, como mais um "caso", ou apenas maisum parto. E já que estamos falando em estrutura: nossa Santa Casa dispõe de recursos para reformar uma suíte, tornando-a "digna de primeiro mundo", e, no entanto, não pode comprar mais um banquinho para o Centro Obstétrico? Realmente nos tomam por tolos...

Para encerrar queremos deixar claro que nosso repúdio a tal negativarefere-se exclusivamente a este evento, e que absolutamente nada temos contra vossas pessoas. Apenas gostaríamos de ser considerados e tratados como adultos, bem informados e capazes, pois nos sentimos ofendidos obtendo uma resposta baseada em argumentos tão descabidos. Lamentamos muito sermos obrigados a levar recursos que poderiam pagar profissionais de nossa cidade para outro Estado, e a empreender uma viagem durante um trabalho de parto, com todo o desconforto e até com certo perigo que isso pode acarretar, apenas para buscar o que consideramos ser nosso de direito: sermos atendidos como uma família digna de respeito.

Sem mais para o momento nos subscrevemos:

Guaxupé, 19 de novembro de 2003

Raul Luís Mendonça Nunes - que antes deste esteve presente em todos os nascimentos de seus filhos (sendo o primeiro há 18 anos);

Vânia Cristina Rondon Bezerra - psicóloga hospitalar.

Luís Felipe Nunes - nascido em 12/11/2003, na presença do pai.

Um comentário:

  1. Olá, muito boa a sua carta!
    Estou tendo um problema semelhante com o parto de minha filha aque ainda vai nascer em agosto de 2009, o hospital cruzeiro do Sul de Osasco também me disseram que não será permitido a presença do pai na hora do parto e nem de ninguém, se for o mesmo medico do pré-natal pode com uma carta do médico e tem que pagar 100 reais aparte.
    O que posso fazer? vou fazer uma carta igual a sua ao centro médico, posso?

    me escreva: luizfernandosato@gmail.com

    valeu

    Fernando

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