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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou Doula e Psicóloga. Atendo em consultório na Vila Prado em São Carlos SP. Formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Uma mulher experiente que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto e o pós-parto. Sou doula e psicóloga. Atendendo em consultório particular na Vila Prado em São Carlos SP Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

Encontro do Grupo de Apoio


Encontro do Grupo de Apoio ao Parto Natural no dia 26/01/2010.
Falamos sobre a hora mais adequada para ir para a maternidade (no caso de quem quer ter parto hospitalar), duração do trabalho de parto, e no decorrer do encontro falamos sobre parto gemelar e parto pélvico.
O assunto sempre recorrente, e que sempre temos prazer em esclarecer, é sobre as intervenções desnecessárias feitas sem indicação válida, que colocam em risco a vida de mãe e bebê, assim como prejudica a formação do vínculo familiar.
"Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer" Michel Odent

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Aumento do parto domiciliar na região

Mulheres de classe média optam pelo parto domiciliar


No ano passado, região registrou 44 partos em casa, sendo 13 deles em Ribeirão Preto; médicos não apoiam a medida.
Psicóloga precisou buscar ajuda em São Carlos; esse tipo de parto demanda persistência e muito planejamento do casal.



A arquiteta Carolina Maistro como filho de três meses Ivan, no apartamento dos avós do garoto


LIGIA SOTRATTI
DA FOLHA RIBEIRÃO

Se dar à luz em casa foi, no passado, a única alternativa para a maioria das mulheres, hoje, a decisão de ser mãe no conforto do lar é uma opção para um grupo seleto de mães de classe média. Com pouco apoio da classe médica, a decisão requer persistência, planejamento de todas as etapas -inclusive um plano "B"- e investimento de cerca de R$ 3.000.
De acordo com levantamento divulgado na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na região foram realizados 44 partos domiciliares em 2008. Em Ribeirão Preto, 13 bebês nasceram em casa.
Antônio faz parte dessa estatística. Em março de 2008, ele nasceu em casa graças à insistência de sua mãe, a psicóloga e artista plástica Isabela Mosca Pereira. "O parto normal sempre foi uma vontade. Quando resolvi ter meu filho em casa, eu e meu marido começamos uma maratona para achar alguém que aceitasse fazer."
Sem opções na cidade, a ajuda veio da enfermeira obstetra Jamile Claro de Castro Bussadori, 34, de São Carlos.
"Para ter um parto domiciliar, é preciso uma gravidez de baixo risco, ou seja, uma gestação sem problemas, e que mãe e bebê estejam bem. Depois da questão de saúde, é preciso trabalhar o lado emocional. É essencial que a mulher conheça o seu corpo para estar tranquila na hora do parto", disse Jamile.
Jamile carrega os instrumentos necessários ao parto e a banheira em que a parturiente vai dar à luz e diz sempre ter um plano "B" traçado. "Discutimos tudo antes, o hospital que a mãe será encaminhada, caso haja alguma alteração, e até o trajeto do deslocamento."
Mesmo com os cuidados, o coordenador de obstetrícia do HC (Hospital das Clínicas), Geraldo Duarte, não recomenda o parto em casa. "Se no momento mudarem as condições, para onde vai essa gestante? Vai ter vaga no hospital? Vai ter um obstetra à disposição? Para qualquer complicação de obstetrícia é preciso um hospital e um médico", afirmou.
Outra opinião tem a médica ginecologista Betina Bittar. Desde 1997, ela trabalha em São Paulo fazendo partos domiciliares. Ela admite que a opção é mais difícil, mas é viável.
"Levo todo equipamento, oxigênio, soro, alguns remédios, material de entubação. A gente sabe que pode terminar no hospital. Mas, segundo a minha experiência, isso é raro."
Isabela diz que as aulas de ioga e a intimidade com o próprio corpo contribuíram para um parto tranquilo "Fiquei 25 horas em trabalho de parto e não foi cansativo. Foi bonito e especial. Se puder, quero ter o próximo da mesma maneira."
A arquiteta Carolina Maistro, 30, que teve o bebê em casa em agosto, também quer repetir a experiência.


OMS recomenda só 15% de cesáreas; aqui chega a 88%
Profissionais dizem que exagero se deve à conveniência dos médicos e pacientes.
"Desinformação é o que leva a maioria das mulheres a não considerar o parto natural como a primeira opção", diz enfermeira
.

O número de crianças que nascem de modo natural tem caído ano a ano no país. Profissionais da área da saúde e mães apontam que a principal causa do aumento das cesáreas é a conveniência -para médicos e pacientes- e o medo da mulher de sentir dor.
De acordo com o Ministério da Saúde, 40% dos partos cesarianos no país são desnecessários. O índice recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de 15%. Na maternidade Sinhá Junqueira de Ribeirão Preto, esse índice chega a 88%. Neste ano, em média, o hospital realizou 300 partos -somente 12% deles foram normais.
Para o coordenador de obstetrícia do HC (Hospital das Clínicas), Geraldo Duarte, o alto índice de cesáreas é pura comodidade. "É culpa do médico e da população. É mais tranquilo para o médico em termos de tempo e para a mulher, que não vai ter que fazer tanto esforço. A cesárea é feita com hora marcada e termina em até uma hora. O parto natural leva, em média, de oito a nove horas de trabalho intenso", afirmou.
Para a enfermeira obstetra Jamile Claro de Castro Bussadori, que faz parto normal em domicílio e em hospital, a desinformação é o que leva a maior parte das mulheres a não considerar o modo natural como a primeira opção.
"As mulheres têm medo, principalmente devido àquele estigma de que o parto é um sofrimento e aos relatos de avós e mães que tiveram muitas dores para dar a luz", disse.
Para a ginecologista Betina Bittar, que realiza partos domiciliares e hospitalares, há várias explicações para o elevado número de cesáreas.
"Mulheres foram muito maltratadas e desassistidas e passaram a outras gerações essa experiência ruim. Somado a isso temos uma classe médica mal remunerada que não incentiva esse tipo de parto porque absorve mais tempo e disponibilidade do profissional. Em vez de fazer vários procedimentos, o médico pode passar um dia todo com a parturiente. Tem também a questão da mulher não se sentir capaz. É um conjunto", afirmou.
Ricardo Carvalho, ginecologista da HC e docente da USP (Universidade de São Paulo), afirma que é preciso um equilíbrio. "Até que se prove o contrário, a indicação deveria ser normal. A cesárea deveria ter uma justificativa médica, como o feto estar em sofrimento ou sentado, entre outros problemas", afirmou.
No entanto, a escolha pelo parto normal tem entraves. "Uma questão cultural que dificulta é que a mãe quer que o médico que fez o pré-natal realize o parto. Como no modo natural não tem horário e nem dia para nascer, pode ser outro profissional de plantão. Muitas vezes, isso leva a mãe a agendar a cesárea para ter o mesmo médico", disse.
Entre as vantagens do parto normal apontadas pelos médicos ouvidos pela reportagem está a recuperação mais rápida da mãe e a menor incidência de problemas como depressão pós-parto e desmame precoce.


Arquiteta de Florianópolis tem o filho na casa da sogra

A arquiteta Carolina Maistro, 30, desde que descobriu a gravidez, estava determinada a ter seu bebê em casa, em Florianópolis. Aos sete meses, resolveu visitar a família em Ribeirão, sua terra natal. Foi, então, que o bebê resolveu nascer.
"Quis passar por todo o processo, mas não esperava que fosse na casa da minha sogra. Não vou dizer que não senti dor, dói e muito. Mas eu estava calma e saber o que está acontecendo com meu corpo amenizou. Foi como eu imaginava."
Ao oito meses de gestação, a professora de educação física Tatiana Bierrenbach Carreiro, 29, já se decidiu. "Aguento bem a dor e não gosto da ideia de hospital, de não ficar com meu filho nos primeiros momentos. Meu marido é médico e, desde o começo, foi a nossa opção ter o bebê em casa", conta.
Com parto previsto para o fim de dezembro ou começo de janeiro, a futura mãe se diz preparada. "Fiz oficina para gestantes e vi que trocar histórias, medos e expectativas com outras mulheres é muito importante. Estou bem segura da minha decisão", afirmou.
Para não preocupar a família, ela adiou a comunicação de seus planos. "Não quero que o pessoal fique preocupado e ansioso. Depois eu te conto."


Parteira que se aposentou apoia o procedimento

Longe de mulheres grávidas há 17 anos, a parteira aposentada Thereza Garófalo, 72, é favorável ao parto normal e lembra com carinho da época em que ajudava bebês a nascer.
"Passei a minha vida toda em hospital e foi lá, fazendo cursos, que eu comecei. Quem abraça a profissão na área de obstetrícia e tem amor a isso, vive muita emoção. É um momento muito bonito", afirmou.
Entre as crianças que trouxe ao mundo está o neto, hoje com 35 anos. Ela diz não se lembrar do total de partos que já fez.
"Foi muita gente, a maioria parto normal. Acho uma pena isso ter mudado, a cesariana é uma boa alternativa quando as mães não têm condições para o modo natural, quando há dificuldade. Mas hoje ninguém nem mais tenta parto normal e já agenda a cirurgia", disse.
Thereza lamenta o desaparecimento do seu ofício. "Hoje ninguém valoriza mais. Na minha época, eu trabalhava em parceria com o médico. Acompanhava a parturiente, relatava a situação para o médico. Era um trabalho de orientação e apoio à gestante", disse.


*Fonte: FOLHA RIBEIRÃO

domingo, 8 de novembro de 2009

Sling feito com faixa de pano.

Vídeo que ensina a fazer um sling simples, com uma faixa de pano, e um tipo de nó que permite ajustar a altura.

Muito bom!

http://www.youtube.com/watch?v=YAWAk4svsl8

Aproveitem!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oficina de Preparação para o Parto

Programação:

Público Alvo: Gestantes com 14 semanas ou mais de gestação e acompanhantes.
Carga horária: 2 horas.
Horário: 9 às 11 horas.
Datas: 28/11/2009 e 19/12/2009

Investimento: R$50,00 (acompanhante não paga).
Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para michele@psico.net, por telefone 3307 6953 ou pessoalmente no IPC

Dúvidas sobre a oficina: entrar em contato com Emanuelle, pelo e-mail ecp@psico.net

Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Conteúdo Programático:
1. Como contar as contrações.
2. Como saber a hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Massagens que o(a) acompanhante pode fazer.

Facilitadoras:

Vânia C. R. Bezerra (CRP 06/51759). Formada pela Universidade Federal de Uberlândia em 1996, com Aprimoramento Profissional em Psicologia Clínica Hospitalar pela PUC Campinas em 1998. Educadora Perinatal (cursos para gestantes) formada pela Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004. Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP em 2006. Oferece cursos para gestantes, acompanhando partos como doula desde 2004.

Ana Frederica C. Locilento (CRP 06/87138). Formada pela UNESP Assis em 2005, com Formação de doula pela Associação Nacional de Doulas, e Aprimoramento em Psicologia da Gestante pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2009.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

GRUPO DE APOIO AO PARTO NATURAL

Objetivo: trocar experiências e tirar dúvidas sobre
a melhor forma de trazer um filho para o lado de cá da barriga!
GRATUITO
Moderadoras: Ana Frederica e Vânia (doulas),
Carla Polido (obstetra) e Jamile Bussadori (Enfermeira Parteira)

Reuniões Quinzenais às terças-feiras, 19h30 no

CEO - Rua 9 de julho, 1615 - Centro São Carlos/SP
Próximas datas: 10/11 - 24/11 e 08/12/2009.
Informações: (16) 3372-0254
"Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer". (Odent, 2002)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luciana, Mauro e Matheus - 25/01/2009


Luciana me ligou às duas da manhã dizendo que as contrações já estavam ficando fortes, embora ainda com um intervalo grande (de 10 a 15 minutos). Conversamos um pouco sobre pr´s e contras de irem me buscar. Sair de casa, andar de carro, voltar comigo prá casa poderia fazer as contrações darem uma parada. Mas se o desconforto já era significativo eu poderia ajudar. Depois de uns quinze minutos ela ligou novamente. Tinha decidido que queria companhia e ajuda. Estavam vindo me buscar.


Tomei um banho rápido, tomei café, arrumei meus apetrechos, liguei a televisão, fiquei vendo filminhos da madrugada. (Em tempo: eu estava sem carro, e eles moram em um bairro afastado do centro, assim como eu. Do meu bairro para o deles só tem ônibus de duas em duas horas, começando correr às sete da manhã. Se eu pegar um que vá para o centro e outro que vá para o bairro, demora duas horas prá chegar, então não vale a pena...).


Chegaram às 5 da manhã. Mas o dia ainda estava longe de clarear por ser horário de verão. Sentei-me no banco de trás, atrás da Luciana, e fiz massagens nos ombros algumas vezes durante o percurso de volta prá casa deles. Paramos três vezes para esperar a contração passar.


Chegamos à casa. Eles tem dois cachorros: um pit bull e um rotweiller velhinho, mas que poderia me estranhar... Tiveram que fazer um jogo de logística prá eu poder entrar, e por fim o pit bull ficou preso na sala e o rotweiller na garagem, depois de todo o jogo de "prende aqui enquanto ela passa por ali...". Rrsrsrs... eu heim... melhor doula inteira do que faltando pedaço...


Aí fomos para o quarto, eu e Luciana, enquanto Mauro foi prá sala, dormir junto com o pit bull. (Me dei bem! hehehe...)


Luciana quis tentar descansar um pouco, mas não se sentia bem deitada de lado. Preferiu ficar meio sentada na cama, apoiada em traveseiros, e nem chagava a se levantar quando vinham as contrações, de modo que fiquei ali respirando junto com ela, ajudando a relaxar os ombros, contando as contrações, cobrindo e descobrindo, colocando cobertores dobrados sob os pés prá ajudar a relaxar as pernas. Acho que ficamos assim até o meio da manhã, quando demos umas voltinhas pelo corredor. A vontade era de caminhar na rua, mas estava chovendo forte.


Luciana tomou um banho quente, enquanto fiz um chá. Procurei café prá fazer e descobri que eles não tem o hábito de tomar café em casa, e sim na clínica. Azar meu... rsrsrs.


Depois do banho, ficamos um pouco no quarto, o Mauro apareceu, deu uma olhadinha... eram mais ou menos onze da manhã. A Lu ficou um pouco sentada na bola, de costas prá mim. Fiz massagens e coloquei a bola de água quente. A chuva deu uma trégua, mas continuou bem nublado. Decidimos dar uma volta. Ela se agasalhou, eu também, pegamos sombrinha, e saímos a dar uma volta na chuva fina, que dava uns intervalos... Demos uma volta de 3 quarteirões, parando e nos abraçando durante as contrações. Essa posição de abraçar e massagear as costas quase sempre traz conforto, e Luciana se sentia bem assim.


Voltamos prá casa. O pai dela ligou. Desejou boa sorte. A mãe também.


Falei pro Mauro que estávamos com fome. Ele achou duas maçãs na geladeira, picou e levou prá ela. Ela comeu uma e eu comi a outra. (Uma e meia da tarde).


Aí ele lembrou que tinha que ir atender no consultório. Ficamos um tempo num impasse: vai com o carro, e volta, ou vamos todos... Luciana tinha hora marcada na obstetra às 16h00. Ligou prá ela, disse que as contrações ainda estavam de cinco em cinco minutos. Ela disse prá irmos pro consultório que ela seria atendida mais cedo. Assim, ficou decidido: vamos todos. Deixamos ele no consultório e fomos para a consulta da Luciana. Subimos escadas, e na sala de espera tinha um casal que fazia umas caras de curiosidade/susto quando vinhamas contrações. Quando passava a secretária falava: "a próxima é você viu Luciana?". Achei que era bom sinal, de secretária que não assusta com parturiente na sala de espera...


Entramos, a Lu foi eaminada, estava com 6cm de dilatação. Batimentos Cardíacos Fetais OK. A médica a parabenizou, dizendo que estava sendo forte e corajosa. Fez a carta de internação e recomendou que ela fosse para a maternidade.


Saímos de lá. Graças a Deus a Luciana é do tipo que contrata doula e confia nela. Seis cm, contrações de 5 em 5 minutos, é cedo prá internar. Vamos comer alguma coisa? Ela queria tomar suco de laranja. Fomos a uma lanchonete perto do Centro Médico, ela tomou seu suco. Mas não tinha nada gostoso prá comer... Fomos a outra lanchonete - Pão de Queijo Mineiro - na Praça da Quinze. Comi um pão de queijo e tomei um café, abençoado café, às quatro e meia da tarde. Quando estávamos voltando para o carro, antes de atravessar a rua, num lugar muito movimentado, Luciana teve uma contração e se apoiou naquele postinho que tem as plaquinhas com os nomes das ruas. Eu tive impressão que as pessoas diminuiam a velocidade dos carros pra ver o que estava acontecendo, e eu lá, fazendo minha cara profissional de paisagem...


Fomos buscar o Mauro. Ele estava fazendo um download de sei lá o que, e ficamos esperando terminar. Enquanto isso a Lu vomitou o suco. Normal. Tinha uma senhora lá contando que a avó dela foi parteira, e que quando ela foi ter neném sentiu que a avó a acompanhava. Eu achei lindo.


Depois de fechar a clínica, fomos prá maternidade. Chegamos 18h30. E para a minha completa surpresa... "A maternidade está lotada. Vamos ter que remanejar pacientes do SUS prá liberar um quarto prá senhora. Pode aguardar sentada ali". Fomos pro cantinho. Falei prá eles: "vcs não querem ir prá outra maternidade? Lá o horário de visitas é mais flexível pq o movimento é menor, e vcs vão ter um atendimento melhor".


O Mauro foi lá falar com a recepcionista.

- "O atendimento não fica prejudicado por que está lotado?"


Pensei que ela fosse responder que fica... rsrsrs... mas ela disse que, quando isso acontece, quem está de folga é chamado prá reforçar o atendimento".


- "Mas ela vai ser internada em quarto de SUS?"

- "A diferença é só o tamanho do banheiro, O atendimento vai ter a mesma qualidade".


A recepcionista pegou o telefone sem fio e foi ligar prá médica. Voltou e disse: - "A Dra falou que a dilatação dessa parturiente já deve estar completa, que é prá internar imediatamente. A Sra vai ficar na sala de pré-parto do SUS enquanto estamos liberando um quarto. Pode entrar por ali..."


Entrei com a Lu enquanto o Mauro ficou fazendo a internação. A médica chegou em seguida, e começou a operação PC. Sabe o que é PC? Pacote Completo.


Coloca um sorinho.

Dilatação completa mas o bebe está muito aaaaaaaalto.

Traz a pinça prá eu romper a bolsa.


Luciana ainda tentou argumentar:

- Não pode esperar romper sózinha?


E a resposta foi:

- "Faz uma forçona bem grande durante a contração".


Rompeu a bolsa. Líquido limpo.


Sugeriu que ela fosse um pouco prá baixo do chuveiro. Mas uma vez embaixo do chuveiro, era prá ficar de cócoras durante a contração e fazer bastante força prá ajudar a descer.


O Mauro, além de esposo e pai, é treinador da Luciana.

- "Luciana, tudo é uma questão de consciência corporal. Foca nos músculos abdominais".


-"Dra, a sala está liberada"

- "Então podemos ir".


Mauro decidiu que entraria prá acompanhar o nascimento. Como eu tinha me comprometido a ficar a primeira noite com a Lu, pedi o carro esprestado prá ir prá casa tomar um banho e jantar. Fiz isso, coloquei meu filho prá dormir, e voltei prá maternidade.


Quando cheguei, Luciana já estava de volta no quarto. Entrei, ela olhou prá mim e disse:

- "Eu não quero ver a cara dessa médica nunca mais".

E o Mauro:

- "Sabe a história do médico e o monstro? Ela se transformou lá dentro!"


O porteiro/segurança pediu licença e falou que agora só a acompanhante poderia permanecer no quarto. E o Mauro respondeu:


- " Eu não vou sair daqui antes de ver meu filho".


A mãe da Lu despediu-se e foi embora. O segurança veio e disse que ia demorar um pouquinho por causa da lotação, que estavam sobrecarregados, mas logo o bebê viria. O Mauro reafirmou que só sairia depois que ele estivesse no quarto. O segurança saiu.


Contara tudo o que aconteceu. Poso resumir a falta de compromisso com a humanização na seguitne frase da obstetra: - "Luciana, deixa de ser rebelde. Agora é entre eu e o feto, e você vai fazer o que eu mandar".


E prá completar o parto PC teve epsiotomia monstro e kristeler violento (empurrão na barriga).


Infelizmente, escutei uma frase esses dias que se encaixa: não dá prá ir a uma lanchonete fast food e querer comer comida francesa... (prefiro italiana, mas entendi o ditado).


O bebê veio pro quarto. Gelado, e com um pé prá fora da roupa, que tinha sido abotoada errado. O Mauro, depois de uns minutos, foi convidado pelo segurança a sair. Foi embora.


Passada mais ou menos uma hora, fui falar com a enfermagem.

- " O bebê está gelado, e as maõs estão roxas..."

- "Pois é, vocês não queriam que viesse logo pro quarto! Então! Se não melhorar ele vai ter que voltar pro berço aquecido no berçário".


Fiz sinal de positivo. Voltei pro quarto, tirei aquele macacão fininho da maternidade, coloquei luvas e meias, uma roupinha mais quente, o macacão pro cima de tudo, coloquei-o sobre o peito da Luciana e dois cobertores por cima de tudo. (Aguenta ai Lu que vai esquentar um pouco). Os dois estava sonolentos, não se incomodaram. E o Matheus foi ficando coradinho, as mãos perderam o arroxeado. Conseguimos!


Passei a noite lá, mas passei mal a madrugada toda. Eles não sabiam, mas a essa altura já era minha terceira noite sem dormir. Quando os ônibus começaram a correr, a Lu estava acordada e amamentando. Morrendo de vergonha eu me despedi e fui embora, torcendo pra mãe dela chegar logo, prá não ficarem sozinhos muito tempo. Mas se eu ficasse ia acabar dando mais trabalho do que ajudando.


Espero que o mundo reserve ao Matheus uma vida mais tranquila do que foi a sua cena de nascimento, e que sua força para superar esses traumas estabeleça um vontade insuperável de contribuir para um mundo melhor.


Ao casal, minha eterna amizade.


Vânia.