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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou Doula e Psicóloga. Atendo em consultório na Vila Prado em São Carlos SP. Formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Uma mulher experiente que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto e o pós-parto. Sou doula e psicóloga. Atendendo em consultório particular na Vila Prado em São Carlos SP Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gisele, Eduardo e Letícia - 02/12/2010


Mais uma doulagem que adorei!

Conheci Gisele nas reuniões do Grupo de Apoio ao Parto Natural. Uma prima da Gisele estava grávida na mesma época, e o bebê havia nascido em setembro. Não foi um parto muito fácil... mas foi muito transformador, muito emocionante! Nessa época eu já estava indo a casa da Gisele algumas vezes, para as reuniões de preparação para o parto. Conversávamos bastante, e eu ainda saia da casa dela e atravessava a rua, ia conversar com outra moça que eu tinha doulado e que morava quase em frente. Muitas tardes gostosas, em busca de tranquilidade para gerar, parir, amamentar e maternar com mais confiança.

Nessas reuniões na casa da Gisele, sempre dávamos muita risada com o jeito mandão que ela tem. Parece paradoxal, mas ela é ao mesmo tempo muito doce, extremamente forte e decidida quando quer alguma coisa... e muito intensa quando expressa suas emoções. Ela me parecia uma brisa gostosa de fim de tarde, com potencial de se transformar em um furacão a qualquer momento.

No dia em que Gisele entrou em TP, me ligaram quando o dia estava amanhecendo, então eu arrumei minhas coisas e fui de táxi até lá. Eduardo veio me receber na porta, e me levou até o quarto, onde a Gi estava descansando, deitada de lado, de olhos fechados, muito concentrada.

Ali ficamos algumas horas, durante as quais eu esquentava água para a bolsa de água quente, fazia algumas massagens, enquanto o Eduardo segurava as mãos dela, dizia palavras de incentivo e providenciava tudo que ela pedia: uma meia para colocar nos pés, água de coco, castanhas... a tranquilidade era imensa, fruto de toda a preparação na qual o casal se engajou.

O dia amanheceu, e continuamos muito felizes, tranquilos, contrações se aproximando, Gisele firme no seu propósito, Eduardo apoiando.

As horas foram passando, e eu liguei na maternidade para avisar que estava doulando uma moça que havia se preparado para o parto natural, então dali a algumas horas poderíamos nos encaminhar para a maternidade. (As enfermeiras sempre pedem para avisarmos para que elas possam dar uma geral no quarto, inflar a banheira, enfim... deixar tudo "mais ou menos pronto"). E assim foi feito.

Contrações ficando mais fortes, eu fui providenciar a minha banheira para ela relaxar um pouquinho. Inflei, coloquei dentro do box e abri o chuveiro. Enquanto isso ela estava andando um pouco pelo corredor, e também se alimentando, já que hora do almoço estava se aproximando e ela sentiu fome.

Assim que a banheira encheu ela entrou, e na água sentiu o alívio das dores e a facilidade de relaxar durante os intervalos das contrações. Perto do meio dia ela sentiu um pequeno solavanco na barriga, e a água pareceu mudar de cor, ficou meio rosada. Na hora nós achamos que a bolsa tinha rompido, e o sangue que estava no canal de parto, resultante da dilatação do mesmo, havia saído junto com o líquido amniótico. Logo em seguida as contrações ficaram bem mais próximas e também mais duradouras, e nesse ponto decidimos ir para a maternidade. A casa deles fica a uma certa distância da maternidade e com a necessidade de andar devagar e parar durante as contrações fez com que decidíssemos nos encaminhar para lá com tranquilidade, para não ter que correr depois.

No caminho tivemos uma dificuldade porque o caminho estava muito esburacado, e por mais devagar que o Eduardo fosse o carro balançava muito. Esse foi o único momento em que eu vi a Gi ficar um pouco brava. Ela falou alguma coisa parecida com: "já que vai balançar mesmo, então vai mais rápido porque assim pelo menos chegaremos mais rápido".

Chegamos na maternidade e a enfermeira foi super atenciosa, deixou o casal à vontade, nos ajudou a ajeitar as coisas e passou a auscultar os batimentos do coração da bebê com a frequência adequada sem que ninguém precisasse pedir. Que benção encontrar profissionais atenciosas e que trabalham com amor pelo que fazem! Como eu adoro fazer parte dessa turma!

Então... equipe a postos, Gisele mais uma vez dentro da banheira, tendo vontade de fazer força, e todos sorrindo em volta. Gi vocalizava forte durante as contrações. E às vezes jogava o corpo para trás e esticava os braços para frente, alguém a segura pelas mãos, ela relaxava o corpo e fazia força. A vocalização era forte, em um tom grave, e para quem não estivesse preparado poderia parecer sofrimento, mas longe disso, Gisele estava tranquila. Fazia suas orações durante os intervalos, às vezes olhava para seu marido, que permanecia tranquilo e segurava suas mãos. Um casal muito bem sintonizado.

E foi sentada na banqueta de parto que havia sido colocada dentro da banheira inflável que Gisele pariu sua filha. Letícia veio empelicada, ou seja, a bolsa não havia se rompido, e isso aconteceu somente após a saída completa da cabeça. Após nascer, a bebê foi direto para os braços da mãe, e sob o olhar atencioso do pai, e da pediatra, que após secar o rosto da bebê e se certificar que nada mais precisava ser feito, se afastou um pouco, permanecendo atenta, mas sem atrapalhar esse momento de formação do vínculo da família que acaba de nascer.



Parto com respeito! Quanta diferença!

Quando fiz a visita pós-parto a Gi me contou que quando vocalizava forte, durante o período expulsivo, sentia como se o pescoço tivesse dobrado de tamanho e ficado muito largo. Ao mesmo tempo sentia-se muito grande e forte, capaz de qualquer coisa, embora estivesse sim sentindo muita dor, mas isso de forma alguma a fazia sofrer. Os breves momentos durante os quais ela sentiu alguma dúvida se iria conseguir e chegou a questionar mentalmente sua decisão de fazer o possível para que sua filha viesse ao mundo de forma natural, foram bem antes, principalmente durante o trajeto de carro até a maternidade. Nessa parte ela considerou que sofreu um pouco sim. Mas faria tudo de novo!

E falou bastante sobre como se sentia bem diferente após o parto: mais confiante, mais tranquila, enfim... ela me disse que se sentia quase que literalmente outra pessoa. Uma pessoa muito mais confiante na própria natureza e na própria capacidade.



Não é que uma mulher que teve um parto natural seja melhor que as outras sabe? Acontece que não ter entrado na fila das que nem tentam por medo de não conseguir faz sim, muita diferença. Mesmo quando a mulher fica horas em trabalho de parto e aí termina em cesárea, não terá sido tempo perdido, de forma alguma! Quando o bebê nasce no dia escolhido por ele e não pela agenda dos profissionais envolvidos ou da família, essa vida já se inicia de forma muito mais respeitosa.

Parto lindo, emocionante, e família sorridente.



A vocês, Gisele e Eduardo, agradeço de coração terem me chamado para ajudar e presenciar este momento tão lindo na vida de vocês.

Letícia, logo completará dois anos! Linda! Seja sempre muito bem vinda a este mundo.

Um graaaaande abraço!

Vânia C. R. Bezerra
doula que ama muito o que faz.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Regan, José Hernan e Ravi - novembro de 2010

Conheci a Regan nas reuniões do GAPN São Carlos. Sempre atenta e participativa, já com uma postura diferenciada desde o começo pois na primeira gestação havia viajado em trabalho de parto na procura por uma assistência diferenciada, com um médico um  pouco mais velho e que acreditava na capacidade da maioria das mulheres de parir seus filhos sem ter a barriga cortada.

Então ela não tinha dúvidas sobre o melhor ser o parto natural e a cesariana ser uma cirurgia salvadora quando é necessária...

Um dia após a reunião ela queria falar comigo mas eu estava atendendo alguém e quando vi ela já tinha ido embora. Na reunião seguinte prestei atenção e vi ela saindo... corri atrás, pedi desculpas por ter me demorado na reunião anterior... ela então fez algumas perguntas sobre a época de contratar uma doula, quanto seria, quantas vezes nos encontraríamos antes do parto... mas foi uma conversa muita rápida porque ela precisava voltar para casa.

Daí... entre esta reunião e a próxima o meu marido foi contratado para trabalhar no interior do Amazonas. Ele iria no início de outubro e quando tivesse passado no período de experiência eu e o Fe iríamos também. Então, daí pra frente eu não pegaria mais doulagens pois estaria sem marido pra ficar com o filho quando eu saísse para doular...

No dia em que eu contei para as demais integrantes do GAPN que eu provavelmente iria embora de São Carlos foi o mesmo dia e que a Regan me contratou, e foi a última doulagem que eu peguei. Enquanto ela estava escrevendo o endereço e telefone na minha agenda eu estava me reunindo com as outras doulas para contar a novidade de que eu ia parar de doular. E comecei assim: "esta será minha última doulagem"... nossa, que dramática eu... rsrsr... é que eu sabia que sentiria falta!

Então eu e Regan começamos nossas reuniões de preparação para o parto. Gente, eu fico pensando na paciência que ela precisou ter comigo, porque eu fiquei tão atrapalhada por estar cuidando de filho e casa sozinha... na primeira semana que o Raul tinha ido pro Amazonas eu cheguei atrasada em TODOS os meus compromissos! Sem contar que eu aparecia no dia errado e quando ela atendia a porta abria um sorriso e dizia: "Vânia, nós tínhamos marcado o encontro para amanhã"...  Enfim, aos trancos e barrancos nós terminamos a preparação, e passamos a esperar pelo TP... Caramba, já começou? rsrsr

Eu estava saindo de casa, ia acompanhar meus pais em uns preparativos para uma viagem, era véspera de feriado... quando virei a esquina o meu celular tocou. Era a irmã da Regan e parecia muito nervosa ao telefone, dizendo que a Regan estava com muitas contrações e que era pra eu ir rápido... fui conversando, acalmando um pouco, enquanto fazia a volta no quarteirão e voltava para casa para buscar a mochila com as coisas de doulagem. Aí meus pais me levaram até a casa dela e seguiram para as suas compras.

Entrei e a encontrei na porta da cozinha, com o corpo inclinado e apoiando as mãos no batente. Ela me olhou e disse assim: "eu estava fazendo faxina, olha a bagunça que está a casa, tinha que ser hoje?!" E enquanto falava ia se abaixando porque a contração estava bem intensa. Enquanto isso a irmã estava passando as roupinhas do bebê para colocar na mala, a mãe dela estava fazendo a mala dela, o filho mais velho pedindo bolacha e o marido chegando meio esbaforido do trabalho... todo mundo pego desprevenido... rsrsrsr... é encantador acompanhar partos sem hora marcada! Vira uma aventura e você tem que ir se adaptando, eu acho uma delícia!

O filho mais velho - Noah - estava tomando banho em um banheiro, o marido no outro, tomando uma ducha rápida para não ir todo suado pra maternidade e a Regan declara solenemente que precisa ir ao banheiro: "filho sai daí porque eu preciso usar o banheiroooooooooooooooooooo", e aí sai o menininho enrolado na toalha e enquanto ela está fazendo seu xixi sagrado ele volta: "mãe, eu não acho uma roupa pra colocaaaaaaaaar". E ela responde: "pede pro seu paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai".

E eu ali, fazendo um baita esforço pra não cair na risada... A avó veio acudir a situação e achou uma roupa para o mais velho.

Enquanto isso eu estava ligando para a Dra Carla, porque o Dr Rogério tinha viajado naquele feriado: tudo muito bem conversado, lembro da Regan me avisando que ele tinha até mostrado para ela quantos partos ele acompanharia em dezembro, então se não tirasse uma semaninha de férias no início de novembro... também a chance de um bebê nascer de 37 semanas é tão baixa... só que esse bebê estava afim mesmo de chegar "causando"! rsrsrs Então conversei com a médica, contei como estavam as coisas, que as contrações já estavam bem próximas e fortes e não demoraríamos para ir para a maternidade.




Com as malas prontas, tudo no carro, fomos nos encaminhando pelo corredor, e Regan queria ir ao banheiro... eu argumentei que as contrações estavam muito próximas e o que ela estava sentindo era provavelmente o bebê... ela aceitou meio contrariada, mas no caminho da maternidade ainda protestou duas ou três vezes - "eu queria ir no banheirooooooooooooooooooooooo".

A irmã que estava dirigindo, e a esta altura já estava bem acostumada com a braveza da Regan, ia bem devagar e parava durante as contrações, que estavam muito frequentes... e daí a pouco escutou um protesto: "porque vc está indo tão devagar, eu quero chegar logo, eu quero ir no banheiroooooooooooooo".

E a pobre da irmã responde: "mas foi a doula quem mandou ir devagar"!

Mais um pouco e chegamos, e na portaria encontramos uma dificuldade que já era incomum: a recepcionista não queria deixar eu e a mãe dela entrarmos, dizia que a "paciente" tinha direito a uma acompanhante e que ela tinha que escolher... ela olhou para a mãe e disse: "mãe, ela falou que isso não ia acontecer"... e não conseguiu terminar a frase porque começou uma contração. Bem nessa hora a enfermeira chegou, me cumprimentou, foi ajudando a Regan a levantar-se, a recepcionista repetiu que deveríamos escolher quem ia entrar e a enfermeira falou com um jeito bem manso: "ela é doula, não é acompanhante, pode entrar sim... e o marido, cadê? quando ele acabar de fazer a ficha de internação pode deixar ele entrar também."

Respirei aliviada, não esperava mais encontrar essas dificuldades, mas a recepcionista era novata e não estava acostumada com essas excessões à regra.

No final o marido entrou junto com a Regan e a mãe dela foi fazer a ficha.

Regan foi encaminhada para um apartamento no meio do corredor, e logo que foi entrando se encaminhou para o banheiro, e ao conseguir seu intento ainda complementou: "eu falei que não era o bebê!" Rsrsrsrsr... doula sofre! haaaaaaaaaaaahahahahah

Mas ainda não seria naquele quarto que ela ficaria, o quarto maior no outro corredor estava sendo limpo e preparado com a banheira inflável.

Enquanto isso eu fazia massagens, e incentivava. Foi feito o toque, constatado que a dilatação estava completa, equipe médica chamada, máquina fotográfica a postos nas mãos da vovó, banheira cheia, Regan entrou e se ajeitou, logo começou a fazer força.





E algumas contrações se passaram e sempre tínhamos a impressão de que na próxima nasceria, na próxima nasceria, na próxima nasceria... então Dra Carla sugeriu que ela saísse da banheira e procurasse outra posição para ver se conseguia relaxar melhor. Regan saiu com a minha ajuda e da enfermeira pelos lados e o marido e a Dra Carla na frente - Regan foi andando em direção ao quarto e o marido ficou para trás. Quando ela alcançou o batente da porta veio uma contração, e ela se segurou nos batentes e foi abaixando, o marido a segurou pelos braços e ela soltou o corpo junto com um longo grito:

- "Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai Carlaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa".

E Ravi nasceu, sendo filmado e fotografado pela vovó.

Eu e a enfermeira ficamos presas no banheiro, não tinha como passar para chamar o pediatra e o pessoal da enfermagem. Pequei meu celular que estava tocando música em cima do porta-papel e liguei no postinho da enfermagem, mas antes que alguém atendesse o pediatra abriu a porta, e aí ele chamou as auxiliares.

Regan abraçava e beijava seu filho dizendo palavras carinhosas e sorria.



Dra Carla começou então a rir e falou: "com tanta coisa que vc podia gritar, o nome do marido, o nome do bebê, vc resolve gritar "ai Carla"?!

E as duas riram até as lágrimas!

Lindo nascimento, linda Regan, não tenho outra coisa a dizer senão: "eu adoro mulheres que ficam bravas no trabalho de parto". Adoro! Acho que todas sairiam enriquecidas se abandonassem suas inibições e colocassem os pingos no devidos is e pegassem as rédeas de seus partos nas suas próprias mãos!

Quando encontro mulheres que exalam poder sobre os seus corpos eu não tenho dúvidas de que o parto vai ser muito legal!



Regan, adorei ser sua doula, sorte minha que vc me contratou no último dia, eu vou levar sempre comigo as ótimas lembranças do seu parto.

Parabéns a vc e também a sua linda família.

Um grande abraço,

Vânia.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Denise, Rodney e Laura - outubro de 2010

Denise e eu trocamos vários e-mails antes do nos encontrarmos. Ela vinha de uma cidade vizinha para as consultas de pré-natal e um dia conseguiu marcar tudo no mesmo dia: a consulta, o encontro comigo e logo depois a reunião do grupo de apoio ao parto natural (GAPN). Marcamos o encontro em um bar noturno que fica a poucos metros do local da reunião, e ficamos ali conversando e trocando informações até nos encaminharmos para o encontro. Combinamos então que faríamos a preparação em um só encontro.


Em um sábado eu fui até a cidade deles e ficamos por algumas horas conversando bastante, falando sobre o plano de parto, os medos, a confiança, etc. Ficou combinado que para não pegarem estrada com contrações muito próximas eles viriam a São Carlos e aguardariam a evolução do TP em algum hotel.

No dia em que a Laura deu sinal de que estava pronta para nascer a Denise me ligou às 4 da manhã e avisou que a bolsa tinha rompido e o líquido parecia rosa. É comum o líquido amniótico trazer junto um pouquinho de sangue que estava no caminho, provavelmente decorrente de dilatação do colo do útero. Então, se não está verde e grosso (tipo papa de ervilha), e se não está sangrando muito, não há razão para preocupações. A recomendação é: tente descansar porque depois você vai precisar. Ligue a televisão em um programa bem monótono, tipo jogo de futebol... rsrsrs... que isso vai te ajudar a pegar no sono. Mas na maioria das vezes a excitação de perceber que o TP vai começar dentro em breve acaba com o sono...

Às 7 da manhã as contrações tinham firmado o ritmo de 10 em 10 minutos e eles resolveram vir para São Carlos. Por uma infeliz coincidência as universidades da cidade estavam recebendo eventos neste dia e eles tiveram dificuldade de encontrar vaga. Finalmente encontraram em um apart localizado próximo à USP, portanto próximo também da maternidade, então passaram o dia tranquilos, mas com um porém: aquela última vaga estava reservada para o final do dia, então teriam que deixar o hotel perto das 7 da noite, tivesse o TP engrenado ou não.

Durante a manha a Denise achou que fazia tempo que não sentia a bebê se mexer e diante da dúvida é melhor verificar. Então foram até a maternidade e a enfermeira de plantão foi muito atenciosa e fez o tococardiograma, que mostrou estar tudo bem, então voltaram para o hotel.

Chamaram-me ao meio dia, quando as contrações estavam ficando mais fortes e mais próximas, já de 5 em 5  minutos. Passei a tarde com eles, e Denise manteve-se ativa, tomou banhos para relaxar, ficou na bola, aceitou a bolsa de água quente nas costas, massagens, enfim... e as contrações foram aos poucos ficando mais próximas, mais fortes e durando mais. Felizmente quando estava se aproximando o momento em que teríamos que deixar o hotel as contrações estavam já bem próximas, então isso não chegou a ser problema.

Na maternidade eles foram muito bem recebidos e o exame constatou que a dilatação já estava avançada. A banheira foi colocada para encher, e todos continuamos a incentivá-la. Apesar do cansaço, Denise continuava no controle da situação, e com seu marido ali presente e dando força.

A dilatação se completou e passamos a aguardar que Laura descesse no canal de parto... e o tempo foi passando, e a bebê continuava no mesmo lugar. 

Denise mudou de posição várias vezes, descansava entre as contrações, aceitava golinhos de água, mas o cansaço foi chegando. 

Após conversarem bastante decidiram-se pela cesárea, e assim foi feito. Não é uma decisão fácil, requer tempo... por isso eu fico muito brava quando o médico chega, faz um exame de toque e sem mal olhar para a moça ou para o marido, se vira para a enfermeira e ordena que preparem a cesárea. Deusmelivre de ver essa cena mais vezes... graças a Deus, esse não foi o caso, nem de longe! Tivemos tempo para ir aceitando que talvez a cesárea fosse necessária, e sim, eu me incluo nisso porque quando vou doular eu estou ali inteira para o que der e vier, e quando há a necessidade de aceitar a cirurgia eu sofro junto com o casal. Se cesárea fosse uma coisa tranquila pra mim eu não seria doula.

No entanto é preciso lembrar: uma cesárea que não foi feita com hora marcada já inclui uma boa dose de respeito pela criança que não está sendo obrigada a vir para este lado na hora em que os adultos resolveram que era a melhor hora para eles. E como dissemos já há dois anos: cada contração vale a pena, cada minuto, cada hora passada em um trabalho de parto tranquilo vale a pena, porque inclusive a amamentação será muito facilitada, afinal é muito diferente de não estar acontecendo nada e entrar no bloco cirúrgico, de ter passado várias horas em TP, pois durante estas horas o corpo da mulher e o bebê estão se preparando para o pós-parto. 

Laura nasceu no dia em que escolheu para isso: um lindo dia de primavera, uma noite bela, um casal em sintonia, um nascimento com respeito. Cada contração foi importante para que ela chegasse bem, e cada minuto esperado foi importante para fortalecer sua mãe. Assim, as duas juntas participaram de todo o processo que as uniria, e não simplesmente foram apresentadas sem que nenhuma das duas tivesse dado sinal de que estavam prontas para isso.


Sim, eu amo esta vida de doula, mesmo quando acaba em cesárea, porque não foi uma cesárea tola, foi uma cesárea bem vinda.

Com muito amor,

Vânia C. R. Bezerra



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Quando a noite passar...

Doulagem especial, com gostinho diferente, super importante.

A moça me ligou já na reta final da gestação e me contratou como doula. No primeiro dia que fui à casa dela emprestei o carro da minha irmã e atravessei a cidade... quando cheguei na entrada do condomínio pediram a minha carteira de motorista e só aí eu percebi que estava sem a carteira. Liguei pra casa e pedi pro maridão trazer meus documentos, voltei até o meio do caminho para agilizar... resultado, cheguei na casa dela super atrasada... aí conversamos, assistimos um vídeo... de repente o marido com a maior delicadeza e diz assim: "olha, a conversa tá muito boa, mas vcs sabem que horas são"?!

Imagina nosso espanto ao saber que eram quase 11 da noite!

Voltei outro dia para conversamos mais um tantão... e aí, numa bela manhã o marido me ligou dizendo que ela já estava com contrações e já queriam que eu fosse para lá. Como a decisão de procurar informações sobre o parto natural tinha sido tardia, não deu tempo deles assimilarem algumas coisas. E me lembro perfeitamente que a principal dúvida era sobre a segurança da anestesia, e sobre a peridural não ser praticada em São Carlos. Não entendiam como isso é possível.

De qualquer forma, a moça nunca tinha ficado doente a ponto de precisar de uma intervenção maior do que tomar alguns comprimidos... nunca na vida tinha sido internada, nem tomado soro, nada, nada, nada... então ela tinha um certo temor de enfrentar o desconhecido.

Quando isso aconteceu meu marido tinha ido para o Amazonas e eu estava sózinha em casa. O filho só ia pra escola à tarde. Tive que ir até a escola da minha sobrinha, tirá-la da aula e levá-la pra casa para ficar com o meu filho. Dei $ pra eles irem na padaria no final da tarde comprar ingredientes para fazer um lanche, autorizei almoçarem miojo, chamei um táxi e fui para a doulagem. Podem imaginar o quanto isso tudo demorou... quando chegamos no condomínio o marido estava me esperando do lado de fora da casa, um pouco ansioso.

Entramos. A moça estava muito bem, tranquila, sorridente, conversando... tirou algumas dúvidas. Eu espalhei meus apetrechos para quando fossem necessários e fiquei por ali. As contrações ainda estavam um pouco distantes, ela aceitava suco, andava, mantinha-se ativa.

Na hora do almoço o marido saiu e voltou com quentinhas especiais que foi buscar no restaurante dentro da universidade federal, onde eles almoçavam todos os dias e sabiam o cardápio decor. Almoçamos, conversamos... e as contrações foram ficando um pouco mais fortes mas ainda não mais próximas... a tarde caiu, a noite chegou... 





Meu telefone tocou e era meu marido, que estava sem família lá nos cafundós da Amazônia. Pedi licença ao casal e saí no quintal, conversei durante algum tempo, olhando a lua que estava enorme no céu.


Tarde da noite a moça começou a ficar desconfortável, não conseguia mais ficar deitada durante as contrações, mesmo estando muito cansada. Ajeitou-se na cadeira de balanço, com várias almofadas  para ficar bem confortável e quando vinha uma contração eu e o marido ajudávamos a abaixar as pernas do banquinho e inclinar o corpo para frente, e eu fazia massagens nas costas.

Um pouco depois, após tirar vários cochilos nos intervalos entre as contrações, ela quis tomar um banho e assim fizemos: água quentinha caindo nas costas, apoio incondicional, e espera tranquila. Mas a moça não estava mais tranquila. Estava ficando agitada e muito brava, mas não aquela braveza que é do final do TP e que faz a mulher colocar os pontos nos is e corrigir o que não está ajudando. Ela estava brava com o parto, estava brava porque queria dormir, porque não estava lidando bem com a dor e sabia que não tinha a peridural como uma possibilidade. No meio dessa braveza ela desistiu e deixou claro que não queria mais brincar, queria cesárea. Era pouco mais de 3 da manhã, e eu sabia que o anestesista daquele dia não ficaria feliz em poder ajudar uma mulher em TP no meio da madrugada. Então... uma contração de cada vez, com muita calma, colocamos como objetivo esperar o dia amanhecer. E assim foi feito.

Às 7 da manhã nos encaminhamos para a maternidade, o exame foi feito, ela estava com 5cm de dilatação e ainda haveria um longo caminho a percorrer, mas ela queria o atalho e assim foi feito, com equipe respeitosa, incluindo o anestesista, que naquele dia era do tipo que não vê problemas em mulheres que não agendam cesáreas por considerar essencial pelo menos entrar em TP.

Após a cesárea e após ela estar de volta ao quarto e sentindo-se bem atendida, o marido ainda me levou para casa, apesar de eu insistir que não era necessário, e fez questão de frisar como achou valioso o trabalho de doula, pois isso garantiu a ela o direito de tentar, sem qualquer tipo de pressão ou julgamento caso desistisse. De minha parte, concordo inteiramente com uma colega doula que falou por estes dias: "definitivamente eu sou doula da mulher e não do parto!". Se a peridural estivesse disponível, aí a conversa seria em outros termos. Mas o parto natural é uma vivência intensa demais para ser obrigatória para as mulheres que não a desejam com todas as suas forças. Não quero nem pensar em alguém que depois vai ficar o resto da vida lembrando em como sofreu para colocar o filho no mundo e possivelmente vai falar isso para a criança mais cedo ou mais tarde.

Sou contra cesáreas feitas com argumentos falsos, sou contra médicos que convencem suas pacientes de que a cesárea é melhor que parto, mas também sou contra exigir que uma mulher passe por um parto natural se ela não está afim.

Então, assim foi essa doulagem. Linda também, por que lindos são todos os nascimentos promovidos com respeito pela família. 




quinta-feira, 16 de agosto de 2012


POLIANE, CHRISTIANO E  MICKAEL – SETEMBRO DE 2010
Eu e Poliane nos conhecemos nas reuniões do GAPN. Ela percebeu que seu médico não passava informações sobre o parto, com aquela famosa desculpa de ser cedo demais para falar sobre isso. Dizia inclusive para ter cuidado com o grupo, já que lá eles faziam lavagem cerebral nas moças. E os meses foram passando... e ele fazia outras afirmações estranhas. E então ela trocou de médico, passou a ser ainda mais assídua nas reuniões e me contratou como doula.

Plano de parto - recomendado pela OMS!
Ir a casa dela para as reuniões de preparação para o parto era muito gostoso. Morávamos a poucos quarteirões de distância e as tardes passavam de forma muito tranquila. Ela tinha comprado livros sobre parto, lia muito e comentava os relatos e informações que encontrava na internet. Ela e o esposo inclusive participaram de uma oficina de parto. Na sequência passamos a aguardar o início do TP.




Nesse meio tempo apareceu uma oportunidade de ir a São Paulo participar de um curso que eu queria fazer há muito tempo. Conversei com ela sobre o risco dela entrar em TP e ela me respondeu que eu podia ir que ela não ia entrar em TP naquele final de semana. Eu fui... e fiquei mandando torpedos para me manter informada. Passou o curso, passou o fds, voltei para São Carlos, e mais uma vez ficamos esperando tranquilamente pelo início do TP.



Ela completou 40s... e completou 41s... e pasmem! Um dia eu encontrei o cunhado dela e mandei a pergunta fatídica: “e aí, esse neném nasce ou não nasce?!” Juro que eu quis morrer na hora em que perguntei isso! Que vontade de me dar uns tapas!



Ele sorriu e respondeu: - “Nasce! Uma hora nasce”!  ... e eu ali, com aquela cara de “não acredito que eu falei isso!!!!!”.





Na consulta de 41 semanas e 6 dias foi feito um exame de toque e a Poliane já estava com 5cm de dilatação. Começou a tomar homeopatia para entrar em TP às 11h da manhã, depois me ligou e conversamos bastante. Ela começou a preparação para a chegada do bebê, fazendo uma arrumação na sua casa... e após algum tempo me mandou um torpedo: “Vânia, acho que não estou sabendo contar esse negócio, acho que está de 4 em 4 minutos mas não está doendo nada!”

Será que a Poliane seria daquelas que quando sentem a dor é porque o bebê já está coroando? É tãâãããããão raro acontecer! Será?

Meu telefone tocou de madrugada. Agora ela já estava com contrações mais fortes e próximas há algum tempo. Enquanto eu estava me aprontando para ir para a casa dela o marido de outra doulanda me ligou dizendo que a esposa estava com contrações de 10 em 10 minutos. Fiquei tranquila, pedi para me avisarem quando estivessem mais próximas, o que poderia demorar muitas horas... e fui para a casa da Poliane.

Mesmo sendo perto da minha casa, meu marido me levou de carro por causa da "pequena" mochila que eu carrego nestas ocasiões. Subi as escadas e a encontrei sorridente. 


Como eu tinha a informação de que ela estava com 5cm de dilatação antes de entrar em TP, a possibilidade dos 5 cm restantes se abrirem com facilidade começou a me rondar e fiquei um pouco insegura. Mesmo assim ficamos ainda por cerca de duas horas em casa antes de irmos para a maternidade. E quando fomos, chegamos rápido. Acho que foi a primeira vez que vi a chamada “onda verde” da principal avenida da cidade. Se você anda a 40Km/h pega todos os semáforos abertos.

Na maternidade, fomos para um quarto no meio do corredor. Não era dos maiores mas mesmo assim cabia a banheira inflável no banheiro. Então ela começou a andar pelo quarto, eu providenciei a bolsa de água quente. Estava tudo bem. O trabalho de parto ainda era só alegria.

A esta altura a outra moça que eu ia doular já tinha ligado, a Tatiana Nagliati já tinha ido atendê-la, e me ligou avisando que também já estavam vindo para a maternidade. Como a banheira da maternidade já estava inflada e enchendo para a Poliane, pedi licença, saí para o corredor e inflei a minha banheira para deixá-la pronta para a outra moça que estava vindo. Auxiliei no que pude e voltei para ficar com a Poli. Daí a algum tempo ficamos sabendo que o outro neném já tinha nascido.

O dia amanheceu, as contrações da Poli deram uma espaçada. O Christiano saiu para resolver alguma coisa, ela deitou um pouco para tentar descansar e acabou dormindo. A pediatra passou para dar um olá e a Poli nem viu. Ficamos conversando baixinho para não incomodá-la.

Veio o café da manhã, veio a água, vieram buscar a bandeja do café... o tempo passando e todos em volta tranquilos. Mas a Poli deu uma desanimada. Conversamos bastante, a enfermeira de plantão ligou para a médica e concordaram em romper a bolsa para estimular o TP. E assim foi feito. Não saiu líquido e ao invés disso saiu uma coisa dourada. Eu e a enfermeira ficamos olhando aquilo e eu não entendi nada... parecia pó de ouro (rsrsrs).

Depois disso as contrações deram uma pequena aproximada e ficaram mais fortes. A Poli entrou na banheira duas vezes e não se ajeitou, não gostou, saiu. 

Esvaziei tudo e tirei dali, e assim a Poli pode ir para o chuveiro. Estava cansada, provavelmente se perguntando porque estava "demorando". Acho que todos ficamos com a mesma expectativa de que seria rápido já que sem entrar em TP ela tinha dilatado 5cm... Fomos conversando, fomos conversando... e aí teve uma hora em que ela pediu para ficarmos em silêncio porque ela queria pensar em tudo que tinha lido e nos relatos dos quais se lembrava. Depois de algum tempo de silêncio, peguei meu celular e coloquei para tocar a música do Lenine que se chama “Paciência”.
“Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa...”
Poli começou a se questionar se valeria a pena, a neste ponto a enfermeira, o esposo e eu nos revezávamos dizendo palavras de incentivo. E o tempo foi passando.

E aí ela ficou bem séria... e pediu cesárea.

A enfermeira perguntou se não seria melhor fazer mais um exame de toque para ver se não tinha evoluído antes de tomar a decisão... e ela respondeu que não, nem queria toque, queria cesárea. E era um pouco mais de onze da manhã, horário em que o anestesista estaria quase indo embora, então resolvemos que era melhor dar uma acelerada para não ter que chamá-lo de volta logo depois que ele tivesse saído para almoçar... a enfermeira foi até o postinho chamar a médica e informar que a Poli tinha decidido pela cesárea.

E bem nesta hora veio uma contração e Poli sentiu a vontade de fazer força. Olhou bem pra mim e disse: “eu senti um puxo”! Então eu corri até o postinho de enfermagem e falei para a enfermeira que já estava com a médica ao telefone, então a frase da enfermeira ficou assim:

- “Dra, a sua paciente está pedindo cesárea, está bem decidida, nem quis que eu fizesse um toque para ver se está mais perto de nascer... ééé... mas agora ela já está sentindo os puxos, então acho que já pode vir!”


A Poliane havia se ajeitado sobre a cama, apoiando o tronco inclinado na cabeceira. 


A Dra. Carla chegou sorridente como sempre. 


Avaliou, confirmou que podiam chamar a pediatra e o  rapaz da filmagem que o casal havia contratado. Todos chegaram, o berço aquecido já estava preparado, e assim ficamos em volta dela, apoiando e incentivando. Eu tb estava filmando nessa hora, mas quando achei que ela estava precisando de um toque mais pessoal e mais próximo eu desliguei a câmera deles e fui pra perto da cabeceira, agarrei as mãos da Poli e fiz força junto com ela! (Rsrsrs)

O expulsivo também foi um pouquinho demorado porque o bebê veio com a mãozinha na bochecha. Rodar com a mão no rosto não deve ser fácil!



Quando ele nasceu, todos em volta ficaram muito sorridentes! Foi um parto com um gostinho a mais, afinal, jogar a toalha e vencer a luta no round seguinte a gente não vê todo dia! E para mim, tenho que confessar... com toda a minha experiência, que não é tão graaaande assim, mas eram quase 50 doulagens... foi a primeira vez que eu senti pena da moça! O jeito que ela gemia me cortava o coração. Apesar disso, eu nunca perdi a fé de que a ela tinha forças para vencer a dor, e que esse era o melhor caminho para ela e seu bebê. E podem ter certeza, essa dor a gente esquece! A única lembrança que fica mesmo é da vitória, é o gosto de sair da experiência sem ter na barriga um corte grande e desnecessário.

Bom... provavelmente por causa da mãozinha na bochecha, a Poli teve uma laceração que precisou de pontos. Enquanto isso o Mickael estava sendo atendido pela pediatra, sob o olhar atento do pai, e em seguida colocou sua primeira roupinha de corinthiano!



Fiquei por ali até tudo estar arrumado e todos estarem tranquilos, e então fui para casa, mais uma vez com a sensação de que esse mundo está cada dia mais lindo!

Querida Poliane, parabéns pela garra! Você foi brilhante!
Christiano, parabéns por estar junto o tempo todo, confiante e apoiando, dizendo as palavras certas nos momentos certos!
E Mickael, seja sempre bem vindo a este belo mundo!

Agradeço de coração a oportunidade de presenciar este momento mágico!

Um graaaande beijo!

Vânia Doula.

Foto tirada em dezembro de 2010, antes de me mudar para o Amazonas. Foi bom ter ido...  mas voltar foi melhor ainda!
Adoro esta vida! 




terça-feira, 10 de julho de 2012

Relato de uma não doulagem!


Segunda vez que aconteceu comigo, e é preciso estar preparada para esta possibilidade. Felizmente nossa turma já é de bom tamanho, e quem tem amigos tem tudo!

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Setembro de 2010

Conheci o casal nas reuniões do GAPN, ambos sempre muito participativos e sorridentes. 

As reuniões de preparação individualizada na casa deles eram muito gostosas. Lembro que na época eu estava militando com força total e quando ia até a casa deles sempre tinha histórias para contar... da palestra que dei no I Simpósio e não me sai muito bem... da denúncia que entreguei no Ministério Público sobre o descumprimento à lei do acompanhante...  na audiência pública na câmara de vereadores, porque um vereador deu ouvidos a nossa reinvindicação pelo direito dos pais de acompanharem o nascimento de seus filhos... da entrevista que dei para a EPTV e falei que os médicos de São Carlos eram contra a presença dos pais para evitar ter testemunhas em um caso de erro médico. Tremenda “abobrinha” da minha parte... explicação muito simplista, quase esbarra em inocência... Enfim, este casal escutou muitos dos meus desabafos! Sempre se mantiveram do meu lado, e me ajudavam a analisar as situações e entender melhor a totalidade dos fatos. Assim, eu saia das reuniões tanto mais preparada para as minhas batalhas quanto eles mais preparados para o parto.



Eles compareceram também a oficina de parto e foi uma oficina muito proveitosa!

Quando o marido dela me ligou e avisou que ela estava em trabalho de parto eu estava acordada e me aprontando pra ir a casa da Poliane. Os dois maridos ligaram quase ao mesmo tempo! Ele disse que as contrações estavam de dez em dez minutos e a bolsa já havia rompido. Pedi então que me avisassem quando as contrações ficassem mais próximas, que ficassem tranquilos, etc, e fui pra casa da Poli, que ficava a poucos quarteirões da minha casa.

Pouco tempo depois ele ligou de novo, sua voz transmitindo uma alegria e confiança enormes, contou que as contrações estavam se aproximando rapidamente e que ela estava ficando muito irritada com as perguntas dele sobre o início e o final das contrações, então ele achava melhor eu ir pra lá. Expliquei então que eu estava com a Poli, que também estava com as contrações bem próximas, e que então eu ligaria pra a outra doula – Tatiana Nagliati – e pediria para ela ir acompanhá-los. Ele respondeu que tudo bem.  Esta possibilidade sempre existe e é trabalhada também nas reuniões de preparação. 

Liguei então para a Tatiana, passei mais ou menos o local da casa deles, próximo a tal lugar, e dei o telefone deles pra ela ligar quando estivesse perto, porque não confiei na minha capacidade de explicar as curvas pra direita e pra esquerda... rsrsrsr. Fiquei com medo de acabar mandando a Tati pro outro lado da cidade. Liguei de volta para o casal e falei que a Tatiana já estava indo e que ligaria pra eles quando estivesse perto. Voltei pra perto da Poli. 

Algum tempo depois a Tatiana me ligou, disse que a Thaís estava com as contrações muito próximas há mais de meia hora e que os puxos(vontade de fazer força) já tinham começado. Iriam então para a maternidade.  A essa altura eu também já estava na maternidade com a Poli, e a banheira disponível já estava montada no quarto em que estávamos. Então pedi licença pra Poli, que estava bem calma e acompanhada pelo marido, e fui para o corredor inflar a minha banheira pra que estivesse pronta quando  chegassem. 



Acabei de inflá-la e foi colocada para encher, e logo depois eu vi a Tatiane vindo pelo corredor apoiando a moça, que estava muito concentrada, andando devagar, respirando fundo e parando durante as contrações. Linda cena!

No quarto em que foram instalados eu ainda esquentei água para a bolsa de água quente e depois pedi licença e voltei para perto da Poliane.

Algum tempo depois chegou a notícia de que a menininha já havia nascido e foi tudo muito tranquilo.

Depois do bebê da Poliane ter nascido e estar tudo arrumado e bem, dei uma passadinha no quarto deles para ver como estavam: transbordando de felicidade!

Quando fui para a visita pós-parto eles contaram os detalhes, de que o parto evolui muito rápido mesmo: eu pensei que tinha entendido errado e comentei que da próxima vez que alguém me disser que as contrações estão de dez em dez eu vou pedir para soletrar, e assim não corro o risco de confundir dez com dois... mas eles disseram que quando me ligaram estava mesmo de 10 em 10. Menos de 3 horas depois a menininha já estava nascendo.

Lindo parto, linda família, linda menina!

Quando foram contar o parto na reunião do GAPN os dois casais foram juntos, e justo neste dia eu estava tão gripada que não consegui ir! Uma pena...

Queridos, muito obrigada por terem me convidado para este lindo dia! Não pude estar com vocês o tempo todo, mas eu estava perto! Rsrsr

E agradeço muito a doula Tatiana Nagliati por ter dado o apoio na madrugada agitada!

Adoro esta vida!
 
Beijos!
 
Vânia C. R. Bezerra