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São Carlos (cidade natal), SP, Brazil
Sou Doula e Psicóloga. Atendo em consultório na Vila Prado em São Carlos SP. Formada em Psicologia pela UFU em 1996, fiz Aprimoramento Profissional em Psicologia Hospitalar pela PUC/Camp em 1998, formação de Educadora Perinatal pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004, e Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela UNICAMP em 2006, onde neste mesmo ano, participei da palestra "Dando à luz em liberdade - Parto e Nascimento como Evento Familiar" com a parteira mexicana Naolí Vinaver Lopez. O que é uma doula? Uma mulher experiente que serve (ajuda)outra mulher durante o trabalho de parto e o pós-parto. Sou doula e psicóloga. Atendendo em consultório particular na Vila Prado em São Carlos SP Contato: vaniacrbezerra@yahoo.com.br (16) 99794-3566

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Janayna, Gustavo e Rael

RELATO DE PARTO DA JANAYNA – NASCIMENTO DO GUSTAVO – 23/10/2008

Janayna estava muito ansiosa para entrar em trabalho de parto, manifestou algumas vezes que a espera estava sendo muito difícil. Jamile então sugeriu que ela fizesse algumas sessões de acupuntura, e começasse a tomar alguns preparados homeopáticos para induzir o início do TP.
Rael me ligou meia noite e vinte, contando que a bolsa de águas havia rompido, mas ainda não havia sinal de contrações. Respondi algumas perguntas, tudo parecia estar calmo, orientei que esperassem, não havia pressa. Voltei a dormir.
O dia amanheceu.
No meio da manhã liguei para saber notícias. Sempre fico com medo de ligar e acordar quem acabou de conseguir dormir... Estava tudo bem.
Um pouco mais tarde a Jamile ia até lá para verificar os batimentos cardíacos do bebê, a dinâmica uterina, deixar alguns apetrechos... fui junto e fiquei por lá, já que as contrações estavam começando ficar mais próximas, e Janayna já manifestava certo desconforto.
Na hora do almoço o Rael saiu para buscar marmitex no restaurante preferido do casal, com recomendação de trazer peixe – desejo manifestado pela Janayna (ou pelo Gustavo?), mas não tinha... A tarde foi passando... massagens, banhos, duas caminhadas em volta do quarteirão... eu, Jamile e Janayna. Rael trabalhava no seu computador.
Jantamos pizza.
As contrações vinham e iam, se aproximavam e afastavam... Por três vezes a Jamile colocou agulhas de acupuntura para regularizar as contrações, e Janayna suportava heróicamente a agulha perto do tornozelo, e outra no dedinho do pé... ficava ali sentadinha, esperando Gustavo... Homeopatias... As horas foram passando... e chegaram os 6cm de dilatação. Montamos a piscina, enchemos a piscina, mantivemos a temperatura da água quente... e quatro horas depois, no exame de toque, Jamile disse que a dilatação continuava a mesma.
Passava de duas da manhã, portanto já tínhamos mais de 24 horas de bolsa rota. Jamile disse que tínhamos chegado a um ponto em que ficar em casa poderia ser improdutivo. Parecia que o colo do útero tinha descido, sem aumentar a dilatação, o que poderia ser um sinal de desproporção. Estava tudo bem com a Janayna e com o Gustavo, mas estarem com mais de 24 horas de bolsa rota trazia um certo risco de infecção... então o casal decidiu ir para a maternidade.
Jamile ligou para a obstetra que estava de sobreaviso, fomos para a maternidade, e chegando lá Janayna foi encaminhada para a cesárea. A obstetra disse que poderiam tentar a indução, mas que indução mais anestesia raquidiana (a única disponível nesse caso), poderiam trazer alguns riscos, na opinião dela, maiores que os da cesárea. Então o casal aceitou a cesárea.
Enquanto isso, Rael teve que sair da maternidade e ir a outro endereço, onde pagaria pelo atendimento do plano de saúde que eles tinham adquirido quando ela já estava grávida, sob a promessa de que quando entrasse em trabalho de parto pagariam um tipo de multa/acerto por ainda não terem cumprido a carência. A surpresa foi que chegando lá o atendente disse que isso não era mais possível. Então o casal teve que pagar mais do que tinha sido planejado para ficar em um quarto de SUS, por que já tinham chamado a obstetra do plano, então tiveram que pagar por um parto particular.
Foi a primeira vez que vi um pai de família que está se formando, parado na porta do Centro Cirúrgico. É uma visão triste. Famílias, principalmente em formação, não deveriam ser separadas. (Palavra de Psicóloga Hospitalar, com formação voltada para a Psicologia da Gestação, Parto, Puerpério e Amamentação... mas pensem bem... precisa ter toda essa especialização para ter sensibilidade? O que pensar de quem tem formação mas acha que na maternidade está tudo certo e todos são muito bonzinhos?). Enfim...
Janayna chorou muito quando chegou ao quarto, porque achava que ficaria em um apartamento individual, onde o Rael poderia permanecer com ela, mas agora ia para um quarto coletivo, onde a acompanhante deve ser necessariamente do sexo feminino. Esse imprevisto trouxe ao casal muito mais sofrimento do que a frustração pelo parto ter se tornado cesárea. Porque foram separados mais uma vez!
Quando fui visitar o casal, já em casa, Janayna estava muito cansada, pela noite passada em trabalho de parto, pela noite anterior, em que, depois da bolsa romper ela já não tinha conseguido dormir bem... pelas duas noites na maternidade, com o entra e sai de enfermeiras que medem pressão, temperatura, trazem os remédios necessários, e os bebês que acordam cada um a seu tempo (graças a Deus essa maternidade não é do tipo que toca uma buzina para todos os bebês acordarem ao mesmo tempo). Ajudei-a a deitar-se de lado e amamentar o bebê na cama. Enquanto alguém fica olhando não tem problema. Janayna pode descansar um pouco.
Mas depois a família reclamou que eu tinha ficado com a mamãe e o bebê só prá mim... ficaram com ciúmes...

Voltei alguns dias depois e Janayna estava tendo um pouco de dificuldade com a amamentação. Gustavo era um carinha bem guloso e um tanto carente... não queria desgrudar da mãe. Todas as tentativas de colocá-lo no carrinho ou na cama resultavam em choro... Nessas horas o apoio à mãe é fundamental, até que o bebê comece a ter umas horinhas de sono e ela possa descansar. Foi o que tentei fazer.
Espero que a família esteja feliz, espero que o Gustavo (quarto escorpiniano que acompanhei na chegada a este lado), continue persistente nos seus objetivos e consiga tudo da vida, assim como nos primeiros dias conseguia sua mãe só para ele. Ao casal, agradeço a honra de ter sido chamada para o dia em que deixaram de ser um casal e tornaram-se uma família.
Abraços carinhosos,
Vânia C. R. Bezerra

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marcela, Marcelo e Sofia - 21/09/2008


Marcela me procurou quando estava mais ou menos com 6 meses de gestação. Disse que tinha conseguido meu nome com a Ana Cris, que já tinha lido alguma coisa sobre parto natural e queria o mínimo possível de intervenções.



Fui à casa dela e começamos nossos encontros: eu, ela e o marido - Marcelo, em busca do parto natural. Assistimos muitos filmes, trocamos informações, e o casal foi percebendo que o tipo de parto que queriam seria difícil de ter em um hospital. Começaram também os encontros com a enfermeira obstetra - que gosta de ser chamada de parteira, graças a Deus - e começaram a construir o caminho em direção ao parto domiciliar. Como o tempo aí já era curto, o processo foi um pouco sofrido, mais ou menos como acontece quando um parto é muito rápido, sabe? Para dilatar tudo em pouco tempo as contrações precisam ser bem mais fortes...



No final da gestação ainda fizeram uma tentativa de ter dentro do hospital um parto natural, com um tipo de obstetra de vidro por perto. (Obstetra de Vidro é o título de um livro do obstetra gaúcho Ricardo Jones, e o termo significa, simplificando, que ele fica invisível ou reflete a imagem de quem o olha, e só entra em cena, ou seja, só se torna visível se houver necessidade de intervenção). Infelizmente a tentativa de ter um obstetra de vidro por perto acabou em mais um episódio de stress e frustração, mas também teve seu lado bom, já que reforçou a opção do casal de parto domiciliar.

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Marcela estava tendo contrações desde quinta-feira - espaçadas, mas fortes o suficiente para promover o esvaecimento do colo do útero - sem dilatação. De qq forma a recomendação da Jamile foi para a Marcela ficar mais quietinha, não fazer caminhada nem ir nadar, já que o Marcelo estava viajando e seria melhor se desse tempo dele chegar.



Ok, ele chegou.



Sábado de manhã Marcela me ligou. Gostaria de poder explicar como é conversar com a Marcela por telefone. A voz dela é doce, é calma, é quase um mantra... Exprime com exatidão o modo como ela encara a vida. Então... ela disse que estava com contrações já com algum rítmo, e se aproximando. Eu disse que iria prá lá e ela respondeu: - "Não, não, ainda não... estou avisando só para você saber que será hoje, mas agora eu vou sair prá fazer umas comprinhas, ajeitar umas coisas... depois, quando for a hora eu te ligo... eu estou tão feliz que ela vai nascer num dia tão bonito, temperatura amena, ensolarado... "


Ai que delícia!

No meio da tarde o tempo começou a virar... liguei prá minha irmã, pedi prá deixar o carro comigo porque existi a possibilidade de ter que ir de madrugada, e chovendo... não dá prá ir de moto. Ela trouxe o carro, e ele passou a noite tranquilamente na garagem. Devolvi no domingo pela manhã.


No meio da manhã liguei prá Marcela, ela disse que a Jamile tinha ido lá no dia anterior verificar a dinâmica uterina e os batimentos cardíacos da Sofia, que estava tudo bem...

- "Vânia, esta bebezinha está brincando de deixar todo mundo esperando" rsrsrsr"


Liguei prá Jamile, pedi prá ir junto quando ela fosse novamente fazer os exames, e mais ou menos as 11h00 ela foi me buscar. Chegando lá, feitos os exames, tudo normal, pedi permissão prá ficar um pouquinho. Marcela concordou. Almoçamos uma sopa deliciosa, e já durante o almoço as contrações começaram a ficar mais fortes e próximas. Marcela tinha que se levantar da mesa e eu comecei a fazer as massagens nas costas. A contração passava e nos sentávamos e continuávamos a comer. Também teve chá de canela, eu e Marcelo acompanhando.


Marcela quis ir se deitar um pouco, mas já não achou posição para ficar deitada, tinha que se levantar durante as contrações. Começamos a preparar o cenário. Marcelo inflou a banheira de parto que a Jamile já tinha deixado lá, enquanro a Marcela se ajeitou sentada na bola e se reclinando sobre travesseiros colocados na beirada da cama. Eu levei a bolsa de água quente, e durante as contrações ela "descia" da bola e ficava de cócoras.


Jamile e Camila chegaram mais ou menos as três da tarde. A banheira já estava enchendo, eu fazendo as massagens, e tudo muito muito calmo. Exames tranquilizadores, sempre.


Quando a banheira ficou cheia Marcela foi prá água, e ligamos também um aquecedor no quarto. O dia todo ficou nublado e no final da tarde fazia um friozinho. Marcela pediu água muitas vezes, mas também tomou suco, e alguma coisa com açaí e mel, não me lembro mais... Marcelo trazia o que ela pedia, fazia carinho, incentivava, enfim... um casal lindo de ser ver.


No final da tarde o resultado do exame de toque foi um pouco frustante para a Marcela, que esperava que já estivesse mais diltado, em parte também porque eu cometi um pequeno erro de avaliação e falei demais... mas a Marcela, com sua força e sua doçura superou isso também. Jamile sugeriu que ela fosse um pouco para ao chuveiro, e quando ela saiu da banheira a Camila disse ter sentido cheiro de líquido amniótico. A bolsa tinha rompido.


Em baixo do chuveiro, sentada na banqueta de parto, Marcela teve uma ligeira queda de pressão, e se esforçou para se alimentar. Comeu um pouco do sanduíche azeitonado oferecido pelo marido, mas depois de algumas mordidas abriu o sanduíche o comeu só as azeitonas. Enquanto isso o aquecedor do quarto foi desligado porque o quarto muito quente favoreceria a queda de pressão, e logo ela quis voltar para a banheira.


Começou a se agitar um pouco durante as contrações. E chegou a dizer que não aguentaria se piorasse... Todo mundo em volta incentivando: agora falta pouco.

Eu, Camila, Jamile e Marcelo carregando água quente para manter a temperatura certa. Luz apagada, só a do corredor acesa, quarto na penumbra. Música tocando no laptop lá no outro quarto.

Uma ou duas vezes ela pediu: tira essa música que eu não gosto muito... põe aquela do homem de bem.

Um pouquinho mais agitada, Marcela se afastou na banheira, encostou lá na parede. Jamile colocou as luvas longas. Com uma lanterna eu e Camila nos revezávamos iluminando a cena. E eu filmando com a máquina deles. Marcela começou a chamar: "Vem bebezinha, vem!"

Veio a cabecinha. Todos em silêncio. O tempo certo para a rotação e a próxima contração. Dois pequenos gritos de guerreira. Pareciam gritos de suspresa. E Sofia foi recepcionada nos braços da Marcela, com exclamações de reconhecimento: - "oi bebê!".

Dessa vez eu chorei. Um chorinho gostoso. Inesquecível.

Marcela saiu da banheira com Sofia nos braços, amparada pelo Marcelo. Foram prá cama. No corredor, eu, Jamile e Camila nos abraçamos.

Os telefones começaram a tocar. Domingo a noit é dia de família ligar né? Mais ainda quando sentem que tem alguma coisa acontecendo! Rsrsrs

Jamile examinou e tinha uma pequena laceração. Decidiram não dar pontos. Colocaram gelo, e pouco tempo depois tiveram certeza de que tinha sido suficiente.

Sofia mamando, laceração cuidada, tudo em paz. Marcelo abriu um vinho, e erguemos um brinde à paz. Aos nascimentos em paz, felizes.

Marcelo serviu um lanche, Marcela tomou uma sopinha. E todo mundo ligando prá casa, comunicando o nascimento. Depois limpamos a casa. Quando a gente sai parece que nada demais aconteceu. Mas essa família acabava de entrar para o círculo dos nascidos em paz.

Marcela, guerreira da paz, parabéns pela força.
Marcelo, parabéns pela calma e pelo companheirismo.
Sofia, parabéns pela linda família da qual agora você faz parte.

Beijos a todos, e obrigada pela honra de fazer parte desta história.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Thaís, Daniel e Caio - 07/04/2008


Meu marido e filho viajaram sem mim. Uma semana antes da data da viagem comecei a pensar o que faria caso a Thaís entrasse em tabalho de parto (TP) de madrugada e eu estivesse a 200Km de distância... de tanto pensar e não conseguir decidir acabei com uma baita crise de alergia que me deixou de cama. Resolvi não ir.

Eles viajaram no sábado pela manhã. Dormi a tarde inteira. Passei o domingo planejando uma palestra que daria para gestantes dali a 10 dias, voltei para casa e dormi super cedo. 10 prá uma da manhã o telefone tocou. (Todas as doulagens começam com o telefone tocando:)

Falando bem baixinho:- "Vânia? Oi, é a Thaís. Minha bolsa acabou de romper, saiu muito líquido... na verdade eu tô ligando mais para te avisar e ver o que a gente faz... as contrações ainda estão bem leves, de 7 em 7 minutos mais ou menos. Não sei se já seria o caso de você vir prá cá..."
- Quanto duram as contrações?
-"Acho que uns 4 minutos..."
- Não pode ser.
- "Ãh?" (ops... contrações durando 4 minutos seria muito perigoso, mas neste caso ela não estaria tão tranqüila, estaria com muita dor, portanto me tranqüilizei também.)
- Estou indo. Daqui a pouquinho eu chego. É hora de trabalhar!

Tomei um banho rápido, peguei a bolsa de água quente, meus CDs, a bolinha de massagem... e fui de moto. Fazia mais de um ano que eu não pilotava uma moto, mas fui bem. Era madrugada, nem tinha movimento nas ruas. Acho que só cruzei com dois carros durante todo o trajeto. Quando cheguei fiquei atrapalhada e não conseguia travar a direção. Mas por fim consegui.

O Daniel veio me receber e encontrei a Thaís na cozinha. As contrações ainda estavam tranqüilas, saiu um pouco de líquido amniótico, bem límpido e com cheiro característico. Tudo tranqüilizador. Mas as contrações já duravam mais de 40 segundos e com intervalos de 2,5 a 3 minutos... 3 contrações em menos de 10 minutos. Sem dúvida é hora de chamar a Jamile.

- Você está sentindo ele mexer?- "Não muito... não me lembro..."
- Me avisa quando sentir ele mexer tá?

Em pouco tempo Thaís disse que sem dúvida tinha sentido o bebê se mexer e com força. E daí a pouco outra vez... indicando estar tudo bem.

Comecei a ligar para a Jamile e nada dela atender: nem o fixo, nem o celular... nem o fixo, nem o celular... as contrações ficando mais fortes e mais próximas.

Thaís aceitou um chá com bolachas oferecido pelo Daniel, que também já tinha participado da limpeza do líquido amniótico. Não dava tempo nem dela acabar de comer a bolacha e lá vinha outra contração. Thaís se sentia mais confortável abraçando alguém pelo pescoço e deixando a barriga ir para a frente, movimentando o quadril de um lado para o outro... eu e Daniel nos revezávamos nesta função, e eu comecei também a testar as possibilidades de massagem nas costas, e nos ombros (entre as contrações).

E continuava ligando para a Jamile: nem o fixo, nem o celular, nem o fixo, nem o celular...

Thaís: - "Eu tô achando que está acontecendo muito rápido"...

Nem o fixo nem o celular... preciso encontrá-la. Lista telefônica. Telefones das das maternidades. E a parte complicada: falar manso suficiente para transmitir segurança ao casal, e com urgência suficiente para que as telefonistas das maternidades aceitassem me ajudar:

- "Eu preciso de um favor... eu preciso falar com a Jamile e com o esposo dela, o Dr. José Augusto. Eu estou com uma mulher em trabalho de parto e combinamos com eles que ligaríamos antes de ir para a maternidade, mas eu não estou conseguindo falar na casa deles. O celular da Jamile também não está atendendo. Eu precisaria ligar no celular do Dr. José Augusto... eu vou falar os números da casa deles e do celular da Jamile prá vc ver que eu não estou mentindo... olha, os números são esses...".

Claro que nenhuma das duas me passou o número do celular do Dr. José Augusto, mas ambas anotaram o meu nome e o da Thaís e disseram que tentariam encontrá-los. Confiamos nisso e pouco tempo depois o telefone tocou. O Daniel até falou: -"Telefone tocando a esta hora, só pode ser ela..."

Fui atender e expliquei o intervalo e a duração das contrações, ela disse que já estava vindo.Voltei para junto da Thaís, continuamos testando as posições mais confortáveis: cócoras sustentada, sentada sobre os joelhos entre mim e o Daniel, mas a mais confortável continuava sendo pendurada no pescoço e recebendo massagem no quadril. Essa parte era muito tranqüila também, porque a Thaís sempre dizia o que queria e como se sentia melhor.

Ela voltou a afirmar que estava achando tudo muito rápido: - "Eu me preparei para um Trabalho de Parto mais longo, mas do jeito que está indo acho que antes do meio-dia já terá nascido! (Ela calculou 12 horas de TP, o que seria bastante razoável para o primeiro parto). O que você acha Vânia?"

- Eu acho que antes de amanhecer o dia já vai ter neném nesta casa.Os dois ficaram me olhando meio estáticos, com os olhos ligeiramente arregalados. Foram poucos segundos, mas longos o bastante pra quem está próximo de se tornar pai e mãe pela primeira vez. Foi muito lindo!

Logo veio mais uma contração, para nos trazer de volta ao trabalho, e depois outra... Thaís perguntou se podia ir para o chuveiro. Sim. Então nos mudamos para o banheiro: bola, aparelho de som portátil, o cd com músicas sobre o tema da água, que já estava tocando na sala e embalou quase todo o TP. Logo o Daniel entrou junto no box, Thaís continuava se apoiando nele durante as contrações, e nos intervalos tentava sentar-se um pouco na bola, mas também não se sentia confortável assim. Era uma tentativa de descansar os pés e as pernas, mas duravam poucos segundos.

Jamile chegou. Fui abrir a porta e ajudei a colocar as coisas para dentro. Enquanto fazíamos isso ela explicou que o telefone do quarto havia sido desligado acidentalmente. Provavelmente alguém tropeçou na tomada. Aí o outro telefone tocava lá na sala, e com a porta do corredor fechada o som ficou muito baixo, por isso demoraram a acordar. Quanto ao celular... estava desaparecido.

Fomos encontrar a Thaís. Todos os quatro no banheiro. Jamile auscutou os batimentos cardíacos do neném, e estava tudo bem. Thaís sentou-se na banqueta de parto trazida pela Jamile, mas sentiu um desconforto muito grande no exame de toque, de modo que a Jamile parou, mesmo sem ter chegado a uma conclusão. Ela disse que: ou a dilatação estava em 8 cm ou estava total com um rebordo (faltando apenas uma parte do círculo atingir a dilatação completa). Nos dois casos a conclusão seria próxima: faltava muito pouco. Então era preciso preparar a recepção do bebê.

Jamile trouxe uma mesinha para o banheiro, onde abriu o Kit de parto: luvas, gases, pinças, etc... Depois perguntou sobre a roupinha do bebê, e descobrimos que não tinha nenhuma troca de roupa seca. Enquanto eu fiquei no banheiro, fazendo massagem durante as contrações, agora com óleo de banho, incentivando e tirando dúvidas, Jamile pegou uma roupinha e foi secar com o ferro de passar roupas. Thaís queixou-se de fome, e nos intervalos das contrações comeu uma banana. Quando eu achei que o parto estava muito próximo, troquei de posto com a Jamile e fui terminar de secar a roupinha.

Poucos minutos se passaram e a Jamile me chamou, dizendo que o bebê já estava bem baixo. Fui para lá, e Thaís disse que estava com sede e sentindo um pouco de fraqueza. Antes disso eu já tinha levado um suco de uva, de caixinha que tinha na geladeira, mas desta vez peguei umas laranjas e fiz um suco com uma boa colheirada de açúcar. Enquanto eu estava na cozinha espremendo as laranjas, e esperando a água esquentar a bolsa térmica que ela tinha pedido, Thaís dava uns gritos longos durante as contrações, e os cachorros da vizinhança começaram a uivar em resposta! Eu achei o máximo... Entrei no banheiro com o suco e a bolsa térmica, e perguntei se tinham escutado os cachorros. Estavam todos rindo, imaginando se os vizinhos chamariam a polícia...

Thaís tomou o suco. E disse que era o melhor suco de laranja que já tinha tomado... Daniel colocava a bolsa de água quente durante as contrações e ela disse que melhorava um pouco. Logo aquela dor localizada diminuiu e a Jamile disse que era porque o bebê já estava bem mais baixo.

Mesmo sem termos combinado nada, peguei a máquina digital que estava por ali e com a qual já tínhamos tirado algumas fotos, e comecei a filmar. Então a cabecinha saiu, e com mais uma contração veio o corpinho. Com muita tranquilidade ele foi colocado nos braços da mãe. Jamile olhou a hora, ele já chorava forte e logo se acalmou. Ficamos um pouco por ali, mas a Thaís se queixou de desconforto por estar sentada no banquinho de parto, então resolvemos ir para o quarto. Embrulhada em toalhas, andando devagar e com seu filho nos braços, Thaís foi para o seu quarto e deitou-se na sua cama, que tinha sido forrada com um lençol absorvente trazido por Jamile. Neste momento, enquanto ajeitávamos as coisas no quarto, Thaís olhou para o bebê e disse:

-"Oi filho! Você acredita que você já nasceu?! Porque parece que a mamãe ainda não acredita!" (e o aconchegou mais em seus braços).

O cordão umbilical já tinha parado de pulsar e foi cortado pelo Daniel, que logo pegou o bebê no colo e ficou por perto enquanto aguardávamos a saída da placenta. Isso foi um pouco mais demorado do que costuma ser. Jamile colocou algumas agulhas de acupuntura, colocou o bebê para mamar, fazia massagem no útero, e enrolava o cordão que descia, pelo que se via que a placenta também estava descendo, apesar de lentamente. Thaís se queixou de não ter sido informada que a saída da placenta também causava dor, mas realmente não costuma ser mais que um desconforto. Finalmente ela saiu, foi examinada pela Jamile e descartada. Aí era hora dos pontos... um capítulo à parte. Como a placenta demorou a sair o períneo já estava um pouco inchado, o que dificultou um pouco as coisas. Mas essa parte também passou.

Jamile foi para a cozinha fazer uma sopa. Eu fui com ela, deixando o casal a sós com o bebê, que agora já tinha recebido um nome. O Daniel disse que conversou com ele, lá na sala, enquanto a Thaís estava recebendo os pontos, e os dois juntos decidiram que o nome seria Caio. Thaís aceitou-o, então:

SEJA BEM VINDO, CAIO!

O dia estava amanhecendo, e eu estava na cozinha vendo a Jamile preparar uma sopa. Pensei que nada poderia ser mais adeqüado do que ver uma parteira preparando uma sopa para uma mulher que acabou de ter o seu bebê.

Caio foi pesado, Thaís tomou a sopa, e a faxineira chegou e tomou um baita susto...
(- Como assim? Esse neném aí é o seu?!).

Daniel tirou muitas fotos, e em uma delas eu estou ao fundo observando a primeira mamada do Caio.
Todos tranqüilos e felizes, e assim os deixei. Fui embora, observando como os dias são mais bonitos quando bebês nascem em casa e famílias se formam assim: tranqüilamente!

Thaís e Daniel,

Parabéns pela união e pela força que demostraram ao trazer seu filho para esse mundo de uma forma tão bonita.

Caio,

Parabéns por fazer parte desta família. Que a sua vida seja como o seu nascimento: no tempo certo para você, e sem sofrimentos desnecessários. Com a força e a tranqüilidade que você merece.

Um grande abraço,

Vânia C. Rondon Bezerra.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Adriana e Emanuelle

São Carlos estava sem partos domiciliares havia 30 anos.
E...
Dia 13/06/2007 às 11h30 tive a honra e a felicidade de presenciar este número voltar ao zero!
YES!!!!
Adriana Abujanra teve o tão sonhado e muito batalhado parto domiciliar. Nasceu a Emanuele, linda, 3,860 de pura fofura.
O pai, presenciando tudo e auxiliando, cantou versos assim que viu a cabecinha da sua filha vindo ao mundo: "que neném lindo lindo lindo!"...
Adriana, durante o expulsivo, se limpando das lembranças do seu primeiro parto, quando foi separada da primeira filha: "a Sofia eles tiraram de mim"... e recebendo o apoio do marido: "aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".
Eu e Andréia (minha irmã, cuja presença foi fundamental) fazendo sinais e trocando olhares de cumplicidade.
E a frase do dia: "Está tudo bem!" Ana Cris e Márcia comemorando na estrada: UHUUUUUUUUUUUUUU!
Jamile contando para o maridão (médico) - "está tudo bem... já nasceu... é linda!"
E Adriana inteira. Não precisou de nem um pontinho. E não foi separada de sua filha nem por um segundo.
Todas renascemos por aqui! São Carlos está muito mais bonita hoje!
Beijos mil.
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Todas as doulagens começam com o telefone tocando. Então: eu estava em casa, e no meio da manhã o telefone tocou. Era Adriana, dizendo que não havia sinais que ela pudesse identificar como trabalho de parto, mas que ela estava se sentindo muito estranha, e toda hora tinha vontade de ir ao banheiro e não saía nada... tinha ido a uma consulta de pré-natal naquele mesmo dia mas o médico não tinha feito toque. Eu disse que poderia ser um início de trabalho de parto, que valeria a pena verificar, e recomendei que ela ligasse prá Jamile. Ela ligou e a Jamile estava em Ribeirão Preto, e recomendou que ela fosse até o Posto de Saúde. Lá disseram que se ela tinha dúvidas deveria ir prá maternidade... e lá foi ela.
Meu telefone tocou de novo. Era Adriana, se acabando de tanto chorar:
- "Ai Vâ... que M... eu estou na maternidade, estou com 6cm de dilatação e elas querem me internar. Eu expliquei que só precisava ter certeza que era trabalho de parto por que quero ter em casa e vou chamar uma parteira... aí disseram que isso é ilegal, que eu vou tr que assinar um boletim de ocorrência, que vão chamar a polícia... ai Vâ..."
- Dri, vc vai aproveitar que está chorando e vai dizer o seguinte: ...
Em seguida liguei prá Ana Cris, expliquei a situação e ela me tranquilizou. Não poderiam prendê-la na maternidade.
Mais alguns minutos e o telefone tocou de novo. Era a Ana Cris. Ela e a Márcia estavam saindo de São Paulo o mais rápido possível, mas eu deveria me preparar para a eventualidade de... e me passou várias recomendações. Liguei pra Andréia (minha irmã) e perguntei se ela aceitava ajudar.
-"SIIIIIIIIIIIIIM".
Lá fomos nós para a maternidade. Entrei na recepção, estava tudo muito calmo. Saí, liguei prá Adriana, e ela disse assim:
-"Vâ, já estou chegando em casa, a bolsa acabou de romper, e o Oscar tá super bravo comigo... vem prá cá".
Contei prá Andréia e saímos correndo. Ela chegou primeiro pq eu parei duas vezes no caminho prá atender telefone: uma vez era a Ana Cris, dizendo que já estavam na estrada, e pedindo mais informações, e a outra vez era a Márcia, dizendo que se eu precisasse ligar que ligasse para o número dela por que a Ana Cris estava dirigindo.
Cheguei na casa da Adriana. A Andréia estava saindo de lá correndo, dizendo que a Dri estava no chuveiro e que estava reclamando de fome e não tinha nada prá comer, então ela ia buscar. E saiu correndo pela rua, descalça. Passei também pela Dona Cristina (mãe da Dri), indo embora. Ela morava a um quarteirão de distância.
Entrei no banheiro. A Dri olhou prá mim e disse: - "Eu estou com vontade de fazer força".
Tchan! As primeiras frases da Dri sempre são bombásticas. Haaaaaaaaaaahahahah Disse tb que a Jamile estava vindo. A Andréia chegou com as guloseimas, a Dri comeu, e eu fiquei trocando o lençol da cama, ajeitando as coisas, e acalmando o Oscar, que dizia ahcar que era mentira que as parteiras estavam vindo, e perguntava se era assim mesmo, se estava tudo bem... sim estava tudo bem. Foi o dia do tudo bem nunca falei tantos "tudo bem" na vida! Eu e Andréia arrumando as coisas, Dri não queria massgens, falou de novo que queria fazer força... infelizmente tive que tirá-la do banheiro. Expliquei que não sou parteira, e diante da possibilidade da bebê nascer antes de alguém chegar... enfim... ela foi pro quarto e deitou-se de lado na cama.
Foi pra partolandia. Lamentei que não tivessemos nenhuma máquina fotográfica prá registrar aquele olhar lindissimo... e o Oscar começou a tirar fotos com o celular. Fiquei conversando com a Dri, em voz baixa, e ela começou a se limpar das dores do primeiro parto:
- "A Sofy nem me deixaram ver... tiraram ela de mim... só consegui encostar os dedos".
E o Oscar respondeu:
- "Aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".
E ela continuou: - "é tão bom estar em casa... aqui tem o meu cheiro... ela foi feita nessa cama... ai que delicia..."
Andréia fez sinal que o períneo estava abaulando. Falei prá Dri que ia trocar de lugar com a Andréia, que era hora de deixar nascer. Ela perguntou se precisava mudr de posição e eu disse que só se ela quisesse. Eu estava segurando uma perna no alto.
- "Não, está bom assim... posso fazer força?"
- Pode.
- "Eu já estava fazendo... rsrsrsr... diminuía a dor fazendo uma forcinha..."
Viram como mulher tem que ser? se você sabe o que fazer não precisa ficar pedindo permissão não, manda bala mulherada!
A cabecinha nasceu. Oscar dizia: - "que lindo, que lindo, que lindo..."
Andréia chorava.
Ficamos esperando, em silêncio, com o respeito que os nascimentos merecem. Ela rodou... e nasceu. Antes de ter saído toda já estava chorando forte. Dri, se ajeitou na cama e disse: "me dá ela." Entreguei embrulhadinha na toalha, tudo estava bem. Fui prá sala. Liguei prá Márcia:
- Oi. Já nasceu.
- "JÁ NASCEU!"
- Tá tudo bem, ela está chorando forte.
Fiquei ouvindo os gritos e comemorações dela e da Ana Cris. Mandaram muitos parabéns. E continuaram vindo.
Fui lá no quarto, dei uma ecadinha na Manú, limpei o narizinho. Voltei prá sala, liguei prá Jamile:
- Oi. Já nasceu.
- "Como assim?! Rsrsrs... Ela não me esperou?! Rsrsrsr Eu já to chegando."
Daí prá frente foi só alegria. A semente da humanização tinha vingado. E desde então cresceu forte, vigorosa, e tem dado mais frutos!
Parabéns Adriana (batalhadora), parabéns Oscar (corajoso), parabéns Sofya pela irmãzinha, e
PARABÉNS MANÚ, PELO LINDO NASCIMENTO E PELA LINDA MÃE QUE VC TEM.
Parabéns a todos os envolvidos.
Beijos,
Vânia.

sábado, 4 de julho de 2009

Relato de parto da Andréia


Relato de Parto

No domingo (23/10/2005) às 6h00 eu estava desconfortável na cama e resolvi tomar banho pois já estava amanhecendo. Quando tirei a calcinha vi que tinha uma água sanguinolenta. Abaixei para pegar e correu alguns fios dessa água pelas minhas pernas. Lágrimas de emoção brotaram, eu sabia que a Laura vinha vindo. Fiquei muito feliz e tranqüila. Fui votar no referendo “das armas”, liguei pra Vânia e mantive a programacão de ir pra um churrasco em família. Chegando lá liguei pra médica, que me disse que foi uma ruptura de membrana alta e isso era só o começo. Recomendou banheira, banho, relaxamento, e que eu ligasse conforme caminhasse. Só que tudo me irritava: o barulho, minha sobrinha, minha mãe, o resto da família que ainda ia chegar e era pra eu nem comentar nada porque são cesaristas. Desisti do churrasco! Voltei pra casa com a Ju (minha filha de 10 anos) e foi excelente. Fizemos almoço, ouvimos musica, tomei 2 litros de chá de canela e ela sempre renovava o incenso de canela conforme ia acabando e fomos "passear no quintal enquanto a Laura não vem”.
Durante todo o domingo perdi uma mucosa que parecia clara de ovo, por volta das 21h liguei pra médica e relatei isso. Ela me disse que esse nenê estava mais pra terça-feira “mas eu quero te ver amanhã à tarde (dia 24) no meu consultório”.
Fui para a consulta, ela fez toque e me disse que estava tudo bem, que eu tinha muito muco e que não estava com bolsa rota, e sem dilatação, mas que queria um ultra-som para verificar a quantidade de líquido.
O ultra-som deu quantidade normal pra IG, placenta grau II, ótima vitalidade fetal e aproximadamente 3,400 kg.

Chegando em casa liguei pra médica e informei tudo isso. Resposta: “Te vejo na sexta-feira ou a qualquer momento em edição extraordinária.” Ainda brinquei: “Hoje à noite muda a lua”, “Eu sei, estou com quatro prestes a parir”. Fiquei tranqüila e aliviada sabendo que normalmente outros médicos já teriam indicado cesárea.

Às 00h40 acordei com dor na barriga, respirei fundo, relaxei e vi a hora.
00h53, 01h01, 01h06, 01h11 elas se repetiram. Liguei pra Vânia e informei isso, ela disse que já vinha pra minha casa em seguida.

A Juliana acordou enquanto eu falava no telefone e veio radiante do quarto e ficou junto comigo até eu ter alta da maternidade.

Fui tomar banho, coloquei as malas num lugar fácil e fui andar pelo quintal.

As contrações estavam regulares a cada 3 minutos. Usei um pouco a bola suíça.

A Vânia chegou e conforme a noite foi passando as dores foram ficando mais intensas, a bolsa de água quente era de um alivio tremendo e as massagens no quadril ajudavam muito. Às vezes a Vânia me lembrava de respirar e ficava mais fácil.

Em dado momento, durante uma contração, a Vânia me abraçou por trás com um braço na minha barriga e a outra no meu quadril e cantou uma espécie de mantra: “Abre-te, abre-te abre-te Andréia”. Aquilo me emocionou muito e escorreu como um bálsamo pelo meu corpo.
Lá pelas 4h00 com as contrações ainda de 3 em 3 minutos mas bem mais fortes, pedi pra Vânia ligar pra Cynthia e fomos pra maternidade.

Chegamos lá junto com ela. Ao toque ela disse que já não sentia mais o colo do útero e eu tinha 3 dedos de dilatação, que levaria + ou – 4h00 para nascer, ia ser lá pelas 9h00. Perguntou se eu queria ir pra casa ou ficar lá. Resolvi ir pra casa e já deixamos as malas lá no meu quarto. Quando chegamos em casa eu tinha sono e me sentia cansada. Fui pra cama e a Ju fez capuccino pra mim. Nas contrações eu ficava de 4 na cama e deitava quando passava, mas elas estavam muito freqüentes e eu cada vez mais cansada. A Vânia colocou um CD relaxante e apagou quase todas as luzes. Eu sentei no sofá com a bolsa de água quente nas costas, o quadril bem na beirada do sofá e as pernas abertas. A Vânia sentou num banquinho no minha frente e quando vinham as contrações eu segurava nas mãos dela e a puxava. Eu tinha a impressão que tirava a pressão do quadril. Algumas eu agüentava bem, outras nem tanto... Cheguei a dormir entre uma contração e outra. A Vâ e a minha mãe se revazaram por quase 2 horas nesse banquinho!! Quando amanheceu as 6h eu voltei a “participar”. Fui andar no quintal e pela casa mas eu tinha pavor de ter uma contração sem a Vânia por perto.

Comecei a me sentir mais agitada, gritei com a Ju duas vezes, perguntei pra Vânia se ia piorar muito, se eu não podia tomar um tylenol (heheheh cada coisa né...). A Vâ respondeu: "é uma de cada vez Déia, não vai piorar. A dor é sua amiga, a opção é você estar cortada ao meio quando sua filha vier". Pensei nessa hora: agüento qualquer coisa pra não ser cortada de novo!

Eu já não achava mais posição pra ficar, tentei sentar de novo no sofá e na contração seguinte minha bolsa rompeu. Lavou sofá, tapete, vestido...A Vânia viu a hora (6h53) e disse que eu precisava me trocar. Eu disse que queria ir pra maternidade e ela começou a correr pela casa buscando toalha, vestido limpo, calcinha, meu chinelo e enquanto isso eu gritava que vinha vindo outra e queria ela comigo... fiquei com dó dela nessa hora.

Com o trânsito mais intenso demoramos um pouco mais pra chegar na maternidade, já lá perto a Ju ligou pra Dra. Cynthia e avisou que estávamos chegando.

A portaria estava completamente lotada com as consultas daquele dia, passamos as 3 feito um furacão e entramos no hospital. No final do corredor, com outra contração, parei pra me apoiar num banco, uma mulher chegou e disse que se eu estava com dor eu tinha que ir de cadeira e foi buscá-la. Nós fomos direto pro quarto, eu estava encharcada de suor, a Ju foi pedir uma camisola do hospital, fiquei lá de bunda de fora (e nem ligando pra isso!), as pernas afastadas, as mãos apoiadas na cama com a sensação que a Laura ia nascer a qualquer momento. A Vânia me tranqüilizou. Quando eu respirava (e soltava o ar fazendo “uuuuuhhhhhhh”) nas contrações eu ficava mais calma. Eu sabia disso, mas às vezes vinha mais forte e eu precisava gritar. Num momento que eu andei pelo quarto a Vânia me disse: “Ta tudo bem Déia.” Eu: “Não tá!! Tá doendo pra caramba”... “Mas vc esta indo super bem.”

A Jú entrava e saia do quarto conforme meus gritos ou não.

Nesse meio tempo uma senhora pegou meu nome numa papeleta e uma enfermeira veio me dizer que estava preparando uma cesárea e depois ligava pra médica. Me perguntou do pediatra e eu precisei de alguns segundos pra lembrar o nome. Fora isso elas nem entravam no quarto.
A médica chegou, me lembrou de respirar, mandou eu deitar para me examinar, perguntou pra Vâ se eu tinha tomado café da manhã: “dois pedaços de chocolate”, “chocolate??!!”. Quando passou a contração ela fez toque: “dilatação total”. Falei baixinho "Graças a Deus!" e pensei: não tem mais como ser cesárea!!!.

Ela pediu para eu sentar e cruzar os tornozelos na frente do corpo, que quando a dor viesse era pra eu deixar a dor vir pra Laura abaixar. Mas qdo veio eu me joguei pra trás. Doeu demais.
Ela levantou e disse que ia mandar preparar a sala que pelo jeito ia vir de uma vez.

A enfermeira voltou com uma maca e pediu para eu passar. Estava no meio de uma contração. Esperei passar e aí fui pra maca. Ela mandou eu colocar os braços pra baixo e “agora vc precisa se controlar”. Fui de olhos apertados e respirando fundo. Qdo abri os olhos, estava passando do lado de um bebe num berço, com 2 mulheres fuçando nele. Pensei: é o bebe da cesárea.

Na sala de parto passei pra mesa e perguntei pela Vânia. A médica me respondeu que ela estava se trocando e já vinha. Lembro que quando ela chegou agarrei ela pela cintura (com os braços erguidos acima da minha cabeça) e puxei pra conseguir fazer força. A Dra. arrumou meus pés no estribo (na verdade onde ficariam os joelhos) e me mostrou onde segurar mas eu não alcancei. Então agarrava na lateral da cama. Depois de 2 contrações a Cynthia começou a dizer que “onde está não pode ficar”, “força aqui embaixo”, “não desperdiça contração”. Eu sentia a Laura vindo, mas a contração passava e ela voltava. Percebi que não ia escapar da episio, mas isso eu já sabia. Mais 2 contrações, a Vânia enxugando meu suor, eu gritando “vem Laura, vem!!” e a Dra. me avisou que a enfermeira ia fazer força na minha barriga para nascer na próxima.

Acho que fiz mais força que nas outras vezes porque nem senti ela empurrando e percebi a médica tirando o corpo da Laura. Eram 8h02. Olhei pra baixo e vi ela limpando o rostinho, colocou um campo na minha barriga e me deu meu bebe. A Laura ficou quietinha, calma, respirando ali deitada. Dei boas vindas a ela e notei a médica falando e fazendo gestos com a mão:”espera, espera!”. Chamou a Vânia pra cortar o cordão e a berçarista parecia uma galinha choca em volta dos pintinhos!! Quando ela tirou a Laura de cima de mim que ela chorou. A Vânia foi atrás e dali a pouco elas voltaram com a bebe embrulhada e colocou pertinho do meu rosto. Aí foi a vez da Vânia ficar “calma, espera! Deixa ela ver a mãe!” e eu ali conversando com a minha filha. Tínhamos conseguido afinal!!!

Com a fala que o bebe ficaria com frio ela foi levada. A Vânia foi avisar a Ju que tinha nascido e eu fiquei sozinha com a Cynthia dando os pontos da episio. O pediatra colocou a cara na porta e pediu desculpas por não ter chegado a tempo mas estava num Posto de Saúde no outro lado da cidade, mas que ela tinha nascido super bem. Entrou também outro médico na sala, e num gesto de respeito comigo a Cynthia fez as apresentações:

- Andréia, esse é o Dr. "Fulano", o anestesista que você dispensou.
- Dr., essa é a Andréia.

Quando acabou os pontos a Cynthia pegou o cordão e ficou segurando ele dando leves puxões como se empinasse uma pipa. E avisou que eu ia sentir um pouco de cólica. Senti a placenta escorregando inteira.

Minhas pernas foram ficando roxas e eu comecei a tremer de frio. No quarto a enfermeira
Me avisou que dali a 4 horas ela me ajudaria a tomar banho e trariam o bebe.

4 horas?????

- É, seu útero precisa descansar!!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!

A Vânia saiu atrás do pediatra, mas ele já havia saído, em compensação a bolsa da médica estava ao lado da minha no quarto, então eu sabia que ela voltaria.

Conversamos e ela foi ao berçário avisar que assim que eu tomasse banho era pra me trazer a Laura.

A Vânia foi fazer minha internação e a Ju veio ficar comigo. Deitou na poltrona do meu lado e dormiu por 2 horas!!!

Minha pressão? 12x8. A berçarista veio: “você que quer o bebê logo?” Sim. “Posso pegar a roupa? Já dou banho nela”

Ás 11h tomei sopa, um bom banho e esperei a Laura. 12h ela veio sugando as mãos! Acordada, de olho aberto, esperta, mamando, buscando.

A D. Madalena (berçarista): “ Parto normal é outra coisa né? Os nenês ficam até mais inteligentes. Os médicos que falam! Você tem colostro?”

- Tenho
- Vamos por ela pra mamar.
E ela fez o serviço direitinho!! De cara, super bem, super forte.

Às 12h do dia seguinte eu estava indo embora pra casa com a minha Laura me sentindo vitoriosa. Eu tinha conseguido!! Tive um parto com tudo o que eu podia conseguir de concessão num hospital. Atingi, em diversos pontos, os limites deles.

Laura e Andréia - 25/10/2005

(e-mail que mandei para as listas gestarbeminterior-sp e partonosso).

Olás!

Então... foi tudo bem! Eu tinha ficado bastante apreensiva e cheguei a comentar com a Ana Cris. Andréia teve um rompimento alto de bolsa no domingo às 06 da manhã. Na consulta de segunda à tarde a médica pediu um ultrassom e se o líquido estivesse muito diminuído ela ia pedir um hemograma e ver se dava para esperar mais. Pensei que tudo tinha ido por água abaixo... mas o ultrassom deu que a ruptura era bem pequena e elas deram então 48 horas de prazo prá Andréia entrar em TP natural antes de indicar a indução. Nessa hora fiquei nervosa... fantasmas pessoais eu acho...

Aí na terça 01h30 da manhã Andréia me ligou dizendo que estava já com contrações de 5 em 5 minutos. Fui prá lá e foi tudo muito tranquilo. Até minha mãe ajudou, apesar de derramar umas lágrimas quando a Andréia dava uns gritos mais longos. Juliana (primeira filha da Andréia - 10 anos) também ajudou e também derramou umas lágrimas... mas ficou junto, procurava ajudar, levou xingos da Andréia na fase de transição... rs... e foi junto prá maternidade nas 2 vezes.

Fomos a primeira vez às 03h45 quando as contrações ficaram bem próximas - de 3 em 3 minutos. Aí a médica foi e disse que a dilatação ainda estava em 3cm e deixou que ela escolhesse ficar ou voltar prá casa. Ela quis ir prá casa. (Eu precisava desta segurança por causa da pressão arterial da Andréia, que estava sendo controlada com remédios - mas eu nunca digo que é cedo prá ir pra maternidade se a parturiente quer ir).

Aí as contrações foram apertando, e às 06h50 a bolsa rompeu e saiu bastante líquido. Aí voltamos prá maternidade, em plena hora de rush! Fui buzinando e de pisca alerta ligado. (depois a gente acha engraçado).

Aí a dilatação já estava completa e a médica foi super tranquila. Disse que a bebê ainda estava alta e que tinhamos que esperar um pouco. Andreia se sentia melhor deitada de barriga prá cima e ela não falou nada. Depois que fomos prá sala de parto a auxiliar falou prá Andreia não gritar prá não perder a força e a médica disse: "DEIXA GRITAR".

Ok. teve episio e teve uma leve kristeller que a Andreia autorizou na hora. Não dava prá ser perfeito né?

Mas depois a médica segurou a berçarista prá não levar a bebê embora, esperou um pouquinho prá cortar o cordão e me convidou prá cortar. Depois que já tinham levado a bebê a auxiliar me mandou ir fazer a internação, e a médica disse que "ISSO PODE ESPERAR MAIS UM POUCO". Fiquei lá até a Andreia ir para o quarto. Ah... saí de fininho e fui até o quarto contar prá Juliana que a Laura já tinha nascido, e a Ju saiu correndo pelo corredor e dando gritinhos de felicidade, foi até o berçário e colou a cara no vidro... que pena não ter uma foto daquele momento!

Laura ficou umas horas em observação (não sei quantas), mas não teve nitrato de prata nem injeção de vitamina K.

E EU ADOREI TUDO!

Na tarde seguinte elas já tiveram alta e já estão em casa.

Beijos e obrigada pela força. Sem essa irmandade virtual o que seria de mim?

O parto da Sol na novela "América"

21/10/2005

Ah foi muito engraçado! Eu via a cena e ficava imaginando o Brasil todo morrendo de dó da moça e eu morrendo de rir!

Depois do início do TP ela saiu de casa durante uma tempestade prá procurar ajuda pq o telefone não estava funcionando. Ela mora na cidade, mas sabe-se lá pq, na próxima cena ela estava andando sózinha no meio do pasto durante uma baita tempestade, com o TOURO fungando por perto, e ela gritava SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

As contrações foram sem intervalo desde o começo - e é bom que fique claro: isso é um baita problema, raro, mas que quando acontece é motivo prá correr prá maternidade.

Aí ela achou um paiol, e o bebê nasceu praticamente na mangedoura. Só mostrou ela se deitando e na próxima cena o bebê já havia nascido. Aí Tião chegou, fez respiração boca a boca no bebê até ele chorar, e depois o enrolou em panos e saiu pela tempestade pra levá-lo ao hospital, onde foi diagnosticado o grave problema cardíaco.

Foi assim!

Viu? Sou uma baita noveleira. Mas já era antes do Batatinha nascer e não vou botar a culpa nele! Rs...

E já quero deixar claro que na minha opinião novela é novela, não tem intuito informativo e não tem obrigação de ser cientificamente irrepreensível. Cinema é cinema, novela é novela e ciência é ciência. Cada macaco no seu galho. Eu deixo prá sentir raiva quando aparece um senhor no Fantástico, falando em nome da ciência e só sai abobrinha. Isso sim me dá raiva!

Beijoooooooooos noveleiros,

Vânia.