Quem sou eu

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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou Doula e Psicóloga. Atendo em consultório na Vila Prado em São Carlos SP. Formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Uma mulher experiente que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto e o pós-parto. Sou doula e psicóloga. Atendendo em consultório particular na Vila Prado em São Carlos SP Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Karen, Jr e Luisa - dezembro de 2012

Fui doula da Karen na primeira gestação dela, adorei conhecê-la, nossos encontros eram muito tranquilos, ela frequentou o GAPN junto com o marido e foram à oficina de parto. O relato do primeiro Trabalho de Parto  (TP) e seu desfecho encontra-se neste link:

http://vaniadoula.blogspot.com.br/2012/01/karen-e-jr-nascimento-da-sofia-03082010.html

Após o nascimento da Sofia, eu fui morar no Amazonas, e lá eu estava quando a Karen engravidou pela segunda vez. Mas voltei em seguida! Ela ficou sabendo da minha volta pela Jamile, e logo começamos a trocar e-mails, fui à casa dela apenas uma vez, levando a cópia do plano de parto anterior, conversamos bastante sobre algum tópico que ela desejasse fazer diferente desta vez. Tudo acertado, ficamos tranquilamente esperando que Luisa desejasse nascer e Karen entrasse em TP.

Karen mandou mensagem perto das 09h00 avisando que estava com contrações de 15 em 15 minutos.

(No começo das minha doulagens eu pedia pra não avisar muito cedo, pq eu mesma ficava ansiosa e perdia o sono... rsrsrsrsr aff, que vergonha de confessar isso! Agora, mais experiente, eu peço que me avisem quando perceberem que começou, assim eu me poupo de cansaço durante o dia, adiando uma faxina ou tirando um cochilo no meio da tarde. E nunca viajo para longe, mas se estiver em alguma cidade vizinha já vou tratando de voltar).

Mandei mensagem de volta, perguntando se ela estava calma, se precisava de alguma coisa... ela me ligou de volta. Disse que estava calma, mas iria até a maternidade dar uma olhada em um pequeno sangramento que estava tendo. Mais tarde mandou outra mensagem que já estava de volta em casa, estava tudo bem, e me avisaria então quando as contrações estivessem mais próximas.

Mantive meus compromissos e tirei meu cochilo no meio da tarde. Perto das 20h30 ela me ligou, dizendo que os intervalos ainda estavam um pouco irregulares, mas às vezes de 5 minutos, às vezes de 3. Muito tranquila ainda, mas eu preferi ir para a casa dela. Pedi carona pra minha irmã, deixei meu filho na casa dela, e ela me levou para a casa da Karen.

Jr abriu o portão, Karen estava na sala, sentada na bola e rodando o quadril. Linda!

Deixei minha mochila por ali, comentei que tinha demorado um pouco pq a cidade estava com congestionamentos pelo movimento do pessoal saindo pra ver as carretas da Coca-Cola passarem. rsrsrs

Ambos comentaram que as contrações estavam mais próximas, e logo que cheguei demorou quase 10 minutos pra vir uma contração. Provavelmente a minha chegada foi suficiente pra dar essa espaçada, mas foi só o primeiro intervalo, pois os demais já voltaram pra 4 ou 3 minutos. Nos intervalos Karen descansava, se sentava na bola, no sofá, ou ia dar uma volta na garagem. Estava uma noite um pouco mais fresca do que o calor intenso que vinha fazendo nas semanas anteriores, mas mesmo assim ainda estava muito quente. Jr. pegou um ventilador e o ligou na sala, Karen se sentava na bola bem em frente ao ventilador.

Peguei uma toalhinha de mão e passei a molha-la em água gelada. Tb pegamos uma garrafinha de água e colocamos no freezer por meia hora mais ou menos... Karen ficava revezando entre passar a garrafinha pelo pescoço e pelos braços, e a toalhinha molhada no rosto, dava uma aliviada no calor.

Estava se sentindo um pouco enjoada, mas sentia fome... tentou comer uns pedaços de pêra logo vomitou tudo... aí o Jr arrumou um copo com gelo e limão, e água bem gelada, que ela foi bebendo aos goles e acalmando o mal estar.

Liguei para a maternidade e avisei que estava doulando a Karen e que iriamos para a maternidade dali a algumas horas.

Quando vinham as contrações, na maioria das vezes, Karen procurava uma esquina de parede e se apoiava, colocando um joelho na frente do outro e balançando o corpo para frente e para trás. Outras vezes ia até uma cadeira e se reclinava apoiando-se no encosto. Todas as vezes eu fazia massagem nas costas. Algumas vezes ela referia estar sentindo dor "no pé da barriga", então falei que ela podia segurar a barriga e trazê-la para trás, para dentro do corpo.

Ela me disse que tinha pensado em usar o aparelho de ventosa, então fomos pegá-lo, ela me ensinou como manejar o aparelho e eu coloquei nos dois pontos das costas, onde ficaram por cerca de meia hora.

Jr descansou um pouco no sofá, mas levantou-se logo que as contrações começaram a ficar mais intensas e mais próximas. Comecei a marcar a duração das contrações e os intervalos e vi que já estavam durando quase um minuto e meio, e com intervalos irregulares, mas às vezes de 4 minutos e outras vezes de 30 segundos. Mal dava tempo dela se sentar e já levantava de novo. Depois de umas 4 contrações seguidas com intervalos de 30 segundos fiz sinal para o Jr que iríamos para a maternidade em seguida. Nem deu tempo de chegar no carro e veio outra, ela voltou para a sala e fiz massagem de novo, enquanto pedi a ele que tirasse o carro da garagem para que ela subisse com o carro já na rua. (Os degraus que o carro desce da garagem para a calçada e da calçada para a rua podem ser bastante desconfortáveis). E assim ele fez, e no próximo intervalos conseguimos chegar até o carro. No caminho até a maternidade paramos duas vezes para esperar a contração parar - uma vez foi na praça da XV, a outra já bem perto da maternidade). Outra contração ao descer do carro.

Chegamos. Duas da manhã mais ou menos. A recepcionista disse duas vezes para irmos a uma salinha de exames, e que Karen deveria ser examinada antes da internação. Fiquei um pouco apreensiva: será que voltamos ao tempo de ter que deitar para um exame de toque?! Mas não, quem veio nem foi a enfermeira, foi uma técnica de enfermagem, que pegou a Karen pelo braço e a guiava como quem guia um cego... fiquei bem atenta às reações da Karen e ela não pareceu se incomodar, então não falei nada. Fomos direcionados para o elevador de carga pq o outro estava em reforma. Me lembrei de um relato no GAPN que a moça contou que o elevador não parava alinhado com o piso, e teve uma hora que ela achou que dava pra pular... vê se isso é hora de lembrar desse tipo de coisa, logo eu que sou dada a ter crises de risos!

Bom... chegamos na suíte PPP e a moça começou a fazer umas perguntas para a Karen: primeiro filho? o primeiro foi normal? tem quantos anos? como se chama? # Quando é que vão entender que encher uma parturiente de perguntas não é boa ideiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa? Aí no meio da contração ela veio com a camisolinha de hospital e falou que depois da contração ela podia tirar toda a roupa e colocar a camisola... falei que não, que ela queria ficar com a própria roupa. - "Mas é que começa a sujar"... respondi de novo que ainda não - a bolsa está integra e ela não está com sangramento, então por enquanto ela quer ficar com a própria roupa.

Saiu sem responder nada, olhei para o Jr rindo e fiz um gesto sinalizando que a moça já tinha ficado brava comigo. Kkk... quando vou aprender a ser doula mansa e não doula onça? Será que um dia eu consigo? Eu bem poderia ter falado com um sorriso nos olhos, sem aquela expressão de quem quer enforcar a moça só pq ela encheu a Karen de perguntas no meio de uma contração!!!

Um dia eu aprendo, um dia eu aprendo, um dia eu aprendo... (meu mantra pessoal).

A enfermeira chegou, se apresentou, muito simpática. Pegou o sonar e tentou algumas vezes auscultar a bebê, mas teve um pouquinho de dificuldade de encontrar o foco, e quando encontrava já vinha uma contração e Karen queria se levantar. De qq forma deu para ver que estava tudo bem , deu para ver que o foco não estava ainda muito abaixo do umbigo, portanto era evidente que o nascimento não era eminente, e deu para perceber que as contrações estavam mesmo muito próximas e fortes. Ela então aconselhou que Karen fosse um pouco para o chuveiro. Levou a bola para lá, e ajudou a Karen a se ajeitar, enquanto eu procurei uma touca de plástico e o Jr desceu para fazer a internação. Com a Karen bem ajeitada no chuveiro, eu fazia massagens nas costas dela quando vinham contrações, e a enfermeira colocou a banheira para encher. Logo que ficou cheia ajudamos a Karen a entrar, e relaxando ali em pouco tempo as contrações espaçaram um pouco.

Foi só mais de uma hora depois que estávamos ali que a enfermeira pediu para dar uma olhada na dilatação. A parte chata foi que quis que a Karen se deitasse para o exame, justificando que não tinha prática em fazer o toque com a mulher na banqueta. Fiz o possível para manter meus olhos baixos pq tenho certeza que estariam soltando faíscas... fazer o que... : P  Ajudei a Karen a deitar, ela se posicionou de lado e perguntou se não poderia ser assim, a enfermeira respondeu que sim. Ufa, legal!

O toque foi feito com educação e gentileza, Karen não deu nenhum pulo e nem se contorceu nenhuma vez... nada do show de horrores que já vi algumas vezes... e a enfermeira sorriu! Eu achei isso ótimo pq elas geralmente tem uma prática tão grande de fazer cara de paisagem que a gente nunca consegue saber como está... rsrsrs  E falou na hora: - "8 de dilatação, já está quase"!!!

Ô coisa boa!

Ajudei a Karen a se levantar antes da próxima contração e logo ela quis voltar para a banheira. Aceitava alguns goles de água mas não queria comer nada. Com alguma insistência aceitou um suco de laranja, que tomou e vomitou em seguida... massagens durante as contrações.

 Jr. sentou-se próximo à banheira e a apoiava.

Mais uma hora e meia se passou e percebemos que ela começou a fazer força.Não muita força, algumas vezes ainda conseguia resistir . E a enfermeira passou a vigiar se a cabecinha da bebê não estaria aparecendo.Duas ou três vezes Karen verbalizou que estava achando que não iria aguentar, e então a enfermeira e eu nos revezávamos no sentido de incentivá-la.

EO esperando a contração passar para fazer a ausculta fetal
Consegui achar uma técnica de massagem que dava mais alivio - mas essa massagem atrapalhava a enfermeira que estava tentando ver através da água se a bebê já estava coroando. Sugeri então que ela não fizesse o toque, mas só encostasse a mão espalmada e percebesse se o períneo estava abaulando. Ela pediu licença para a Karen e encostou a mão, sorriu, olhou para a técnica de enfermagem e falou: pode chamar o médico e a pediatra.

Passaram a arrumar o berço aquecido e demais apetrechos, e eu pude fazer uma massagem vigorosa nas costas da Karen, enchendo a banheira de ondas. Ah! A técnica de enfermagem, na hora do exame de toque, tinha pendurado o lençol no gancho que fica acima da banheira, e Karen adorou, gostou de se ajeitar de cócoras e pendurada no lençol, isso foi ótimo!

Dr. Rogério e Dra Patrícia chegaram, tranquilos e sorridentes como sempre. Adoro essa vida!

A essa altura Karen já estava se pendurando no lençol há algum tempo, e já tinha verbalizado que os braços estavam cansados. Perguntei então se ela não queria tentar a banqueta. Ela topou, todos a ajudamos a sair, eu sequei suas costas e suas pernas rapidamente, e ela se ajeitou na banqueta. Coloquei a escadinha de dois degraus atras dela e falei para o Jr que aquele era o lugar reservado especialmente pra ele, e assim Karen poderia se apoiar nele durante os intervalos entre as contrações e relaxar.




Na próxima contração, Dr Rogério sentado no chão na frente dela, falou: "Já está nascendo! Na próxima nasce"!

Peguei a câmera fotográfica e tirei váááárias fotos, mas sempre alguém se mexia, de modo que só uma ou outra ficaram boas.E eu percebi que se salvariam poucas fotos, então teria que pelo menos filmar... só que na penumbra, já cansei de filmar tudo e sair só o som... fica registrado o primeiro chorinho e só. Bom, dessa vez que achei que valia a pena aumentar um pouco a luz, então coloquei a câmera filmando e apontada para eles, e fui até o interruptor e aumentei um pouco a luz. Acho que todo mundo olhou pra mim! Fazia tempo que eu não corava de vergonha! rsrsrsr Mas a Karen nem percebeu n pq ela já estava totalmente na partolândia, não se incomodou em nada, então mantive a filmagem.

Nessa hora o Jr olhou pra mim e com o olhar me perguntou se estava quase nascendo mesmo. Respondi que sim, sim, sim, metade da cabeça já estava do lado de cá da barriga!

Mais um pouquinho e  nasceu! Linda Luísa, muito bem vinda a esse mundo!

Jr fez as honras e cortou o cordão mas só depois de ter parado de pulsar.

Karen precisou de um ou dois pontinhos. E pronto! A placenta saiu em seguida, bem rapidinho.

Uma hora após o nascimento Karen já tinha até tomado banho e estava amamentando, enquanto comia açaí com frutas.

Enquanto saía da maternidade me deparei com um lindíssimo nascer do sol!  Adoro essa vida, realmente adoro!




Karen, Jr e Sofia, muito obrigada por terem me convidado! Luísa, seja sempre muito bem vinda!

Beijos,

Vânia Bezerra: Vânia Doula!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tatiana, Bruno e José - setembro de 2012

Conheci o casal bem no comecinho da minha vida como doula. As reuniões de Apoio ao Parto eram pequenas, eu, minha irmã, Adriana Abujanra aparecendo quando podia, e as doulas de Araraquara. Uma vez fiz um encontro no Parque Ecológico, e eles estavam lá, me vendo falar sobre parto, parto, parto!

No final da primeira gestação Tatiana descobriu um problema no convênio. Ela não teria a cobertura para o parto a não ser que voltasse para a cidade de origem do contrato. Como descobriu isso já com quase 38 semanas, não teve tempo de se planejar, foi um susto! Voltou então para a sua cidade na esperança de que encontrar quem a apoiasse no parto, mas os médicos já nem a aceitavam como paciente. A médica que a aceitou fazia exames de toque em todas as consultas e fazia aquela observação lixo: "vc não está tendo dilatação, parece que vai ter que ser cesárea".

E assim foi. E ainda não deixavam ficar acompanhante. Em uma noite, Tatiana acordou e viu seu bebê se afogando, ficando roxo, e mesmo cesareada teve forças para se levantar o bastante para esticar o braço e acudir o bebê, que cresceu lindo, forte, saudável, e hoje é uma criança dessas que fazem observações tão perspicazes que vão acabar gerando um volume de crônicas!

E então eu fui embora de São Carlos, e voltei, e Tatiana estava gravida novamente. Conversamos diversas vezes pelo facebook, ela terminando o doutorado e pedindo para o bebê esperar até a defesa. Adoro essas mães heroínas! Em plena gestação, quando seria tão normal dormir uma tarde inteira, Tatiana corria contra o tempo e escrevia uma tese!

Um dia eu estava no face, de madrugada, e começamos a conversar. Eu estava esperando as contrações de uma grande amiga minha engrenarem, e conversando com a Tatiana e avisando: se eu sumir de repente é pq fui chamada.

Tese entregue, defesa feita, reta final, e eu pensando: ela não vai me chamar pra doular???? rsrsrsr Mas ela chamou! ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, lá fui eu toda feliz! Conversamos apenas uma vez antes dela entrar em TP, com 40 semanas.

Ela me ligou e avisou que a bolsa tinha rompido. Perguntei sobre a cor do liquido, bebê mexendo muito, tudo tranquilizador, pode voltar a dormir. O que é muito fácil falar, mas claro que consigo me colocar na pele de quem está de bolsa rota, a cabeça fica a mil, muito dificil até de descansar... Tatiana tinha uma consulta de pré-natal marcada para aquele mesmo dia. Foram até lá, deram uma esticadinha até a maternidade, fizeram um cardiotoco, tudo tranquilizador, voltaram para casa. Passaram o dia procurando se ocupar e esperando as contrações, que começaram e mantiveram um intervalo sempre maior que dez minutos até o dia seguinte, quando o obstetra achou melhor começar o esquema de antibióticos e em uma conversa, ele e o casal resolveram começar a conduzir o parto já que ela estava já ficando muito cansada e ainda haveria um bom caminho a ser percorrido.

Então me avisaram que estavam indo começar a condução do parto. Fiquei a postos e Tatiana me chamou perto das 9 da noite. Como estava tudo pronto eu cheguei rápido. A enfermeira me recebeu dizendo que achava que ainda estava muito no começo, mas eu não me importaria de ficar desde o começo se era isso que a Tatiana estava precisando. No entanto, as contrações deram uma espaçada logo após a minha chegada, mas em seguida ritmaram muito próximas e eu já ajudava a cada vez. Logo ela foi para o chuveiro, que a princípio tivemos dificuldade em regular quente, parecia que hora ficava gelado, hora ficava quente demais. Mas conseguimos e ela ficou sob o chuveiro bastante tempo, até que ele desligou e não ligava mais. Nesse meio tempo lançamos mão da bolsa de água quente e massagem, e depois de alguns minutos tentei novamente e o chuveiro ligou. Jamais me esquecerei da alegria com que ela jogou longe a toalha onde estava embrulhada e praticamente pulou em baixo do chuveiro, declarando com os olhos brilhando: "eu adoro tomar banho, você não tem noção de como eu adoro chuveiro!"



E lá ela ficou por algum tempo. Depois sentiu necessidade de se movimentar mais, veio para o quarto, andva um pouco e se agachava quando vinham as contrações. Outras vezes apoiava os braços na cama e se inclinava. Sentia dores nas pernas e eu fazia massagens enquanto ela apertava as mãos do marido. Pediu música, ele colocou a seleção que haviam feito, ela cantarolou alguns versos, balançava a cabeça no ritmo da música, sempre de olhos fechados.

A enfermeira vinha, auscultava o bebê, reafirmava que estava tudo ótimo, saia tranquilamente dizendo para chamarmos quando fosse necessário. Que benção, que benção trabalhar num lugar assim, onde gestantes que querem parto são bem vindas, onde maridos são bem vindos, onde doulas são bem vindas! #gratidão!

Tatiana sentia frio, a gente fechava a janela, Tatiana sentia muito calor, a gente corria e abria a janela, ela se abanava com o leque, e em seguida sentia frio e pedia desculpas mas queria que fechássemos a janela. A dança dos hormônios!

Comecei a senti-la mais agitada, respirando mais forte, e muito muito mais concentrada, pediu para o Bruno desligar a música. Andou até a janela, olhou lá pra fora. Veio uma contração, ela se virou e se apoiou na cama, não gostou, puxou os travesseiros empilhando-os, apoiou a cabeça e relaxou as costas. Resolvi olhar, abri um sorriso e falei pro Bruno: pode chamar a enfermeira. Ele acionou a campainha mas ficou meio agitado, quando ia sair pelo corredor para chamar pessoalmente a enf. já vinha entrando, e ficou por ali durante uma ou duas contrações. Não me lembro se ela fez exame de toque ou se só olhando dava para ver, mas sei que ela disse para a equipe que podiam chamar o médico e a pediatra.

Enquanto isso eu peguei a banqueta e arrumei perto do sofá, caso ela quisesse ou precisasse mudar de posição depois, mas ela havia se ajeitado de pé, agarrava as mãos do Bruno e sentia os puxos já muito fortes.

Essa é uma uma parte muito legal do TP, quando vc que está acompanhando não precisa mais perguntar se ela está fazendo força, pq dá pra ver pela respiração entrecortada e pelas feições, às vezes pela vocalização que de repente para.

O médico chegou, a pediatra chegou, e o José chegou em seguida, e veio em meio a um jato de líquido amniótico que acertou a parede e fez um barulho de splash tão grande que todo mundo olhou pra ver o que tinha acertado a parede!

Tatiana então se virou e pegou seu bebê no colo, enquanto o Bruno pulava pelo quarto, emocionadíssimo, repetindo: "que coisa linda, que coisa linda"!

Até o fim dos meus dias vou me orgulhar por ter participado da luta pelo direito das famílias estarem juntas nesse momento! Ninguém, ninguém mesmo tem o direito de se sentir autorizado a deixar um pai de fora, só porque um pai a cada 100 dá um pouco de trabalho. Eu vou até onde for preciso pra defender os outros 99!

E assim ficamos, todos felicíssimos, vendo a felicidade do casal e a tranquilidade do bebê.

A placenta demorou um pouquinho, mas bem pouquinho, menos de uma hora se não me engano. Mas as contrações para a dequitação da placenta estavam doloridas também, o que não acontece com muita frequência.  O bebê já tinha mamado e estava muito tranquilo no berço, então sugeri que ela ficasse de pé para a gravidade ajudar na descida da placenta, e funcionou. Ela nem precisou ficar de pé, só se ajoelhou na cama, e duas contrações depois a placenta nasceu. Tatiana olhou para a enfermeira e perguntou: "posso tomar banho"?

Eis uma cena que eu gostaria de poder mostrar: um banho de uma mulher que teve parto, e um banho de uma mulher que teve cesárea. Só isso seria o suficiente para mostrar o que é melhor, só isso seria o suficiente para evidenciar o erro enorme de quem acha que cesárea é sem dor.

E lá foi a Tatiana para o seu adorado chuveiro, e lavou até a cabeça! Quando sai de lá o quarto todo recendia a sabonete, shampoo e felicidade!

Mais um VBAC, mais uma mãe que conheceu seu lado selvagem e até se assustou um pouco com a força que tem! Mais uma família respeitada na hora do re-encontro.

Amo, amo, amo essa vida de doula!

Tatiana e Bruno, muito muito obrigada por terem me chamado pra essa dança! Adorei!

João e José, sejam bem vindos a essa terra.

E parabéns pela linda família!

Beijos,

Vânia.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Claudirene, Fábio e Ester - setembro de 2011

Relato escrito pela Claudirene, traz toda a sua busca pelo parto e a superação dos obstáculos no dia P. Linda busca, linda a disponibilidade das duas doulas que a atenderam, linda família!
Espero que sirva como inspiração para outras mulheres e famílias.

Beijos!

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Tomei a decisão de compartilhar o meu terceiro parto no momento em que soube que o relato do meu segundo parto, postado no blog de minha Doula Vânia era um dos mais lidos . Trata-se de um parto que  iniciou para o natural (como o primeiro) porém, finalizou em cesariana e, sem direito a acompanhante, o que me motivou a participar de uma audiência pública e de reportagem de denuncia a tv local. Enfim, foi uma cesariana bem indicada na qual saímos bem e superamos emocional e fisicamente. Heitor foi um bebe saudável e mamou no peito durante um ano.

Quinze dias após o aniversário do Heitor, eu já estava grávida da Ester. Minha primeira sensação foi de medo, pois eu havia passado por uma gestação e por uma cesariana recentes e havia acabado de amamentar; ou seja, estava retomando o ‘controle’ de minha vida...portanto, confesso que fiquei muito, muito assustada.

Na primeira consulta com meu obstetra, fiz a pergunta principal: posso ter um parto natural após 1ano e 9meses da cesariana? Ele me respondeu, que isso não seria um impedimento. A partir daí não problematizei o parto. Segui o percurso normal da gestação. Como a minha doula Vânia estava morando fora da cidade, optamos pelo parto na maternidade onde teríamos doula e estrutura necessária para o parto natural. Mas como não podia deixar de ser, a vida nos preparou mais uma surpresa.



No dia 21 de setembro, as 8:30 da manhã, durante a drenagem minha bolsa teve uma pequena fissura, sinalizando que o grande dia tinha chegado. Disse à minha massagista: ih, minha bolsa estourou e estou com contrações. Depois de acalmá-la e finalizar a massagem, emprestei uma toalha para proteger o banco do carro e voltei dirigindo para casa, pois as contrações eram leves. Ao chegar liguei para meu marido no trabalho para que ele se planejasse, pois ele iria me doular até o momento de irmos à maternidade. Por volta das 10:30 liguei para o consultório de meu obstetra e pedi para avisá-lo. Um tempo depois, a secretária me retorna ligação dizendo: “o doutor entrará no plantão às 19hs em outra maternidade, portanto não poderá sair para atendê-la. Então, você deve ir para a outra maternidade”. 

Ao ouvir isso, senti que a casa desabava sobre mim, afinal, eu contava com a estrutura e as doulas daquela instituição! Mas eu não queria passar por mais um parto sem o profissional que me acompanhara no pré-natal. Então, meu marido me olhou e disse: “não podemos ficar sozinhos, precisamos de uma doula”. Eu concordei. A partir daí, começou a missão dele conseguir uma doula que nos acompanhasse até o momento ideal de ir para a maternidade.

Por volta das 13:30hs, fomos para a maternidade para fazer uma sondagem, saber se estava tudo bem com a bebe. Ele marcou com uma doula de conversamos em casa. No caminho, perguntei ao meu marido se ela havia perguntado de sua experiência em doulagens. Ele respondeu que não. Em casa, eu perguntei a ela quantos partos ela havia doulado, qual foi minha surpresa? Ela me disse que nenhum. Então, fui sincera. Disse precisávamos de uma doula experiente, deste modo, ela também poderia acompanhar. Então, ela boi embora. Meu marido ficou comigo, estávamos indo bem, mas no fundo eu estava nervosa, pois temia que não segurássemos a barra quando entrasse no parto ativo. A doula é fundamental neste momento.

Por volta das 19hs, meu marido atende uma ligação. Era a Ana Frederica, uma amiga e ex-doula. Ela havia ficado sabendo, via Camila, a doula que esteve em casa, que eu estava em trabalho de parto e que, se aceitasse iria pra minha casa para me doular. Quando ou a ouvi, eu me explodi em lágrimas. Senti uma alegria imensa. Senti que não estávamos mais sozinhos que poderíamos contar com uma profissional, pois a doula é imprescindível para o parto humanizado. É a doula quem nos sustenta emocionalmente, ela quem zela pelo nosso bem estar, nossa energia, alimentação, tudo. Eu já não me lembrava dos chás, de comer...eu só respirava e me acomodava na melhor posição. Por voltas das 22hs, chegaram as duas doulas: Ana Frê e a Camila. A partir daí, elas assumiram e meu marido foi dormir um pouco. Tomamos um chá forte de canela e nos recolhemos no quanto.

Por volta das 4hs da madrugada, as contrações estavam fortes e a cada um minuto. Meu marido acordou e nos levou para a maternidade. No corredor eu já encontrei o meu médico. Ao olhar para ele eu senti uma paz imensa. Nos acomodamos num quarto apropriado, enquanto elas prepararam a piscina inflável eu fiquei na bola e, em alguns momentos, caminhava pelo corredor. A dilação total aconteceu durante uma pausa das contrações para o descanso. Porém, eu já tinha perdido bastante líquido, então não seria um expulsivo tão fácil como foi a do primeiro filho. Por volta das 10:45hs o médico pergunta às doulas, qual a posição que a progressão teria sido melhor. Elas foram categóricas ao responder de cócoras. Realmente, foi a posição que eu me senti melhor para parir, mas no fundo eu esperava que a bebe nascesse na banheira, como tantas imagens que tinha assistido! De cócoras, não dá para compartilhar tanto assim...


Enfim, na posição de cócoras a Ester nasceu às 11:30hs da manhã de 22 de setembro de 2011. Recebida pelo médico obstetra Dr. Rogério Gonçalves, a quem devemos este sonho realizado. Profissional que me nos acompanhou e nos tranquilizou diante de cada dúvida construída ao longo da gestação. À pediatra Dra. Patrícia Canedo, pela atenção, carinho e paciência que nos dedicou durante os dois partos e depois deles. Somos eternamente gratos às doulas, Ana Frederica e Camila, pela disposição, amor e carinho dispensados. À Carla (doula e enfermeira da maternidade), pela prontidão e competência. Contudo, sou imensamente grata à essa equipe, especialmente, por possibilitar que meu marido participasse  e assistisse, pela primeira vez, o nascimento de um de nossos filhos. Graças a esta equipe, a Ester pôde nascer e, imediatamente, sentir o amor de seu pai.


Com esse depoimento, espero estimular, encorajar e alegrar os corações de mulheres que buscam um nascer mais humano para seus filhos.

Claudirene - dez 2012